domingo, 10 de maio de 2009

O Rico e o Lázaro- Flavio H. Arrué

Extraído do Site www.verdadespreciosas.com.ar e traduzido para o Português pelos irmãos da cidade de Alegrete-RS
BREVE EXPOSIÇÃO DE UM RELATO REAL

Lucas 16:19-31

OS ENSINAMENTOS DE CRISTO SOBRE A CONDIÇÃO DAS ALMAS DEPOIS DA MORTE

INTRODUÇÃO

“Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.” (v. 19-21).

É chamativo como tantos pretendem falsificar os claríssimos ensinamentos de Cristo acerca da condição dos mortos, alegando que este relato não é real nem verídico, senão que está falando de forma fantasiosa, o que por ser meramente uma «parábola» —alegam— nada tem que ver com a realidade. Os «Testemunhas de Jeová», os «Adventistas do Sétimo Dia», por exemplo, assim como todos os aniquilacionistas[1] (os que crêem que a alma é capaz de ser aniquilada ou extinta, e definem erroneamente o verbo «destruir»[2] desta falsa maneira), agitam esta torcida interpretação da passagem a fim de escapar da realidade dos ensinamentos sobre o estado consciente das almas em sua condição separada do corpo, e assim estas seitas propagam suas falsas doutrinas que afetam os próprios padecimentos de Cristo na cruz (veja no final). Veremos que não é assim, e a Bíblia fala por si mesma com autoridade sobre a consciência de todos, só que basta a absoluta e incondicional adesão a ela, e não aos falsos sistemas dos falsos mestres sectários.

Brevemente para começar observamos que o próprio mestre não diz nem sugere que estivesse contando uma parábola. Em todas as parábolas, o Senhor manifesta claramente que está oferecendo uma parábola. Aqui não o faz. Em nenhuma parábola o Senhor dá nomes. Aqui dá nomes, pelo que se trata de um relato real. É certo que o Senhor, neste relato, utiliza alguns símbolos: isto ninguém nega. Toda a linguagem do Senhor no Novo Testamento está cheio de símbolos, mas eles transmitem realidades concretas, não fantasias, como se pretende. E inclusive ainda que o relato parecesse ter o caráter de parábola, a passagem é tão poderosa que mesmo que seja considerado como uma parábola dá precisamente os mesmos resultados.

A razão é que as parábolas relatam situações da «a vida diária», mas neste caso o ponto mais importante que nos faz ver que não seria uma parábola é a menção de um personagem por seu nome —«Lázaro»— de quem a duras penas o Senhor haveria dado seu nome se realmente não houvesse existido; mas o que não pode ser questionado é a situação das almas neste relato, pois a definição de parábola não o permite.

Sim ao invés de parábola fora uma fábula, esta criaria situações não reais, tal como que as árvores falam e elegem um rei (como no caso do filho de Gideão, Juízes 9); mas estes sucessos são completamente reais. E se não houvesse sucedido com Lázaro —por ser um personagem do relato— se passa com os que morrem.

Como no caso do semeador, todos os elementos da parábola são altamente conhecidos e plenamente reais, para os que a escutaram, pois são quadros tomados da vida cotidiana.

Pois bem, a narração começa falando de um homem rico. É evidente que o Senhor enquadrou seu discurso sobre a condição das almas depois da morte dentro de um transfundo judaico, adaptado a seus ouvintes e na linguagem deles: daí o simbolismo "o seio de Abraão", etc. Conforme a mente judaica, uma boa fortuna, como dizem os homens, constituía a felicidade. Os judeus consideravam tal prosperidade como um sinal do favor de Deus. O rico do relato tinha tudo o que seu coração (ou melhor, a carne na realidade) podia desejar, e assim dava rédeas solta a seus desejos. Mas tudo era um deleite egoísta: para o coração do rico, Deus não contava para nada em tais desejos, nem tampouco havia interesse algum pelo próximo: tudo era o eu. Isto fica demonstrado ao entrar na cena o mendigo Lázaro, que comia das migalhas do rico. O rico não reparava neste pobre, senão só em si mesmo. Os cães eram mais considerados que o mendigo, e rendiam a este maior favor que seu amo: lambiam as chagas do pobre mendigo.

Assim vemos, pois, queridos amigos como é o homem, neste caso o judeu, mas o homem ao fim, na vida presente, conforme seus pensamentos de bem estar terreno.

A CONDIÇÃO DAS ALMAS DEPOIS DA MORTE CORPORAL

Mas tudo muda com a chegada da morte, e aqui o Senhor revela seus ensinamentos em forma inequívoca, às quais devemos aderir sem compromisso, porque é o Senhor quem fala, e não o homem, e ele ensina que o que está detrás da tumba para que nós possamos ter a verdadeira luz sobre estas coisas.

22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.

Está claro que “o seio de Abraão” é um símbolo, para os ouvintes judeus, de um lugar especialmente bendito no mundo invisível, onde lhe esperam os mais honoráveis servos de Deus. Mas a companhia de Abraão e a bem aventurança de sua condição não eram simbólicas. Vejamos como segue o relato.

23 No inferno ( Hades), estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.

Esta não é uma figura do estado final de juízo, senão de certa condição depois da morte. (Enquanto que a alma do mendigo passou a um estado de felicidade, quando seu corpo jazia no sepulcro). Do rico se diz que “levantou seus olhos” o qual é linguagem simbólica de novo, mas que descreve o estado consciente de sua alma. O fato é que Lázaro, conforme o ensinamento do Senhor; foi visto no seio de Abraão pelo rico, que estava em tormentos.

Diremos algo sobre símbolos incluídos neste relato: A linguagem simples e gráfica atrai mais a atenção das pessoas sem importar seu nível cultural, que uma descrição do estado consciente da alma depois da morte feita em termos científicos a qual houvesse sido inadequada para os ouvintes do Senhor. O fato é que não existe a mínima dificuldade na narração tomada em seu justo sentido. Em nosso falar diário empregamos continuamente linguagem figurada para que todos nos entendam melhor. 90 % da crítica anti-bíblica é desonesta, e tem a clara intenção de desacreditar a Escritura (O hades e o castigo eterno, A. P.). Claramente o Mestre ensina que tanto o crente como o incrédulo, se encontram em um estado consciente depois da morte, e quem ensina o contrário, ensina contra a doutrina de Cristo

24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

A prova é certamente claríssima aqui de que inclusive antes do juízo, os ímpios já estão em tormentos.

Ninguém questiona que o Senhor emprega figuras, mas, repetimos, o motivo das mesmas é explicar as coisas invisíveis de maneira mais inteligível possível para nós; pois nós percebemos o mundo exterior através do corpo e os sentidos; e daqui o Senhor toma as figuras a fim de que aqueles a quem ele se dirige e a quem lhes apresenta o mundo invisível conforme a Sua própria sabedoria, as entendam.

O Senhor revela também que ali, no Hades, o rico tem consciência da necessidade de misericórdia. O rico não toma, exteriormente, o lugar de um incrédulo. Nele não há seguramente nenhuma fé, mas ele fala de “Pai Abraão”, e mesmo que ele nunca buscou a Deus por misericórdia, vê ao menos que ali, no seio de Abraão, podia gozar da mais rica misericórdia. Então pede que Lázaro molhe a ponta de seu dedo na água e que refresque sua língua: uma miserável gota de água! Em outro tempo, haveria sido um favor tão insignificante que apenas haveria tido em conta, e menos ainda se Lázaro o houvesse feito. Na terra, o rico haveria detestado uma coisa assim. Mas a verdade aparece quando o homem tem deixado esta vida. Que importante é, pois, ouvir enquanto estamos na terra, o que o Senhor nos diz!

“Estou atormentado nesta chama.” Quem nos diz isto é ninguém menos que Jesus. E nós sabemos que ele é a verdade, e que estes são verdadeiros ditos de Deus.

A resposta de Abraão é digna de notar também:

25 Mas Abraão lhe disse: Filho (pois ele não repudia a relação segundo a carne) lembra-te que recebeste teus bens em tua vida, e Lázaro também males; mas agora este é consolado aqui, e tu atormentado.

O que era de Satanás tinha boas coisas nesta terra; enquanto que quem era nascido de Deus, recebeu males aqui em baixo. A terra como tal não proporciona nenhuma medida para os juízos de Deus: quando Jesus vier, e o Reino for estabelecido, será diferente. Mas tanto o judeu como o homem em geral devem aprender que isto não é assim agora, e que, antes que Ele venha, subsiste a solene verdade de que os homens mostram por seus caminhos aqui na terra quão poucos crêem nas palavras de Deus como estas. Mas quando os homens morrem, seguramente haverão de provar a verdade do que eles recusaram ouvir neste mundo: “Agora este é consolado aqui, e tu atormentado”. Não é o tempo do Reino público do Messias. Lucas nos permite ver o que é mais profundo ainda que esse Reino: a bendita porção invisível do justo, assim como o mal para o injusto.

26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.

O Senhor ensina aqui que existe uma estabelecida e grande separação entre o bem e o mal no estado intermediário. Não se pode passar de um ao outro. A noção de uma graça possível na condição separada é absolutamente excluída pela Escritura. Os homens naturais sonham com esta possibilidade de uma «segunda oportunidade»; eles desejam aferrarem-se do mal tanto como possam, ou ao menos dos desejos deste mundo, desprezando as advertências de Deus e largando mão ou adquirindo bens deste mundo, no qual põem seu coração, mas descuidando por completo a solene lição que o Senhor nos oferece mediante a narração do rico e Lázaro. “Um grande abismo está posto entre nós e vós”, diz Abraão. Entre os justos que partiram, e aqueles que morreram em seus pecados a separação é completa.

E posto que o rico não visse nenhuma possibilidade de mudança para si, volta então sua atenção para sua família.

“27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.31 Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” (v. 27-31).


CONCLUSÃO

A resposta de Abraão traz à luz outra grande verdade: a suprema importância da Palavra de Deus.

Temos visto o testemunho do mundo invisível e que o Senhor nos revelou mediante este relato real. Os oponentes da Bíblia querem nos fazer crer que o Senhor estava oferecendo uma novela, que estava contando contos fictícios e imaginários que nada tem que ver com a realidade. Os que crêem que dizendo isto escapam da clara revelação do Mestre, se equivocam para eterna perdição. De fato, também a própria ressurreição de nosso Senhor sela a verdade de suas palavras, pois não há prova mais evidente do fracasso total de qualquer outro meio para ressuscitar ao homem. Ainda que ele ressuscitou dentre os mortos, em meio de um bando de homens armados que guardavam a tumba, isto não logrou persuadir o coração dos homens, e menos ainda dos sacerdotes e anciãos judeus, que só se endureciam mais completamente por ele. Todos manifestaram sua incredulidade.

Para terminar reiteramos que a companhia de Abraão e a bem aventurança de sua condição não eram simbólicas. E assim como as Escrituras claramente nos dizem que o hades é para o crente uma condição de bem aventurança, assim também o Senhor nos diz que o hades é para o incrédulo uma condição de tormento. Podemos crer na primeira declaração e recusar a outra? Seguramente que não! Quão infinitamente benignas —e tão infinitamente solenes, para que seus ouvintes escapassem de tal condenação—, fora as advertências que o Senhor fez quando esteve aqui na terra!

O oponente de Cristo ¾quem ensina uma doutrina contrária à do verdadeiro Cristo a respeito destas coisas¾ pode argüir, e colocar, que se os olhos e a língua são simbólicos, os tormentos e a chama deveriam ser também simbólicos. Mas se os tormentos físicos são simbólicos, perguntamos: de quê são simbólicos? Aqui o simbolismo se acaba, pois não há senão uma única resposta: Os tormentos físicos, se forem simbólicos, devem ser simbólicos dos tormentos espirituais. Os tormentos que afetam o corpo, se são simbólicos, o devem ser dos tormentos que afetam a alma, e isto é justamente o que simbolizam. O fato de que alguns contendam esgrimindo o argumento de que a linguagem é simbólica, não debilita no mínimo nem afeta em menor grau a seriedade da advertência. Porque se a linguagem é simbólica, o simbolismo é utilizado nada menos que pelo próprio Filho de Deus, e sua intenção era dar ele mesmo uma impressão adequada e justa em seus ouvintes.

É terrível o simbolismo? A verdade que se propõe assinalar é o terrível. É terrível o simbolismo? A advertência também é terrível. Mas o racionalismo e o sentimentalismo, que constituem a base das falsas doutrinas aniquilacionistas e universalistas, tem como resultado a privação do sentido sucinto da verdade de Deus sobre estas coisas tão claramente ensinadas.

Infere-se claramente das Escrituras pra onde vai a alma do crente depois da morte, assim como também pra onde vai a do ímpio. E em outro estudo demonstraremos que o hades é a condição das almas depois da morte, ou seja, que é um estado, e não um lugar, que o crente, depois da morte, está com Cristo em felicidade, enquanto que os maus passam imediatamente a um lugar de tormento.

E concluímos dizendo que a verdade da doutrina do Novo Testamento a respeito do inferno ou destino dos maus, é que este se refere a um castigo com duas características fundamentais: é um castigo eterno e consciente, e constitui uma falsa doutrina fundamental o fato de negar uma ou ambas destas duas características perfeitamente ensinadas pelo Senhor e seus apóstolos

Edificação e Guerra- Gino Iafrancesco

Capítulo 1
Consciência Conceitual
Introdução
Vamos começar com uma leitura que nos ajudará, pouco a pouco, a introduzirmos na carga do Espírito. Gostaria de ir a Lucas 14, dos versículos 25 a 33 inicialmente. Não é meu propósito fazer um exame aguçado, exato desta passagem, e sim tomar da passagem a carga do Espírito. Lucas 14: 25-33. Amém. Então vamos seguir a leitura e atendendo ao Senhor no nosso espírito. Irmãos, não pretendo dar a última palavra enquanto compartilho o que o Senhor me tem dado; os irmãos também têm a liberdade de completá-lo com o que o Senhor les dê. Toda a igreja tem ao Senhor.
Leiamos:
Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para concluí-la? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo. Lc 14:25 a 33
Neste mesmo contexto, porque não foi Lucas que colocou este subtítulo que foi inserido pela Sociedade Bíblica, segue dizendo o mesmo Senhor:
O sal é certamente bom; caso, porém, se torne insípido, como restaurar-lhe o sabor? Nem presta para a terra, nem mesmo para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Lc 14:34 e 35
Irmãos, neste contexto do seguir a Cristo, do discipulado do Senhor, Ele toma duas figuras para representar o seguir a Ele, o qual é o discipulado; e estas duas figuras são: a figura da edificação e a figura da guerra. Edificação e guerra são duas figuras chaves que o Senhor utiliza para representar o seu discipulado. É como se o Senhor dissesse: Vocês me seguem em uma edificação que eu estou edificando, e me acompanham em uma guerra que eu estou guerreando. São dois assuntos essenciais que vão juntos, um com o outro.O seguir ao Senhor, o discipulado do Senhor, é como uma edificação. É uma edificação do Senhor, e uma edificação com o Senhor; para poder realizá-la, há que renunciar tudo pelo Senhor. Não podemos cooperar com a edificação do Senhor sem renunciar a tudo; até mesmo as nossas vidas, as nossas próprias famílias, os nossos próprios bens. Penso que, de tudo isso, o mais difícil de renunciar, porém o mais necessário e que deve vir primeiro é renunciar a nós mesmos, a nossa própria vida, quer dizer, a vida da nossa própria alma; Porque aqui quando diz:
“o que não leva sua cruz e vem após mim não pode ser meu discípulo”. E diz também: “... e ainda também a sua própria vida”.
Renunciar a própria vida, aqui a palavra vida, no grego, é a palavra psique; ou seja, a vida da alma, a vida do eu, a vida de nossa personalidade natural. Ainda isso é necessário colocar nas mãos do Senhor. Tomar a cruz para não deixar a edificação apenas iniciada ou para não perder a guerra. E também, para saber contra quem será a guerra, da parte de quem estaremos e contra quem.É no contexto deste seguir que Ele nos fala da cruz, nos fala da renúncia, nos fala de perder a vida de nossa alma toda, de renunciar a tudo; inclusive aos afetos naturais familiares, a vida do eu, as ataduras com as posses. Podemos ter posses, mas não podemos estar atados às posses, porque as ataduras às posses, as ataduras afetivas, as ataduras do amor próprio, a nosso próprio ego, a nossa própria alma, não nos deixarão terminar com Cristo a edificação, e seremos como um homem que começou a edificar, mas não pode terminar; ou seremos como um homem que enfrentou uma guerra, e não tinha as armas suficientes para vencer nesta guerra.Então, por isso disse aqui no verso 28, no contexto do seguir, no contexto do discipulado, no contexto da aplicação da cruz ao ego e inclusive aos seus afetos que parecem mais legítimos e naturais, como são os afetos familiares, ou os afetos às posses; é nesse contexto no qual Ele nos disse: “porque quem de vós, querendo edificar uma torre...”, e utiliza o exemplo da edificação, e disse:
“... não se senta primeiro e calcula os gastos...”; ou seja, que os gastos para edificar com Cristo são nossa própria alma, são nossa própria personalidade natural, são nossos afetos naturais, são nossos próprios apegos às coisas materiais, e apegos a nosso próprio eu, ou a nosso amor próprio; estes são os gastos em que devemos incorrer para poder terminar com Cristo a edificação. Não podemos cooperar na edificação sem primeiro calcular e fazer, depois de calculados, estes gastos. O Senhor não nos engana acerca dos gastos necessários para a edificação, e acerca dos gastos necessários para a guerra; sem pagar estes custos não podemos terminar a edificação e nem vencer a guerra.Ele usa também o exemplo da guerra. “Ou que rei, ao marchar à guerra contra outro rei, não se senta primeiro e considera se pode fazer frente com 10 mil ao que vem contra ele com vinte mil?”. Isso quer dizer, há que fazer os cálculos para a guerra. Assim como a edificação tem custos, a guerra também tem custos. E aqui nesta guerra, quem vai pelejar tem que saber de que parte está. Irmãos, porque de todas as maneiras está se pelejando uma guerra. Não podemos ser neutros nesta guerra. O Senhor Jesus nos disse: “o que não está comigo é contra mim”. Ninguém pode ser neutro. O que pretende ser neutro é porque não quer estar com Cristo, ou seja, o Senhor considera ao que pretende ser neutro como estando contra Cristo.Ele disse: “o que comigo não ajunta espalha”. Ou seja, que a guerra de todas as maneiras existe, e há que pelejá-la, e temos que definir a respeito de que lado estamos. Se vamos fazer a paz com o Rei, ou com outro rei contrário. Com que rei estamos? Com o Senhor Jesus ou com o príncipe deste mundo? Há custos nesta guerra. É necessário definir com quem estamos e estar dispostos a pagar os custos para que não percamos a guerra. Há uns custos para a guerra e uns custos para a edificação.Irmãos, necessitamos compreender com a ajuda do Senhor em que consiste esta edificação e em que consiste esta guerra. São duas coisas que acontecem no seguir ao Senhor. Se seguirmos ao Senhor, seguimos em uma edificação e o seguimos em uma guerra. Estas duas coisas: edificação e guerra ocorrem ao mesmo tempo.
Batalhas
Eu gostaria de usar outra passagem que lêssemos para ver como essas duas coisas: edificação e guerra estão juntas no serviço ao Senhor, no discipulado do Senhor, no seguir ao Senhor. Se puderem acompanhar no livro de Neemias vamos ver ali, no cap. 4, alguns versos tipológicos, onde podemos ver claramente que estas duas coisas, edificação e guerra, estão juntas. O livro de Neemias está depois de Esdras e antes de Ester. Gostaria que antes que lêssemos os versos do capítulo 4, façamos uma leitura panorâmica do livro, através dos subtítulos que a Sociedade Bíblica colocou nas distintas passagens. Estes subtítulos não fazem parte do texto sagrado, mas nos resumem o que tratam estes capítulos, portanto têm utilidade.

Assim que antes de ler o capítulo 4, eu gostaria que víssemos um pouco do que trata estes primeiros capítulos do livro de Neemias. Vejam o primeiro subtítulo que puseram, o qual nos diz o que trata o capítulo 1: Oração de Neemias sobre Jerusalém. Jerusalém nos fala da cidade de Deus, da edificação de Deus e do reino de Deus. E se fala do reino de Deus, fala também da guerra de Deus.

Lembrem-se de que no Antigo Testamento aparece um motivo que é o das Batalhas de Yahveh. Havia um livro, no qual se registrou a épica israelita desde a antiguidade, que é citado em Números 21:14, onde se fala do Livro das Batalhas de Yahveh. Yahveh, Ele sozinho, por si só, não necessitaria batalhar com ninguém. Mas como há uma oposição a Ele de suas criaturas, e há uma causa entre suas criaturas, a qual se está jogando, então enquanto suas criaturas e a participação de suas criaturas com Ele, se pode falar claramente das Batalhas de Yahveh. Esse Livro das Batalhas de Yahveh continha as batalhas de seu povo. As batalhas de seu povo são as batalhas de Yahveh.

Quando lemos também na história de Davi e posteriormente acerca das batalhas de Davi e dos israelitas, vemos que Davi pelejava as batalhas de Yahveh (1S 18:17; 25:28), e que a guerra era de Deus (1Cr 5:22; 2 Cr. 20:15). Do Senhor se diz que pelejava por seu povo (Ex 14:14,25; Dt 1:30; 3:22; 20:4; Jos. 10:14,42; 23:3). Diz, pois, que Davi pelejava as Batalhas de Yahveh. Quando Davi estava pelejando com os Filisteus, os Sírios, os Amonitas, os Madianitas etc., e estabelecia guarnições, tomava o território para o reino de Yahveh, não para seu próprio reino, e sim para o reino de Yahveh.Muitas vontades se faziam na terra, de muitos reis enganados por satanás, que é o enganador das nações. Mas um povo, Israel, conhecia a vontade de Yahveh; e com esse povo Deus queria estabelecer Seu reino, donde a vontade do Pai seja feita na terra. Deus começou a revelar esta vontade a seu povo Israel, e Davi pelejava com os inimigos de seu povo, não para estabelecer um governo próprio, mas sim para estabelecer um governo de onde se faria a vontade de Yahveh. Por isso se fala aqui não guerras de David ou das batalhas de Davi, mas sim que Davi pelejava as batalhas de Yahveh, e que a guerra era de Yahveh. Assim, se fala no livro de Crônicas, assim se conta nos livros dos Reis, acerca das batalhas que pelejava Davi e os israelitas; eram as batalhas de Yahveh. Não pelejava somente para si, mas pelejava para que Deus reinasse, para que a vontade de Deus, e não a sua própria, se fizesse.Deus rejeitou a Saul, porque Saul deveria representar a vontade de Deus, mas ele no caminho começou a representar sua própria vontade e deixou de representar o reino de Yahveh e o trono de Deus, para representar seu próprio reino particular, por isso foi rejeitado, porque não fez a vontade de Deus, e Deus o substituiu por Davi, um homem segundo Seu coração, que pelejaria as batalhas para Yahveh.As batalhas de Israel com os egípcios no mar vermelho, durante as jornadas no deserto, com Ogue o rei de Basã, com Siom rei de Hesbom e as demais batalhas posteriores constituem a épica antiga de Israel que continha no Livro das Batalhas de Yahveh, citado em Números. Esta épica de Israel eram as batalhas de Yahveh, a guerra de Yahveh para o Seu reino. Assim também eram as batalhas de Davi e Josafá, etc. Assim, também foi a batalha do Senhor Jesus e assim são as batalhas, a guerra da Igreja.Então, se trata de uma guerra e também de uma edificação: as duas coisas ao mesmo tempo. A edificação é para um reino, é para a casa de Deus; mas também esse reino tem inimigos; e então há uma guerra, uma inimizade entre duas sementes (Gn 3:15).Então irmãos, devemos ser conscientes de que existe sobre a terra uma edificação de Deus e uma guerra de Deus, e nós ou cooperamos ou estamos contra. Não podemos ser neutros. O Senhor considera aos que se consideram-se neutros como inimigos. O que não está comigo está contra mim, disse Ele. O que não edifica com Cristo a casa do Pai está do lado contrário. Do Filho está escrito: que edificaria casa para Deus, e que Deus lhe seria Pai, e que lhe daria o trono eterno (1Cr 17:13 e 14 ). O trono de Davi era o trono de Yahveh. Assim se refere a ele em Crônicas (1 Cr. 29:23). O trono de Davi, o trono de Salomão não é somente o trono deles, senão como se disse é o trono de Yahveh.
Custos
Jesus edifica casa para o Pai, como filho de Davi, e também pelejou a guerra por seu Pai e por nós. Amém. E agora nós somos convocados a segui-Lo no discipulado do Senhor Jesus, em Sua edificação e em Sua guerra. O que não ajunta com o Senhor, espalha; o que com o Senhor não edifica o que Ele edifica e o que com o Senhor não peleja contra quem Ele peleja, está no lado inimigo. Temos que entender claramente estas coisas: Quem não conhece o que edifica e contra que peleja, é porque está do lado do inimigo. Pode estar neste partido sem saber, porque o inimigo tem muitos escravos cegos que não sabem que estão sendo usados para edificar outra coisa, pode ser Babilônia, e para pelejar outra guerra a favor do diabo. Claro que perdida, mas estão enganados.Irmãos, estamos aqui com a ajuda do Senhor, para tomar consciência de que se estamos seguindo ao Senhor, O seguimos numa edificação específica e combatemos juntamente com Ele em uma guerra específica. E para poder terminar esta edificação e para poder ganhar essa guerra com o Senhor, temos que pagar os custos que devem ser pagos. Este custo é o da vida da nossa própria alma, nossos próprios afetos naturais, nossa própria personalidade natural, nossos laços sentimentais, nossas ataduras materiais; isto e outras coisas são o custo para poder terminar esta edificação sem que sejamos escarnecidos pelo inimigo.
Interesses
Então irmãos fixem-se agora no que diz o Livro de Neemias: oração. Aqui está a intercessão, o compromisso espiritual de Neemias. Oração sobre Jerusalém, a cidade do grande Rei, Yahveh Sabaot, Yahveh dos Exércitos.O título seguinte colocado pelas Sociedades bíblicas acerca do tema deste livro é: Artaxerxes envia Neemias a Jerusalém. Ou seja, que uma vez que houve a intercessão pela causa de Deus, pela cidade de Deus, pela edificação de Deus, pelo reino de Deus, pela guerra de Deus, uma vez que houve esta intercessão, então houve a providência, o movimento providencial de Deus. Se você quer seguir ao Senhor, e ora ao Senhor para cooperar com Ele, a providência de Deus vai te acompanhar, e vai dar em tuas mãos tudo o que necessite para esta edificação e para esta guerra. Artaxerxes era um rei do império persa, que era como uma das cabeças da besta, mas sobre ele reina outro maior: Deus, quem inclusive utiliza seus próprios inimigos para cooperar, a seu prejuízo com a causa de Deus. Artaxerxes envia Neemias a Jerusalém.Logo, disse a Sociedade Bíblica: Neemias anima o povo a reedificar os muros. Aqui vai o conceito da edificação: reedificar os muros da cidade, os muros de separação, para fazer clara diferença entre o que é santo e o que é profano, entre o que é precioso e o que é vil, entre o que é do céu e o que é da terra, entre o que é do Espírito e o que é da alma ou o que é do eu ou o que é da carne. Onde se separa o que é do reino de Deus e o que é da potestade das trevas. Uma edificação tem muros e pertence a um reino; e esse reino e esses muros defendem do ataque; porque existe uma guerra.Então dizia: Neemias anima o povo a reedificar os muros. Capítulo 3, título: Divisão do trabalho de reedificação. Aí temos a edificação. Capítulo 4, título: precauções contra os inimigos. Aí temos a guerra. Quando há edificação há oposição, então temos guerra. Edificação e guerra. Quem que vai edificar uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem como terminar a torre? Não seja que depois de haver posto o alicerce fiquemos nos meros fundamentos; e depois de tanto tempo, devendo já ser mestres, não avançamos até a perfeição (Hb. 5:12 a 6:1), e ficamos dando voltas no deserto (I Co. 10:1-5). Sabem por que ficamos dando voltas e ficamos como crianças imaturas? Porque não pagamos o custo da edificação e da guerra. Quando não pagamos o custo, ficamos dando voltas no deserto.Há, pois uma edificação, e como há também muita oposição a esta edificação, há então uma guerra. Já nos disse o titulo: Precauções contra os inimigos. Há guerra, há inimigos de fora e inimigos que se infiltram para dentro. Veja agora o titulo do capitulo 5: Abolição da usura. A usura foi a inconsciência, a inconsistência do mesmo povo de Deus, que não entendeu a Deus nem a edificação nem a guerra; e enquanto havia edificação e guerra, alguns inconscientes estavam querendo tirar proveito próprio, estabeleceram interesses sobre o povo de Deus. Como se tornou feudal a cristandade! Irmãos quantas vezes as coisas não são feitas para Deus como deveria ser, porque alguns que deveriam estar colaborando, tem seguido seus próprios interesses. Quando mesclamos nossos próprios interesses dentro da comunhão entre o mesmo povo de Deus, em vez de colocá-lo todo para edificação de Deus, em vez de colocá-lo para a guerra de Deus, enquanto o povo está na edificação e na guerra, nós estamos aproveitando a conjuntura para nossos interesses vis. Essa foi a razão da usura. Por isso Neemias teve que abolir-la. Que significa pois, abolir a usura? Significa que na edificação de Deus e na guerra de Deus não há lugar pra os interesses próprios. Não há lugar para os interesses próprios na edificação de Deus e na guerra de Deus!
Infiltração:
Logo diz o titulo do capitulo 6: Conspiração dos adversários. Aí continua a guerra. Capitulo 7: Neemias designa dirigentes: Para que? Para a edificação e para guerra. Os que voltaram com Zorobabel, para que voltaram? Para a edificação e para a guerra. Então, neste contexto, vamos ler do capitulo 4 não todos os versos, e sim desde o verso 15, para que nos sirva de ilustração; porque as coisas que foram escritas antes, para nossa edificação e ensinamento foram escritas (Rm. 15:4).Então nos diz Neemias 4, mostrando-nos juntos estes conceitos de edificação e guerra o seguinte, desde o verso 15 até o verso 23 inicialmente: “E quando ouviram nossos inimigos que já o sabíamos...” Porque no princípio os inimigos não se declararam inimigos, se disfarçaram de amigos: Edificaremos convosco, disseram (Es. 4:2, Ne. 4:11); mas eles o que querem é infiltrar-se para destruir a edificação. Assim é satanás. Satanás quer infiltrar os seus para destruir a edificação; mas se o entendemos, então agora sim deve declarar-se inimigo abertamente. Enquanto satanás se apresente como amigo, mas sua intenção é destruir, sua intenção é paralisar, sua intenção é opor-se, mas se infiltra como amigo; mas quando o entendemos e satanás se dá conta, “... quando ouviram nossos inimigos que já o sabíamos e que Deus tinha frustrado o conselho deles, nos voltamos todos ao muro”.

Muro:
Irmãos, o muro representa a síntese da edificação e da guerra. O muro é para edificar e o muro é para guerrear. O muro é para deter o inimigo e para proteger o povo. É edificação e guerra. “Voltamo-nos todos ao muro”, todo o povo ao muro. É mister edificar o muro de separação; se trata de separação do contrário a Deus. O muro é para edificação e o muro é para a guerra. O muro é como uma espada de dois gumes que separa o que é de Deus do que não é de Deus; o que é santo do profano, o que é do céu do que é da terra, o que é do Espírito do que é da carne. Esse muro de santidade e louvor é a espada que separa a alma do espírito. Amém.Então diz aqui: “... voltamo-nos todos ao muro cada um à sua tarefa”. Cada um do povo de Deus tem uma tarefa no muro; nem um filho de Deus está isento nem da edificação, nem da guerra. Cada um tem um lugar no muro, ou seja, um lugar na edificação e um lugar na guerra. Irmão, recorde: está em uma edificação e em uma guerra; não perca a consciência de estar em guerra; tem que saber que está em guerra e contra quem guerreia, e da parte de quem. Tem que saber que está numa edificação, e tem que saber o que está edificando. Não podemos ser ambíguos; temos que ter claro contra quem guerreamos e o que edificamos. Amém.E agora diz aqui, “... cada um à sua tarefa”. Cada filho de Deus tem uma tarefa no muro, cada filho de Deus tem uma tarefa na edificação, cada filho de Deus tem uma tarefa na guerra. Ninguém esta isento, nem da guerra, nem da edificação, nem da separação devida, nem da devoção devida. Armas e ferramentas de nossa milícia“Desde aquele dia...”, ou seja, desde que o entendemos, desde que entendemos qual era o assunto de que se tratava, e que era o que em realidade estava sucedendo, qual era o drama, desde esse dia, “a metade dos meus servos trabalhava na obra e a outra metade tinha lanças, escudos, arcos e couraças”. As lanças são ofensivas e os escudos são defensivos. Os arcos são ofensivos e as couraças são defensivas; ou seja, que na guerra há uma parte ofensiva e uma parte defensiva.A parte ofensiva é a Palavra de Deus, a proclamação do evangelho, o ensinamento da Palavra de Deus; a parte defensiva é a luta espiritual, a apologética, a defesa; distintos aspectos da guerra; o aspecto ofensivo e o aspecto defensivo. Para o aspecto ofensivo há armas, a lança e o arco, a espada também; e para o aspecto defensivo, a couraça para proteger o coração, porque satanás procura fazer dano ao coração, corroer o coração, encher o coração de amargura, do desânimo, de ódio, de critica: é necessário colocar uma couraça no coração, e é necessário pagar o preço de morrer para nós mesmos. Se não morremos para nós mesmos, nosso coração é contaminado; temos que ter uma couraça que proteja o coração, e também um capacete que proteja nossos pensamentos; porque satanás nos ataca nos pensamentos e nos sentimentos; e se não pagamos os custos incubamos maus pensamentos e maus sentimentos. Temos que pagar os custos renunciando a todo mau pensamento e a todo mau sentimento. O que não renuncia a si mesmo, a seus maus pensamentos e a seus maus sentimentos, não paga o custo e não pode terminar a edificação e não vencerá na guerra.É necessário pagar o custo para proteger o coração e proteger a mente do ataque; satanás lança ataques constantes a nossos pensamentos e a nossos sentimentos. Para isso são a couraça e o capacete, para proteção de nossos pensamentos e de nosso coração. Escondidos com Cristo em Deus, sentados com Cristo em lugares celestiais, essa é nossa posição, nosso muro, nossas armas ofensivas e defensivas. O que Cristo conquistou para nos já é nosso, e a guerra é para mantermo-nos dentro da cidade de Deus, como um só corpo em Cristo, escondidos em Deus e representando Sua natureza e vontade, com o exemplo e o testemunho. Agora diz mais: “os que edificavam no muro...” 4:17 de Neemias: Os que edificavam o muro, os que traziam as cargas e os que carregavam, cada um com uma das mãos fazia a obra e na outra tinha as armas.”. Aí esta: edificação e guerra. Com uma mão edificavam e com outra mão tinham a espada; já não é a foice e o martelo, senão a pá e a espada. Um é para edificar e outro para guerrear.
Comunhão e coordenação
Logo segue dizendo assim: “Porque os que edificavam, cada um trazia a sua espada cingida aos lombos, e assim edificava; e o que tocava a trombeta estava junto comigo. E disse eu aos nobres, aos magistrados e ao restante do povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamos apartados no muro, longe uns dos outros. (Ne 4:18 e 19). Ah! Que importante é considerar isto. Por isso havia uma trombeta. A trombeta era para convocar o povo. Essa era uma classe de toque e para convocar à guerra era outra classe de toque. A trombeta é para convocar e para guerrear, e tem distintos toques: um toque é o de retirada, outro toque é de avançar, outro toque é o de convocação para uma e outra coisa. Com um toque se reunia os anciãos, com outro se reuniam as tribos; com um toque avançavam, com outro toque paravam. Amém. Para isso a trombeta estava sempre ali e havia que dar um toque claro de trombeta, quer dizer que se possa discernir quando parar, quando avançar, quando vão os anciãos, quando vai o povo, quando há parada de um ou de outros, quando uns ou outros devem avançar, quando há retirada de uns ou de outros – para isso é a trombeta.E disse: “E estamos apartados no muro, longe uns dos outros...”, ou seja, que nesta guerra e nesta edificação não podemos estar longe uns dos outros. Para poder pelejar esta batalha e fazer esta edificação, temos que estar juntos e unânimes e coordenados uns com os outros. Não podemos pelejar esta batalha e nem podemos fazer com Cristo esta edificação, se não estivermos juntos. Porém, nos disse que estamos apartados uns dos outros; uns edificam uma parte do muro, outros edificam outra parte, mas como é o mesmo muro, é o mesmo reino, a mesma Jerusalém, a mesma cidade, então, deve haver coordenação; e para a coordenação estão as trombetas. As trombetas são para a coordenação na guerra e na edificação. Então disse: “No lugar onde ouvires o som da trombeta...”, Ou seja, que esteja um edificando uma parte por ali à direita, outro ao sul, outro ao norte, outro em qualquer extremo, não importa que estejamos apartados, um fazendo uma coisa ou outra, quando há convocação santa por meio da trombeta para edificação e para a guerra, devemos atender a voz da trombeta. Ai! Quantas vezes soa a trombeta, mas como o diabo nos faz soar outra trombetinha, as dos nossos negócios ou de nossos assuntos, não ouvimos a trombeta da guerra de Deus, nem ouvimos a trombeta da edificação de Deus, senão que com uma cornetinha o diabo nos distrai na guerra; e sabe por que nos distrai? Por que não nos quer juntos? Para devorar-nos. Ele nos quer longe uns dos outros, ele nos quer atrasados e apartados para devorar-nos. Os amalequitas atacaram por detrás aos que ficaram atrás, os que não seguiram juntos, os que ficaram soltos. Essas são as ovelhinhas que os lobos comem; os lobos não podem comer um grosso rebanho, mas uma ovelhinha que se dispersa e fica sozinha, a essa ele come.Por isso irmãos, para que haja verdadeira edificação e guerra, deve haver a coordenação por meio das trombetas. Por isso está escrito: neste lugar de onde ouvirei o som das trombetas, reuni-vos ali conosco. Devemos permanecer juntos e unânimes para esta guerra e para esta edificação.“Reuni-vos ali conosco: Nosso Deus pelejará por nós”. Quando pelejará nosso Deus por nós? Quando estamos juntos e unânimes, convocados por suas trombetas para a guerra e para a edificação; Ali Deus pelejará por nós. Que formosa é esta frase: “... nosso Deus pelejará por nós. Nós, pois, trabalhávamos na obra; e a metade deles tinha lanças desde a subida da alva até que saiam as estrelas. Quer dizer, todo dia estavam armados, tinham lanças, tinham arcos e também espadas. Amém. Vigilantes, quer dizer, não se pode fazer a obra de Deus esquecendo-nos que estamos em guerra.Precisamente os irmãos adoecem no momento em que há convocação; esse é o momento quando chegou uma enfermidade, quando veio a gripe, quando veio isto ou aquilo, quando estragou o eletrodoméstico, quando enguiçou o carro, quando chegou uma conta a pagar, e não nos damos conta de que é uma guerra de satanás contra nós para impedir a coesão do povo e para nos manter isolados, alheios da causa de Deus, sem entender onde estamos, e para nos manter enredados na armadilha de satanás; e aí então nos devorar. Temos que ser sábios.“Também disse então ao povo: cada um com seu criado permaneça dentro de Jerusalém, (atenção: dentro de Jerusalém) e de noite sirvam de sentinela”. (isto é alternando-se com seu próprio criado e de dia na obra. Quando está escuro ou perigoso, temos que ser sentinelas; e quando está tudo claro e tranqüilo, também; E há que edificar “E nem eu nem meus irmãos, nem meus jovens, nem a gente da guarda que me seguia, tiramos nossos vestidos; Cada um se desnudava somente para banhar-se”. Só para nos banhar nos desnudamos; o resto sempre vestidos, sempre armados na edificação e na guerra.Irmãos, por meio Deus, mais adiante eu desejaria entrar em mais detalhas disto; mas não quero continuar adiante nesta parte sem abrir para a participação e enriquecimento dos irmãos. Então, vamos nos deter por hora aqui.

Três Aspectos do Perdão- Levi Cândido

Artigo enviado pelos irmãos de Barueri-SP
“Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” (Ef 4:32)
Podemos contemplar nas Escrituras Sagradas três aspectos do perdão. O primeiro é aquele que pode ser entendido pelo contexto da nova aliança, a saber; o perdão que Deus declara àqueles que crêem no SENHOR Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador. A base para a efetividade deste perdão encontra-se na pessoa de Cristo Jesus e em sua consumada obra redentora. “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Rm 3:24-26) Muitos são aqueles que presumem-se que a simples confissão de pecados podem lhes assegurar a possibilidade de perdão. Esta maioria baseia-se no que o apóstolo João escreveu em sua 1ª epístola, capítulo 1 versículo 9 que diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” Porém, neste verso, o apóstolo não expôs o assunto concernente ao perdão de modo generalizado, aplicando a santos e ímpios igualmente. Entendemos pelo seu contexto que o perdão ali referido relaciona-se aos legítimos filhos de Deus; aqueles que nasceram de novo, portanto são filhos espirituais. “Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo;” (IJo 2:1) Esta observação no entanto, sabemos estar sujeita à seguinte objeção: Então porque o apóstolo João apresentou no verso seguinte como se aplicando generalizadamente? “e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.” ? (v.2 ) Embora neste verso aparece a expressão “mas ainda pelos do mundo inteiro”, não se deve aplicar-se de modo generalizado, ou seja; à toda a humanidade, mas aos cristãos autênticos do mundo inteiro. De outro modo isto implicaria numa suposta contradição bíblica. Mas a palavra de Deus em sua essência é inerrante. Atribuirei todas as aparentes incoerências da Bíblia à minha própria ignorância.(1) “Toda Escritura é inspirada por Deus...” (IITm 3:16ª) O sangue de Cristo tem valor suficiente para remir o mundo inteiro, mas seu poder é aplicado apenas aos que crêem.(2) Não podemos tomar o que pertence aos filhos e lançá-los aos cães. As pessoas que não tem Cristo como Rei para reinar sobre elas jamais terão Seu sangue para salvá-las.(2) A Bíblia não fala de mero perdão. Não pode existir perdão senão com base na satisfação da justiça.(3) O Pr. Glênio Fonsêca Paranaguá, (Londrina-Paraná), expôs este ponto do seguinte modo: A lei exige o cumprimento da penalidade e o réu não pode ser justificado sem a execução do castigo. Jesus não podia apenas nos substituir na cruz, pois a justiça decreta a morte do culpado. “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18:20) É um completo absurdo dizer que Deus nos perdoa porque Ele é amor. A única base pela qual Deus nos pode perdoar é a cruz.(4) Neste aspecto podemos contemplar o imensurável amor de Deus demonstrado a nós indignos pecadores. Para que fôssemos justificados e recebêssemos o perdão divino, Cristo Jesus assumiu a nossa deplorável condição na cruz, a fim de que a sua morte se tornasse a nossa morte para que sua justiça fosse a nossa justiça. Tomando o lugar do pecador na cruz, Jesus tornou-se tão inteiramente responsável pelo pecado como se fosse totalmente culpado.(5) Pelo evangelho, o salário do pecado foi pago e a justiça divina plenamente satisfeita. “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.” (II Co 5:14,21 ; Rm 6:23) Aleluia! A cruz de Cristo é o preço do meu perdão.(5) O sangue da nova aliança vertido na cruz do Calvário é a preciosidade que consolida a nossa confiança, de que fomos perdoados completamente em Cristo Jesus, no qual temos acesso ao Pai. Suportando vergonha e rude zombaria, Em meu lugar Ele foi condenado; Selou meu perdão com seu sangue derramado Aleluia! que Salvador amado!(6) O sacrifício de Cristo foi único, perfeito e eficaz. O Cordeiro de Deus que veio para tirar o pecado do mundo levou sobre Si mesmo, em seu corpo sobre o madeiro, os nossos pecados, outorgando-nos completa vitória sobre os mesmos. Porém lembre-se: O amor de Deus não é uma bondade natural permissiva como muitos imaginam e por isso o arrastam na lama; é rigidamente justiça e por esse motivo Cristo morreu.(7) “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.” (I Pe 2:24 ; Rm 6:6,7,11) Libertação! Assinada em lágrimas, selada com sangue, escrita em pergaminho celestial, registrada nos arquivos eternos. A tinta negra da acusação foi totalmente coberta pela tinta vermelha da cruz: “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado”.(5) O Pr. Humberto Xavier Rodrigues, comentando sobre este assunto disse: Devemos saber, com base na autoridade da palavra de Deus, que todos os nossos pecados foram lançados sobre nosso Senhor Jesus e tirados da vista de Deus para todo o sempre. O nosso Deus se desfez deles de um modo cabal e veio satisfazer todas as exigências do Seu trono e de todos os atributos da Sua natureza santa. Em colossenses 2:13-15 podemos certificar-nos: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.”
A convicção da exposição acima implica em nossa segunda consideração: Aquele que foi perdoado por Deus em Cristo Jesus, também deve exercer a prática do perdão das ofensas de seus semelhantes. Ora, sendo perdoados, necessariamente deve haver em nós santa disposição em perdoar. A recusa de perdão e reconciliação é atitude orgulhosa. A pessoa que sabe que é susceptível à queda estará mais pronta a perdoar as ofensas de seus semelhantes.(8) Precisamos considerar: O perdão não é uma opção aos filhos de Deus, mas um imperativo categórico. “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;” (Cl 3:13) Um cristão anônimo fez a seguinte observação: Parecemos animais quando matamos. Parecemos homens quando julgamos. Parecemos Deus quando perdoamos. Irmãos e irmãs ponderem nas seguintes reflexões: “Deus é amor!” (I Jo 4:8) Como andarão os Seus filhos? R.: “e andai em amor,...” (Ef 5:2ª ) “Deus é o Deus da paz” (Rm 16:20) Como devem comportar-se os Seus filhos? R.: “Segui a paz com todos...” (Hb 12:14) “Deus é santo!” (I Pe1:16) Como devem ser os Seus filhos? R.: “porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” (I Pe 1:16) “Deus é Luz!” (I Jo 1:5) Como devem andar os Seus filhos? R.: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5:8) “Deus é Espírito!” (Jo 4:24) Como andam os Seus filhos? R.: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.” (Gl 5:16) “Deus é misericordioso!” (Lc 6:36) Como devem proceder os Seus filhos? R.: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.” (Lc 6:36) Enfim, “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” (Cl 3:12-14) Deus é tudo aquilo que a sua palavra declara com respeito a Si mesmo. Logo, “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.” (I Jo 2:6) Se realmente conhecemos a Cristo como nosso Salvador, os nossos corações são quebrantados, não podem ser duros, e não podemos negar o perdão, disse Martyn Lloyd-Jones. Assim declara Tiago 1:23 “Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência.” Nada neste mundo vil e em ruínas ostenta a suave marca do Filho de Deus tanto quanto o perdão.(9) O Senhor Jesus enfatizou a necessidade de reconciliação, acima mesmo de qualquer sacrifício espiritual que alguém possa realizar. Ele disse em Mateus 5:23 o seguinte: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.” Observem irmãos; para Deus é mais importante estarmos reconciliados com os irmãos e vivermos em paz com todos do que oferecer sacrifícios espirituais estando em falta com alguém. O altar referido no verso acima não deve ser entendido como se aludido a um templo feito por mãos humanas, ou alguma coisa ou repartição dentro do mesmo, mas trata-se da esfera espiritual, onde aproximamo-nos de Deus para prestarmos culto a Ele e adorá-Lo com salmos, hinos, cânticos espirituais e com ações de graças. Também é o lugar onde trazemos nossas “ofertas” de confissão de pecados e recebemos graciosamente a paz; fruto da justificação em Cristo. Porém, como podemos aproximar-nos de Deus, confessarmos a Ele os nossos pecados, quando nós mesmos temos algo contra alguém, recusamos o perdão e reconciliação com os nossos ofensores ou àqueles a quem ofendemos? Uma certa mulher supostamente cristã, tinha algo contra o seu marido e, decididamente, assumira a postura de não perdoá-lo. Ela chegou-se a dizer a seu pastor: “Eu vou morrer, mas não perdôo o meu marido; vou levar isto comigo no meu caixão para o túmulo”. Se alguém assume tal atitude como esta, é de se duvidar se alguma vez ela leu ou entendeu o que está escrito em Mateus 6:14-15. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens {as suas ofensas}, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.”
Aquele que não perdoa destrói a ponte pela qual ele mesmo deveria passar.(5) Como Lewis Smedes destaca: "A primeira e geralmente única pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa... Quando genuinamente perdoamos, libertamos um prisioneiro e então descobrimos que o prisioneiro que libertamos éramos nós". Ora, se recebemos a Cristo como Senhor, somos seus servos. Se somos seus servos não podemos desonrá-Lo em negligência aos seus mandamentos. “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? diz o SENHOR dos Exércitos... Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando?” (Ml 1:6 ; Lc 6:46) Errar é a tendência inevitável decorrente da falibilidade da natureza humana. Perdoar é a característica essencial inerente à natureza divina em nós implantada através do novo nascimento. Aquele que nasceu de Deus tem como característica fundamental o amor perdoador em seu coração.

O terceiro aspecto do perdão relaciona-se conosco mesmos. Há muita gente vivendo subjugada pelos sentimentos depressivos que atormentam suas pobres almas. São sentimentos de ódio, de vingança, de amargura, de fracasso, de perda, etc., que se interpõe como obstáculos deixando suas vítimas escravizadas e impotentes para o avanço de seus objetivos. Essas pessoas normalmente trazem as marcas impressas do passado, por isso vivem sufocadas pela cobrança interior imposta pelo pecado. Normalmente, esses vivem como a mulher de Ló; olhando para trás; o que fizeram, o que deixaram de fazer, o que foram, etc., por isso, não podem desfrutar de um gozo legítimo e contínuo; não podem desfrutar do perdão autêntico. Não são poucos os que vivem atrofiados no caminho da existência pela falta de perdão; cegados do objetivo supremo. Entretanto, como o apóstolo Paulo, somos convocados à determinação consistente imposta pelo Senhor em Sua palavra. “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Fp 3:13-14) O olhar de Paulo estava no prêmio a ser alcançado: Ser conformado à imagem de Cristo. Conseqüentemente, suas forças eram renovadas, sua esperança indestrutível e a certeza de sua fé garantida por Deus; ele desfrutava do perdão real patrocinado pela soberana graça de Deus em Cristo Jesus. Igualmente, os olhos do cristão devem estar fixados firmemente neste supremo propósito. Em Cristo, o cristão encontra o perdão de todas as suas ofensas cometidas contra Deus, a capacidade para perdoar aos outros e a libertação de si mesmo conforme a autoridade transmitida pela palavra de Deus. “Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades;” (Sl 103:1-3) Com o argumento acima, a nossa intenção é mostrar aos nossos irmãos e irmãs que não devemos jamais submeter-nos ao pesado tributo imposto pelo pecado, uma vez que encontramos na expiação de Cristo completa vitória sobre o mesmo. Isto implica num descanso interior; quando cremos e descansamos no fato de que já fomos completamente perdoados por Deus em Cristo Jesus, e assim celebrarmos continuamente ao Senhor pela vitória conquistada, vivendo em plena liberdade para a Sua glória. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão.” (Gl 5:1) Em conclusão a este tópico, ponderemos no seguinte mandamento: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.” (Fp 4:4) O mandamento não diz: “Entristecei-vos sempre ..”; à despeito de suas derrotas, de seus fracassos, de suas misérias do passado, etc., mas; “Alegrai-vos sempre no Senhor...”. Se você não tem alegria na vida cristã, existe vazamento em algum lugar de seu cristianismo. (10). “Disse-lhes mais: ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força.” (Ne 8:10) Nestes dias complexos de culpa, talvez a mais gloriosa palavra de nossa língua seja “perdão”.(11)
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(1) John Newton ; (2) Thomas Watson ; (3) Geoffrey Wilson ; (4) Oswald Chambers ; (5) Alguém ; (6) Phillipp Paul Bliss
(7) Donald Grey Barnhouse ; (8) Alexander Auld ; (9) Alice Clay ; (10) Billy Sunday ; (11) Billy Graham ;


Levi Cândido

Barueri, 05 de Abril de 2009

Sin, Humiliation, Judgment-L. M. Grant.

L M Grant.
Judges 19 and Judges 20
Grievous sin had been committed in Israel, shocking, revolting to every ear that heard it. Nor was any tribe allowed to remain ignorant of, or indifferent to this defiant challenge against the holiness of the God of Israel. It was a matter of so vital consequence as to involve the entire nation.
But let us carefully note the matters that led up to the awful event, for it is these things that manifest the careless, unprofitable state of soul that characterized the nation as a whole, and which is so sadly repeated in the present history of our own dispensation of the grace of God. Evil had been allowed to gradually creep in unchallenged, and senses had become dulled to it, until by a sudden, shocking exposure we learn the essential results of the laxity that leaves the roots of evil unjudged.
1. First of all, the Levite was one particularly separated from his brethren for the service of God, a teacher and example of the people, responsible to perfect holiness in the fear of God. Yet no conscience of the people seems to raise any question as to the unholy alliance of the Levite with a concubine. What shall we say of this indifferent state of the people? Can it be that such example was pleasing to them? Also, what shall we say of the questionable alliances of our own day? — not perhaps with low gross forms of evil, but — with that which is respectable enough in the world's eyes, yet which compromises holiness and manifests a heart not thoroughly faithful to "one husband" — our own faithful Lord and Savior? "Let us search and examine our ways, and turn back to the Lord" (Lam. 3: 40).
2. However, we find the concubine adding greatly to the confusion by her sinful conduct (Judges 19: 2). Do we not discern here how our own careless ways may embolden another to stoop to more serious evil still? We may indeed lament it too, but how thoroughly do we judge ourselves concerning it? Would we dare to disclaim all responsibility in such matters? Such cool complacency is the sure forerunner of more solemn disclosures.
3. Let us also observe the mere friendly, gracious spirit in which the Levite recovers his concubine (v. 4). Not that we should object to grace, but where is the salt with which it should be seasoned? — the holiness so necessary in searching the poor woman's soul and restoring her in heart to the Lord, by means of her own true self-judgment? This, sad to say, is painfully lacking. Indeed, we might ask, how could the Levite possibly do such vitally important work when it is evident that he himself was not a self-judged man?
4. Nor is there a shadow of encouragement in the attitude of the girl's father. Instead of showing a broken and contrite spirit as before God, and a seriously humble and quiet state of soul, which in such circumstances was only becoming, he is quite indifferent to the shame of it all, and complacently covers it over with merry-making and false fellowship. The Levite too is fully subservient to this mere social vanity until he could stand it no longer (vv. 4-10). God forbid that we should ever accustom ourselves to indulging in such idle social pleasure; but how much more disgusting on an occasion of serious import! Yet this is not an uncommon thing.
5. Now in Gibeah, where there is no-one to show them hospitality, they are finally entertained by an old man, a sojourner from Mount Ephraim. How much like the wicked city of Sodom this city of Israel had become! Now when determined wickedness raises its head, let us consider how this old man, who has settled down in the evil city, can only think of conciliation as a means of meeting the evil. He is ready to sacrifice his own daughter, thus imitating the faithless folly of Lot (vv. 22-24). But this was not within his rights. Nor is it within our rights to make any compromise whatever with evil. Still, if we are linked with it, it makes cruel demands on us, requiring that we surrender what really belongs to God. "You who love the Lord, hate evil" is the divine decree (Ps. 97: 10). If we hated evil we should not in any way connect our name with it nor show it the least consideration. How can we dare consent to the slightest evil in order to avoid (as we hope) a greater evil? Are we so foolish as to suppose that we can subdue evil by allowing evil? But who does not discern that this is widely practiced in present day Christian profession? Where is our faith in the living God, whose power alone is able to meet the challenge of sin? What can satisfy the holiness of our Lord except our thorough separation from the evil and firm stand against it? If these are lacking, then however we may plan, compromise, and manipulate things, evil will eventually overwhelm us. What salutary, searching considerations for our souls: may they cast us truly upon God in unfeigned humiliation.
6. However, the faithless, craven Levite sacrifices his concubine to save his own neck, and the evil manifests itself in all its horror, breaking out in cruel violence and moral corruption such as even in Sodom had been hindered by the angels, but in Israel is allowed to go to its awful extent of iniquity. At least, if we do not discern in the former things the low and defiled state of Israel, yet none would certainly raise a doubt as to the repulsive wickedness of this act of the men of Gibeah. It is a matter in which all that heard it were of one mind: such evil must be judged.
But is this all? It is to be feared that too often the people of God regard it so; and the prevailing feeling here is simply that of indignation against the offenders. Yet in reality how much deeper does the whole matter go. We may in fact regard it as an undeviating principle that every such shocking exposure among the people of God should bring us all to our knees in sober, real self-judgment, before ever we take part in judging the evil. Can we, for instance, wink at those things that preceded this outbreak? Could the nation Israel rightly regard itself as clear of evil when they were required to act in this solemn case? Not by any means: the sin was Israel's sin, and it manifested a corrupt internal state that also required judgment. The nation must be brought to feel it as the guilt of the nation, not merely of the individuals. So too, in the Church of God, an occasion of such guilt is an occasion demanding the self-judgment of the Church as a whole, the self-judgment of all who may have any knowledge of, or connection with it. Compare 1 Corinthians 5: 2.
But a still darker complication arises (Judges 20: 12-17). When the tribe of Benjamin is asked to deliver up the guilty for judgment, they ignore the demands of righteousness and take up arms to defend the wicked offenders. Such is the awful power that evil wields that complicity with it is quite unhesitating and bold. Let us not underestimate the formidable power of evil, which it has gained by being tolerated, harbored and cherished in secret over a period of years. It may lead many unwary souls with it, perhaps many unwilling to believe or investigate the actual facts. Let us take care that our sympathies are not linked with the wrong camp.
Israel must act: there is no alternative. Yet twice they are defeated, with a great loss of men. True, at first they had inquired of God as to what tribe should lead in the battle, and God had answered, "Judah," which speaks of the spirit of praise in contrast to mere indignation. But it was not a real waiting on God for complete guidance. How serious a lesson for our own souls! The second time they weep before the Lord, and ask, "Shall I go again to battle against the children of Benjamin, my brother?" The Lord answers, "Go up," for there could be no altering the fact that they must judge the evil. But they lacked the consideration of "how" to go up, that is, in what spirit, and with what resources. Hence, when beaten the second time, their weeping now is attended by fasting and offering burnt offerings and peace offerings before the Lord (vv. 26-28).
There is nothing like a humble, proper appreciation of the offering of the Lord Jesus Christ to give us a right perspective of what evil is, and to enable us to judge it rightly as before God. The burnt offering reminds us that it was the glory of God supremely involved in this matter, glory which can only be rightly vindicated by the sacrifice of the holy Lamb of God. The peace offering speaks of communion with God and with one another, which had been so rudely violated, and which is secured only by the same blessed sacrifice of Christ. Why do we forget this most vital of all touchstones when faced with matters of so great consequence? This is God's resource for meeting evil, and we must seek grace to share God's thoughts if we are to know the victory which He gives "through Jesus Christ our Lord." Along with this the fasting would speak of the simple, real judgment of the flesh in ourselves, which is only properly accomplished as we view ourselves as in the light of the death of our Lord. Self-confidence invariably forgets such resources, and will invariably fail. May we turn from our pride and cling to Him whose grace and power are blessedly manifested at Calvary: He cannot be supplicated in vain.
Yet the solemn work of judgment must be finished. Evil is determined to fight to the end, and before Benjamin is subdued, thousands have fallen, both in the guilty tribe, and in Israel. Terrible was the cost of securing righteousness, but it must be done. Can we dare to be less firm with manifested evil today, under the specious plea of how many may be adversely affected by a definite, unequivocal stand against wickedness and complicity with wickedness? True indeed that God will require of us a chastened, broken spirit in dealing with it, and specially since our own low state of soul, our careless indifference, is all too sadly involved, but God's glory is far more important than the outward peace of His people. If we are broken for a reason of this kind, it is evident we need to be broken.
Again, however, let us press the fact that this was no mere isolated case of evil, but one which revealed the downward trend of the nation Israel, and God would have the conscience of all the nation in exercise, not merely to judge the grossly guilty, but to judge the deep roots of evil in their own hearts. No mere angry retribution is allowed, and before judgment they must be made to feel the reality of their own link with the evil, in speaking to God of "my brother Benjamin."
Shall we not today seek grace from our holy Lord and Savior to let these things burn into our hearts, that we may be fully with God both in the stand we take, and the becoming spirit of humiliation with which we take such a stand?

La Responsabilidad moral del hombre ante Dios y su falta de Poder- C.H.Mackintosh

La cuestión de la responsabilidad del hombre parece dejar perplejas a muchas almas. Éstas consideran que es difícil —por no decir imposible— conciliar este principio con el hecho de que el hombre carece por completo de poder. «Si el hombre —arguyen— es absolutamente impotente, ¿cómo puede ser responsable? Si él por sí mismo no puede arrepentirse ni creer al Evangelio, ¿cómo puede ser responsable? Y si él, finalmente, no es responsable de creer al Evangelio, ¿sobre qué base, entonces, podrá ser juzgado por rechazarlo?»

Así es como la mente humana razona y arguye; y la teología, lamentablemente, no ayuda a resolver la dificultad, sino que, por el contrario, aumenta la confusión y la oscuridad. Pues, por un lado, una escuela de teología —la «alta» o calvinista— enseña —y correctamente— la completa impotencia o incapacidad del hombre; que si se lo deja librado a sus propios medios, él jamás querrá ni podrá venir a Dios; que esto sólo es posible gracias al poder del Espíritu Santo; que si no fuese por la libre y soberana gracia, nunca una sola alma podría ser salva; que, si de nosotros dependiera, sólo obraríamos mal y nunca haríamos bien. De todo esto, el calvinista deduce que el hombre no es responsable. Su enseñanza es correcta, pero su deducción es errónea. La otra escuela de teología —la «baja» o arminiana— enseña —y correctamente— que el hombre es responsable; que será castigado con eterna destrucción por haber rechazado el Evangelio; que Dios manda a todos los hombres en todo lugar que se arrepientan; que ruega a los pecadores, a todos los hombres, al mundo, que se reconcilien con Él; que Dios quiere que todos los hombres sean salvos y vengan al conocimiento de la verdad. De todo esto, el sistema deduce que el hombre tiene el poder o la facultad de arrepentirse y creer. Su enseñanza es correcta; su deducción, errónea.

De esto se sigue que ni los razonamientos humanos ni las enseñanzas de la mera teología —alta o baja— podrán jamás resolver la cuestión de la responsabilidad del hombre y de su falta de poder. La palabra de Dios solamente puede hacerlo; y lo hace de la manera más simple y concluyente. Ella enseña, demuestra e ilustra, desde el comienzo del Génesis hasta el final del Apocalipsis, la completa impotencia del hombre para obrar el bien y su incesante inclinación al mal. La Escritura, en Génesis 6, declara que “todo designio de los pensamientos del corazón de ellos es de continuo solamente el mal”. En Jeremías 17 declara que “engañoso es el corazón más que todas las cosas, y perverso”. En Romanos 3 nos enseña que “no hay justo, ni aun uno; no hay quien entienda. No hay quien busque a Dios. Todos se desviaron, a una se hicieron inútiles; no hay quien haga lo bueno, no hay ni siquiera uno”.

Además, la Escritura no sólo enseña la doctrina de la absoluta e irremediable ruina del hombre, de su incorregible mal, de su total impotencia para hacer el bien y de su invariable inclinación al mal, sino que también nos provee de un cúmulo de pruebas, absolutamente incontestables, en la forma de hechos e ilustraciones tomados de la historia actual del hombre, que demuestran la doctrina. Nos muestra al hombre en el jardín, creyendo al diablo, desobedeciendo a Dios y siendo expulsado. Lo muestra, tras haber sido expulsado, siguiendo su camino de maldad, hasta que Dios, finalmente, tuvo que enviar el diluvio. Luego, en la tierra restaurada, el hombre se embriaga y se degrada. Es probado sin la ley, y resulta ser un rebelde sin ley. Entonces es probado bajo la ley, y se convierte en un transgresor premeditado. Entonces son enviados los profetas, y el hombre los apedrea; Juan el Bautista es enviado, y el hombre lo decapita; el Hijo de Dios es enviado, y el hombre lo crucifica; el Espíritu Santo es enviado, y el hombre lo resiste.

Así pues, en cada volumen —por decirlo así— de la historia del género humano, en cada sección, en cada página, en cada párrafo, en cada línea, leemos acerca de su completa ruina, de su total alejamiento de Dios. Se nos enseña, de la manera más clara posible, que, si del hombre dependiera, jamás podría ni querría —aunque, seguramente, debería— volverse a Dios, y hacer obras dignas de arrepentimiento. Y, en perfecta concordancia con esto, aprendemos de la parábola de la gran cena que el Señor refirió en Lucas 14, que ni tan siquiera uno de los convidados quiso hallarse a la mesa. Todos los que se sentaron a la mesa, fueron “forzados a entrar”. Ni uno solo jamás habría asistido si hubiese sido librado a su propia decisión. La gracia, la libre gracia de Dios, debió forzarlos a entrar; y así lo hace. ¡Bendito sea por siempre el Dios de toda gracia!

Pero, por otra parte, lado a lado con esto, y enseñado con igual fuerza y claridad, está la solemne e importante verdad de la responsabilidad del hombre. En la Creación, Dios se dirige al hombre como a un ser responsable, pues tal indudablemente lo es. Y además, su responsabilidad, en cada caso, es medida por sus beneficios. Por eso, al abrir la epístola a los Romanos, vemos que el gentil es considerado en una condición sin ley, pero siendo responsable de prestar oído al testimonio de la Creación, lo que no ha hecho. El judío es considerado como estando bajo la ley, siendo responsable de guardarla, lo que no ha hecho. Luego, en el capítulo 11 de la epístola, la cristiandad es considerada como responsable de permanecer en la bondad de Dios, lo cual no hizo. Y en 2.ª Tesalonicenses 1 leemos que aquellos que no obedecen al evangelio de nuestro Señor Jesucristo, serán castigados con eterna destrucción. Por último, en el capítulo 2 de la epístola a los Hebreos, el apóstol urge en la conciencia esta solemne pregunta: “¿Cómo escaparemos nosotros, si descuidamos una salvación tan grande?”

Ahora bien, el gentil no será juzgado sobre la misma base que el judío; tampoco el judío será juzgado sobre la misma base que el cristiano nominal. Dios tratará con cada cual sobre su propio terreno distintivo y conforme a la luz y privilegios recibidos. Hay quienes recibirán “muchos azotes”, y quien será “azotado poco”, conforme a Lucas 12. Será “más tolerable” para unos que para otros, según Mateo 11. El Juez de toda la tierra habrá de hacer lo que es justo; pero el hombre es responsable, y su responsabilidad es medida por la luz y los beneficios que le fueron dados. No a todos se los agrupa indiscriminadamente, como si se hallasen en un terreno común. Al contrario, se hace una distinción de lo más estricta, y nadie será jamás condenado por menospreciar y rechazar beneficios que no hayan estado a su alcance. Pero seguramente el solo hecho de que habrá un juicio, demuestra fehacientemente —aunque no hubiera ninguna otra prueba— que el hombre es responsable.

¿Y quién —preguntamos— es el prototipo de irresponsabilidad por excelencia? Aquel que rechaza o desprecia el Evangelio de la gracia de Dios. El Evangelio revela toda la plenitud de la gracia de Dios. Todos los recursos divinos se despliegan en el Evangelio: El amor de Dios; la preciosa obra y la gloriosa Persona del Hijo; el testimonio del Espíritu Santo. Además, en el Evangelio, Dios es visto en el maravilloso ministerio de la reconciliación, rogando a los pecadores que se reconcilien con Él[1]. Nada puede sobrepasar esto. Es el más elevado y pleno despliegue de la gracia, de la misericordia y del amor de Dios; por tanto, todos los que lo rechazan o menosprecian, son responsables en el sentido más estricto del término, y traen sobre sí el más severo juicio de Dios. Aquellos que rechazan el testimonio de la Creación son culpables; los que quebrantan la ley son más culpables todavía; pero aquellos que rechazan la gracia ofrecida, son los más culpables de todos.

¿Habrá alguno que todavía objete y diga que no es posible reconciliar las dos cosas: la impotencia del hombre y la responsabilidad del hombre? El tal tenga en cuenta que no nos incumbe reconciliarlas. Dios lo ha hecho al incluir ambas verdades una al lado de la otra en su eterna Palabra. Nos corresponde sujetarnos y creer, no razonar. Si atendemos a las conclusiones y deducciones de nuestras mentes, o a los dogmas de las antagónicas escuelas de teología, caeremos en un embrollo y estaremos siempre perplejos y confusos. Pero si simplemente nos inclinamos ante las Escrituras, conoceremos la verdad. Los hombres pueden razonar y rebelarse contra Dios; pero la cuestión es si el hombre ha de juzgar a Dios o Dios ha de juzgar al hombre. ¿Es Dios soberano o no? Si el hombre ha de colocarse como juez de Dios, entonces Dios no es más Dios. “Oh hombre, ¿quién eres tú, para que alterques con Dios?” (Romanos 9:20).

Ésta es la cuestión fundamental. ¿Podemos responder a ella? El hecho claro es que esta dificultad referente a la cuestión de poder y responsabilidad es un completo error que surge de la ignorancia de nuestra verdadera condición y de nuestra falta de absoluta sumisión a Dios. Toda alma que se halla en una buena condición moral, reconocerá libremente su responsabilidad, su culpa, su completa impotencia, su merecimiento del justo juicio de Dios, y que si no fuera por la soberana gracia de Dios en Cristo, ella sería inevitablemente condenada. Todos aquellos que no reconocen esto, desde lo profundo de su alma, se ignoran a sí mismos, y se colocan virtualmente en juicio contra Dios. Tal es su situación, si hemos de ser enseñados por la Escritura.

Tomemos un ejemplo. Un hombre me debe cierta suma de dinero; pero es un hombre inconsciente y despilfarrador, de modo que es incapaz de pagarme; y no sólo es incapaz, sino que tampoco tiene el menor deseo de hacerlo. No quiere pagarme; no quiere tener nada que ver conmigo. Si me viera venir por la calle, se ocultaría tan pronto como pudiera con tal que me esquivara. ¿Es responsable? ¿Tengo razones para iniciar acciones legales contra él? ¿Acaso su total incapacidad para pagarme lo exonera de responsabilidad?

Luego le envío a mi siervo con un afectuoso mensaje. Lo insulta. Le envío otro; y lo golpea violentamente. Entonces le envío a mi propio hijo para que le ruegue que venga a mí y se reconozca deudor mío, para que confiese y asuma su propio lugar, y para decirle que no sólo quiero perdonar su deuda, sino también asociarlo a mí. Él entonces insulta a mi hijo de toda forma posible, echa toda suerte de oprobio contra él y, finalmente, lo asesina.

Todo esto constituye simplemente una muy débil ilustración de la verdadera condición de cosas entre Dios y el pecador; sin embargo, algunos quieren razonar y argumentar acerca de la injusticia de sostener que el hombre es responsable. Ello es un fatal error, desde todo punto de vista. En el infierno no hay una sola alma que tenga alguna dificultad sobre este tema. Y con toda seguridad que en el cielo nadie siente ninguna dificultad al respecto. Todos los que se hallen en el infierno reconocerán que recibieron lo que merecían conforme a sus obras; mientras que aquellos que se hallen en el cielo se reconocerán «deudores a la gracia solamente». Los primeros habrán de agradecerse a sí mismos; los últimos habrán de dar gracias a Dios. Creemos que tal es la única solución verdadera a la cuestión de la responsabilidad y el poder del hombre [2].


C.H.M.

NOTAS

[1]N. del A.— Algunos querrían enseñarnos que la expresión “os rogamos en nombre de Cristo: Reconciliaos con Dios” (2.ª Corintios 5:20) se refiere a los cristianos que son exhortados a reconciliarse con los caminos de Dios. ¡Qué error! Ello pasa por alto completamente el claro sentido del pasaje y sus términos actuales. Dios estaba en Cristo, no reconciliando a los creyentes con Sus caminos, sino reconciliando al mundo consigo. Y ahora la palabra de la reconciliación es encomendada a los embajadores de Cristo, quienes han de rogar a los pecadores que se reconcilien con Dios. La fuerza y la belleza de este precioso pasaje son sacrificadas, a fin de sostener cierta escuela de doctrina que no puede enfrentar la plena enseñanza de la Santa Escritura. ¡Cuánto mejor es abandonar toda escuela y sistema de teología, y venir como un niño al infinito e insondable océano de la divina inspiración!

A fé que opera pelo amor- Halte Fest 1974, pg 185.

“ Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus {...} Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Efésios 2:8-10 )
A Palavra de Deus associa a dádiva da fé com as obras que o crente deve realizar. A vida divina há de ser expressar de alguma forma. O Espírito Santo deseja produzir frutos (Gálatas5:22). Deus efetuou em nós algo que lhe agrada, e o efeito de tal procedimento não se restringe ao nosso coração, invisível ás pessoas que nos cercam. Não, Deus também almeja manifestações exteriores e visíveis da parte de seus filhos, algo que honre a Ele e testifique de Seu poder vitorioso sobre o pecado.
Recordando esse princípio singelo, compreenderemos também Tiago 2:20: “ A fé sem obras é morta”, bem como a afirmação de que a fé é arrematada pelas obras ( v 22). Sefundo os pensamento de Deus, faltará algo essencial à fé, caso ela não se faça acompanhar por obras.
Contudo, cabe aqui a pergunta: como a minha fé deve se manifestar visivelmente? É agradável a Deus que eu me dedique a uma lista de boas obras, procurando executá-las regularmente? Devo empenhar-me por manifestar com clareza a minha piedade diante dos homens mediante formalidades? Devo ter sempre uma expressão séria no rosto? Sou obrigado a desenvolver um modo untoso de falar? Preciso adornar a minha linguagem com citações bíblicas? Tenho de buscar incessantemente a prática de boas obras?
Tais coisas por certo não são desprezíveis. No entanto, temos na Bíblia o exemplo dos fariseus que, segundo as próprias palavras do Senhor Jesus, tinham aparência exterior de piedade, mas por dentro estavam cheios de hipocrisia e de iniquidade ( Mateus 23:28) Os Gálatas eram outros cuja prioridade era impressionar como cristãos que agradavam a Deus. Neste empenho eles estavam ao ponto de retroceder a um cristianismo legalista. Paulo escreveu-lhes uma carta para mostrar quão equivocada era essa atitude, mas também lhes ensinou a maneira correta de agir segundo Deus!
Em outra passagem, ele exclama: “ Ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres {..}, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” ( 1 Coríntios 13:2-3).
A fé deve operar pelo amor ( Gálatas 5:6). Alguns versículos adiante temos a primeira aplicação prática dessa passagem: “ Sede{...} servos uns dos outros, pelo amor” ( Gálatas 5:13). Ah, você deseja regulamentos para se nortear por eles? Você gosta de observar preceitos minuciosos para convencer a si mesmo de que é piedoso? Toda lei se cumpre em uma única frase: ame a seu próximo! (Gálatas 5:14).
Amar, nesse sentido, é o oposto de ser egoísta. O amor não pensa em si mesmo, e sim no próximo. Amar significa não buscar o meu bem estar, mas primeiro o bem estar de quem esta do meu lado. É dedicar-se ao próximo, ocupar-se de seus problemas e preocupações, participar de sua sina, ajudar no que se fizer necessário. “ Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo” ( Gálatas 6:2).
O Senhor Jesus por acaso agiu diferente? O mandamento de amar o próximo é chamado “ a lei régia” ( a lei do rei, tiago 2:8). O Rei dos reis veio a esta terra e viveu diante dos homens anos a fio, dia após dia, e nós fomos chamados por Deus para imitá-lo nisso.
É bom lembrar disso, quando nos perguntamos sobre como viver uma vida de fé, que agrade a Deus.
O Senhor jesus verdadeiramente amava o próximo. Ele servia. Ele levava a carga dos outros. Todo o seu proceder eramarcado pelo amor. O seu amor pelo Pai motivou-o a cumprir a vontade do Pai. Se o nosso coração estiver cheio de amor pelo nosso Salvador e Senhor, então poderemos amar ao próximo. O amor é o primeiro fruto do Espírito ( Gálatas 5:22). O amor põe a fé para operar. O amor também é capaz de enxergar as várias obras que, segundo a vontade de Deus, foram colocadas em nosso caminho para que as realizamos com o fim de honrá-lo. Por meio do amor, a nossa fé encontrará infinitas e variadas possibilidades de se consolidar. A fé ativa e propulsionada pelo amor, contudo, glotifica aquEle que tanto nos amou e derramou o seu amor em nosso coração.
No geral, a preferência de nosso coração é viver segundo certas quantidades de prescrições exteriores. Queremos, por meio delas, assegurar uma aparência piedosa. No entanto, queremos com isso esquivar-nos do constante exercício de uma busca concreta pela vontade de Deus nas diferentes circunstâncias da vida. Não há nada em nossa velha natureza que nos impulsione à abnegação ou a amar o próximo. Pelo contrário: os sentimentos que muitas vezes se manifestam no velho homem são de ordem bem diferente.
No fundo, porém, desejamos, sim, agradar ao Senhor Jesus e glorificar o nosso Pai nos céus. Assim, cuidemos para que a nossa “ fé opere pelo amor”.

Ser Amável

Extraído da Revista Leituras Cristãs (DLC) e digitalizado pelos irmãos da Cidade de Alegrete-RS
“ Tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” Filipenses 4:8.

Não devemos desprezar as pequenas gentilezas na vida diária. É notável que algumas pessoas, sim, até cristãos, pensem não ser necessário portar-se de modo cortês e amável. Consideram desnecessário dizer uma palavra cordial como evidência de amor.
“ É obvio que nos amamos”
Desculpam-se. “ Não é prático, nem viável, que pais e filhos, ou irmãos, fiquem sempre declamando amor uns aos outros!”
Pergunta-se: Temos respondido a iniciativas de amizade cordial, como cartas ou emails? Agradecemos por gestos de assistência ou simpatia que nos são feitos? Cuidamos para que os parentes, que estão longe, nunca fiquem a esperar por aquela notícia pela qual tanto anelam? Ah, e como temos agido em nossa vida caseira? Estamos manifestando plenamente o amor de Cristo na esfera do lar? Ou também somos da opnião que tais coisas são “obvias”?
Pequenas gentilezas nunca são demais. Deixar de evidenciar o bem para o outro pode, mais adiante, ser dolorido para nós. É bom levarmos em conta que o princípio universal de que “tudo que o homem semear isso também ceifará”, Também se aplica a vida cotidiana. ( Leitura proposta ( Gálatas 6:7-8 e 2ª Coríntios 9:6).
Fora apenas um sorriso, um raio de sol,
Fora apenas uma palavra amável;
Contudo, para longe espantou
A nuvem carregada, o pensamento instável.
Um sorriso até pode animar o prostrado!
Um sorriso pode, sim, atenuar a dor!
Um aperto de mão, evitar pecado e renovar a esperança e o amor.

O Batismo em Cristo- Levi Cândido

Artigo enviado pelos irmãos de Barueri-SP
“porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes.” (Gl 3:27)

Alguém já fez a seguinte observação com respeito ao batismo: “A palavra batizar, propriamente falando, é um termo grego (baptizo), adaptado para o idioma português por uma alteração em sua terminação. É o termo sempre empregado por Cristo e seus apóstolos para expressar e definir a ordenança.” O fato é que esta expressão nos sugere a idéia de “imersão”, “união”, “identificação”, “inclusão”. O desconhecimento ou menosprezo desta significação tem sido a causa de muitas distorções sobre o batismo. Muitos têm sustentado diferentes opiniões sobre este tópico, cada qual estribando-se em seu ponto de vista naquilo que mais faz jus à sua interpretação. Todavia, preterindo-se os pontos interpretativos diversos acerca deste tema, ficamos com a simplicidade e objetividade revelada nas Sagradas Escrituras. Leiamos Romanos 6:3-5 “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” Atentemo-nos ao seguinte fato: É Deus o autor da realidade espiritual; o batismo em Cristo. Isto é muito significativo. Disse Frank Viola: “Propriamente concebido e praticado, o batismo na água é a confissão de fé inicial do crente diante dos homens, demônios, anjos e Deus. O batismo é um sinal visível que revela nossa separação do mundo, nossa morte com Cristo, o enterro do velho homem, a morte da velha criatura, e a purificação pela Palavra de Deus. O batismo... É a idéia de Deus.”. Considerando este enfoque, é sumamente importante observarmos o emprego verbal – a voz e o tempo - em que o texto acima (Rm 6:3-5) se encontra. Se atentarmos cuidadosamente, veremos que o mesmo encontra-se na voz passiva, num fato passado, ou seja; não fomos nós que nos incluímos ou fomos batizados por nós mesmos em Cristo; fomos batizados por Alguém, isto é; Deus quem nos batizou em Cristo. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.”, disse Cristo. (Jo 6:44) O batismo nas águas é um símbolo que apontam para esta realidade espiritual: Nossa morte, sepultamento e ressurreição em Cristo Jesus. As Escrituras é categórica neste sentido; quando Cristo morreu, nós morremos também, pois está escrito: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.” (II Co 5:14) “O batismo simboliza os atos redentores de Cristo; imersão-morte; submersão-sepultamento; emersão-ressurreição”. Esta é a boa nova do evangelho; saber que a morte e ressurreição de Jesus Cristo estão associadas à nossa experiência cristã. Porém todos estes atos precisam ser atualizados na vida moral e espiritual do cristão diariamente. “levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.” (II Co 4;10-11) O batismo é o selo de nossa participação na morte, sepultamento e ressurreição em Cristo; um selo que só tem validade quando recebido e confirmado pela fé. O texto de Colossenses 2:12 atesta-nos com precisão esta verdade: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.” O mero ato em águas batismais não tem nenhuma eficácia de mudança interna. O batismo nas águas é um símbolo externo da lavagem interna; um ato e uma expressão de fé. É um sinal que baseia-se no evangelho; a convicção no fato consumado em Cristo Jesus e que têm conseqüências eternas. “A fé que não vai mais longe do que a cabeça nunca pode trazer paz ao coração...Onde a razão fracassa, a fé pode descansar”, disse J. Blanchard. O batismo nas águas não pode salvar ninguém; ele deve ser o resultado de fé do batismo em Cristo; um fato providenciado por Deus antes mesmo de nascermos e pelo qual nascemos de novo. Spurgeon contou sobre um pobre pedreiro que caiu do andaime e estava moribundo. Quando chamaram o ministro, este lhe disse: “Meu amigo, acho que você está às portas da morte. É melhor que trate de fazer as pazes com Deus. O enfermo respondeu: Minha paz com Deus, senhor, foi feita há dezenove séculos, na cruz do Calvário. Tenho certeza disso”. “A autoridade da fé é a revelação de Deus”, disse G. B. Foster. A regeneração ocorre somente com a entrada do Espírito quando cremos nesta verdade; na nossa morte e ressurreição juntamente com Cristo; e não por uma espécie de magia no rito do batismo. “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3:5-6) Uma coisa é o batismo em Cristo (disse o irmão Glênio), outra é o batismo nas águas. A imersão no corpo de Cristo crucificado é a realidade espiritual de nossa identificação com ele, revelada pela Palavra de Deus. A imersão nas águas é o testemunho obediente de uma experiência de fé fundamentada na obra da cruz. Aqueles que crêem em sua morte com Cristo confirmam essa certeza, submetendo-se ao batismo nas águas. Todavia, a verdade bíblica nos garante que os filhos de Deus já foram batizados em Cristo, bem antes de serem batizados nas águas”. “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.” (Gl 3:26-27) É atribuído ao pregador Charles Haddon Spurgeon (19/06/1834 — 31/01/1892), o seguinte ensinamento concernente a este assunto: “O Batismo é uma ordenança do Novo Testamento, instituída por Jesus Cristo, para ser, para a pessoa batizada, um sinal de sua comunhão com Cristo, na sua morte e ressurreição; de sua união com Ele; da remissão dos pecados; da consagração da pessoa a Deus, através de Jesus Cristo, para viver e andar em novidade de Vida”. Sendo assim, o batismo marca em símbolo a nossa união com Cristo e Seu Corpo; a Igreja dos renascidos em Cristo Jesus. “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (I Co 12:12-13) É o Espírito Santo quem sela estas verdades em nossos corações pela fé, possibilitando-nos todas as bênçãos espirituais decorrentes desta união, promovendo necessariamente a justificação, a santificação e a glorificação, “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Rm 8:29) Portanto, todos os que foram incluídos em Cristo, foram revestidos de Cristo. Amém !

O Espírito Santo: Autor da Escritura- John Piper

2 Pedro 1:20-21
Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.
Em 27 de Junho de 1819, Adoniram Judson batizou seu primeiro convertido em Burma. Sua esposa, Ann Hasseltine, descreveu como Moung Nau respondeu à Escritura: “Poucos dias antes eu estava lendo com ele as palavras de Cristo no Sermão do Monte. Ele estava profundamente impressionado e dotado de uma solenidade incomum. ‘Estas palavras,’ disse ele, ‘tomaram-me as entranhas; fizeram-me tremer.’” Deus falara através do profeta Isaías, 2.700 anos atrás e disse, “… mas, para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra…Ouvi a palavra do SENHOR, vós, os que a temeis” (Isaías 66:2, 5).
O Impacto da Bíblia na História
Por dois mil anos, a Bíblia tem se entranhado em diversos homens e os feito tremer—primeiro, de medo, porque revela nossos pecados, então com fé, porque revela a Graça de Deus. Um único versículo, Romanos 13:13, convenceu e converteu o imoral Agostinho. Para Martinho Lutero, um monge miserável, a luz irrompeu através de Romanos 1:17. Diz ele,
Noite e dia ponderei até ver a conexão entre a justiça de Deus e a declaração de que “o justo viverá da fé”. Então eu tomei para mim que a justiça de Deus é essa retidão pela qual, através da graça e pura misericórdia, Deus justifica-nos pela fé. Daí em diante senti que havia renascido e partido por portas abertas para o paraíso. (Here I Stand, p. 49)
Para Jonathan Edwards, foi 1 Timóteo 1:17. Ele disse,
O primeiro exemplo, do qual me recordo, deste tipo de doce deleite interior em Deus e nas coisas divinas, que desde então muito vivenciei, foi na leitura dessas palavras, 1 Tim. 1:17: “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” Ao ler essas palavras, veio à minha alma … uma impressão da glória do Ser Divino; uma nova sensação diferente de qualquer coisa que eu, antes, experimentara. Nunca quaisquer palavras da Escritura me pareceram como essas. (Works, vol. 1, p. xii)
De século a século, do Egito à Alemanha, da Alemanha à Nova Inglaterra, a Bíblia vem trazendo pessoas a Cristo, renovando-as.
A Bíblia como a Palavra do Homem e a Palavra de Deus
Por quê? Por que a Bíblia tem esta relevância e poder contínuos? Acredito achar a resposta em nosso texto - 2 Pedro 1:20–21: “Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.” Esta passagem ensina que, quando você lê a Escritura, o que você está lendo não vem somente de um homem, mas também de Deus. A Bíblia é uma obra de muitos homens diferentes. Mas também é muito mais que isto. Sim, homens falaram. Eles falaram com sua própria linguagem e estilo. Contudo, Pedro menciona duas outras dimensões do seu falar.
Falar da parte de Deus, Movido pelo Espírito Santo
Primeiro, eles falaram da parte de Deus. O que tinham a dizer não era meramente vindo de suas limitadas perspectivas. Eles não são a origem da verdade que falam; eles são o canal. A verdade é a verdade de Deus. Seu significado é o significado de Deus.
Segundo, não é apenas o que eles falaram da parte de Deus, mas como eles falaram isto, controlados pelo Espírito Santo. “Homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. Deus não revelou simplesmente a verdade aos autores da Escritura e então partiu, esperando que eles a comunicassem corretamente. Pedro diz que, ao comunicarem-na, eles foram conduzidos pelo Espírito Santo. A confecção da Bíblia não foi deixada às habilidades de comunicação meramente humanas; o próprio Espírito Santo levou o processo à sua completude.
Um livro recente de três ex-professores meus (LaSor, Hubbard, and Bush, Old Testament Survey, p. 15) expressa-o da seguinte maneira,
Para assegurar precisão verbal, Deus, na comunicação de sua revelação, tem de ser verbalmente preciso e a inspiração tem de se estender às próprias palavras. Isto não significa que Deus ditou todas as palavras. Em vez disso, seu Espírito penetrou tanto a mente do escritor, que ele escolheu de seu próprio vocabulário e experiência precisamente aquelas palavras, pensamentos e expressões que exprimiam a mensagem de Deus com precisão. Neste sentido, as palavras dos autores humanos da Escritura podem ser vistas como a Palavra de Deus.
Não apenas Profecias, mas Toda a Escritura
Alguém poderia dizer que 2 Pedro 1:20–21 só tem a ver com profecia, e não com toda a Escritura do Antigo Testamento. Mas observe atentamente como ele argumenta. No verso 19, Pedro diz que uma palavra profética cresceu em sua certeza por sua experiência com Jesus no monte da transfiguração. Então, nos versículos 20–21, ele dá suporte à autoridade dessa palavra profética dizendo que ela é parte da Escritura. Versículo 20: “Nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” Pedro não está dizendo que só as partes proféticas da Escritura são inspiradas por Deus. Ele está dizendo, nós sabemos, que a palavra profética é inspirada precisamente porque é “profecia da Escritura”. A afirmação de Pedro é que tudo quanto está na Escritura é de Deus, escrito por homens que foram conduzidos pelo Espírito Santo.
Ele ensina o mesmo que Paulo em 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Nenhuma das Escrituras do Antigo Testamento veio de um impulso humano. Toda ela é verdade vinda de Deus, pois homens movidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.
E quanto aos escritos do Novo Testamento?
Mas e quanto ao Novo Testamento? Experimentaram os apóstolos e seus associados próximos (Marcos, Lucas, Tiago, Judas, e o escritor de Hebreus) inspiração divina ao escreverem? Foram eles “conduzidos” pelo Espírito Santo para falarem da parte de Deus? A Igreja cristã sempre disse que sim. Jesus disse aos seus apóstolos em João 16:12–13: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”. Então o apóstolo Paulo confirma isso quando diz, do seu próprio ensino apostólico, em 1 Coríntios 2:12–13: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais”. Em 2 Coríntios 13:3 disse que Cristo falava através dele. E em Gálatas 1:12 ele disse : “Porque eu não o recebi [o evangelho], nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo.” Se tomarmos Paulo para nosso modelo sobre o que significa ser apóstolo de Cristo, então seria justo dizer que o Novo Testamento, como o Antigo, não veio meramente de homens mas também de Deus. Os escritores do Antigo e Testamento falaram ao serem movidos pelo Espírito Santo.
O Espírito Santo é o Autor Divino da Escritura
A doutrina que emerge é esta: O Espírito Santo é o autor divino de toda a Escritura. Se esta doutrina é verdadeira, então as implicações são tão profundas e de tão longo alcance que cada parte de nossas vidas deveria ser afetada. Eu quero falar sobre essas implicações nesta manhã. Contudo, para nosso próprio fortalecimento e para aqueles ainda hesitantes às voltas de comprometerem-se com a doutrina, deixe-me primeiro esboçar a base de nossa persuasão.
Chegando a uma Fé Racional nas Escrituras
A maioria das pessoas chega a uma confiança racional na Bíblia como Palavra de Deus de uma maneira semelhante a essa. Isso acontece em três estágios.
1. Nós Somos Culpados Diante de Deus
Primeiro, o testemunho de nossa consciência, a realidade de Deus sob a natureza e a mensagem da Escritura vêm juntas ao nosso coração para nos dar a inescapável convicção de que somos culpados diante de nosso Criador. Essa é uma convicção racional porque a persuasão de que há um Criador sobre este mundo, e a persuasão de que somos culpados por não honrá-lo e agradecê-lo como devemos, não são saltos irracionais no escuro; elas são forçadas sobre nós pela nossa experiência e pensamento sincero sobre o mundo.
2. Jesus Ganha Nossa Confiança
O segundo passo em direção de uma convicção racional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, é que Jesus Cristo é mostrado a nós. Alguém lê, ou nos conta a história desse homem incomparável que falou e agiu de modo tão maior que o de um homem. Vemos a autoridade que ele reivindicou para perdoar pecados, e comandar demônios, e controlar a natureza, vemos a pureza de seu ensino moral, sua rendição completa à vontade de Deus, sua calma brilhante sob interrogatório, sua fúria justa contra hipócritas, sua ternura com as crianças pequenas, sua paciência com os humildes que o buscavam, sua submissão inocente à tortura, e ouvimos dos seus lábios as palavras mais doces, mais imprescindíveis, jamais pronunciadas: “Eu dou a minha vida em resgate por muitos.” E então pela força auto-autenticada de seu caráter e poder incomparáveis, Jesus ganha nossa confiança e segurança, e nós o tomamos como Salvador de nosso pecado e Senhor de nossa vida. E isso não é uma convicção irracional. É a maneira como todos vocês tomam decisões racionais sobre a quem vocês vão confiar sua vida. É naquela babá que vocês vão confiar para cuidar de suas crianças, ou naquele advogado para dar bons conselhos, ou naquele amigo para guardar seu segredo? Você olha, escuta, e finalmente é persuadido (ou não) de que aquela pessoa é um terreno firme para sua confiança.
3. Seguimos o Ensino e o Espírito de Jesus
Uma vez que o caráter e o poder de Jesus capturaram nossa confiança, então ele se torna o guia e a autoridade para todas nossas futuras decisões e convicções. Então, o terceiro passo no caminho de uma convicção racional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, é deixar o ensino e o espírito de Jesus controlar como nós avaliamos a Bíblia. Isso acontece de pelo menos duas maneiras. Uma é que aceitamos o que Jesus ensina sobre o Antigo e o Novo Testamento. Quando ele diz que a Escritura não pode falhar (João 10:35) e que nem uma letra, ou um ponto, passará da lei até que tudo seja cumprido (Mateus 5:18), concordamos com ele e baseamos nossa confiança no pelo Testamento sobre sua confiabilidade. E quando ele escolheu doze apóstolos para fundar sua igreja, dando-lhes sua autoridade para ensinar, e prometeu enviar seu Espírito para guiá-los na verdade, concordamos com ele e creditamos os escritos desses homens com a autoridade de Cristo.
A outra maneira que o ensino e o espírito de Jesus controlam nossa avaliação da Bíblia, é que reconhecemos, nos ensinamentos da Bíblia, os multi-coloridos raios de luz, refratados através do prisma de Cristo, em quem chegamos a confiar. E assim como Cristo nos capacitou a extrair sentido da nossa relação com Deus e trazer harmonia a esta, também os muitos raios da sua verdade, em toda parte da Bíblia, nos capacitam a extrair sentido de centenas de nossas experiências de vida, e ver o caminho para a harmonia. Nossa confiança na Escritura cresce à medida que compreendemos que Jesus afirmou isto e à medida que compreendemos que os ensinos ali contidos são tão incomparáveis quanto Jesus mesmo. Progressivamente, eles nos ajudam a decifrar os quebra-cabeças da vida: casamentos em falência, crianças rebeldes, vício em drogas, nações em guerra, o retorno das folhas na primavera, as insaciáveis petições do nosso coração, o medo da morte, o nascimento de crianças, a universalidade do louvor e da culpa, o predomínio do orgulho, e a admiração da auto-negação. A Bíblia confirma sua origem divina repetidamente ao nos fazer compreender nossa experiência no mundo real e ao apontar o caminho para a harmonia.
Espero, daqui por diante, que uma das doutrinas que nós nutramos em na Igreja Batista Bethlehem, com força suficiente para morrer por ela (e viver por ela!) é a de que o Espírito Santo é o autor divino de toda a Escritura. A Bíblia é a Palavra de Deus, não meramente a palavra de homens.
Implicações para Tudo na Vida
Ah, se tivéssemos o dia todo para falar sobre as implicações maravilhosas dessa doutrina! O Espírito Santo é o autor da Escritura. Portanto, ela é verdadeira (Salmo 119:142) e totalmente confiável (Hebreus 6:18). É poderosa, operando seu propósito em nossos corações (1 Tessalonicenses 2:13) e não retornando vazia para Aquele que a enviou (Isaías 55:10–11). É pura, como prata refinada na fornalha sete vezes (Salmo 12:6). É santificadora (João 17:17). Dá vida (Salmo 119:37, 50, 93, 107; João 6:63; Mateus 4:4). Torna sábio (Salmo 19:7; 119:99–100). Dá prazer (Salmo 19:8; 119:16, 92, 111, 143, 174) e promete grande recompensa (Salmo 19:11). Dá força aos fracos (Salmo 119:28) e conforto aos perturbados (Salmo 119:76), guia aos perplexos (Salmo 119:105) e dá salvação aos perdidos (Salmo 119:155; 2 Timóteo 3:15). A sabedoria de Deus nas Escrituras é inexaurível.
Quão preciosos para mim são teus pensamentos, ó Deus! Quão vasta é a soma deles! Se eu fosse contá-los, seriam mais que os grãos de areia.

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"