sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma tão Grande Salvação - Gersom Lima

As Três Etapas da Salvação e as Implicaçõesno Reino Vindouro.

A palavra salvação aparece ao longo da Bíblia cerca de 140 vezes. No grego é sotería e significa simplesmente liberação, segurança, preservação. Em síntese, refere-se à atividade de Deus em favor da criação e da humanidade, com o fim de levar seus propósitos adiante. É o ato pelo qual Deus livra alguém do perigo, da opressão ou da culpa e do poder do pecado e a introduz numa vida nova. No Antigo Testamento, ela foi usada cerca de 100 vezes, normalmente relacionada ao fato de Deus libertar seu povo ou alguém do perigo ou da opressão, num contexto momentâneo. Já no Novo Testamento, ela aparece cerca de 40 vezes, geralmente no contexto da intervenção de Deus num tempo presente, porém com repercussão no mundo espiritual e na eternidade. Assim, a salvação no Novo Testamento está ligada com o resgate do homem da condenação eterna (que é a conseqüência do pecado), através da fé em Jesus, o Salvador, para, especialmente, restaurá-lo ao plano de Deus e à comunhão com ele. O mais interessante é que na Bíblia aparece somente uma vez o termo “tão grande salvação”, em Hebreus 2.3, como uma síntese do Espírito Santo de todas as riquezas e verdades espirituais relacionadas com a salvação à luz do Novo Testamento. Embora salvação seja uma verdade considerada simples, nela estão escondidas riquezas dignas de serem garimpadas pelos sedentos por maturidade.

Uma só Salvação, porém Tripartida

Garimpando na Palavra, vemos que a salvação de Deus é tripartida, processada em nosso espírito, alma e corpo e em três tempos, no passado, presente e futuro. Vejamos: por um lado, Paulo declara que “somos salvos” (1 Co 1.18), como fato consumado. No entanto, em outro lugar nos diz que devemos “desenvolver a salvação” (Fp 2.12) e, em outro ainda, que “seremos salvos” (Rm 5.9; veja também 1 Pe 1.5). Logo, a salvação já aconteceu, no passado, está acontecendo, no presente, e acontecerá, no futuro. Encontramos na Bíblia uma única salvação, porém tão grande que é tripartida em tempos e etapas diferentes. Vamos tentar ver agora, resumidamente, como isso acontece. A Bíblia nos mostra que o homem é constituído de espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23). Ao entrar o pecado no mundo pelo primeiro homem, “e pelo pecado, a morte” (Rm 5.12), todo o ser do homem ficou subjugado ao poder do pecado e da morte, separado da vida de Deus (Rm 3). O homem morreu espiritualmente (Ef 2.1), passou a morrer fisicamente, que é a primeira morte, e ainda foi condenado à segunda morte, que é o lago de fogo, destinado ao diabo e seus anjos (Ap 20.10). Porém, estando nós mortos em delitos e pecados, Jesus veio como fato histórico e tornou-se nosso Salvador, há cerca de dois mil anos. Na cruz, expiou os nossos pecados e nos livrou (o sentido da salvação) da condenação eterna. Dessa forma, assim como o homem morreu espiritualmente ao pecar no Jardim do Éden, Jesus deu vida em primeiro lugar ao nosso espírito. Este é o início da nossa salvação, chamado regeneração na Bíblia ( Tt 3.5; Tg 1.18; 1 Pe 1.18). Ele nos salvou pela regeneração e renovação do Espírito Santo, em nosso espírito (Tt 3.5). Essa é uma obra consumada, e a Bíblia não deixa nenhuma dúvida de que os que creram no nome de Jesus e nasceram de novo foram salvos (1 Co 1.18). No entanto, assim como o pecado e a morte afetaram todo o ser do homem, a salvação de Deus não está confinada somente ao nosso espírito, mas é processada e expandida também à nossa alma (Tg 1.21) e ao nosso corpo (Rm 8.11,23). Por este motivo, Paulo exorta aos filipenses a desenvolverem a salvação (Fp 2.12 – na esfera da alma) e a esperarem a salvação do corpo, que é a glorificação dos santos (Fp 3.20,21).

Salvos por sua Morte e Salvos por sua Vida

Uma grande parte dos cristãos nunca passa do primeiro ponto. É um fundamento maravilhoso, mas não é o fim da história. Eles sabem confessar que têm a vida eterna (Jo 3.16,17) e que foram salvos pela morte de Jesus da ira vindoura (Rm 5.9). Devemos, mesmo, ser ousados em confessar o que a Bíblia nos assegura: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (Ef 2.8; ver também 2 Tm 1.9). Graças a Deus, somos salvos! No entanto, embora salvos do castigo eterno, Paulo mostra que há algo mais: “(…) seremos salvos por sua vida” (Rm 5.10). Logo, já não se trata da salvação do castigo eterno que já foi resolvida, mas da salvação da alma no tocante à herança da vida adâmica de pecado. Uma coisa é ser salvo do inferno, pela morte de Cristo, outra coisa é sermos salvos de nós mesmos, pela vida de Cristo. Por isso devemos “desenvolver nossa salvação” (Fp 3.12). Deus veio salvar o homem integralmente – espírito, alma e corpo. Ele proveu em Cristo uma tão grande salvação que nos restaura plenamente, levando-nos de volta ao seu plano original. Podemos ser salvos do inferno e ainda vivermos uma vida carnal, de pecado e egoísmo. Por este motivo, a tão grande salvação nos apresenta Cristo não apenas como Salvador, mas também como “nossa vida” (Cl 3.3), pois a vida cristã não é uma tentativa, mas sim Cristo vivendo em nós. Assim, por sua morte somos salvos da ira vindoura, mas por sua vida somos salvos de nós mesmos, de nossa vida natural e pecaminosa. Vamos nos recordar da situação da igreja em Corinto. Apesar de em tudo serem enriquecidos, e em nada terem falta (1 Co 1.5-7), eles, todavia, eram carnais. Se foram enriquecidos em tudo, por que eram carnais e estavam divididos? Porque, apesar de serem salvos do inferno, eles não haviam sido salvos de si mesmos. Procuravam aplicar as riquezas e dons espirituais que receberam para satisfazerem a si mesmos e se projetarem uns sobre os outros. Sem Cristo como nossa vida, quanto mais dons e sabedoria tivermos, mais inchados nos tornamos. Uma coisa é sermos livres de Satanás, por sermos salvos pelo Senhor, mas precisamos ser salvos do maior inimigo: o ego não destronado por Deus. Satanás está do lado de fora, mas a vida egoísta está dentro de nós. Satanás foi vencido na cruz e, em Cristo, desfrutamos de sua vitória sobre ele no Calvário. Ainda assim, se não conhecermos a etapa da salvação da alma, Satanás terá vantagens sobre nós (2 Co 2.11), visto que a vida velha é o pó da terra que alimenta a serpente (Gn 3.14).

A Salvação Preparada para se Revelar no Último Tempo

“(…) sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1 Pe 1.5). Você pode entender isso? Porque recebemos a salvação inicial, quando cremos em Cristo, somos guardados pelo poder de Deus para a salvação final. Ele preparou uma salvação que há de ser revelada no último tempo! Esta é a salvação que Paulo também esperava: “(…) a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13.11). Por isso ele diz que “em esperança fomos salvos” (Rm 8.24). Pelo contexto bíblico, essa salvação que está por vir é a glorificação de nossos corpos mortais pela segunda vinda de Jesus (Fp 3.20, 21; veja também 1 Ts 5.8, 9). Graças a Deus, quando Jesus vier, os salvos que morreram ressurgirão dentre os mortos, e nós que estivermos vivos seremos juntamente com ele transformados, e teremos, todos, a salvação dos nossos corpos mortais e corruptíveis (1 Co 15.51-54). Na verdade, todos, crentes e não-crentes, ressuscitarão um dia, uns para a vida eterna e outros para condenação eterna (Jo 5.28, 29). Esta é a última etapa da salvação, que teve início em nosso espírito, quando cremos, que se desenvolve em nossa alma, no presente, e se completará em sua vinda, pela glorificação de nossos corpos.As Três Etapas da Salvação e as Implicações no Reino Vindouro O propósito de Deus não é a salvação em si, mas sim resgatar-nos ao seu plano inicial. A salvação é somente um meio para nos resgatar novamente ao seu plano eterno. Ele criou o homem para governar com ele e encher o universo com sua glória. Quando o homem pecou, este se desviou do plano de Deus e ficou sujeito à lei do pecado e da morte. Toda a criação de Deus geme, aguardando a manifestação dos filhos de Deus, a glorificação. Assim, em sua vinda, os que forem fiéis a ele hoje, desenvolvendo a salvação, poderão reinar com ele em glória. A criação será redimida do cativeiro da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus (Rm 8.12-25). Com a salvação inicial, recebemos a vida eterna por graça. No final do processo, nossos corpos serão transformados, para serem semelhantes ao dele. Além disso, a Bíblia também fala das recompensas que o Senhor, em sua vinda, repartirá a cada um segundo suas obras. Seremos julgados diante do seu trono (2 Co 5.9, 10) não para avaliar se seremos salvos ou não, mas se receberemos galardão ou disciplina, conforme nossa conduta e serviços a ele (1 Co 3.10-15). “Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma” (Tg 1.21). “(…) obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1 Pe 1.9; veja também o v. 22). Assim, a vida vitoriosa, a edificação da igreja e o reinar com Cristo em seu reino no porvir dependem plenamente da salvação de nossa alma. E, por sua vez, a salvação da alma depende de nossa cooperação com o Espírito Santo, em aceitar seus tratamentos e a aplicação da palavra em nós, e isso está relacionado com as recompensas no reino de Cristo (Ap 22.12). A tão grande salvação é uma só, mas tripartida. Fomos salvos do inferno, estamos sendo salvos da vida natural e pecaminosa da alma e seremos salvos da morte física e do corpo corruptível. Fomos salvos da ira por sua morte, somos salvos da vida da alma pela vida de Cristo e seremos salvos do poder da morte física quando nossos corpos forem transformados e revestidos pela incorruptibilidade de Cristo. Nosso espírito já ressuscitou (Ef 2.1-6), nossa alma está sendo transformada (Rm 12.1-2) e nossos corpos serão transformados. Já fomos salvos, estamos sendo e seremos salvos. Que o Senhor seja glorificado através de seu viver em nós, pois “Cristo em nós é a esperança da glória” (Cl 1.27).

Pecado e Pecados - Watchman Nee

A diferença entre pecado e pecados é aquela entre o pecado no singular e o pecado no plural. No Antigo Testamento não existe distinção entre o pecado no singular e o pecado no plural. Somente o Novo Testamento expressa esta diferença e é uma diferença muito significativa. Façamos uma lista de todos os lugares no Novo Testamento, onde o termo pecado ( Grego: hamartia ) é usado, tanto no singular como no plural.

Pecado” no singular : Mt 12:31; Jo 1:29; 8:34 (2 vezes), 46; 9:41 (2 vezes); 15:22 (2 vezes), 24; 16:8, 9 19:11; At 7:60; Rm 3:9, 20; 4:8; 5:12 (2 vezes), 13 (2 vezes), 20,21; 6:1, 2, 6 (2 vezes), 7, 10 , 11, 12, 13, 14, 16, 17, 18, 20, 22, 23; 7:7 (2 vezes), 8 (2 vezes), 9, 11, 13 (2 vezes) 14, 17, 20, 23, 25; 8:2, 3 (margem, 3 vezes), 10; 14:23; I Co 15:56 (2 vezes); II Co 5:21 (2 vezes); 11:7; Gl 2:17; 3:22; II Ts 2:3; Hb 3:13; 4:15; 9:26, 28 (o segundo “pecado”); 10:6, 8, 18; 11:25; 12:1, 4; 13:11; Tg 1:15 (2vezes); 2:9; 4:17; I Pd 2:22; 4:1; II Pd 2:14; I Jo 1:7, 8; 3:4 (2 vezes), (o segundo “pecado”); 8, 9; 5:16 (2 vezes), 17 (2 vezes).

Pecados” no plural : Mt 1:21; 3:6; 9:2, 5, 6; 26:28; Mc 1:4,5; 2:5, 7, 9, 10; Lc 1:77; 3:3; 5:20, 21, 23, 24; 7:47, 48, 49; 11:4; 24:47; Jo 8:21, 24 (2 vezes); 9:34; 20:23; At 2:38; 3:19; 5:31; 10:43; 13:38; 22:16; 26:18; Rm 4:7; 7:5; 11:27; I Co 15:3,17; Gl 1:4; Ef 2:1; Cl 1:14; I Ts 2:16; I Tm 5:22, 24; II Tm 3:6; Hb 1:3; 2:17; 5:1, 3 7:27; 8:12; 9:28 (o primeiro “pecados”); 10:2, 3, 4, 11, 12, 17, 26; Tg 5:15, 20; I Pd 2:24 (2 vezes); 3:18; 4:8; II Pd 1:9; I Jo 1:9 (2 vezes); 2:2, 12; 3:5 (o primeiro “pecados”); 4:10; Ap 1:5; 18:4, 5.
Após ler estes muitos versos da Escritura, podemos ver quão sábio Deus é em escrever a Bíblia. Devemos verdadeiramente dizer a Ele: “Ó Deus, nós Te adoramos!”

Os usos distintos de “pecado” e “pecados” são estes: sempre que a Bíblia se refere à conduta exterior pecaminosa do homem, tal como orgulho, inveja, mentira e assim por diante, a palavra “pecado” no plural é usada. “O termo pecado” no singular nunca é usado na Bíblia para se referir ao pecado exterior; pelo contrário, ele é empregado de duas maneiras diferentes: (1) Indicando o pecado que reina interiormente, seu poder ou domínio . Isto é comumente conhecido também pelos termos: raiz do pecado ou denominador do pecado. Na verdade estes termos não são biblicamente precisos; eles são simplesmente adotados por causa da conveniência. A Bíblia nunca usa nenhum deles, mas, ao invés disso, fala pecado reinando como um rei ou tendo domínio como um senhor. O termo “pecado” no singular geralmente é empregado para especificar o poder que reina sobre nós e que nos leva a cometer pecados. (2) Como um termo coletivo, algumas vezes ele se refere ao problema total do pecado (conforme encontrado em Jo 1:29 e I Jo 1:7, que vamos discutir depois). Sempre que a Bíblia fala de Deus perdoando pecado, ela sempre usa o plural “pecados”; o perdão que precisamos receber é dos pecados que cometemos na conduta exterior. Com respeito à natureza pecaminosa dentro de nós, esta não pode ser solucionada pelo perdão. Seria um erro dizer que Deus perdoa “pecado” e usar o singular. Porque Deus só perdoa “pecados”. Visto que o “pecado” no singular é um senhor, um poder, ele é algo pelo qual não somos diretamente responsáveis e não deve ser resolvido por meio de perdão. Mas os “pecados” no plural precisão de perdão, porque estes são nossa conduta, pela qual somos responsáveis, e provocarão penalidade a ser cobrada contra nós se não formos perdoados. Por esta razão, sempre que a Bíblia menciona a questão de confessar nossos pecados, tal deve ser expresso como “confessar nossos pecados” (I Jo 1:9), usando o plural e não o singular. O “pecado” não se refere à conduta do homem e, portanto, não requer confissão; mas o termo “pecados” significa a conduta do homem, exigindo confissão a ser feita. A morte de Cristo é para salvar-nos dos “pecados” no plural. “E chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1:21). Isto quer dizer que o Senhor Jesus nos salva de todos os pecados em nossa conduta. O Senhor Jesus declarou aos judeus: “Morrereis em vossos pecados” (Jo 8:24). Outra vez isto se refere ao pecado no plural e não no singular. Nem mesmo uma só vez a Bíblia diz que Cristo morreu por nosso pecado no singular; ela sempre diz que Cristo morreu por nossos pecados no plural. “Estando vós mortos em delitos e pecados” (Ef 2:1). Observe que a palavra “pecado” aqui está no plural e não no singular. Quer dizer que passamos nossas vidas em pecados, tais como orgulho, impureza, inveja, e assim por diante. Estávamos mortos em “pecados” no plural e não em “pecado” no singular. Outros dois exemplos são estes:

(1) “tire os pecados” em Hebreus 10:4 é tirar pecados no plural;

(2) “não mais teriam consciência de pecado” no 10:2, é também uma expressão do pecado no plural.

Por que não temos mais consciência dos pecados depois que o sangue do Senhor purificou nossa consciência? Porque o pecado de que nossa consciência nos acusa diante de Deus é o pecado no plural; isto é, um pecado após outro, tal como mau gênio, orgulho, etc. Visto que o sangue do Senhor Jesus já obteve o perdão para estes nossos pecados, naturalmente nossa consciência não mais estará consciente deles. Os pecados mui certamente existem, mas o sangue tratou com eles. Se o sangue do Senhor tivesse purificado o pecado no singular, ninguém teria tido condições de pessoalmente experimentar tal purificação; porque a purificação do pecado no singular, significaria que nós nunca mais teríamos consciência do poder do pecado, aquele poder que nos leva a pecar. Mas sabemos que de modo algum este é o caso. O sangue do Senhor Jesus nos purificou para que nossa consciência não mais nos acuse dos nossos pecados passados. Todavia, isto não quer dizer que nós não temos mais pecado; o que se declara é que não há mais consciência dos pecados. Por meio da purificação do sangue, não somos mais condenados por nossa consciência. Como, então, podemos ser livrados do pecado que nos domina, o pecado do qual estivemos falando no singular? “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais o pecado” (Rm 6:6). Aqui temos três pontos:
(1) o corpo do pecado;
(2) o velho homem;
(3) o pecado.
O corpo serve como testa de ferro, pois o que leva o corpo pecar por meio do velho homem é o pecado. O pecado opera no corpo, de modo que este corpo é chamado de corpo do pecado. O velho homem fica entre o pecado e o corpo. Ele aceita a sugestão do pecado, por um lado, e conduz o corpo a pecar, por outro. O velho homem é nossa personalidade. O pecado tenta, o velho homem concorda e conseqüentemente o corpo age. Algumas pessoas têm sugerido que a morte do Senhor Jesus erradicou a raiz do pecado. Tal não é verdade. O pecado ainda está aqui, o corpo do pecado também está aqui; só o velho homem intermediário é que foi posto para fora. O homem como pessoa ainda permanece, porém, o pecado agora não tem condições de impelir o novo homem, porque o pecado nunca pode dirigir o novo homem. O pecado no singular ainda está aqui, embora não estejamos mais em escravidão a ele. Por que não somos mais escravas do pecado? Porque o velho homem que manda o corpo pecar já está crucificado. E quanto ao corpo? No presente está desempregado.“O qual (o Senhor Jesus), havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados” ( Hb 1:3). O pecado aqui é novamente colocado no plural, pois a passagem aponta para a penalidade e não para a raiz do pecado que é purificada.Mas, e quanto à passagem em João 1:29: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” ? Visto que o pecado do mundo que é tirado está no singular aqui, não indica que a raiz do pecado foi realmente erradicada? Se for assim, então não apenas a raiz do pecado do salvo foi erradicada, mas a do mundo inteiro também. Obviamente, tal não pode ser o significado. O sentido aqui é que o Cordeiro de Deus resolveu todo o problema do pecado do mundo. Isto concorda com as palavras “por um homem entrou o pecado no mundo” de Romanos 5:12. Assim como o pecado entrou no mundo através de um homem, assim é tirado por outro homem. O Senhor já resolveu o problema do pecado do mundo. Como tratamos com o pecado no singular? “Assim vós considerai-vos como mortos para o pecado” (Rm 6:11). O pecado no plural é solucionado pela morte de Cristo; o pecado no singular é resolvido junto com a morte com Cristo. Esta morte junto com Cristo é um considerar como morto. Se nos considerarmos mortos para o pecado, nós não mais estaremos sob o domínio do pecado. “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I Jo 1:7). Mais uma vez a palavra pecado está no singular. Entretanto, isto certamente não pode significar que o sangue do Senhor Jesus nos purifica da raiz do pecado em nós, porque a purificação aqui referida tem como condição o nosso andar na luz, como ele está na luz, a fim de termos comunhão uns com os outros. Se este verso se referisse à nossa natureza pecaminosa, como teríamos o pecado em nós a ser purificado pelo sangue do Senhor Jesus, visto que já podemos andar na luz como Deus está na luz? A verdade é esta: à medida em que andarmos na luz do evangelho como Deus está na luz da revelação, começamos a reconhecer que o sangue do Senhor Jesus resolveu todo o nosso problema do pecado. O versículo nove usa a palavra pecado no plural mostrando que nós ainda temos pecados. Por isso, chegamos a esta conclusão: o pecado no singular refere-se ao pecado como senhor em nós, e o pecado no plural refere-se às várias expressões da nossa conduta exterior. O pecado no singular aponta para o problema total do pecado, enquanto que o pecado no plural aponta para o pecado como atos individuais.“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós” (II Co 5:21). A palavra pecado aqui está no singular. O Senhor foi feito pecado por nós, não pecados (plural) por nós. Por que o pecado é usado no singular aqui? Porque Deus fez Jesus, o qual não conheceu pecado (isto é, nunca conheceu o que era o pecado, nunca o serviu, nem conheceu o seu poder), ser feito pecado por nós; isto é, ser feito todo o problema do pecado para que Deus, julgando-O, pudesse julgar o pecado. Ser Ele feito pecado significa simplesmente que Deus tratou com Ele como trataria com o nosso próprio problema do pecado. Se o Senhor tivesse sido feito pecados, Ele teria conhecido a conduta pecaminosa e, assim, teria sido alguém que também cometera pecados e teria conhecido pecados tais como: orgulho, inveja, impureza e assim por diante. Graças a Deus, Ele não fez Jesus pecados; Ele apenas tratou com o Senhor Jesus como trataria com o problema do pecado. Por isso, quando o Senhor Jesus morreu, o problema do pecado do mundo inteiro foi resolvido.Finalmente, vamos concluir a discussão desta pergunta consultando o livro dos Romanos. Seus primeiros oito capítulos tratam especificamente com a questão do pecado. A primeira divisão é de 1:1 a 5:11, e trata com o problema do pecado no plural e não no singular. De 5:12 a 8:39, temos a segunda divisão que trata com o problema do pecado no singular (por favor, observe que na segunda divisão, à parte do único exemplo no capítulo 7:5 onde o pecado é mencionado no plural, todo resto da divisão fala do pecado no singular). A primeira trata do pecado como atos individuais, isto é, as expressões exteriores da conduta pecaminosa. Estes casos pecaminosos e suas penalidades devem ser tirados e eliminados. Por isso, o Senhor Jesus veio para levar nossos pecados e tirá-los. A segunda mostra como Deus nos livra do pecado que reina sobre nós, exatamente como Ele tem perdoado todos os nossos muitos pecados. Ele não só perdoa nossos pecados e remove sua condenação, mas também nos livra do poder do pecado para que não pequemos. A primeira divisão trata com o sangue precioso, enquanto que a segunda trata com a cruz. A ressurreição na primeira parte aponta para o Senhor sendo ressuscitado por nós; a ressurreição na segunda parte, é a nossa ressurreição com Ele. A primeira enfoca o Senhor Jesus sendo crucificado e derramando Seu sangue por nós; a segunda enfoca a nossa crucificação com o Senhor. A primeira parte trata com o perdão; a segunda, com o livramento. A primeira trata com a justificação, e a segunda com a santificação. A primeira resolve a penalidade do pecado e a segunda dissolve o poder do pecado. Precisamos examinar estas duas seções. No inicio, quando crê no Senhor, você se preocupa com os muitos pecados que cometeu. Um pecado após outro é colocado diante de você e você reconhece que não existe bem algum dentro e fora de você. Você começa a imaginar por que um Deus tão justo poderia perdoar seus pecados. Mas quando vem a saber que o Senhor Jesus carregou seus pecados, que Seu sangue purificou você de todos os seus pecados e que ele perdoou todos os pecados cometidos, você se regozija nEle. Por seus pecados terem sido perdoados, você agora permanece na graça de Deus, esperando alegremente a glória de Deus. Você está plenamente persuadido de que agora pode fazer o bem. Porém, dia após dia descobre que, por exemplo, ainda pode mentir como antes. O que deveria ser feito? Você vai ao Senhor e pede perdão. O Senhor ainda está desejoso de perdoar e o Seu sangue é sempre eficaz. Você toma a decisão de nunca mais mentir. Posteriormente, você parece fazer tudo bem durante os primeiros dias, mas, depois, começa a se relaxar, vindo a mentir novamente. Você pede ao Senhor outra vez para perdoar seu pecado e diz que não pecará de novo. Após pouco tempo, você mente de novo e cai. Uma e outra vez, você pede ao Senhor para lhe perdoar e continua a pecar repetidas vezes. Antes, você sentia a pecaminosidade dos pecados exteriores, mas, agora, após ter se tornado um cristão, você tem consciência de que o pecado reina em seu interior, como também dos pecados cometidos exteriormente. Para ilustrar melhor, consideremos alguém que gosta de jogar. Antes, ele considerava isto um defeito de conduta, mas, depois de crer no Senhor, ele começa a sentir que existe um senhor severo nele, que possui o poder de forçá-lo a fazer o que não deseja e que não consegue deixar de obedecê-lo. Cada um de nós tem seu pecado peculiar que o embaraça. Você pode se lembrar da ocasião em que foi salvo, da sua felicidade, mas agora você se sente mais miserável do que antes de ser salvo. Como vencer estes pecados? Você pergunta a Deus se Ele tem uma maior salvação. O que temos descrito em Romanos 5:12 a 8:31 é esta maior salvação. Se o sangue é tudo o que Deus requer, então Ele poderia ter levado o Senhor Jesus a derramar Seu sangue de forma diferente. Por que Cristo deve morrer na cruz? É porque Deus quer te mostrar que, como pessoa, você foi levado à cruz para ser crucificado com Cristo, assim como a penalidade dos seus atos pecaminosos de conduta foram perdoados por meio de Jesus, o Salvador. O Senhor Jesus Cristo foi crucificado por seus pecados, mas ao mesmo tempo Ele levou você à cruz com Ele. Não apenas os pecados do pecador, mas o próprio pecador; não apenas os nossos pecados, mas também todos nós em Cristo, estávamos na cruz. Assim como o Senhor Jesus Cristo derramou Seu sangue para purificar seus pecados, assim Deus reconhece a morte de Cristo há mais de 1900 anos como sendo a sua morte. No inicio, você creu que o Senhor morreu por você; hoje você reconhece a morte dEle como sendo sua. Visto que o Senhor morreu, você também morreu. Como você crê na morte dEle, assim também você crê na morte dEle como sendo a sua. Embora o pecado ainda esteja vivo, ele não pode tentar uma pessoa morta, pois o que está morto, está libertado do pecado. Estando morto, o pecado não pode mais frustrá-lo. Deus pode perdoar os atos pecaminosos da nossa conduta exterior, mas Ele não pode perdoar nossa natureza pecaminosa interior. Ao invés disso, Ele crucificou o velho homem a fim de que o pecado não mais tenha poder para nos arrastar. Devemos crer, portanto, que morremos. Creia que já morremos e não vamos morrer. Creia que morremos e não devemos morrer. Tendo consciência de sua fraqueza e impureza, você deve saber que a cruz tratou com estas coisas. Se você olhar para Cristo com os olhos da fé e crer que foi crucificado com Ele, você verá o poder de Cristo salvando-o e o libertando do poder do pecado.O primeiro passo na salvação dá-nos paz e satisfação e nos leva a experimentar muita alegria. O segundo passo na salvação dá-nos poder para vencer o pecado e andar em seu caminho. Você sente o poder do pecado oprimindo-o por dentro? É apropriado que você experimente a vitória sobre ele. Vencer o poder do pecado em você é livramento e emancipação e não perdão. Visto que o senhor dentro mudou, você não está mais sob o governo do antigo senhor. Todos devemos seguir este caminho.

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"