“Um morreu por todos, logo todos morreram (nEle)” (2 Co 5:14).
Como lemos em 2 Coríntios 5:12-19, não podemos deixar de ver quão profundamente a cruz é o centro da vida do apóstolo. Estamos familiarizados com o verso 14, onde se lê: “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram [nEle]; e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si”. Estas palavras tomadas sozinhas, indubitavelmente ensinam a identificação do crente com Cristo em Sua morte e Seu ressurgimento em uma vida onde vive total e inteiramente em Cristo, e não em si. Mas, se as palavras são lidas em conexão com os versos anteriores e consecutivos ao verso 14, o véu é erguido para um caminho extraordinário mostrando que este verso é mesmo o centro de uma passagem admirável, revelando as circunstâncias e condições que produziram em Paulo sua relação com a cruz.Deixe-me ilustrar a situação por trás das palavras do apóstolo. Seus críticos em Corinto estavam acusando-o de auto-exaltação e de estar fora de si por vaidade, mas ele replica: “Porque, se enlouquecemos, é para Deus; se conservamos o juízo, é para vós” (verso 13).“Pois o amor de Cristo nos constrange”, e então aponta para a cruz como a razão pela qual ele poderia dizer isto sobre si mesmo. Ele sabia que não era auto-exaltação ou vaidade manifestada em seu zelo e intensa renúncia a Deus por causa de sua identidade com Cristo na morte. O ego já não era mais o centro dominante do seu ser.Quão expressivas são as palavras de Paulo no verso 16. “Nós a ninguém conhecemos” (aqui a pessoa ‘nós’ é enfática) “Nós a ninguém conhecemos segundo a carne”, como vocês me conheceram. Vocês me chamam de insensato e louco em meu zelo, mas esta é uma visão carnal. Sei que morri com Cristo e que não vivo mais por mim mesmo. É o amor de Cristo que habita em mim que me constrange, “assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus”. Vocês me chamam de louco, dizem isso e aquilo de mim, mas sei que não sou “eu” quem me domina, pois vi o “eu” sobre a cruz. Julguei o verdadeiro significado da morte de Cristo, vejo que se um morreu por todos, então todos morreram. Assim, aqueles que estão em Cristo se tornam novas criaturas. Seu centro mudou. Eles têm um novo centro: Cristo. Tudo é novo e tudo vem de Deus como a fonte central de suas vidas. Deste modo é que o amor de Cristo me constrange, explodindo dentro de mim como uma torrente da fonte central da minha vida, e não o mero zelo e entusiasmo que vocês julgam ser o poder que opera em mim.Isto está de acordo com a forma de Deus revelar o significado da cruz a Seus filhos. O conhecimento íntimo da cruz jamais pode ser compreendido pelo intelecto. A morte de Cristo no Calvário foi algo tão impressionante e terrivelmente real que somente aqueles que entram experimentalmente naquela morte podem receber igualmente um vislumbre dela. A mensagem da cruz jamais pode ser meramente uma doutrina, pois foi algo mais do que isso para Cristo, e, como vemos na vida do apóstolo da cruz, para Paulo. A forma de Deus revelar a verdade é produzi-la na experiência e vida do homem antes que ela possa penetrar o intelecto. Devemos ser conduzidos ao mesmo ponto experimental do qual ele falou caso queiramos entender sua mensagem.
Uma Mudança de Centro.
Agora é sobre a mudança de centro, que Paulo descreve nesta passagem em Coríntios, a qual desejo tratar por um momento. Temos falado da cruz e da morte para o pecado, como mostrado em Romanos 6, sobre a cruz e a morte para o mundo, como em Gálatas 6, sobre a morte e a vida do grão de trigo, descrito em João 12:24. Podemos receber luz sobre todos estes aspectos da cruz e experimentar uma medida de libertação pela verdade, mas não conhecer profundamente, no recôndito do nosso ser, esta mudança do ‘eu’ central do qual o apóstolo fala em 2 Coríntios 5:14. Existe algo que precisa ser tratado mais profundamente do que o pecado e o mundo; é o ego, o ‘eu’. A cruz penetrou ali? “Agora” disse Paulo, “não conheço ninguém segundo a carne”. Quando o ‘eu’ central é tratado, a visão é inteiramente mudada. Inclusive a visão de Cristo pode ser mundana, do ponto de vista egocêntrico ao invés do ponto de vista da “nova natureza” que vem “de Deus”. Este é o fundamento básico da vida interior, o qual devemos começar a examinar à luz da cruz. De nenhuma outra forma o Senhor pode liberar em nós os rios de águas vivas, nem podemos ser conduzidos para o lugar de autoridade sobre os poderes das trevas, pois o ego está corrompido em sua fonte pela natureza caída do primeiro Adão.Paulo nos anuncia a mudança de centro que ele tão intensamente compreendeu através da luz que obteve por meio da cruz. Três vezes ele afirma essa “nova criação” básica como sua experiência. “Não vivo mais eu” (Gl 2:20). “Mando, não eu, mas o Senhor” (1 Co 7:10). “Trabalhei muito... todavia não eu” (1 Co 15:10). Na Igreja em Coríntios (1 Co 1:12) temos um completo contraste disso. “Cada um de vós diz: ‘eu’... ‘eu’ sou de Paulo... ‘eu’ sou de Apolo...” Mas Paulo não disse ‘eu’ no sentido de ‘eu’ sendo a fonte originadora e movedora das suas palavras e ações. ‘Eu’, sim, mas é um novo ‘eu’, uma nova personalidade. Não ‘Cristo e eu’, com o ‘eu’ no centro, e Cristo, por assim dizer, pelo Seu Espírito ao lado. Mas uma ‘criação’ pelo Espírito Santo de um novo ‘eu’, porque o velho ‘eu’ foi cravado na cruz com Cristo (Gl 2:20).Isso é algo totalmente além do nosso poder de compreender mentalmente. A obra da ‘nova criação’ precisa ser feita pelo Criador assim como na primeira criação. Não vamos ser auto-enganados e imaginar que “não eu, mas Cristo” é somente um lema, uma escolha, um propósito. É muito, muito mais. O Espírito Santo fará Sua parte se enxergarmos nossa necessidade e nos dispormos para a Sua obra mais profunda da graça em nós.Aqui precisamos retornar á passagem mais vital sobre o significado da cruz que se encontra no Novo Testamento. Ela é parte da grande epístola doutrinária aos Romanos, sobre a qual toda a estrutura da vida cristã pode ser edificada.Passando pela primeira revelação necessária da morte de Cristo como propiciação pelo pecado, para Deus (Rm 3:25), e então como substituto pelo pecador (Rm 5:6-10), vamos ao verdadeiro fundamento da morte do pecador na morte de seu substituto, em Romanos 6. É o fato espiritual que se apresenta na base das palavras de Paulo em Gálatas 2:20. “Estou crucificado com Cristo e não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim”. Familiarizados como estamos com as palavras e até certo ponto com as verdades de Romanos 6, vamos tomar apenas uma palavra no capítulo e através desta palavra vejamos quão profundo e real o fato central da crucificação do ‘eu’ pretende ser. É a palavra ‘MORTE’ em Romanos 6:2. A Edição Revisada e Corrigida a traduz ‘mortos’, já que apresenta o tempo aoristo que em si é mais fortemente abrangente.A palavra Grega é ‘apothnesko’. O Léxico Grego diz que esta palavra tem um prefixo “que torna o verbo mais vívido e intenso, e representa a ação do verbo simples como consumado e terminado”. Ela se apresenta como o significado da palavra “extinguir, expirar, tornar-se completamente morto”.A mesma palavra é usada novamente no verso 7. “Aquele que está morto está justificado do pecado”, e no verso 8, “Se já morremos com Cristo”. Ora é óbvio que se Paulo usou tal linguagem sobre a identificação do crente com Cristo em Sua morte ele quis dizer algo mais do que uma imagem ou figura de retórica.Sabemos de outras partes desta epístola quão magnificamente ele irromperia com explosões de verdades jorrando do seu espírito e mente como com a própria luz do céu. E foram verdades sempre reveladas pelo Espírito em reposta à necessidade. Tratando com a questão da graça fluindo além da mais funda profundeza da insurreição do pecado na raça humana, ali irrompe do seu espírito a mais maravilhosa revelação da cruz. Alguns judeus argumentaram que se o pecado do homem foi trazido à tona como uma exibição gloriosa da graça de Deus então quanto mais os homens pecassem, mais Deus seria glorificado. Mas, diz o apóstolo, a cruz não trata somente com o pecado, mas com o pecador. Então ele irrompe, em vívida e intensa linguagem: “Nós que estamos MORTOS para o pecado, como viveremos ainda nele?”Ou seja, na morte de Cristo nós MORREMOS para o pecado, como um ato consumado e terminado, e aquele que está ‘morto’ está livre da escravidão do pecado. (Rm 6:7).
A Obra Externa Experimental
Tendo já lançado o fundamento da necessidade de um novo centro, uma nova criação, olhemos para outras passagens que mostram que com base no termos ‘morrido’ para o pecado, (Rm 6:2), o apóstolo usa outras palavras para descrever a obra externa experimental da cruz.Em Romanos 8:13 onde ele escreve: “Se pelo espírito mortificardes as obras do corpo”, (a margem da versão King James diz, “fazer morrer os feitos do corpo”), a palavra Grega usada é ‘thanatoo’. Sobre ela o Léxico Grego diz, “tirar o princípio vital, a inércia daquilo cuja vida foi tirada”. Aqui está a obra do Espírito Santo com a qual o crente tem que cooperar. Na fé baseada na ‘morte’ (Rm 6:2) o crente deve agora ‘fazer morrer’ as obras do corpo; render à cruz toda a atividade da natureza caída e quando ele assim o faz aquela atividade cessará, pois a cruz trata com a vida caída que energiza as obras incitadas por ela.Há uma outra palavra usada por Paulo na mesma conexão. Ela é ‘nekroo’ (Cl 3:5), em referência aos membros do corpo. A Versão Atualizada diz ‘mortificar’; a margem da Versão Revisada diz ‘fazer morrer’; a nota do Léxico é “fazer um corpo morto ou um cadáver, o aspecto do ser com respeito ao cadáver e a obra pela qual ele se tornou assim”. Isto significa que os membros do corpo devem ser conduzidos em todas as suas ações em harmonia com o fato central da ‘morte com Cristo’. Os membros devem ser mortificados naquilo em que não são mais energizados pela vida caída de Adão, mas trazidos sob o poder da cruz. Eles assim são feitos ‘mortos para o pecado’ e vivos para Deus a Seu serviço (Rm 6:13).
A Perpétua Vida de Morte
Estas palavras ‘apothnesko’ (morrer para o pecado), ‘thanatoo’ (trazer os feitos do corpo sob o poder daquela morte) e ‘nekroo’ (privar os membros do corpo da atividade da velha vida), não cobrem todo o fundamento. 2 Coríntios 4:10-11 fornece uma outra palavra, mostrando que não existirá nenhum ponto em nossa vida na terra em que a necessidade de aplicação da cruz cessará. O verso 10 diz na Versão Atualizada: “carregando sempre em nosso corpo a morte de Jesus”. A palavra morte é ‘nekrosis’, um ‘fazer morrer’. O Léxico diz que ela é “a expressão da ação ser incompleta e em progresso”. No verso 11, a palavra ‘morte’ é ‘thanatos’. A obra profunda de Deus no centro é apenas o começo de tudo o que deve ser forjado em nós pelo Espírito Santo. Quão claramente as palavras Gregas usadas apresentam a posição básica de termos morrido na morte de Cristo e o progressivo fazer morrer perpetuamente que deve necessariamente ser feito dia após dia. “No meu corpo carrego continuamente o morrer de Jesus”, escreve Paulo, mas novamente a exatidão verbal do Grego é mostrada no uso da palavra ‘thanatos’ (morte) no verso 11. O Léxico diz que isto descreve a cessação de qualquer tipo de vida. O ‘fazer morrer’ do verso 10 ao qual o crente é sempre conduzido pelo Espírito Santo, tem o propósito de trazer a cessação da atividade da velha natureza, e isso não é uma vez por todas, mas continuamente. Assim, isso significa que do centro para a periferia a identificação do crente com Cristo em Sua morte é uma necessidade para o crescimento da nova vida no centro em plena maturidade.
(Do Livro “A Centralidade da Cruz” [The Centrality of the Cross])
Para a Edificação do Corpo de Cristo!! Mateus 5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos maduros de Deus.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Do Lugar Raso para as Profundezas- Madame Guyon
Enquanto você lê este livro, pode sentir que simplesmente não é uma daquelas pessoas capazes de uma profunda experiência com Jesus Cristo. A maioria dos cristãos não percebe que é chamada para uma relação mais profunda, interior, com o seu Senhor. Mas todos nós fomos chamados às profundezas de Cristo, tão certo como fomos chamados para a salvação.
Que quero dizer quando falo desta profunda e interior relação com Cristo Jesus? De fato, é algo muito simples. É apenas voltar-se e render seu coração ao Senhor. É a expressão de amor por Ele, dentro do seu coração.
Você há de estar lembrado de que Paulo nos encoraja a “orar sem cessar’ (1 Ts 5.17). O Senhor também nos convida a “vigiar e orar” (Mc 13.33, 37). É claro, por estes dois versículos, bem como por muitos outros, que todos nós vivemos desta espécie de experiência, esta oração, assim como vivemos pelo amor.
Certa vez, o Senhor disse: “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres” (Ap 3.18).
Querido leitor, há ouro disponível para você. Este ouro é muito mais facilmente obtido do que você jamais poderia imaginar.
Esta à sua disposição. O propósito deste livro é lançar você nesta exploração e nesta descoberta.
Faço-lhe um convite: se você tem sede, venha às águas vivas. Não gaste seu precioso tempo cavando poços que não têm águas (Jo 7.37; Jr 2.13).
Se você está faminto e nada pode achar para satisfazer a sua fome, então venha. Venha e ficará satisfeito.
Você que é pobre, venha! Você que está aflito, venha!
Você que está abatido com seu fardo de miséria e de dor, venha!
Você será confortado!
Você que está enfermo e precisa de um médico, venha! Não hesite por causa das suas enfermidades. Venha ao seu Senhor e mostre-Lhe todas as suas doenças, e elas serão curadas!
Querido filho de Deus, seu Pai tem Seus braços de amor, largamente, abertos para você. Atire-se em Seus braços. Você que tem andado errante e desgarrado como uma ovelha, volte-se ao seu Pastor. Vocês que andam em pecado, venham ao seu Salvador.
Dirijo-me, especialmente, àqueles que são muito simples e incultos, mesmo a você que não pode ler e escrever. Você pode pensar que é a pessoa mais incapaz para esta experiência permanente de Cristo, para esta oração de simplicidade.
Você pode pensar de si mesmo como o mais distante de uma profunda experiência com o Senhor; mas, de fato, o Senhor tem escolhido especialmente você! Você é o mais ajustado para conhecê-Lo bem.
Que ninguém se sinta deixado de fora. Jesus Cristo chama a todos.
Oh, suponho que há um grupo que é deixado de fora!
Não venha, se você não tem um coração. Veja: antes de vir, há uma coisa que você precisa fazer. Primeiro, precisa dar seu coração ao Senhor.
“Mas não sei como dar meu coração ao Senhor!”
Bem, neste livrinho você aprenderá o que significa dar seu coração ao Senhor, e como fazer esta dádiva a Ele. Deixe-me perguntar-lhe, então: você deseja conhecer o Senhor de uma maneira profunda? Deus fez que tal experiência, tal caminhar, seja possível para você. Fez com que isso fosse possível, através da graça que tem dado a todos os Seus filhos remidos. Ele o fez por meio de Seu Santo Espírito.
Como, então, você irá ao Senhor para conhecê-Lo de um modo profundo? A oração é a chave. Mas tenho em mente certo tipo de oração. É um tipo de oração que é muito simples e, contudo, assegura a chave para a perfeição e para a bondade – coisas que são achadas somente em Deus mesmo. O tipo de oração que tenho em mente libertará você da escravidão de todo o pecado. É uma oração que o libertará para cada virtude da piedade.
Você vê: o único caminho para ser perfeito e andar na presença de Deus. O único modo pelo qual você pode viver na Sua presença, em comunhão ininterrupta, é por meio da oração, mas um tipo muito especial de oração. É uma oração que o leva à presença de Deus e o conserva aí por todo o tempo; é uma oração que pode ser experimentada sob qualquer condição, em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Há mesmo tal tipo de oração? Existe realmente tal experiência com Cristo? Sim, há tal oração! É uma oração que não interfere nas atividades exteriores de sua rotina diária, que pode ser praticada por reis, sacerdotes, soldados, operários, crianças, mulheres e também pelos enfermos.
Permita-me apressar-me em dizer que esta espécie de oração a que me refiro não é uma oração que vem da mente. É uma oração que começa no coração. Não vem do seu entendimento ou de seus pensamentos. Oração oferecida ao Senhor, que sai da sua mente, simplesmente não será adequada. Por quê? Porque sua mente é muito limitada. A mente pode dar atenção a somente uma coisa de cada vez. A oração que brota do coração não é interrompida pelo pensamento! Vou tão longe, a ponto de dizer que nada pode interromper a oração!
É a oração da simplicidade.
Oh, sim, há uma coisa que a pode interromper. Desejos egoístas podem fazer com que esta oração cesse. Mas, mesmo assim, há encorajamento, pois uma vez que você começa a se alegrar no seu Senhor e a provar a doçura de Seu amor, verá que mesmo seus desejos egoístas não terão qualquer poder.
Você verá que é impossível ter prazer em qualquer outra coisa, exceto Nele!
Compreendo que alguns de vocês podem sentir que são muito vagarosos, que têm uma compreensão pobre e que são pouco espirituais. Caro leitor, nada há neste universo que seja mais fácil de obter do que o gozo de Cristo Jesus! Seu Senhor é mais presente a você do que você mesmo! Mais ainda, Seu desejo de dar-Se a você é maior do que seu desejo de assegurar-se Dele.
Como, então, você começa? Precisa somente de uma coisa.
Precisa somente saber como procurá-Lo. Quando achar o modo de buscá-Lo, descobrirá que este caminho para Deus é mais natural e mais fácil do que aspirar o ar.
Por esta oração de simplicidade, este experimentar de Cristo, profundamente, você poderá viver pelo próprio Deus, com menor dificuldade e com menos interrupção do que viver pelo ar que respira. Se isto é verdade, então pergunto: não será pecado não orar? Sim, seria um pecado. Mas uma vez que você tenha aprendido como buscar Jesus Cristo e como assegurar-se Dele, você O achará tão facilmente que não mais negligenciará esta relação com seu Senhor.
Vamos adiante, portanto, e aprendamos esse modo simples de orar.
Extraído do Livro Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo Através da Oração ( Livro disponível no Filho Varão)
Que quero dizer quando falo desta profunda e interior relação com Cristo Jesus? De fato, é algo muito simples. É apenas voltar-se e render seu coração ao Senhor. É a expressão de amor por Ele, dentro do seu coração.
Você há de estar lembrado de que Paulo nos encoraja a “orar sem cessar’ (1 Ts 5.17). O Senhor também nos convida a “vigiar e orar” (Mc 13.33, 37). É claro, por estes dois versículos, bem como por muitos outros, que todos nós vivemos desta espécie de experiência, esta oração, assim como vivemos pelo amor.
Certa vez, o Senhor disse: “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres” (Ap 3.18).
Querido leitor, há ouro disponível para você. Este ouro é muito mais facilmente obtido do que você jamais poderia imaginar.
Esta à sua disposição. O propósito deste livro é lançar você nesta exploração e nesta descoberta.
Faço-lhe um convite: se você tem sede, venha às águas vivas. Não gaste seu precioso tempo cavando poços que não têm águas (Jo 7.37; Jr 2.13).
Se você está faminto e nada pode achar para satisfazer a sua fome, então venha. Venha e ficará satisfeito.
Você que é pobre, venha! Você que está aflito, venha!
Você que está abatido com seu fardo de miséria e de dor, venha!
Você será confortado!
Você que está enfermo e precisa de um médico, venha! Não hesite por causa das suas enfermidades. Venha ao seu Senhor e mostre-Lhe todas as suas doenças, e elas serão curadas!
Querido filho de Deus, seu Pai tem Seus braços de amor, largamente, abertos para você. Atire-se em Seus braços. Você que tem andado errante e desgarrado como uma ovelha, volte-se ao seu Pastor. Vocês que andam em pecado, venham ao seu Salvador.
Dirijo-me, especialmente, àqueles que são muito simples e incultos, mesmo a você que não pode ler e escrever. Você pode pensar que é a pessoa mais incapaz para esta experiência permanente de Cristo, para esta oração de simplicidade.
Você pode pensar de si mesmo como o mais distante de uma profunda experiência com o Senhor; mas, de fato, o Senhor tem escolhido especialmente você! Você é o mais ajustado para conhecê-Lo bem.
Que ninguém se sinta deixado de fora. Jesus Cristo chama a todos.
Oh, suponho que há um grupo que é deixado de fora!
Não venha, se você não tem um coração. Veja: antes de vir, há uma coisa que você precisa fazer. Primeiro, precisa dar seu coração ao Senhor.
“Mas não sei como dar meu coração ao Senhor!”
Bem, neste livrinho você aprenderá o que significa dar seu coração ao Senhor, e como fazer esta dádiva a Ele. Deixe-me perguntar-lhe, então: você deseja conhecer o Senhor de uma maneira profunda? Deus fez que tal experiência, tal caminhar, seja possível para você. Fez com que isso fosse possível, através da graça que tem dado a todos os Seus filhos remidos. Ele o fez por meio de Seu Santo Espírito.
Como, então, você irá ao Senhor para conhecê-Lo de um modo profundo? A oração é a chave. Mas tenho em mente certo tipo de oração. É um tipo de oração que é muito simples e, contudo, assegura a chave para a perfeição e para a bondade – coisas que são achadas somente em Deus mesmo. O tipo de oração que tenho em mente libertará você da escravidão de todo o pecado. É uma oração que o libertará para cada virtude da piedade.
Você vê: o único caminho para ser perfeito e andar na presença de Deus. O único modo pelo qual você pode viver na Sua presença, em comunhão ininterrupta, é por meio da oração, mas um tipo muito especial de oração. É uma oração que o leva à presença de Deus e o conserva aí por todo o tempo; é uma oração que pode ser experimentada sob qualquer condição, em qualquer lugar, a qualquer tempo.
Há mesmo tal tipo de oração? Existe realmente tal experiência com Cristo? Sim, há tal oração! É uma oração que não interfere nas atividades exteriores de sua rotina diária, que pode ser praticada por reis, sacerdotes, soldados, operários, crianças, mulheres e também pelos enfermos.
Permita-me apressar-me em dizer que esta espécie de oração a que me refiro não é uma oração que vem da mente. É uma oração que começa no coração. Não vem do seu entendimento ou de seus pensamentos. Oração oferecida ao Senhor, que sai da sua mente, simplesmente não será adequada. Por quê? Porque sua mente é muito limitada. A mente pode dar atenção a somente uma coisa de cada vez. A oração que brota do coração não é interrompida pelo pensamento! Vou tão longe, a ponto de dizer que nada pode interromper a oração!
É a oração da simplicidade.
Oh, sim, há uma coisa que a pode interromper. Desejos egoístas podem fazer com que esta oração cesse. Mas, mesmo assim, há encorajamento, pois uma vez que você começa a se alegrar no seu Senhor e a provar a doçura de Seu amor, verá que mesmo seus desejos egoístas não terão qualquer poder.
Você verá que é impossível ter prazer em qualquer outra coisa, exceto Nele!
Compreendo que alguns de vocês podem sentir que são muito vagarosos, que têm uma compreensão pobre e que são pouco espirituais. Caro leitor, nada há neste universo que seja mais fácil de obter do que o gozo de Cristo Jesus! Seu Senhor é mais presente a você do que você mesmo! Mais ainda, Seu desejo de dar-Se a você é maior do que seu desejo de assegurar-se Dele.
Como, então, você começa? Precisa somente de uma coisa.
Precisa somente saber como procurá-Lo. Quando achar o modo de buscá-Lo, descobrirá que este caminho para Deus é mais natural e mais fácil do que aspirar o ar.
Por esta oração de simplicidade, este experimentar de Cristo, profundamente, você poderá viver pelo próprio Deus, com menor dificuldade e com menos interrupção do que viver pelo ar que respira. Se isto é verdade, então pergunto: não será pecado não orar? Sim, seria um pecado. Mas uma vez que você tenha aprendido como buscar Jesus Cristo e como assegurar-se Dele, você O achará tão facilmente que não mais negligenciará esta relação com seu Senhor.
Vamos adiante, portanto, e aprendamos esse modo simples de orar.
Extraído do Livro Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo Através da Oração ( Livro disponível no Filho Varão)
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Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"