Para a Edificação do Corpo de Cristo!! Mateus 5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos maduros de Deus.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Quem Participará da Primeira Ressurreição?- G.H Lang
As Escrituras que convocam o crente para a Coroa de modo tão insistente como convoca o não crente para a cruz, apresenta novamente uma dupla verdade com clareza cristalina. Paulo abre uma pequena obra prima da revelação em Filipenses 3.3-15, demonstrando uma extrema desesperança. Qual é ela? O homem que chegou mais próximo no contato com Deus através da sua própria bondade, comprovou ser o principal dos pecadores. Pondere nas qualidades incomparáveis de Paulo: alma alguma antes ou depois jamais elevou à face de Deus u´a mão cheia com pérolas tão excelentes! Vejamos: Circuncidado - marcado como pertencendo a Deus desde a infância; Da linhagem de Israel - com direito de sangue à salvação; Da tribo de Benjamim - uma tribo que nunca se separou; Hebreu de Hebreus - judeu de sangue puro, remontando às gerações mais antigas; Fariseu - intensamente ortodoxo; Perseguidor da igreja - incendiado pelo zelo a Deus; Quanto à Lei irrrepreensível - obediente até ao iota ou til. Homem algum chegou tão próximo de alcançar a vida por meio daquilo que era e fez. "Se algum homem" - de qualquer era, raça ou religião - "julga poder confiar na carne, ainda mais eu" - Paulo se coloca acima de todos os legalistas para sempre. Mas uma descoberta repentina e terrível arrasou com suas esperanças. "E outrora eu vivia (aos meus próprios olhos) sem a lei; mas quando o mandamento (não cobiçarás) veio (à minha consciência), reviveu o pecado (voltou a viver) e eu morri (me vi como um homem morto). E o mandamento que era para vida (no propósito de Deus), esse achei que me era para morte (em realidade) - (Rm.7.9,10). "Se algum homem julga poder confiar na carne, ainda mais eu"; mas o que sua visão interior revelou? Um cadáver diante de Deus. Com a falha de Paulo o mundo inteiro se desfaz em irremediável desespero.Em seguida surge uma justiça superior.Qual? Não a de Paulo, pois ele havia descoberto, com Isaías, que "todos nós somos como o imundoe todas as nossas justiças como trapos de imundícia" (Is.64.6). Agora ele descobre que aquilo que ele não pôde fazer, Cristo fez; que aquilo que ele não pode ser, Cristo foi; e que Cristo o fez e tem feito a fim de tomar o seu lugar (2co.5.21). Instantaneamenteele larga sua própria justiça e agarra a de Cristo; ele troca as suas próprias pérolas por uma que não tem preço, uma gema perfeita. "E as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo e seja achado nEle, não tendo a minha justiça...mas a que é pela fé em Cristo". Paulo depois disso nunca duvida da sua salvação (Rm.8.39), pois Cristo guardou a Lei não com a cabeça, mãos e pés apenas, mas com o coração também (Sl.40.8), e esta justiça é de Paulo agora (Rm.5.19). A extrema desesperança é substituída por uma suprema salvação.Ainda restauma extrema incerteza. Aqui estão palavras supreendentes: "Irmãos, quanto a mim,não julgo que o haja alcançado ... mas vou prosseguindo" (Fl.3.13). Não alcançou o que? "Para ver se de algum modo posso alcançar a ressurreição dentre os mortos" (3.11)." Está claro que Paulo tinha alguma ressurreição especial em vista, a saber, a primeira; e para participar dela ele estava esforçando cada nervo" (J. MacNeill). Prosseguindo para o que? "Para o alvo, para o prêmio da soberana vocação" - "se" : condicional - "de algum modo" : é arriscado - "posso alcançar" : incerto - "a ressurreição para fora": seletiva (conforme o original grego-tradutor) - "que é dentre os mortos" : exclusiva. Seria dificil abarrotar um texto com mais incerteza do que Paulo faz aqui. Assim se expressou o Bispo Ellicott: "Como o contexto sugere, a primeira ressurreição. Qualquer referência aqui a uma simples ressurreição ética está totalmente fora de questão". O versículo que conclui este capítulo deixa claro que Paulo está falando de ressurreição física: "Aguardamos o Salvador que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme o Seu corpo de glória". Todas as passagens que se referem à ressurreição "de entre os mortos" (Mc.10.10; Lc.20.35; Rm.1.4; Apoc.20.4) indicam ressurreição física. Da ressurreição final quando todos sem exceção serão ressuscitados, Paulo não poderia ter dúvida. Que sentido então pode ter esta passagem, se ela o apresenta se esforçando e sofrendo simplesmente para alcançar uma ressurreição e sustentando isso para exame como sendo inatingível, a menos que alcançasse um elevado nível de perfeição cristã? Imaginemos por outro lado, uma primeira ressurreição a ser designada como recompensa especial de altos méritos na virtude cristã e tudo parece ser simples e fácil. Com respeito à Primeira Ressurreição, disse Dean Alford: "Aqueles que viveram próximos dos Apóstolos e a igreja toda durante os três primeiros séculos aceitavam a primeira ressurreição no evidente sentido literal. É uma visão estranha ver nestes dias expositores que estão entre os primeiros em respeito ao que é antigo, pondo de lado complacentemente o exemplo mais convincente que a antiguidade primitiva apresenta". De tais casos como o de Lázaro que morreu novamente, é certo que o ato da ressurreição é distinto do seu estado; por isso nosso Senhor associa a Primeira Ressurreição com a Era Vindoura: "Os que são julgados dignos de alcançar a Era Vindoura e a ressurreição dentre os mortos" (Lc.20.35). O ato da ressurreição para se comparecer diante do Tribunal de Cristo é desse modo distinto da participação da Primeira Ressurreição, ou, Era Milenar. Foi visando uma ressurreição não temporária, um estado, não um ato, que os antigos mártires recusaram a vida: "As mulheres receberam pela ressurreição seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição" (Hb.11.35; Mt.10.30.9). Não se trata de Paulo assumir sua própria morte, pois não foi até poucas horas antes da sua partida que Deus lhe revelou seu martírio (2Tm.4.6). Mas é a sua aspiração, seja vivou ou morto, alcançar o estado dos ressuscitados naquele Reino no qual só se entra pela incorrupção (1Co.15.50). Por isso, o batismo ordenado para o Reino (Jo.3.5) ilustra o canteiro do qual as plantas-companheiras de Cristo brotarão (Rm.6.5) em Sua ressurreição, a Primeira: ninguém não batizado em Moisés (1Co.10.1) jamais entrou em Canaã, embora a maior parte dos assim batizados falhou depois do batismo. Tertuliano testifica que em seus dias, a era que veio logo após à dos apóstolos, era costume dos cristãos orar para que pudessem ter parte na Primeira Ressurreição (Dr. Seiss - The Last Times, pg.242). "Paulo não pode estar falando de uma ressurreição no sentido figurado, isto é, da regeneração, porque ele já a havia alcançado no caminho para Damasco" (Moses Stuart). A salvação nunca pode ser insegura; o prêmio nunca pode ser garantido até que seja recebido. Por que? (1) Porque é um prêmio. Se o prêmio for dado à fé sem obras, então não é mais um prêmio. "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas um só é que recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis" (1Co.9.24). (2) A glória dos serviços prestados no passado não pode garantir imunidade à apostasia. Ninguém renunciou, sofreu ou serviu tanto quanto Paulo e ainda assim ele não admitiu ter recebido nenhum prêmio. (3) Doutrinas falsas despojam a Deus da Sua glória e a nós da nossa: "Portanto, ninguém roube o vosso prêmio" (Col.2.18, versão inglesa). (4) Os pecados carnais também desqualificaml, por isso: "Antes subjugo o meu corpo e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar aos outros, eu mesmo não venha a ser desqualificado" (para a coroa - 1Co.9.24-27). A insegurança do principal dos apóstolos vincula à igreja a insegurança da recompensa para sempre. "Não que já tenha alcançado ou que seja perfeito; mas prossigo para ver se poderei alcançar", isto é, o alcançar está indissoluvelmente ligado à perfeição. Obediência constante e um andar íntimo com Deus, podem produzir "certeza da esperança" como Paulo em suas últimas horas soube por revelação que ele havia ganho o prêmio (2Tm.4.8). "Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santíssimo Lugar, pelo sangue de Jesus ... cheguemo-nos em plena certeza de fé" (Hb.10.19,22). Nossa vida eterna, fundamentada na cobertura plena do sangue da expiação, é tão segura quanto Deus. Mas uma visão bem ampla se descortina além: "Cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para plena certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas" (Hb.6.11,12). Não devo ter esperança de que sou salvo; devo crer que sou salvo. Por outro lado, não devo crer que ganhei o prêmio, mas esperar que o ganharei. Só o "fim" pode revelar como corri. Mas, quanto mais batalhas ganharmos e mais quilometragem cobrirmos, mais poderemos amadurecer para a plena certeza da esperança. "Bem poderemos vencer" (Nm.13.30).Portanto, tudo culmina num esforço supremo: "Uma coisa eu faço (grego: única coisa)". Isto é somente para Paulo? "Portanto, todos", porque ele é o nosso exemplo inspirador, "quantos somos perfeitos, tenhamos esta mente". "Buscai primeiro o reino de Deus" (Mt.6.33), é a palavra do Senhor aos discípulos já no reino em mistério. Como? (1) "Esquecendo-me das coisas que atras ficam - o valor inestimavel do prêmio pode ser calculado pelos imensos sacrifícios necessários para conquista-lo. "O reino dos céus não tem matrícula, mas sua assinatura é: tudo o que o homem tem. Seu preço é: um mundo crucificado. Bem aventurado é o homem para o qual o mundo, com todos os seus trapos de honra, está crucificado, e que considera o seu valor idêntico ao de um ladrão na forca. Nada torna o mundo mais real ou mais abençoado do que a renúncia dele. (2) "Avançando para as coisas que estão adiante" - é um corredor, como diz o Professor Eadie, em sua agonia de esforço e esperança: cada músculo é esticado, cada veia aquecida; o peito arfa e enormes gotas surgem na testa; o corpo se dobra para a frente, como se o corredor quase tocasse o alvo". "Portanto, esforcemo-nos para entrar naquele descanso, para que ninguém (nenhum discípulo) caia no mesmo exemplo de desobediência" (Hb.4.11). (3) "Esta (única) coisa eu faço". Todo o seu ardor missionário, sua sede pelas almas, seu trabalho pelas igrejas, se curvam diante dessa paixão que dominava sua alma; por causa da pista de corrida para o prêmio Deus colocou estes canais de santo serviço ao longo dela, e o trabalho penoso de hoje é a medida da glória de amanhã. "A Primeira Ressurreição é uma recompensa pela obediência e concedida depois que se aceita a salvação, e Paulo conhecia o padrão que Deus havia fixado em Seu próprio propósito" (G. H. Pember). "O Reino dos Céus sofre violência e homens violentos o tomam pela força" (Mt.11.12). (4) É uma chamada "para cima", portanto, é Deus que está chamando. "Que andeis de um modo digno de Deus, o qual vos chama ao Seu reino e glória" (1Tess.2.12). Paulo faz distinção entre o Testamento e o Codicilo, isto é, 'a alteração de um testamento por disposições adicionais a ele', e isso confirma seu contraste entre dádiva e prêmio. "Verdadeiramente herdeiros de Deus (mén,grego), sem qualquer condição, a não ser a regeneração; "mas, (dé,grego) co-herdeiros com Cristo, se for o caso de sofrermos - "caso soframos como Ele sofreu" (Olshausen); "contanto que soframos (Alford) com Ele, para que sejamos também com Ele glorificados" (Rm.8.17). As duas heranças envolvem vida eterna, mas o Codicil que lega a co-herança com o Messias em Seu reino milenar e a lega na mesma condição que nosso Senhor a recebe (Fl.2.3; Hb.1.9; Is.53.12), antecipa o Testamento em mil anos. Ela é a "recompensa da herança" (Col.3.24), uma herança que outorga uma "entrada abundante" no Reino Eterno (2Pd.1.11). As duas heranças estão no Testamento e são oferecidas a todos; tanto o Testamento quanto o Codicil dependem da morte do Testador para sua validade, mas sem o cumprimento da sua condição o Codicil é ineficaz. "O sofrer com Ele deve envolver a dor devido a nossa união com Ele" (Moule): "Se sofrermos, com Ele também reinaremos" (2Tm.2.12). O Testamento é a herança incondicional da livre graça; o Codicil é a glória condicionada à identidade da experiência com Cristo. Deus está nos chamando das nossas glórias terrenas para o Seu Trono: "Para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis" (2Tess.1.5). A Cruz é nossa para sempre; quando tivermos sido aprovados, receberemos a Coroa (Tg.1.12). Honramos a Deus na proporção em que almejamos Suas imensuráveis recompensas. O apóstolo não apenas renuncia: ele esquece; ele não apenas prossegue: ele avança com força; ele não apenas contempla: ele se estica; ele não apenas faz isso: ele faz só isso. "Pelo que todos quantos somos perfeitos tenhamos esta mentalidade" (Fl.3.15). "Oh! Que o pensamento, a esperança da bem-aventurança do Milênio possa me ativar a aperfeiçoar a santidade no temor de Deus, para que eu possa ser considerado digno de escapar dos terriveis julgamentos que abrirão caminho para aquele feliz estado de coisas e que possa ter parte na Primeira Ressurreição!" (Fletcher of Madeley). Porque "bem aventurado e santo é aquele que tem parte na Primeira Ressurreição ... e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos" (Apoc.20.6, 4).
Notas sobre o Evangelho de João - Nara Soares Pereira
Ao estudarmos o evangelho de João penetramos em uma esfera diferente da dos outros evangelhos os quais são muito mais relacionados com a cronologia temporal humana e os aspectos da vida terrena do Senhor Jesus. Em João nós penetramos em uma esfera de coisas espirituais, onde a geografia não tem um papel fundamental, e o tempo cessa de ser um fator dominante. É a ordem espiritual da história que é exposta diante de nossos olhos, e essa ordem é o casamento em Caná da Galiléia, Nicodemos em Jerusalém e a mulher Samaritana no poço de Sicar.
Há duas verdades principais permeando o evangelho de João:
1) A primeira é a manifestação do Filho de Deus, a pessoa do próprio Cristo. Todo evangelho está afinado com essa ênfase principal e isso estabelece o seu próprio objeto. Assim, tudo está relacionado com a pessoa de Cristo: Eu sou o pão, Eu sou a ressurreição, Eu sou a vida.
2) A segunda verdade que permeia este evangelho é a união com Cristo: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus...(Jo 1:12). Deste modo, a natureza desse relacionamento é manifestada revelando que esta é uma união de vida que tem como base o nascer do alto.
O homem busca a Deus andando as cegas, nas trevas para ver se de alguma maneira apalpando O pode achar e assim descobrir as respostas para as questões: Quem é Deus? O que Ele sente? O que será para mim? E o Verbo é quem o declarou, quem disse os secretos de Seu ser íntimo e, ainda mais, permitiu que esses secretos se revelassem por meio de Suas palavras e Vida.
Em João 1:18 temos as palavras: Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio do Pai, é quem O revelou. Este versículo conclui o prólogo dado pelo evangelista ao livro de João. Ele é uma introdução a tudo o que se segue. Aqui se tocam as três notas fundamentais: vida, luz e amor, que em diferentes combinações, vibram por todos os escritos do apóstolo João. Podemos ver em João 1 a 12 a vida e a luz dos homens, e do capítulo 13 ao 21 o amor até o fim. Ao combinar estas três palavras, o Senhor Jesus quer dizer que na comunhão espiritual com Ele nós devemos ter estas três coisas em igual medida, em equilíbrio. O que nós precisamos é vida equilibrada com luz e também amor em igual proporção, e Ele é a fonte de onde brotam esses três princípios espirituais. Ele é a porção que se dá a nós comunicando-nos vida, luz e amor. Assim, o que nós necessitamos é mais do Senhor Jesus. Esta é uma afirmação que vai à raiz de todas as coisas. Alguém pode dizer: Eu quero mais luz. Não, o que ele necessita é mais do Senhor. Outro diz: Eu quero mais amor. Não, ela precisa é mais do Senhor. Não são coisas, é Ele próprio que nós necessitamos e esse é o testemunho que nos é confiado através deste evangelho.
O PROPÓSITO DO EVANGELHO
O propósito do evangelho de João nos é dado através dos versículos 20:30-31 que também podem ser considerados como versículos-chave de todo o livro ao nos revelar a intenção do coração do evangelista: Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.
Nós notamos aqui que João, guiado pelo Espírito Santo, fez uma seleção do abundante material que tinha à sua disposição (Jo 21:25) com um propósito em mente: 1) Criar uma convicção específica (para que creais) e 2) produzir uma experiência específica (para que tenhais vida em seu nome). Deste modo, conforme João, a revelação de Cristo é apropriada pela fé e desenvolvida através da experiência. João não quer apenas prover novas informações sobre Cristo, mas seu objetivo é conduzir seus leitores a uma posição de fé viva no Senhor e uma experiência de nova vida nele. Jesus é apresentado como o Cristo, o Messias das promessas do Antigo Testamento e como o Filho do Deus vivo, de maneira a criar fé no coração dos homens e a levá-los a tomar uma posição e a experiementar a plenitude da vida eterna. Isso não é feito por argumento ou por filosofia ou até mesmo por teologia, mas é concretizado através da manifestação de uma vida, a vida de Cristo.
O PLANO DO EVANGELHO
A estrutura do livro revela como o tema é desenvolvido. O objetivo de João é revelar de maneira mais objetiva possível o desenvolvimento paralelo da fé e incredulidade através da presença histórica de Cristo. O desejo de cumprir este propósito é o que orienta o evangelista na seleção, no arranjo e no tratamento do seu material.
O desenvolvimento da fé em Cristo e da incredulidade é descrito através de três idéias principais: revelação, rejeição e recepção. Primeiro há uma revelação divina, e então é mostrado que essa revelação deve provocar uma ou outra reação no coração dos homens: rejeição ou recepção. Todo o livro é estruturado em torno desses pontos: a revelação de Cristo e a reação dos homens em relação a ela. Essa reação nunca é neutra, mas sempre resulta na recepção ou rejeição do Senhor.
A introdução ou prólogo mostra como essas três idéias são apresentadas no livro: João 1:1-5 corresponde a revelação; os versículos 6-11 revelam rejeição e os versículos 13-21 estão ligados a recepção. Desta maneira o prólogo resume todo o evangelho.
João descreve paralelamente os efeitos da auto-revelação do Senhor no que diz respeito a fé e incredulidade. À medida que o Senhor se revela aos homens pode-se ver tanto uma crescente fé por parte de seus seguidores como um antagonismo, cada vez mais declarado, da parte de seus inimigos. O antagonismo culmina com a cruxificação e a fé com a ressurreição.
A REVELAÇÃO DA "VIDA"
O Evangelho de João é predominantemente o Evangelho de vida. Mateus fala de Justiça; Marcos de serviço; Lucas de graça; mas de João pode ser dito que inclui tudo isso e muito mais pela sua ênfase na vida. Enquanto vida é apenas mencionada em cada um dos outros evangelhos, no quarto é considerada com profundidade, sendo tanto uma bênção presente (6:47) como também sendo relacionada ao nosso estado futuro (5:29). Algumas vezes encontramos simplesmente a menção de vida, em outras vida eterna, mas, segundo Griffth Thomas não há diferença entre essas duas palavras; ver Jo 3:36. A palavra vida é encontrada em quase todos os capítulos sob vários aspectos, significando muito mais do que a simples existência e sempre envolvendo e implicando um pensamento de união. Na verdade, cada referência à palavra vida significa união. Assim, vida física é a união da alma com o corpo; vida espiritual é a união da alma com Deus. Durante toda a vida eterna em seu significado pleno, é a união do corpo e da alma para sempre com Deus. E assim, vida espiritual, aqui e agora, é a união da alma com Deus em Cristo e a conciência de comunhão resultante disso.
Na oração de João 17 nosso Senhor resume tudo através da questão do Pai ter-lhe dado autoridade para dar vida eterna a todos os que crêem e essa vida é definida como o conhecer a Deus e a Jesus Cristo: E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste (Jo 17:3). É impossível, mesmo para o mais capacitado dos homens definir vida; ela só pode ser descrita em seus efeitos. Deste modo, uma descrição suficiente de "vida eterna" é a união e comunhão com Deus. Isso constitui a essência da glória da vida, que nós somos um com Cristo e um com o Pai nEle. Não há nada mais elevado, verdadeiro e nobre do que essa afirmação de união com Deus em Cristo (17:21-23).
O oposto de vida é morte (3:15,16); como vida em todos os seus aspectos significa união, assim morte nos seus vários elementos significa separação. Morte física significa a separação da alma e do corpo; morte espiritual significa a separação da alma de Deus; morte eterna significa a separação do corpo e da alma de Deus para sempre.
Há porém uma nota principal, uma linha, correndo através de todo o evangelho apoiando-se na questão da vida. E essa vida é contraposta a certas condições que falam sobre morte, que representam feitos e formas de morte.Nós podemos ver que todo esse evangelho, de um ponto de vista, é um contínuo desvelar, abrir e desenvolver da verdade da vida triunfante sobre a morte. Esse tema da vida triunfante sobre a morte é enfocado a partir de vários pontos de vista e parece ter vários efeitos.
Assim, podemos ver que no capítulo 2, o primeiro sinal ou milagre feito pelo Senhor Jesus, o transformar da água em vinho no casamento em Caná da Galiléia, foi um amplo sinal envolvendo o resto do evangelho. E a nota principal desse sinal era e é a da vida triunfante sobre a morte. Num sentido, a água representa a nossa vida velha, a vida de Adão. O vinho representa uma vida inextinguível, a vida que o Senhor Jesus nos dá. A transformação da água em vinho é a vida de Cristo entrando na nossa vida e tirando fora a velha vida de modo que desde então Cristo passa a ser manifestado em nós.
O capítulo 3 tráz a questão de Nicodemos e a serpente levantada no deserto. O primeiro revela o estado de morte sob a maldição repousando sob toda a raça, ou seja, Nicodemos apesar de todo seu conhecimento intelectual e religioso, não era capaz de entender das "coisas do alto" e prover para si a vida eterna. O segundo revela o caminho para fora da morte ou sobre a morte, pelo novo nascimento do alto. O novo nascimento do alto é, através de todo Novo Testamento, o testemunho da vida triunfante sobre a morte. Através de Nicodemos, o Senhor Jesus leva todas as coisas ao ponto mais baixo de um grande e terrível abismo, revela a realidade da velha criação, da vida natural, religiosamente, moralmente, eclesiasticamente e intelectualmente. Todas as coisas revelam estar sob o regime de uma morte profunda, debaixo de condenação e julgamento. Podemos dizer que o nível zero foi atingido. Assim, quando o nível da morte é alcançado e o ponto zero é tocado, então, e só então, a vida eterna pode ser avistada, e o poço de Sicar no capitulo 4, representa isso.Podemos ver aqui neste capítulo a mulher samaritana e a sua condição de constante insatisfação, ou sede: cinco maridos já tiveste e esse que agora tens não é teu marido. Também vemos a solução que o Senhor Jesus dá para a sua condição: o implantar interior da fonte de água viva. Neste ponto nós temos a introdução* do ensino sobre vida eterna. A palavra do Senhor nesse capítulo sobre a fonte interior* de água viva se relaciona ao Espírito Santo como nós podemos ver em João 7:38, 39. Deste modo nós não podemos separar a vida divina do Espírito Santo. O Espírito Santo com Sua presença emana daquela que é vida eterna; assim sendo, a vida vem com ele e é sempre uma parte dele. O Espírito Santo deve ser recebido num ato definitivo de apropriação pela fé. Nosso trabalho através de toda vida espiritual é aprender como viver no Espírito. Temos no Espírito Santo tudo o que Deus nos deu. Agora nós temos que aprender como nos apropriar do que já temos, como desfrutar o que possuímos. Deste modo, somos lembrados que o cristianismo é a introdução de um novo poder, e não meramente a provisão de um conhecimento novo. Conhecimento não pode salvar; tem que haver vida.
O capítulo 5, onde encontramos o tanque de Betesda, tem o pano de fundo da morte sob o regime da lei; uma morte-viva, em escravidão, fraqueza, impotência e desespero. O homem paralítico a 38 anos revela esse estado de morte-viva e a oposição morte x vida aparece no transcorrer de todo o capítulo. A cura sendo efetuada especialmente em dia de sábado revela o Senhor Jesus como o Senhor também do sábado, o Senhor da vida, o Senhor da lei. Esse capítulo é enfático no sentido de testificar dessa vida que habita nEle. Podemos confirmar isso através dos versículos 21, 24, 25, 26, 28, 29, 39 e 40.
O capítulo 6, a multiplicação dos pães e dos peixes, se ocupa do mesmo tema da vida triunfante sobre a morte sob outro ponto de vista. Esse capítulo é forte, rico e revelador dos dois principais temas de todo o evangelho de João: a pessoa de Cristo e a união com Cristo. O Eu sou desse capítulo é muito forte. Repetidamente nós temos o Eu sou relacionado à vida: Eu sou o pão da vida (35), Eu sou o pão que desceu do céu (41), Eu sou o pão da vida (48), Eu sou o pão vivo que desceu do céu (51).
No começo deste capítulo temos a páscoa, um princípio básico no qual todas as coisas são realmente completas. Contudo, após a breve citação referente a páscoa, a experiência no deserto é lembrada: nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito deu-lhes a comer pão do céu (31). Somos, então, chamados à realidade da necessidade de um comer diário, constante, todas as manhãs, como era no deserto. Algo acontecendo o tempo todo. A vida triunfante sobre a morte é algo que nós temos por completo quando pela primeira vez recebemos o Senhor Jesus, mas deve haver um desenvolvimento disso. Nós temos que receber Cristo continuamente para a conservação do testemunho; esse é o caminho para a vitória sobre a morte continuamente. Uma coisa que nós fazemos no começo de uma vez por todas e então o fazemos habitualmente a cada dia; exatamente como aqueles no deserto quetinham que fazer novamente cada manhã.
O Senhor é vida para nós fisicamente, moralmente e espiritualmente para tudo o que Ele mesmo requer de nós. Nós devemos tomá-lo pela oração, pela Palavra, pela obediência, pela comunhão e pela adoração. Essa é a vida triunfante sobre a morte um presente e constante testemunho. Desse modo, percorrendo esse evangelho até o fim descobriremos, estágio após estágio, essa questão da vida triunfante sobre a morte. Chegaremos até Lázaro e ao Bom Pastor que deu Sua vida pelas ovelhas. Para que as ovelhas possam viver, o Pastor morre; e o fato de que as ovelhas vivem é um testemunho da vitória sobre a morte.
Retomando o capítulo 6, nós podemos perceber que nele se dá o começo da transição da vida para a luz, isso ocorre numa combinação desses dois aspectos. Essa transição estende-se ao capítulo 7.Toda a questão de luz espiritual, de conhecimento espiritual, entendimento espiritual, revelação e verdade tem como objetivo essa ênfase final sobre a vida e isso se dá pela habitação interna do Espírito Santo na vida daquele que crê: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim como diz a Escritura, do Seu interior fluirão rios de água viva. Isso Ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem (Jo 7:37-39). Antes de haver um conhecimento do Senhor que implica comunhão, tem que haver vida. A vida conduz à luz.
Por outro lado, nesse capítulo 7 nós também temos a tentativa de interferência, da parte dos irmãos do Senhor Jesus, no Seu ministério*. Anteriormente, no capítulo 2, na festa do casamento em Caná da Galiléia, Ele já tinha se recusado a agir independentemente da vontade e da hora do Pai diante da sugestão de sua mãe de solucionar o problema da falta de vinho. Agora, aqui, Ele recusa-se a seguir a sugestão de Seus irmãos de manifestar-se ao mundo, pelo mesmo motivo pelo qual se movia: o tempo, a hora do Pai para Seus caminhos. Não havia nada mais precioso diante de Seus olhos e coração de Filho do que seguir as inclinações do conselho do Pai. Nisso residia toda a Sua obra, nisso Ele se movia e só através desse Nome Ele agia. A questão do conhecimento do Pai e do Filho, bem como a comunhão entre eles está definitivamente em vista neste capítulo, e através dele e dos subseqüentes podemos observar como a questão de ignorância nessas duas direções é fortemente enfatizada e reiterada.
JESUS E O PAI
Se lermos o evangelho de João e marcarmos com o lápis cada vez que ocorre o nome Pai, ficaremos maravilhados com o resultado. Esta palavra que aparece 111 vezes neste evangelho nos dará um background de cada coisa na vida do Senhor Jesus, a Sua devoção de Filho para com Seu Pai e a comunhão secreta que determina cada passo dado por Ele.
Jesus se referia a Deus como o Pai. Nesse nome Ele veio. Desse nome Ele falava. Ele nos ensina que com esse nome comecemos a nossa oração diária. Nesse nome devemos ser batizados. Dentro desse precioso nome, como uma fortaleza de defesa segura, devemos viver. Ele, Jesus, é o dom do Pai. O céu é o lar do Pai. Os verdadeiros adoradores são os objetos buscados pelo Pai. Os corações são as habitações escolhidas pelo amor do Pai. Todos os que lhe pertencem são caros ao coração do Pai. Deus é Seu Pai e o Pai de todos os que lhe recebem.
Como podemos ver no capítulo 5, Jesus não pensava em si mesmo, em Sua própria glória ou na estima dos homens. O que constituiu o programa e objeto de Sua Vida era o tratar dos negócios de Seu Pai; fazer as obras que Seu Pai lhe havia incumbido de cumprir (Jo 5:6); falar as palavras que tinha ouvido do Pai (8:26); cumprir com o mandamento que o Pai lhe havia dado. Por mais que desejasse a salvação do mundo e ganhar a noiva que havia escolhido, tudo foi subordinado a um propósito mais alto, o cumprir a vontade de Seu Pai. Por isso Seu juízo era reto e justo, por ser absolutamente puro Seu motivo (5:30).
Jesus se ocupava de contínuo em ler o livro aberto da vontade de Seu Pai. Não tinha vontade própria para que a buscasse, nenhum objeto próprio para que o servisse. Seu olho sempre mirava o movimento da nuvem do propósito do Pai enquanto ele se desenrolava. O Pai mostrava ao Filho o que fazia, e o Filho, tendo-o visto, traduzia numa linguagem acessível aos homens. Se em algum momento o Pai operava dentro dele, nunca vacilava em seguir livremente o divino impulso, mesmo que isso O pusesse em colisão com a religião de Seu tempo. Sempre esperava que o Pai lhe mostrasse o que queria que fizesse a seguir. O desenrolar de Sua vida foi paulatinamente estendido diante dele, assim como o do tabernáculo foi desenrolado diante de Moisés quando estava a sós com Deus. Parecia sempre um discípulo na oficina de seu Pai fazendo todas as coisas conforme o desígnio que lhe era mostrado de hora em hora. Fez isso muito quieto, muito tranqüilo, sem alterar-se pelas dificuldades ou perturbar-se no meio da oposição levantada contra Ele.
Pode-se também notar o quão continuamente o nosso Senhor recusou-se a receber o crédito por Suas palavras. Insistiu que a Sua doutrina não era Sua, senão daquele por quem havia sido enviado (7:16). Falou o que tinha ouvido, o que tinha sido ensinado, e tinha visto junto do Pai(8:26,28,38). Disse que Seu Pai tinha lhe dado um mandamento do que havia de dizer e de falar, pelo qual foi guiado totalmente. Como o Pai lhe havia dito, assim falou (12:49,50). Sua palavra não era Sua, mas o Pai que nele morava falou por Sua natureza submissa (14:24). Simplesmente passou as palavras assim como lhe haviam sido dadas (17:8,14).Cuidadosamente evitava a publicidade desnecessária e nunca procurava que se fixassem nele. Com efeito escolheu para si a obscuridade, a fim de que os homens fossem compelidos a atribuir a Deus os resultados maravilhosos que eram patentes aos olhos de todos.
A vida do Senhor Jesus era uma ampla negação de Sua própria glória, assim como nós somos chamados a negar diariamente o eu caído. Por que Ele recusava falar Suas próprias palavras, ou fazer Suas próprias obras, ou seguir as sugestões de Sua própria vontade? (12:49,50; 5:19; 6:38; 8:28). A razão está no Seu intenso desejo de que o Pai brilhasse em Sua vida humana; que a glória de Deus fosse manifestada sobre a carne mortal e que a deidade fosse traduzida à linguagem familiar dos homens.
Sua morte foi voluntária bem como o entregar-se ao escárnio dos homens cumprindo sua obra até o fim. O Pai enviou o Filho e o Filho veio. Não foi forçado repentina e inesperadamente pela morte. Com deliberada antecipação se conduziu diretamente a ela. Nunca e por nenhum momento admitiu que Sua vida lhe fora tirada. Disse que a dava de si mesmo e que de Seu Pai havia recebido este poder. Em nenhum momento apartou-se da conformidade que havia entre Sua vontade com a de Seu Pai. Desde as profundezas de Sua alma soaram firmes as palavras: agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu (Sl 40:8).
Mesmo que todos atributos divinos de Jesus estivessem ao Seu alcance e pudessem em qualquer momento ter sido postos em operação, Ele recusou-se a usá-los para que pudesse aprender a vida de dependência e fé, a vida que haveria de ser nossa para com Ele. E essa é a chave áurea que abre os tesouros deste precioso evangelho: que nós devemos ser para o Senhor Jesus tudo o que Ele era para Seu Pai e que Ele tem vontade de ser para nós tudo o que Seu Pai era para Ele. Seu único desejo era que a Sua relação com o Pai fosse o modelo de nossa relação com Ele (17:21,23).
Se observarmos o desenrolar da história do evangelho de João nós veremos que as obras de nosso Senhor era uma conseqüência de sua íntima comunhão com o Pai . Em primeiro lugar estava o Pai, Sua comunhão com Ele, o habitar na Sua presença, o ouvir os segredos de Seu coração e tudo o mais vinha como resultado submisso a tal devoção.
É através da oração sacerdotal de João 17 que nos é permitido ouvir a mais íntima conversa entre o Filho e Seu Pai. Este é o mais sagrado e íntimo pulsar do Seu coração na mais solene comunhão do lugar mais próximo de Deus; é o Sumo Sacerdote no Santo dos Santos. Alguns autores consideram este capítulo o mais sagrado, belo, perscrutador, profundo e inspirador de toda a bíblia. A unidade de João 17 é a unidade de uma vida. Essa vida não é a vida do homem natural, por mais religioso e devotado que seja. É a vida dAquele que, tomando o lugar do Deus, vive como um outro tipo de homem para o prazer de Deus.
Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou (Jo 1:18). Não podemos conhecer a Deus como Pai a não ser pelos ensinos de Jesus, do mesmo modo como conhecemos ao Senhor Jesus somente pelos ensinos do Espírito Santo, que O faz real, presente e precioso. Os homens falam com facilidade de Deus como Pai, passando por alto o ministério de Jesus que explica e traduz toda a verdade que essa frase envolve. Desse modo, desconsideram o único meio que pode trazer luz sob o maravilhoso título Pai.
Deus tem muitos filhos,mas somente um Filho. Os anjos são filhos por sua criação. Os pecadores arrependidos são filhos por sua regeneração e adoção. Mas nosso Senhor Jesus é Filho em um sentido de todo único e sem rival, Ele é Filho por geração, linhagem. Meu Filho és Tu; eu hoje te gerei (Sl2:7; At 13:33). Ele é o único Filho gerado assim. Nosso Senhor Jesus participa da plenitude da mesma natureza de Deus. Assim, Jesus como o Filho de Deus, em Sua natureza divina, podia conhecer perfeitamente a Deus e como Filho do Homem, em sua natureza humana, podia expressar, descobrir e revelar perfeitamente, de modo que todos pudessem entender o pensamento e o ser mais profundo do Pai. Aqui podemos reconhecer as duas principais características de Cristo ao manifestar-se que são graça e verdade. Ele veio para revelar o Pai através de si mesmo a fim de que aqueles que entram em união com ele possam também ser o instrumento de manifestação dessa mesma vida; isto é graça e verdade: Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
.A VIDA ESTAVA NELE E A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS
Neste ponto nós retomamos o outro princípio trazido em questão no capítulo 7 que é o da vida como a luz dos homens. Assim como o olho humano só pode suportar o esplendor do coração do sol, unicamente se visto de longe, como que diluído. Assim, também nós não podemos contemplar a natureza de Deus em sua manifestação direta e original senão através da face de Cristo (IICo 4:6). Cristo é a luz pela qual tudo vemos. Ele não só ilumina os nossos olhos interiores, mas joga luz sobre Deus, a providência, a verdade e os mistérios da redenção, que, separados dele, mesmo com toda a nossa inteligência teriam sido obscuros e desconhecidos.
Quando nós recebemos o Senhor Jesus Cristo em nossos corações como nosso Salvador o resultado é um acesso tal a vida espiritual que percepção e conhecimento se tornam nossos, à medida que O seguimos. Ele revela o pecado, o eu e Deus; Ele dá vida mental, moral e espiritual; Ele purifica nosso caráter e conduta; Ele embeleza a vida e o mundo; e Ele satisfaz todos aqueles que O aceitam. É o possuir a Vida que dá a Luz. Em João 1:4 nós temos: A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. E em 8:12: De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (8:12).
A Luz que foi trazida em questão no capítulo 7 vai assumindo uma forma definida e essa forma corre até o final do capítulo 9. O capítulo 8 contém uma ênfase sobre o fato de que Cristo é luz, de que o homem por natureza está em trevas, que as trevas significam escravidão e que a liberdade vem através do conhecimento e da obediência à verdade. No capítulo 8 nós temos a mulher surpreendida em adultério e a conversa do Senhor Jesus com os judeus sobre os verdadeiros filhos de Abraão. Convém salientar que muitos comentaristas dizem que o episódio da mulher adúltera é como que um parêntese no meio deste texto. Assim, teríamos que estudar este trecho referente a luz da vida como um bloco único que inicia no capítulo 7, continua no capítulo 8 a partir do versículo 12 estendendo-se até o capítulo 9. Cristo é colocado aqui como a revelação de Deus e como tal Ele é a verdade. Assim sendo, O conhecimento de Cristo e a obediência a Ele é o caminho de liberdade e de luz.
Nunca houve uma época em que a luz divina não tenha brilhado sobre o nosso mundo. Não a luz como a que temos hoje, mas, mesmo assim luz. E seja qual foi a luz que tenha existido, foi devido a presença e obra de nosso Senhor Jesus. Contudo, o que nós vemos neste evangelho é que a luz brilhou no meio de corações cegos e obscurecidos e estes não puderam compreendê-la.Esta é a característica deste Evangelho: uma família nascida cega; uma raça ferida de cegueira, como foi no caso de Saulo, e que anda ao derredor procurando quem a conduza pela mão; tal é a representação da nossa raça.
Deste modo, nós chegamos em nosso estudo no cego de nascença do capítulo 9. Podemos resumir brevemente este capítulo: estando Jesus a caminho, viu um cego de nascença, tendo feito lodo untou os olhos do cego e mandou-o lavar-se no tanque de Siloé. Ele foi, lavou-se e voltou vendo. Isto acarretou uma série de controvérsias entre os fariseus, especialmente pelo fato do cego ter sido curado em dia de sábado. Esta controvérsia culmina com a expulsão do cego da sinagoga e com a auto-revelação do Senhor Jesus para ele.
Este capítulo é muito rico no sentido de dar-nos um entendimento claro do significado da luz. Nele nós vemos desenvolvida e exemplificada a afirmação do capítulo 1:5 : A luz resplandece nas trevas e as trevas não prevaleceram contra ela.
O MISTÉRIO DA CEGUEIRA DE ISRAEL
O mais significativo, que vai à raiz de todo o problema, é o fato de que, entre todos os cegos daquele lugar, este homem do capítulo 9 de João tinha nascido cego. Não é sem sentido que nesse caso particular era de cegueira de nascença. Isso representa em princípio toda a verdade de Cristo vindo como a Luz. A Palavra de Deus nos revela que toda a raça humana por natureza está em cegueira, em escuridão, que o homem natural não pode ver o Reino, nem as coisas do Espírito. Isso nós podemos ver no capítulo 3 de João onde Nicodemos com toda sua iluminação natural e religiosa, com toda sua capacidade intelectual, tudo o que ele era por natureza, ouviu o Senhor dizer: Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus (Jo 3:3). O homem nasce cego. Através da história do cego, o Senhor nos revela que esta cegueira está ligada com as obras de Deus. É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia e ...mas foi para que se manifestem nele as obra de Deus. Assim, as obras de Deus estão relacionadas ao estado natural do homem em sua cegueira. As obras de Deus são para trazê-lo ao lugar da iluminação e compreensão espiritual.
CRISTO E O SÁBADO
A cura do cego ocorreu no sábado e pelo fato de ter acontecido nesse dia específico despertou a ira dos anciãos judeus. As obras de Deus conduzem aqueles que por natureza são cegos e estão em trevas a uma iluminação e compreensão espiritual, e isto está vinculado através da obra do Senhor Jesus com o dia de sábado.Cristo é o sábado de Deus, porque todas as obras de Deus foram concluídas nele. Deus obtém o Seu descanso em seu Filho, e vê todas as coisas em Cristo com grande prazer, dizendo: é muito bom. O está consumado do calvário foi o estabelecimento da verdade espiritual do sábado do descanso no Senhor Jesus*; a apreensão da iluminação e compreensão espiritual é uma questão de apropriar-se da obra concluída de Deus em Cristo.
AS OBRAS DE DEUS
Nós devemos fazer as obras daquele que me enviou enquanto é dia. O Senhor Jesus vincula a Ele aqueles que são seus na obra de Deus para a iluminação dos que são cegos e estão em trevas. O que Ele está dizendo na realidade é: nós devemos fazer as obras relacionadas a essa cegueira e trevas*, a fim de os conduzir a uma revelação e entendimento espiritual. Paulo foi comissionado para fazer as obras de Deus. O Senhor comissionou-o a ir diante de governadores, reis e gentios e o objetivo era para lhes abrires os olhos e os converterdes das trevas para a luz e da potestade de satanás para Deus...(Atos 26:18) Ele era um dos obreiros junto com Deus no abrir os olhos, a fim de que eles voltassem das trevas para a luz, e ele fez isso pelo Espírito. Nós somos chamados à comunhão do Filho de Deus no Seu ministério e nós chegamos exatamente àquele pequeno fragmento de João 9:4: nós devemos fazer as obras daquele que me enviou enquanto é dia, e as obras de Deus são: ...abrir os seus olhos. Assim elas estão vinculadas ao estado do homem por natureza, no fato deles terem nascido cegos.
O QUE É O CONHECIMENTO DE DEUS
A verdade sobre revelação e entendimento espiritual não vem pela apresentação da verdade apenas . Nós podemos ter ouvido muito da verdade, podemos também ser conhecedores profundos da doutrina, mas nós podemos ainda não ter revelação espiritual como Nicodemos. Revelação não é adquirida pela apresentação da verdade. Revelação vem por um ato definido de Cristo em nossos corações. É uma obra que é feita. Uma apreensão de Cristo não nos é dada ao longo das linhas de uma doutrina formulada. Uma apreensão de Cristo é dada por meio de um toque vivo. Ele tocou, Ele ungiu seus olhos. É um toque vivo. É uma unção nos olhos interiores.
O capítulo 9 de João é o culminar da história de Israel como um povo cego. Israel tinha todos os oráculos de Deus , mas não tinha a faculdade interior da compreensão espiritual. Em Deuteronômio 29:4 o Senhor fala: Porém o Senhor não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje. Sabemos que toda a Lei já tinha sido dada, uma tremenda apresentação das coisas divinas tinha sido legada a Israel até esse ponto. Mas nós vemos em João 9, que eles ainda estão cegos. Eles tinham todo esse conteúdo da verdade, mas não tinham entendimento, não tinham olhos para ver, ouvidos para ouvir, nem coração para compreeender. Israel tinha que obedecer mandamentos, eles não tinham entendimento. A característica da nova aliança não é a obediência a mandamentos dados externamente, e sim o ter revelação interna do Senhor. Esta é a aliança que eu farei...porei nos seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei (Rm 10:16). A revelação interior de Deus em Cristo. Aquele que crê no Senhor não é mais colocado debaixo da lei no sentido de que ele é obrigado a fazer isto ou aquilo, ou não poder fazer isto ou aquilo. Ele não é governado por um sistema exterior de autorizações ou proibições, mas por uma lei interior de compreensão divina da vontade do Senhor, na base de uma comunhão viva com Ele. Israel seguiu cegamente os mandamentos e as leis no que diz respeito ao entendimento de sua visão espiritual. O filho de Deus inteligentemente segue a vontade conhecida de Deus. Essa luz está conectada com Cristo como a Vida. Isso significa que é algo vivo. É a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus que traz vida e paz, e esse é o meio pelo qual nós conhecemos a mente do Senhor a respeito de qualquer coisa. Se a nossa comunhão com Ele é certa, nós temos vida e paz em nossos corações. Essa é a nossa luz. Se em qualquer caminho proposto, diante do Senhor, nós não temos vida nem paz, nós podemos suspender esse andamento por enquanto, e nós veremos que o nosso agir assim será justificado. O Senhor não nos fala mais de forma direta no sentido de: Sim, você deve fazer isto e aquilo, ou: Não, você não deve fazer isto ou aquilo. Agora ele fala através de leis espirituais, nem sempre através de frases verbais, e seu falar, o falar do Espírito, é primeiramente para o espírito, e posteriormente interpretado pela mente. Ele fala nos nossos corações e a linguagem do Espírito é vida, paz, descanso, ou o contrário disso.
A LEI DA ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL
Há um ponto governando toda a história deste cego de nascença: Cristo estava fazendo aquilo como um sinal. Um sinal no meio da cegueira espiritual, a cegueira de todo Israel ao redor. Isto estava ligado com toda aquela situação. Após este homem ter tido seus olhos abertos levantou-se sobre ele um grande conflito. E em seguida seus pais também foram envolvidos neste conflito, mas eles tinham medo de comprometer suas vidas, e não disseram o que sabiam; não foram francos e honestos porque estavam com medo das conseqüências. Por fim esse homem foi posto para fora da sinagoga, excomungado. Por que isto aconteceu? Porque era Cristo ou tradição. Essa era a questão. Toda a questão residia no fato de ser Cristo o Senhor ou se Ele seria governado e dominado pela tradição morta. Nesta tradição dos anciãos estavam todos os oráculos de Deus, todas as formas de doutrinas e todas aquelas leis eclesiásticas relacionadas a isso, leis que eram sustentadas por eles mesmos e possuíam a sua própria interpretação. Tudo isso sem vida, sem luz, mas, contudo, retendo a verdade. Por outro lado, Cristo tinha tudo isso, como também tudo o que eles não tinham, ou seja, a vida e a luz. Em nenhum momento isso era uma contradição de Moisés, mas uma interpretação de Moisés. Pelo contexto você pode ver que o que Cristo disse ia ao princípio interno e não a uma mera fraseologia externa. Moisés disse: Não matarás...mas eu porém vos digo, todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão será considerado digno de julgamento. Isso é chegar ao princípio. E se ferimos o princípio, somos tão culpados do fato como se o tivesse cometido. O que está em questão é a autoridade viva de Cristo, e a lei da revelação e entendimento espiritual é o absoluto Senhorio de Jesus Cristo sobre a mera tradição; isso pode ser herança religiosa, treinamento ou criação. Se essas duas coisas colidem, se as nossas tradições, aceitações e sistemas religiosos não estão em comunhão com Cristo como vida e luz, ou em algum momento se colocam no caminho de um vivo caminhar com Deus; se ir adiante com o Senhor Jesus significa que essas coisas devem ser deixadas para trás, nossa compreensão e revelação espiritual dependem de nosso posicionamento em relação a isso. Muitas pessoas não obtiveram plena revelação espiritual e um rico conhecimento interior do Senhor porque eles ficaram emperrados na vida tradicional e não romperam com ela, porque eles têm permitido que o homem domine suas consciências e entendimento em vez de irem diretamente ao Senhor. Não se trata do que o Rabi, a tradição ou Moisés disse e sim do que o Senhor Jesus disse ao meu coração. Neste capítulo a questão principal em relação a este homem era se o Senhor Jesus iria ser seu Mestre ou se ele iria romper com Ele e voltar aos fariseus e à velha escola de novo. A lei de sua revelação residia neste fato.
Quando este homem é expulso da sinagoga surge toda a questão das ovelhas do Senhor exposta no capítulo 10 deste evangelho. Aqueles a quem os homens expulsam, o Senhor os toma e deles forma Seu próprio rebanho com base no conhecer, ouvir e entender Sua voz. Esse homem foi expulso e só depois que ele foi expulso foi que o Senhor o procurou e começou a conduzi-lo. O que está se dando ênfase aqui é no princípio que envolve esta questão e não em sua aplicação. O princípio é que há dois senhorios. Há o senhorio da tradição sem vida, ou seja, uma ordem religiosa e um sistema de coisas, que pode ter tido uma origem correta e autêntica em Deus, mas que agora foi tomada pelo homem, possuída pelo homem e usada pelo homem, e que domina. Por outro lado, há o Cristo vivo e pessoal para a vida individual para ser o Governador do coração em todas as questões da vida espiritual. A questão é qual desses dois será o senhor? Ao aplicarmos o princípio, descobrimos que muito do nosso conhecimento do Senhor depende da nossa disposição de continuarmos com Ele. Isso implica, muito freqüentemente, um rompimento com um andar baseado numa tradição religiosa. Enquanto nós permanecemos escravizados a ela, nós somos mantidos a uma limitação de conhecimento espiritual. A lei da revelação e do crescimento em revelação é uma caminhada espiritual, pessoal, juntamente com o Senhor Jesus.
O PREÇO DA VISÃO ESPIRITUAL
Muitos não pagarão o preço que envolve obter visão espiritual. Para este homem cego o obter tal visão implicou um preço muito alto. Até mesmo seus pais se mantiveram numa posição recuada, na sombra. Eles não ficaram satisfeitos com o fato dele os ter envolvido nessa questão. Certamente eles estavam felizes por ele poder agora ver, mas eles bem que prefeririam que tivesse sido de outra forma, e não neste dia em particular, e nesse relacionamento em particular. Eles bem que gostariam que ele tivesse sido abençoado de alguma outra manaira que não envolvesse tantas dificuldades com as autoridades.
A crise surgiu para este homem no momento em que ele obteve a plenitude do significado de Cristo e só então aconteceu tudo o que se seguiu. Ele tinha passado por sombras, ele tinha ido a um Homem, a um Profeta, e por fim, sido expulso, e o Senhor disse para ele: Cres tu no Filho de Deus? E ele respondeu: quem é ele, Senhor, para que eu nele creia? Então os seu olhos espirituais foram abertos quando o Senhor afirmou: Tu o tens visto e é ele que fala contigo. O homem capitulou diante daquele absoluto, e então ele descobriu o significado do seu estar fora. Ele estava no caminho de uma maravilhosa plenitude. É o climax da revelação quando nós realmente chegamos a apreensão de quem Cristo realmente é. Não um homem muito bom e maravilhoso que faz milagres, nem mesmo o grande Profeta, mas o Filho de Deus. Tudo depende disso. O propósito final que o Senhor tem em vista é que nós O conheçamos na plenitude do Seu ser. Nós o devemos conhecer através de Sua humanidade. Nós devemos conhecê-lo como o Filho do Homem pelo toque do lodo, mas quando nós percorremos esse caminho nós devemos chegar ao conhecimento de que Ele é mais do que isso, Ele é o Filho de Deus.
Em todo esse estudo do capítulo nove o que nós devemos principalmente guardar são dois pontos bem simples: O fato da verdade sobre a revelação e o entendimento espiritual como sendo a vontade do Senhor para todos os que são seus; um conhecimento interior e pessoal relacionado com o Senhor Jesus, uma apreensão de quem Ele é. E a outra coisa é a lei de que saímos para o próprio Senhor. Nós não permitimos que nada se interponha entre nós e o Senhor através do governo de nossas vidas espirituais; mas continuamos avançando com o próprio Senhor por qualquer que seja o preço. Conhecê-lo em plenitude requer uma caminhada pessoal com o próprio Senhor, onde ele é o Senhor, Ele domina todas as coisas, por mais respeitável que seja a tradição. É o próprio Senhor que deve governar e então nós cresceremos em entendimento.
Assim, após termos observado o relacionamento de nosso Senhor com o Pai, a sua intimidade para com Aquele pelo qual realizava todas as coisas, nós agora somos levados a um patamar superior, um nível além de revelação em que somos chamados a buscar e desenvolver esse mesmo tipo de relacionamento com Aquele que por nós se deu, sendo para Ele o que Ele é para o Pai e Ele sendo para nós o que o Pai é para Ele.
BIBLIOGRAFIA:
"A guide to the gospels" - W. Graham Scroggie "The apostle John" - Griffith Thomas "The gospel of John" - F.B.Meyer "We beheld his glory" - A.T.Sparks
P.s. A parte do estudo sobre o cego de nascença constitui-se em uma tradução livre de trechos extraídos do capítulo 9 do livro "We beheld his glory".
Há duas verdades principais permeando o evangelho de João:
1) A primeira é a manifestação do Filho de Deus, a pessoa do próprio Cristo. Todo evangelho está afinado com essa ênfase principal e isso estabelece o seu próprio objeto. Assim, tudo está relacionado com a pessoa de Cristo: Eu sou o pão, Eu sou a ressurreição, Eu sou a vida.
2) A segunda verdade que permeia este evangelho é a união com Cristo: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus...(Jo 1:12). Deste modo, a natureza desse relacionamento é manifestada revelando que esta é uma união de vida que tem como base o nascer do alto.
O homem busca a Deus andando as cegas, nas trevas para ver se de alguma maneira apalpando O pode achar e assim descobrir as respostas para as questões: Quem é Deus? O que Ele sente? O que será para mim? E o Verbo é quem o declarou, quem disse os secretos de Seu ser íntimo e, ainda mais, permitiu que esses secretos se revelassem por meio de Suas palavras e Vida.
Em João 1:18 temos as palavras: Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio do Pai, é quem O revelou. Este versículo conclui o prólogo dado pelo evangelista ao livro de João. Ele é uma introdução a tudo o que se segue. Aqui se tocam as três notas fundamentais: vida, luz e amor, que em diferentes combinações, vibram por todos os escritos do apóstolo João. Podemos ver em João 1 a 12 a vida e a luz dos homens, e do capítulo 13 ao 21 o amor até o fim. Ao combinar estas três palavras, o Senhor Jesus quer dizer que na comunhão espiritual com Ele nós devemos ter estas três coisas em igual medida, em equilíbrio. O que nós precisamos é vida equilibrada com luz e também amor em igual proporção, e Ele é a fonte de onde brotam esses três princípios espirituais. Ele é a porção que se dá a nós comunicando-nos vida, luz e amor. Assim, o que nós necessitamos é mais do Senhor Jesus. Esta é uma afirmação que vai à raiz de todas as coisas. Alguém pode dizer: Eu quero mais luz. Não, o que ele necessita é mais do Senhor. Outro diz: Eu quero mais amor. Não, ela precisa é mais do Senhor. Não são coisas, é Ele próprio que nós necessitamos e esse é o testemunho que nos é confiado através deste evangelho.
O PROPÓSITO DO EVANGELHO
O propósito do evangelho de João nos é dado através dos versículos 20:30-31 que também podem ser considerados como versículos-chave de todo o livro ao nos revelar a intenção do coração do evangelista: Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.
Nós notamos aqui que João, guiado pelo Espírito Santo, fez uma seleção do abundante material que tinha à sua disposição (Jo 21:25) com um propósito em mente: 1) Criar uma convicção específica (para que creais) e 2) produzir uma experiência específica (para que tenhais vida em seu nome). Deste modo, conforme João, a revelação de Cristo é apropriada pela fé e desenvolvida através da experiência. João não quer apenas prover novas informações sobre Cristo, mas seu objetivo é conduzir seus leitores a uma posição de fé viva no Senhor e uma experiência de nova vida nele. Jesus é apresentado como o Cristo, o Messias das promessas do Antigo Testamento e como o Filho do Deus vivo, de maneira a criar fé no coração dos homens e a levá-los a tomar uma posição e a experiementar a plenitude da vida eterna. Isso não é feito por argumento ou por filosofia ou até mesmo por teologia, mas é concretizado através da manifestação de uma vida, a vida de Cristo.
O PLANO DO EVANGELHO
A estrutura do livro revela como o tema é desenvolvido. O objetivo de João é revelar de maneira mais objetiva possível o desenvolvimento paralelo da fé e incredulidade através da presença histórica de Cristo. O desejo de cumprir este propósito é o que orienta o evangelista na seleção, no arranjo e no tratamento do seu material.
O desenvolvimento da fé em Cristo e da incredulidade é descrito através de três idéias principais: revelação, rejeição e recepção. Primeiro há uma revelação divina, e então é mostrado que essa revelação deve provocar uma ou outra reação no coração dos homens: rejeição ou recepção. Todo o livro é estruturado em torno desses pontos: a revelação de Cristo e a reação dos homens em relação a ela. Essa reação nunca é neutra, mas sempre resulta na recepção ou rejeição do Senhor.
A introdução ou prólogo mostra como essas três idéias são apresentadas no livro: João 1:1-5 corresponde a revelação; os versículos 6-11 revelam rejeição e os versículos 13-21 estão ligados a recepção. Desta maneira o prólogo resume todo o evangelho.
João descreve paralelamente os efeitos da auto-revelação do Senhor no que diz respeito a fé e incredulidade. À medida que o Senhor se revela aos homens pode-se ver tanto uma crescente fé por parte de seus seguidores como um antagonismo, cada vez mais declarado, da parte de seus inimigos. O antagonismo culmina com a cruxificação e a fé com a ressurreição.
A REVELAÇÃO DA "VIDA"
O Evangelho de João é predominantemente o Evangelho de vida. Mateus fala de Justiça; Marcos de serviço; Lucas de graça; mas de João pode ser dito que inclui tudo isso e muito mais pela sua ênfase na vida. Enquanto vida é apenas mencionada em cada um dos outros evangelhos, no quarto é considerada com profundidade, sendo tanto uma bênção presente (6:47) como também sendo relacionada ao nosso estado futuro (5:29). Algumas vezes encontramos simplesmente a menção de vida, em outras vida eterna, mas, segundo Griffth Thomas não há diferença entre essas duas palavras; ver Jo 3:36. A palavra vida é encontrada em quase todos os capítulos sob vários aspectos, significando muito mais do que a simples existência e sempre envolvendo e implicando um pensamento de união. Na verdade, cada referência à palavra vida significa união. Assim, vida física é a união da alma com o corpo; vida espiritual é a união da alma com Deus. Durante toda a vida eterna em seu significado pleno, é a união do corpo e da alma para sempre com Deus. E assim, vida espiritual, aqui e agora, é a união da alma com Deus em Cristo e a conciência de comunhão resultante disso.
Na oração de João 17 nosso Senhor resume tudo através da questão do Pai ter-lhe dado autoridade para dar vida eterna a todos os que crêem e essa vida é definida como o conhecer a Deus e a Jesus Cristo: E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste (Jo 17:3). É impossível, mesmo para o mais capacitado dos homens definir vida; ela só pode ser descrita em seus efeitos. Deste modo, uma descrição suficiente de "vida eterna" é a união e comunhão com Deus. Isso constitui a essência da glória da vida, que nós somos um com Cristo e um com o Pai nEle. Não há nada mais elevado, verdadeiro e nobre do que essa afirmação de união com Deus em Cristo (17:21-23).
O oposto de vida é morte (3:15,16); como vida em todos os seus aspectos significa união, assim morte nos seus vários elementos significa separação. Morte física significa a separação da alma e do corpo; morte espiritual significa a separação da alma de Deus; morte eterna significa a separação do corpo e da alma de Deus para sempre.
Há porém uma nota principal, uma linha, correndo através de todo o evangelho apoiando-se na questão da vida. E essa vida é contraposta a certas condições que falam sobre morte, que representam feitos e formas de morte.Nós podemos ver que todo esse evangelho, de um ponto de vista, é um contínuo desvelar, abrir e desenvolver da verdade da vida triunfante sobre a morte. Esse tema da vida triunfante sobre a morte é enfocado a partir de vários pontos de vista e parece ter vários efeitos.
Assim, podemos ver que no capítulo 2, o primeiro sinal ou milagre feito pelo Senhor Jesus, o transformar da água em vinho no casamento em Caná da Galiléia, foi um amplo sinal envolvendo o resto do evangelho. E a nota principal desse sinal era e é a da vida triunfante sobre a morte. Num sentido, a água representa a nossa vida velha, a vida de Adão. O vinho representa uma vida inextinguível, a vida que o Senhor Jesus nos dá. A transformação da água em vinho é a vida de Cristo entrando na nossa vida e tirando fora a velha vida de modo que desde então Cristo passa a ser manifestado em nós.
O capítulo 3 tráz a questão de Nicodemos e a serpente levantada no deserto. O primeiro revela o estado de morte sob a maldição repousando sob toda a raça, ou seja, Nicodemos apesar de todo seu conhecimento intelectual e religioso, não era capaz de entender das "coisas do alto" e prover para si a vida eterna. O segundo revela o caminho para fora da morte ou sobre a morte, pelo novo nascimento do alto. O novo nascimento do alto é, através de todo Novo Testamento, o testemunho da vida triunfante sobre a morte. Através de Nicodemos, o Senhor Jesus leva todas as coisas ao ponto mais baixo de um grande e terrível abismo, revela a realidade da velha criação, da vida natural, religiosamente, moralmente, eclesiasticamente e intelectualmente. Todas as coisas revelam estar sob o regime de uma morte profunda, debaixo de condenação e julgamento. Podemos dizer que o nível zero foi atingido. Assim, quando o nível da morte é alcançado e o ponto zero é tocado, então, e só então, a vida eterna pode ser avistada, e o poço de Sicar no capitulo 4, representa isso.Podemos ver aqui neste capítulo a mulher samaritana e a sua condição de constante insatisfação, ou sede: cinco maridos já tiveste e esse que agora tens não é teu marido. Também vemos a solução que o Senhor Jesus dá para a sua condição: o implantar interior da fonte de água viva. Neste ponto nós temos a introdução* do ensino sobre vida eterna. A palavra do Senhor nesse capítulo sobre a fonte interior* de água viva se relaciona ao Espírito Santo como nós podemos ver em João 7:38, 39. Deste modo nós não podemos separar a vida divina do Espírito Santo. O Espírito Santo com Sua presença emana daquela que é vida eterna; assim sendo, a vida vem com ele e é sempre uma parte dele. O Espírito Santo deve ser recebido num ato definitivo de apropriação pela fé. Nosso trabalho através de toda vida espiritual é aprender como viver no Espírito. Temos no Espírito Santo tudo o que Deus nos deu. Agora nós temos que aprender como nos apropriar do que já temos, como desfrutar o que possuímos. Deste modo, somos lembrados que o cristianismo é a introdução de um novo poder, e não meramente a provisão de um conhecimento novo. Conhecimento não pode salvar; tem que haver vida.
O capítulo 5, onde encontramos o tanque de Betesda, tem o pano de fundo da morte sob o regime da lei; uma morte-viva, em escravidão, fraqueza, impotência e desespero. O homem paralítico a 38 anos revela esse estado de morte-viva e a oposição morte x vida aparece no transcorrer de todo o capítulo. A cura sendo efetuada especialmente em dia de sábado revela o Senhor Jesus como o Senhor também do sábado, o Senhor da vida, o Senhor da lei. Esse capítulo é enfático no sentido de testificar dessa vida que habita nEle. Podemos confirmar isso através dos versículos 21, 24, 25, 26, 28, 29, 39 e 40.
O capítulo 6, a multiplicação dos pães e dos peixes, se ocupa do mesmo tema da vida triunfante sobre a morte sob outro ponto de vista. Esse capítulo é forte, rico e revelador dos dois principais temas de todo o evangelho de João: a pessoa de Cristo e a união com Cristo. O Eu sou desse capítulo é muito forte. Repetidamente nós temos o Eu sou relacionado à vida: Eu sou o pão da vida (35), Eu sou o pão que desceu do céu (41), Eu sou o pão da vida (48), Eu sou o pão vivo que desceu do céu (51).
No começo deste capítulo temos a páscoa, um princípio básico no qual todas as coisas são realmente completas. Contudo, após a breve citação referente a páscoa, a experiência no deserto é lembrada: nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito deu-lhes a comer pão do céu (31). Somos, então, chamados à realidade da necessidade de um comer diário, constante, todas as manhãs, como era no deserto. Algo acontecendo o tempo todo. A vida triunfante sobre a morte é algo que nós temos por completo quando pela primeira vez recebemos o Senhor Jesus, mas deve haver um desenvolvimento disso. Nós temos que receber Cristo continuamente para a conservação do testemunho; esse é o caminho para a vitória sobre a morte continuamente. Uma coisa que nós fazemos no começo de uma vez por todas e então o fazemos habitualmente a cada dia; exatamente como aqueles no deserto quetinham que fazer novamente cada manhã.
O Senhor é vida para nós fisicamente, moralmente e espiritualmente para tudo o que Ele mesmo requer de nós. Nós devemos tomá-lo pela oração, pela Palavra, pela obediência, pela comunhão e pela adoração. Essa é a vida triunfante sobre a morte um presente e constante testemunho. Desse modo, percorrendo esse evangelho até o fim descobriremos, estágio após estágio, essa questão da vida triunfante sobre a morte. Chegaremos até Lázaro e ao Bom Pastor que deu Sua vida pelas ovelhas. Para que as ovelhas possam viver, o Pastor morre; e o fato de que as ovelhas vivem é um testemunho da vitória sobre a morte.
Retomando o capítulo 6, nós podemos perceber que nele se dá o começo da transição da vida para a luz, isso ocorre numa combinação desses dois aspectos. Essa transição estende-se ao capítulo 7.Toda a questão de luz espiritual, de conhecimento espiritual, entendimento espiritual, revelação e verdade tem como objetivo essa ênfase final sobre a vida e isso se dá pela habitação interna do Espírito Santo na vida daquele que crê: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim como diz a Escritura, do Seu interior fluirão rios de água viva. Isso Ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem (Jo 7:37-39). Antes de haver um conhecimento do Senhor que implica comunhão, tem que haver vida. A vida conduz à luz.
Por outro lado, nesse capítulo 7 nós também temos a tentativa de interferência, da parte dos irmãos do Senhor Jesus, no Seu ministério*. Anteriormente, no capítulo 2, na festa do casamento em Caná da Galiléia, Ele já tinha se recusado a agir independentemente da vontade e da hora do Pai diante da sugestão de sua mãe de solucionar o problema da falta de vinho. Agora, aqui, Ele recusa-se a seguir a sugestão de Seus irmãos de manifestar-se ao mundo, pelo mesmo motivo pelo qual se movia: o tempo, a hora do Pai para Seus caminhos. Não havia nada mais precioso diante de Seus olhos e coração de Filho do que seguir as inclinações do conselho do Pai. Nisso residia toda a Sua obra, nisso Ele se movia e só através desse Nome Ele agia. A questão do conhecimento do Pai e do Filho, bem como a comunhão entre eles está definitivamente em vista neste capítulo, e através dele e dos subseqüentes podemos observar como a questão de ignorância nessas duas direções é fortemente enfatizada e reiterada.
JESUS E O PAI
Se lermos o evangelho de João e marcarmos com o lápis cada vez que ocorre o nome Pai, ficaremos maravilhados com o resultado. Esta palavra que aparece 111 vezes neste evangelho nos dará um background de cada coisa na vida do Senhor Jesus, a Sua devoção de Filho para com Seu Pai e a comunhão secreta que determina cada passo dado por Ele.
Jesus se referia a Deus como o Pai. Nesse nome Ele veio. Desse nome Ele falava. Ele nos ensina que com esse nome comecemos a nossa oração diária. Nesse nome devemos ser batizados. Dentro desse precioso nome, como uma fortaleza de defesa segura, devemos viver. Ele, Jesus, é o dom do Pai. O céu é o lar do Pai. Os verdadeiros adoradores são os objetos buscados pelo Pai. Os corações são as habitações escolhidas pelo amor do Pai. Todos os que lhe pertencem são caros ao coração do Pai. Deus é Seu Pai e o Pai de todos os que lhe recebem.
Como podemos ver no capítulo 5, Jesus não pensava em si mesmo, em Sua própria glória ou na estima dos homens. O que constituiu o programa e objeto de Sua Vida era o tratar dos negócios de Seu Pai; fazer as obras que Seu Pai lhe havia incumbido de cumprir (Jo 5:6); falar as palavras que tinha ouvido do Pai (8:26); cumprir com o mandamento que o Pai lhe havia dado. Por mais que desejasse a salvação do mundo e ganhar a noiva que havia escolhido, tudo foi subordinado a um propósito mais alto, o cumprir a vontade de Seu Pai. Por isso Seu juízo era reto e justo, por ser absolutamente puro Seu motivo (5:30).
Jesus se ocupava de contínuo em ler o livro aberto da vontade de Seu Pai. Não tinha vontade própria para que a buscasse, nenhum objeto próprio para que o servisse. Seu olho sempre mirava o movimento da nuvem do propósito do Pai enquanto ele se desenrolava. O Pai mostrava ao Filho o que fazia, e o Filho, tendo-o visto, traduzia numa linguagem acessível aos homens. Se em algum momento o Pai operava dentro dele, nunca vacilava em seguir livremente o divino impulso, mesmo que isso O pusesse em colisão com a religião de Seu tempo. Sempre esperava que o Pai lhe mostrasse o que queria que fizesse a seguir. O desenrolar de Sua vida foi paulatinamente estendido diante dele, assim como o do tabernáculo foi desenrolado diante de Moisés quando estava a sós com Deus. Parecia sempre um discípulo na oficina de seu Pai fazendo todas as coisas conforme o desígnio que lhe era mostrado de hora em hora. Fez isso muito quieto, muito tranqüilo, sem alterar-se pelas dificuldades ou perturbar-se no meio da oposição levantada contra Ele.
Pode-se também notar o quão continuamente o nosso Senhor recusou-se a receber o crédito por Suas palavras. Insistiu que a Sua doutrina não era Sua, senão daquele por quem havia sido enviado (7:16). Falou o que tinha ouvido, o que tinha sido ensinado, e tinha visto junto do Pai(8:26,28,38). Disse que Seu Pai tinha lhe dado um mandamento do que havia de dizer e de falar, pelo qual foi guiado totalmente. Como o Pai lhe havia dito, assim falou (12:49,50). Sua palavra não era Sua, mas o Pai que nele morava falou por Sua natureza submissa (14:24). Simplesmente passou as palavras assim como lhe haviam sido dadas (17:8,14).Cuidadosamente evitava a publicidade desnecessária e nunca procurava que se fixassem nele. Com efeito escolheu para si a obscuridade, a fim de que os homens fossem compelidos a atribuir a Deus os resultados maravilhosos que eram patentes aos olhos de todos.
A vida do Senhor Jesus era uma ampla negação de Sua própria glória, assim como nós somos chamados a negar diariamente o eu caído. Por que Ele recusava falar Suas próprias palavras, ou fazer Suas próprias obras, ou seguir as sugestões de Sua própria vontade? (12:49,50; 5:19; 6:38; 8:28). A razão está no Seu intenso desejo de que o Pai brilhasse em Sua vida humana; que a glória de Deus fosse manifestada sobre a carne mortal e que a deidade fosse traduzida à linguagem familiar dos homens.
Sua morte foi voluntária bem como o entregar-se ao escárnio dos homens cumprindo sua obra até o fim. O Pai enviou o Filho e o Filho veio. Não foi forçado repentina e inesperadamente pela morte. Com deliberada antecipação se conduziu diretamente a ela. Nunca e por nenhum momento admitiu que Sua vida lhe fora tirada. Disse que a dava de si mesmo e que de Seu Pai havia recebido este poder. Em nenhum momento apartou-se da conformidade que havia entre Sua vontade com a de Seu Pai. Desde as profundezas de Sua alma soaram firmes as palavras: agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu (Sl 40:8).
Mesmo que todos atributos divinos de Jesus estivessem ao Seu alcance e pudessem em qualquer momento ter sido postos em operação, Ele recusou-se a usá-los para que pudesse aprender a vida de dependência e fé, a vida que haveria de ser nossa para com Ele. E essa é a chave áurea que abre os tesouros deste precioso evangelho: que nós devemos ser para o Senhor Jesus tudo o que Ele era para Seu Pai e que Ele tem vontade de ser para nós tudo o que Seu Pai era para Ele. Seu único desejo era que a Sua relação com o Pai fosse o modelo de nossa relação com Ele (17:21,23).
Se observarmos o desenrolar da história do evangelho de João nós veremos que as obras de nosso Senhor era uma conseqüência de sua íntima comunhão com o Pai . Em primeiro lugar estava o Pai, Sua comunhão com Ele, o habitar na Sua presença, o ouvir os segredos de Seu coração e tudo o mais vinha como resultado submisso a tal devoção.
É através da oração sacerdotal de João 17 que nos é permitido ouvir a mais íntima conversa entre o Filho e Seu Pai. Este é o mais sagrado e íntimo pulsar do Seu coração na mais solene comunhão do lugar mais próximo de Deus; é o Sumo Sacerdote no Santo dos Santos. Alguns autores consideram este capítulo o mais sagrado, belo, perscrutador, profundo e inspirador de toda a bíblia. A unidade de João 17 é a unidade de uma vida. Essa vida não é a vida do homem natural, por mais religioso e devotado que seja. É a vida dAquele que, tomando o lugar do Deus, vive como um outro tipo de homem para o prazer de Deus.
Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou (Jo 1:18). Não podemos conhecer a Deus como Pai a não ser pelos ensinos de Jesus, do mesmo modo como conhecemos ao Senhor Jesus somente pelos ensinos do Espírito Santo, que O faz real, presente e precioso. Os homens falam com facilidade de Deus como Pai, passando por alto o ministério de Jesus que explica e traduz toda a verdade que essa frase envolve. Desse modo, desconsideram o único meio que pode trazer luz sob o maravilhoso título Pai.
Deus tem muitos filhos,mas somente um Filho. Os anjos são filhos por sua criação. Os pecadores arrependidos são filhos por sua regeneração e adoção. Mas nosso Senhor Jesus é Filho em um sentido de todo único e sem rival, Ele é Filho por geração, linhagem. Meu Filho és Tu; eu hoje te gerei (Sl2:7; At 13:33). Ele é o único Filho gerado assim. Nosso Senhor Jesus participa da plenitude da mesma natureza de Deus. Assim, Jesus como o Filho de Deus, em Sua natureza divina, podia conhecer perfeitamente a Deus e como Filho do Homem, em sua natureza humana, podia expressar, descobrir e revelar perfeitamente, de modo que todos pudessem entender o pensamento e o ser mais profundo do Pai. Aqui podemos reconhecer as duas principais características de Cristo ao manifestar-se que são graça e verdade. Ele veio para revelar o Pai através de si mesmo a fim de que aqueles que entram em união com ele possam também ser o instrumento de manifestação dessa mesma vida; isto é graça e verdade: Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
.A VIDA ESTAVA NELE E A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS
Neste ponto nós retomamos o outro princípio trazido em questão no capítulo 7 que é o da vida como a luz dos homens. Assim como o olho humano só pode suportar o esplendor do coração do sol, unicamente se visto de longe, como que diluído. Assim, também nós não podemos contemplar a natureza de Deus em sua manifestação direta e original senão através da face de Cristo (IICo 4:6). Cristo é a luz pela qual tudo vemos. Ele não só ilumina os nossos olhos interiores, mas joga luz sobre Deus, a providência, a verdade e os mistérios da redenção, que, separados dele, mesmo com toda a nossa inteligência teriam sido obscuros e desconhecidos.
Quando nós recebemos o Senhor Jesus Cristo em nossos corações como nosso Salvador o resultado é um acesso tal a vida espiritual que percepção e conhecimento se tornam nossos, à medida que O seguimos. Ele revela o pecado, o eu e Deus; Ele dá vida mental, moral e espiritual; Ele purifica nosso caráter e conduta; Ele embeleza a vida e o mundo; e Ele satisfaz todos aqueles que O aceitam. É o possuir a Vida que dá a Luz. Em João 1:4 nós temos: A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. E em 8:12: De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (8:12).
A Luz que foi trazida em questão no capítulo 7 vai assumindo uma forma definida e essa forma corre até o final do capítulo 9. O capítulo 8 contém uma ênfase sobre o fato de que Cristo é luz, de que o homem por natureza está em trevas, que as trevas significam escravidão e que a liberdade vem através do conhecimento e da obediência à verdade. No capítulo 8 nós temos a mulher surpreendida em adultério e a conversa do Senhor Jesus com os judeus sobre os verdadeiros filhos de Abraão. Convém salientar que muitos comentaristas dizem que o episódio da mulher adúltera é como que um parêntese no meio deste texto. Assim, teríamos que estudar este trecho referente a luz da vida como um bloco único que inicia no capítulo 7, continua no capítulo 8 a partir do versículo 12 estendendo-se até o capítulo 9. Cristo é colocado aqui como a revelação de Deus e como tal Ele é a verdade. Assim sendo, O conhecimento de Cristo e a obediência a Ele é o caminho de liberdade e de luz.
Nunca houve uma época em que a luz divina não tenha brilhado sobre o nosso mundo. Não a luz como a que temos hoje, mas, mesmo assim luz. E seja qual foi a luz que tenha existido, foi devido a presença e obra de nosso Senhor Jesus. Contudo, o que nós vemos neste evangelho é que a luz brilhou no meio de corações cegos e obscurecidos e estes não puderam compreendê-la.Esta é a característica deste Evangelho: uma família nascida cega; uma raça ferida de cegueira, como foi no caso de Saulo, e que anda ao derredor procurando quem a conduza pela mão; tal é a representação da nossa raça.
Deste modo, nós chegamos em nosso estudo no cego de nascença do capítulo 9. Podemos resumir brevemente este capítulo: estando Jesus a caminho, viu um cego de nascença, tendo feito lodo untou os olhos do cego e mandou-o lavar-se no tanque de Siloé. Ele foi, lavou-se e voltou vendo. Isto acarretou uma série de controvérsias entre os fariseus, especialmente pelo fato do cego ter sido curado em dia de sábado. Esta controvérsia culmina com a expulsão do cego da sinagoga e com a auto-revelação do Senhor Jesus para ele.
Este capítulo é muito rico no sentido de dar-nos um entendimento claro do significado da luz. Nele nós vemos desenvolvida e exemplificada a afirmação do capítulo 1:5 : A luz resplandece nas trevas e as trevas não prevaleceram contra ela.
O MISTÉRIO DA CEGUEIRA DE ISRAEL
O mais significativo, que vai à raiz de todo o problema, é o fato de que, entre todos os cegos daquele lugar, este homem do capítulo 9 de João tinha nascido cego. Não é sem sentido que nesse caso particular era de cegueira de nascença. Isso representa em princípio toda a verdade de Cristo vindo como a Luz. A Palavra de Deus nos revela que toda a raça humana por natureza está em cegueira, em escuridão, que o homem natural não pode ver o Reino, nem as coisas do Espírito. Isso nós podemos ver no capítulo 3 de João onde Nicodemos com toda sua iluminação natural e religiosa, com toda sua capacidade intelectual, tudo o que ele era por natureza, ouviu o Senhor dizer: Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus (Jo 3:3). O homem nasce cego. Através da história do cego, o Senhor nos revela que esta cegueira está ligada com as obras de Deus. É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia e ...mas foi para que se manifestem nele as obra de Deus. Assim, as obras de Deus estão relacionadas ao estado natural do homem em sua cegueira. As obras de Deus são para trazê-lo ao lugar da iluminação e compreensão espiritual.
CRISTO E O SÁBADO
A cura do cego ocorreu no sábado e pelo fato de ter acontecido nesse dia específico despertou a ira dos anciãos judeus. As obras de Deus conduzem aqueles que por natureza são cegos e estão em trevas a uma iluminação e compreensão espiritual, e isto está vinculado através da obra do Senhor Jesus com o dia de sábado.Cristo é o sábado de Deus, porque todas as obras de Deus foram concluídas nele. Deus obtém o Seu descanso em seu Filho, e vê todas as coisas em Cristo com grande prazer, dizendo: é muito bom. O está consumado do calvário foi o estabelecimento da verdade espiritual do sábado do descanso no Senhor Jesus*; a apreensão da iluminação e compreensão espiritual é uma questão de apropriar-se da obra concluída de Deus em Cristo.
AS OBRAS DE DEUS
Nós devemos fazer as obras daquele que me enviou enquanto é dia. O Senhor Jesus vincula a Ele aqueles que são seus na obra de Deus para a iluminação dos que são cegos e estão em trevas. O que Ele está dizendo na realidade é: nós devemos fazer as obras relacionadas a essa cegueira e trevas*, a fim de os conduzir a uma revelação e entendimento espiritual. Paulo foi comissionado para fazer as obras de Deus. O Senhor comissionou-o a ir diante de governadores, reis e gentios e o objetivo era para lhes abrires os olhos e os converterdes das trevas para a luz e da potestade de satanás para Deus...(Atos 26:18) Ele era um dos obreiros junto com Deus no abrir os olhos, a fim de que eles voltassem das trevas para a luz, e ele fez isso pelo Espírito. Nós somos chamados à comunhão do Filho de Deus no Seu ministério e nós chegamos exatamente àquele pequeno fragmento de João 9:4: nós devemos fazer as obras daquele que me enviou enquanto é dia, e as obras de Deus são: ...abrir os seus olhos. Assim elas estão vinculadas ao estado do homem por natureza, no fato deles terem nascido cegos.
O QUE É O CONHECIMENTO DE DEUS
A verdade sobre revelação e entendimento espiritual não vem pela apresentação da verdade apenas . Nós podemos ter ouvido muito da verdade, podemos também ser conhecedores profundos da doutrina, mas nós podemos ainda não ter revelação espiritual como Nicodemos. Revelação não é adquirida pela apresentação da verdade. Revelação vem por um ato definido de Cristo em nossos corações. É uma obra que é feita. Uma apreensão de Cristo não nos é dada ao longo das linhas de uma doutrina formulada. Uma apreensão de Cristo é dada por meio de um toque vivo. Ele tocou, Ele ungiu seus olhos. É um toque vivo. É uma unção nos olhos interiores.
O capítulo 9 de João é o culminar da história de Israel como um povo cego. Israel tinha todos os oráculos de Deus , mas não tinha a faculdade interior da compreensão espiritual. Em Deuteronômio 29:4 o Senhor fala: Porém o Senhor não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje. Sabemos que toda a Lei já tinha sido dada, uma tremenda apresentação das coisas divinas tinha sido legada a Israel até esse ponto. Mas nós vemos em João 9, que eles ainda estão cegos. Eles tinham todo esse conteúdo da verdade, mas não tinham entendimento, não tinham olhos para ver, ouvidos para ouvir, nem coração para compreeender. Israel tinha que obedecer mandamentos, eles não tinham entendimento. A característica da nova aliança não é a obediência a mandamentos dados externamente, e sim o ter revelação interna do Senhor. Esta é a aliança que eu farei...porei nos seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei (Rm 10:16). A revelação interior de Deus em Cristo. Aquele que crê no Senhor não é mais colocado debaixo da lei no sentido de que ele é obrigado a fazer isto ou aquilo, ou não poder fazer isto ou aquilo. Ele não é governado por um sistema exterior de autorizações ou proibições, mas por uma lei interior de compreensão divina da vontade do Senhor, na base de uma comunhão viva com Ele. Israel seguiu cegamente os mandamentos e as leis no que diz respeito ao entendimento de sua visão espiritual. O filho de Deus inteligentemente segue a vontade conhecida de Deus. Essa luz está conectada com Cristo como a Vida. Isso significa que é algo vivo. É a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus que traz vida e paz, e esse é o meio pelo qual nós conhecemos a mente do Senhor a respeito de qualquer coisa. Se a nossa comunhão com Ele é certa, nós temos vida e paz em nossos corações. Essa é a nossa luz. Se em qualquer caminho proposto, diante do Senhor, nós não temos vida nem paz, nós podemos suspender esse andamento por enquanto, e nós veremos que o nosso agir assim será justificado. O Senhor não nos fala mais de forma direta no sentido de: Sim, você deve fazer isto e aquilo, ou: Não, você não deve fazer isto ou aquilo. Agora ele fala através de leis espirituais, nem sempre através de frases verbais, e seu falar, o falar do Espírito, é primeiramente para o espírito, e posteriormente interpretado pela mente. Ele fala nos nossos corações e a linguagem do Espírito é vida, paz, descanso, ou o contrário disso.
A LEI DA ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL
Há um ponto governando toda a história deste cego de nascença: Cristo estava fazendo aquilo como um sinal. Um sinal no meio da cegueira espiritual, a cegueira de todo Israel ao redor. Isto estava ligado com toda aquela situação. Após este homem ter tido seus olhos abertos levantou-se sobre ele um grande conflito. E em seguida seus pais também foram envolvidos neste conflito, mas eles tinham medo de comprometer suas vidas, e não disseram o que sabiam; não foram francos e honestos porque estavam com medo das conseqüências. Por fim esse homem foi posto para fora da sinagoga, excomungado. Por que isto aconteceu? Porque era Cristo ou tradição. Essa era a questão. Toda a questão residia no fato de ser Cristo o Senhor ou se Ele seria governado e dominado pela tradição morta. Nesta tradição dos anciãos estavam todos os oráculos de Deus, todas as formas de doutrinas e todas aquelas leis eclesiásticas relacionadas a isso, leis que eram sustentadas por eles mesmos e possuíam a sua própria interpretação. Tudo isso sem vida, sem luz, mas, contudo, retendo a verdade. Por outro lado, Cristo tinha tudo isso, como também tudo o que eles não tinham, ou seja, a vida e a luz. Em nenhum momento isso era uma contradição de Moisés, mas uma interpretação de Moisés. Pelo contexto você pode ver que o que Cristo disse ia ao princípio interno e não a uma mera fraseologia externa. Moisés disse: Não matarás...mas eu porém vos digo, todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão será considerado digno de julgamento. Isso é chegar ao princípio. E se ferimos o princípio, somos tão culpados do fato como se o tivesse cometido. O que está em questão é a autoridade viva de Cristo, e a lei da revelação e entendimento espiritual é o absoluto Senhorio de Jesus Cristo sobre a mera tradição; isso pode ser herança religiosa, treinamento ou criação. Se essas duas coisas colidem, se as nossas tradições, aceitações e sistemas religiosos não estão em comunhão com Cristo como vida e luz, ou em algum momento se colocam no caminho de um vivo caminhar com Deus; se ir adiante com o Senhor Jesus significa que essas coisas devem ser deixadas para trás, nossa compreensão e revelação espiritual dependem de nosso posicionamento em relação a isso. Muitas pessoas não obtiveram plena revelação espiritual e um rico conhecimento interior do Senhor porque eles ficaram emperrados na vida tradicional e não romperam com ela, porque eles têm permitido que o homem domine suas consciências e entendimento em vez de irem diretamente ao Senhor. Não se trata do que o Rabi, a tradição ou Moisés disse e sim do que o Senhor Jesus disse ao meu coração. Neste capítulo a questão principal em relação a este homem era se o Senhor Jesus iria ser seu Mestre ou se ele iria romper com Ele e voltar aos fariseus e à velha escola de novo. A lei de sua revelação residia neste fato.
Quando este homem é expulso da sinagoga surge toda a questão das ovelhas do Senhor exposta no capítulo 10 deste evangelho. Aqueles a quem os homens expulsam, o Senhor os toma e deles forma Seu próprio rebanho com base no conhecer, ouvir e entender Sua voz. Esse homem foi expulso e só depois que ele foi expulso foi que o Senhor o procurou e começou a conduzi-lo. O que está se dando ênfase aqui é no princípio que envolve esta questão e não em sua aplicação. O princípio é que há dois senhorios. Há o senhorio da tradição sem vida, ou seja, uma ordem religiosa e um sistema de coisas, que pode ter tido uma origem correta e autêntica em Deus, mas que agora foi tomada pelo homem, possuída pelo homem e usada pelo homem, e que domina. Por outro lado, há o Cristo vivo e pessoal para a vida individual para ser o Governador do coração em todas as questões da vida espiritual. A questão é qual desses dois será o senhor? Ao aplicarmos o princípio, descobrimos que muito do nosso conhecimento do Senhor depende da nossa disposição de continuarmos com Ele. Isso implica, muito freqüentemente, um rompimento com um andar baseado numa tradição religiosa. Enquanto nós permanecemos escravizados a ela, nós somos mantidos a uma limitação de conhecimento espiritual. A lei da revelação e do crescimento em revelação é uma caminhada espiritual, pessoal, juntamente com o Senhor Jesus.
O PREÇO DA VISÃO ESPIRITUAL
Muitos não pagarão o preço que envolve obter visão espiritual. Para este homem cego o obter tal visão implicou um preço muito alto. Até mesmo seus pais se mantiveram numa posição recuada, na sombra. Eles não ficaram satisfeitos com o fato dele os ter envolvido nessa questão. Certamente eles estavam felizes por ele poder agora ver, mas eles bem que prefeririam que tivesse sido de outra forma, e não neste dia em particular, e nesse relacionamento em particular. Eles bem que gostariam que ele tivesse sido abençoado de alguma outra manaira que não envolvesse tantas dificuldades com as autoridades.
A crise surgiu para este homem no momento em que ele obteve a plenitude do significado de Cristo e só então aconteceu tudo o que se seguiu. Ele tinha passado por sombras, ele tinha ido a um Homem, a um Profeta, e por fim, sido expulso, e o Senhor disse para ele: Cres tu no Filho de Deus? E ele respondeu: quem é ele, Senhor, para que eu nele creia? Então os seu olhos espirituais foram abertos quando o Senhor afirmou: Tu o tens visto e é ele que fala contigo. O homem capitulou diante daquele absoluto, e então ele descobriu o significado do seu estar fora. Ele estava no caminho de uma maravilhosa plenitude. É o climax da revelação quando nós realmente chegamos a apreensão de quem Cristo realmente é. Não um homem muito bom e maravilhoso que faz milagres, nem mesmo o grande Profeta, mas o Filho de Deus. Tudo depende disso. O propósito final que o Senhor tem em vista é que nós O conheçamos na plenitude do Seu ser. Nós o devemos conhecer através de Sua humanidade. Nós devemos conhecê-lo como o Filho do Homem pelo toque do lodo, mas quando nós percorremos esse caminho nós devemos chegar ao conhecimento de que Ele é mais do que isso, Ele é o Filho de Deus.
Em todo esse estudo do capítulo nove o que nós devemos principalmente guardar são dois pontos bem simples: O fato da verdade sobre a revelação e o entendimento espiritual como sendo a vontade do Senhor para todos os que são seus; um conhecimento interior e pessoal relacionado com o Senhor Jesus, uma apreensão de quem Ele é. E a outra coisa é a lei de que saímos para o próprio Senhor. Nós não permitimos que nada se interponha entre nós e o Senhor através do governo de nossas vidas espirituais; mas continuamos avançando com o próprio Senhor por qualquer que seja o preço. Conhecê-lo em plenitude requer uma caminhada pessoal com o próprio Senhor, onde ele é o Senhor, Ele domina todas as coisas, por mais respeitável que seja a tradição. É o próprio Senhor que deve governar e então nós cresceremos em entendimento.
Assim, após termos observado o relacionamento de nosso Senhor com o Pai, a sua intimidade para com Aquele pelo qual realizava todas as coisas, nós agora somos levados a um patamar superior, um nível além de revelação em que somos chamados a buscar e desenvolver esse mesmo tipo de relacionamento com Aquele que por nós se deu, sendo para Ele o que Ele é para o Pai e Ele sendo para nós o que o Pai é para Ele.
BIBLIOGRAFIA:
"A guide to the gospels" - W. Graham Scroggie "The apostle John" - Griffith Thomas "The gospel of John" - F.B.Meyer "We beheld his glory" - A.T.Sparks
P.s. A parte do estudo sobre o cego de nascença constitui-se em uma tradução livre de trechos extraídos do capítulo 9 do livro "We beheld his glory".
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