“Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz, e siga-me” — (Mateus 16:24).
Antes de desenvolver o tema deste verso, comentemos os seus termos. “Se alguém”: o dever imposto é para todos os que desejam se unir aos seguidores de Cristo e alistar sob a Sua bandeira. “Se alguém quer”: o grego é muito enfático, significando não somente o consentimento da vontade, mas o pleno propósito de coração, uma resolução determinada. “Vir após mim”: como um servo sujeito ao seu Mestre, um estudante ao seu Professor, um soldado ao seu Capitão. “Negue”: o grego significa “negar totalmente”. Negar a si mesmo: sua natureza pecaminosa e corrompida. “E tome”: não passivamente sofra ou suporte, mas assuma voluntariamente, adote ativamente. “Sua cruz”: que é desprezada pelo mundo, odiada pela carne, mas que é a marca distintiva de um cristão verdadeiro. “E siga-me”: viva como Cristo viveu — para a glória de Deus.
O contexto imediato é mais solene e impressionante. O Senhor Jesus tinha acabado de anunciar aos Seus apóstolos, pela primeira vez, a aproximação de Sua morte de humilhação (v. 21). Pedro se assustou, e disse, “Tem compaixão de Ti, Senhor” (v. 22). Isto expressou a política da mente carnal. O caminho do mundo é a procura para si mesmo e a defesa de si mesmo. “Tenha compaixão de ti” é a soma de sua filosofia. Mas a doutrina de Cristo não é “salva a ti mesmo”, mas sacrifica a ti mesmo. Cristo discerniu no conselho de Pedro uma tentação de Satanás (v. 23), e imediatamente a rejeitou. Então, voltando-se para Pedro, disse: Não somente “deve” o Cristo subir à Jerusalém e morrer, mas todo aquele que desejar ser um seguidor dEle, deve tomar sua cruz (v. 24). O “deve” é tão imperativo num caso como no outro. Mediatoriamente, a cruz de Cristo permanece sozinha; mas experiencialmente, ela é compartilhada por todos que entram na vida.
O que é um “cristão”? Alguém que sustenta membresia em alguma igreja terrena? Não. Alguém que crê num credo ortodoxo? Não. Alguém que adota um certo modo de conduta? Não. O que, então, é um cristão? Ele é alguém que renunciou a si mesmo e recebeu a Cristo Jesus como Senhor (Colossenses 2:6). Ele é alguém que toma o jugo de Cristo sobre si e aprende dEle que é “manso e humilde de coração”. Ele é alguém que foi “chamado à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1 Coríntios 1:9): comunhão em Sua obediência e sofrimento agora, em Sua recompensa e glória no futuro sem fim. Não há tal coisa como pertencer a Cristo e viver para agradar a si mesmo. Não cometa engano neste ponto, “E qualquer que não tomar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27), disse Cristo. E novamente Ele declarou, “Mas aquele (ao invés de negar a si mesmo) que me negar diante dos homens (não “para” os homens: é conduta, o caminhar, que está aqui em vista), também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:33).
A vida cristã começa com um ato de auto-renúncia, e é continuada pela auto-mortificação (Romanos 8:13). A primeira pergunta de Saulo de Tarso, quando Cristo o apreendeu, foi, “Senhor, que queres que eu faça?”. A vida cristã é comparada com uma “corrida”, e o corredor é chamado para “deixar todo embaraço e o pecado que tão de perto nos assedia” (Hebreus 12:1), cujo “pecado” é o amor por si mesmo, o desejo e a determinação de ter o nosso “próprio caminho” (Isaías 53:6). O grande alvo, fim e tarefa posta diante do Cristão é seguir a Cristo — seguir o exemplo que Ele nos deixou (1 Pedro 2:21), e Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3). E há dificuldades no caminho, obstáculos na estrada, dos quais o principal é o ego. Portanto, este deve ser “negado”. Este é o primeiro passo para se “seguir” a Cristo.
O que significa para um homem “negar a si mesmo” totalmente? Primeiro, isto significa a completa repudiação de sua própria bondade. Significa cessar de descansar sobre quaisquer obras nossas, para nos recomendar a Deus. Significa uma aceitação sem reservas do veredicto de Deus que “todas as nossas justiças [nossas melhores performances], são como trapo da imundícia” (Isaías 64:6). Foi neste ponto que Israel falhou: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). Agora, contraste com a declaração de Paulo: “E seja achado nEle, não tendo justiça própria” (Filipenses 3:9).
Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria sabedoria. Ninguém pode entrar no reino dos céus, a menos que tenha se tornado “como criança” (Mateus 18:3). “Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!” (Isaías 5:21). “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Romanos 1:22). Quando o Espírito Santo aplica o Evangelho em poder numa alma, é para “destruir os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10:5). Um moto sábio para o todo cristão adotar é “não te estribes no teu próprio entendimento” (Provérbios 3:5).
Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria força. É “não confiar na carne” (Filipenses 3:3). É o coração se curvando à declaração positiva de Cristo: “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15:5). Este é o ponto no qual Pedro falhou: (Mateus 26:33). “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16:18). Quão necessário é, então, que prestemos atenção à 1 Coríntios 10:12: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia”! O segredo da força espiritual reside em reconhecer nossa fraqueza pessoal: (veja Isaías 40:29; 2 Crônicas 12:9). Então, “fortifiquemo-nos na graça que há em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1).
Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente sua própria vontade. A linguagem do não-salvo é, “Não queremos que este Homem reine sobre nós” (Lucas 19:14). A atitude do cristão é, “Para mim, o viver é Cristo” (Filipenses 1:21) — honrá-Lo, agradá-Lo, servi-Lo. Renunciar sua própria vontade significa atender à exortação de Filipenses 2:5, “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, o qual é definido nos versos que imediatamente seguem como de abnegação. É o reconhecimento prático de que “não sois de vós mesmos, porque fostes comprados por bom preço” (1 Coríntios 6:19,20). É dizer com Cristo, “Não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).
Para um homem “negar a si mesmo” totalmente, deverá renunciar completamente suas luxúrias ou desejos carnais. “O ego do homem é um feixe de ídolos” (Thomas Manton, Puritano), e estes ídolos devem ser repudiados. Os não-cristãos são “amantes de si mesmos” (2 Timóteo 3:1); mas aquele que foi regenerado pelo Espírito diz com Jó, “Eis que sou vil” (40:4), “Eu me abomino” (42:6). Dos não-cristãos está escrito, “todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus” (Filipenses 2:21); mas dos santos de Deus está registrado,“eles não amaram a sua vida até à morte” (Apocalipse 12:11). A graça de Deus está “ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tito 2:12).
Esta negação do ego que Cristo requer de todos os Seus seguidores deve ser universal. Não há nenhuma reserva, nenhuma exceção feita: “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Romanos 13:14). Deve ser constante, não ocasional: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). Deve ser espontânea, não forçada, realizada com satisfação, não relutantemente: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23). Ó, quão impiamente o padrão que Deus colocou diante de nós tem sido rebaixado! Como isso condena a vida acomodada, agradável à carne e mundana de tantos que professam (mas, de maneira vã) que eles são “cristãos”!
“E tome a sua cruz”. Isto se refere não à cruz como um objeto de fé, mas como uma experiência na alma. Os benefícios legais do Calvário são recebidos através do crer, quando a culpa do pecado é cancelada, mas as virtudes experimentais da Cruz de Cristo são somente desfrutadas à medida que somos, de um modo prático, “conformados com a Sua morte” (Filipeneses 3:10). É somente à medida que realmente aplicamos a cruz às nossas vidas diárias, regulamos nossa conduta pelos seus princípios, que ela se torna eficaz sobre o poder do pecado que habita em nós. Não pode haver ressurreição onde não há morte, e não pode haver andar prático “em novidade de vida” até que “carreguemos no corpo o morrer do Senhor Jesus” (2 Coríntios 4:10). A “cruz” é o sinal, a evidência, do discipulado cristão. É sua “cruz”, e não o seu credo, que distingue um verdadeiro seguidor de Cristo do mundano religioso.
Agora, no Novo Testamento a “cruz” tem o significado de realidades definidas. Primeiro, ela expressa o ódio do mundo. O Filho de Deus veio aqui não para julgar, mas par salvar; não para punir, mas para redimir. Ele veio aqui “cheio de graça e verdade”. Ele sempre esteve à disposição dos outros: ministrando aos necessitados, alimentando os famintos, curando os enfermos, libertando os possessos pelo demônio, ressuscitando os mortos. Ele era cheio de compaixão: gentil como um cordeiro; inteiramente sem pecado. Ele trouxe com Ele felizes notícias de grande alegria. Ele procurou os perdidos, pregou aos pobres, todavia, não desdenhou dos ricos; Ele perdoou pecadores. E, como Ele foi recebido? Que tipo de recepção os homens Lhe deram? Eles O “desprezaram e rejeitaram” (Isaías 53:3). Ele declarou, “Eles Me odeiam sem uma causa” (João 15:25). Eles tiveram sede de Seu sangue. Nenhuma morte ordinária os apaziguaria. Eles demandaram que Ele deveria ser crucificado. A Cruz, então, foi a manifestação do ódio inveterado do mundo pelo Cristo de Deus.
O mundo não mudou, não mais do que o etíope pode mudar sua pele ou o leopardo suas manchas. O mundo e Cristo ainda estão em aberto antagonismo. Por conseguinte, está escrito: “Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4). É impossível andar com Cristo e comungar com Ele, até que tenhamos nos separado do mundo. Andar com Cristo necessariamente envolve compartilhar Sua humilhação: “Saiamos, pois, a Ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hebreus 13:13). Isto foi o que Moisés fez (veja Hebreus 11:24-26). Quanto mais próximo eu andar de Cristo, mais eu serei mal-entendido (1 João 3:2), ridicularizado (Jó 12:4) e detestado pelo mundo (João 15:19). Não cometa engano aqui: é extremamente impossível continuar com o mundo e ter comunhão com o Santo Cristo. Portanto, “tomar” minha “cruz” significa, que eu deliberadamente convido a inimizade do mundo através da minha recusa em ser “conformado” a ele (Romanos 12:2). Mas, o que importa o olhar carrancudo do mundo, se estou desfrutando os sorrisos do Salvador?
Tomar minha “cruz” significa uma vida voluntariamente rendida a Deus. Como o ato dos homens ímpios, a morte de Cristo foi um assassinato; mas como o ato do próprio Cristo, foi um sacrifício voluntário, oferecendo a Si mesmo a Deus. Foi também um ato de obediência a Deus. Em João 10:18 Ele disse, “Ninguém a [Sua vida] tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”. E por que Ele o fez? Suas próximas palavras nos dizem: “Este mandato recebi de meu Pai”. A cruz foi a suprema demonstração da obediência de Cristo. Nesta Ele foi o nosso Exemplo. Uma vez mais citamos Filipenses 2:5: “Que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. E nos versos seguintes nós vemos o Amado do Pai tomando a forma de um Servo, e tornando-Se “obediente até a morte, e morte de cruz”. Agora, a obediência de Cristo deve ser a obediência do cristão — voluntária, alegre, sem reservas, contínua. Se esta obediência envolve vergonha e sofrimento, acusação e perda, não devemos nos acovardar, mas por o nosso rosto “como um seixo” (Isaías 50:7). A cruz é mais do que o objeto da fé do cristão, ela é o sinal de discipulado, o princípio pelo qual sua vida deve ser regulada. A “cruz” significa rendição e dedicação a Deus: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).
A “cruz” significa serviço vicário e sofrimento. Cristo deu a Sua vida pelos outros, e Seus seguidores são chamados a estarem dispostos para fazerem o mesmo: “Devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1 João 3:16). Esta é a lógica inevitável do Calvário. Somos chamados para seguir o exemplo de Cristo, para a companhia de Seus sofrimentos, e para ser participantes em Seu serviço. Assim como Cristo “a si mesmo se esvaziou” (Filipenses 2:7), assim devemos fazer. Assim como Ele “veio para servir, e não para ser servido” (Mateus 20:28), assim devemos ser. Assim como Ele “não agradou a si mesmo” (Romanos 15:3), assim devemos fazer. Assim como Ele lembrou dos outros, assim devemos lembrar: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles; dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados” (Hebreus 13:3).
“Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mateus 16:25). Palavras quase idênticas a estas são encontradas novamente em Mateus 10:39. Marcos 8:35, Lucas 9:24; 17:33, João 12:25. Certamente, tal repetição mostra a profunda importância de notar e prestar atenção a este dito de Cristo. Ele morreu para que nós pudéssemos viver (João 12:24), e assim devemos fazer (João 12:25). Como Paulo, devemos ser capazes de dizer “Em nada tenho a minha vida por preciosa” (Atos 20:24). A “vida” que é vivida para a gratificação do ego neste mundo, está “perdida” para eternidade; a vida que é sacrificada para os interesses próprios e rendida a Cristo, será “achada” novamente, e preservada durante toda a eternidade.
Um jovem universitário graduado, com prospectos brilhantes, respondeu ao chamado de Cristo para uma vida de serviço a Ele na Índia, entre a casta mais baixa dos nativos. Seus amigos exclamaram: “Que tragédia! Uma vida lançada fora!” Sim, “perdida”, até onde diz respeito a este mundo, mas “achada” novamente no mundo porvir !
Extraído do Site http://www.monergismo.com/
Para a Edificação do Corpo de Cristo!! Mateus 5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos maduros de Deus.
domingo, 14 de setembro de 2008
O fim de nós mesmos-Gonzalo Sepúlveda
"Miserável de mim! quem me livrará deste corpo de morte?" (Romanos 7:24).
A bem conhecida exclamação de Paulo em Romanos 7:24, costuma desconcertar muitos cristãos. Muitos chegam a duvidar de que esta expressão represente a um renascido; ao contrário, parece a condição de um mundano sem relação alguma com o Salvador Jesus Cristo. No entanto, devemos reconhecer que, na sabedoria divina, este famoso capítulo 7 do livro de Romanos está muito bem localizado no Novo Testamento.
A revelação de nós mesmos
Até a metade do capítulo 5 de Romanos, Paulo expõe amplamente a respeito da obra do nosso Senhor Jesus Cristo na cruz em seu aspecto externo ao homem em si: o perdão dos pecados cometidos, por meio do sangue derramado (3:25), o repouso da consciência ou a bem-aventurança de quem sabe que está perdoado (4:7) e em paz para com Deus (5:1).
Mas, a partir da segunda parte do capítulo 5 desta importante epístola, o Espírito Santo começa a nos revelar a condição de "nós mesmos"; não somente os delitos e pecados que nos afastavam do Deus santo, e sim a "constituição" do próprio homem por causa da herança adâmica (5:19).
Nenhum dos frutos do verdadeiro cristianismo poderá ser vistos na vida e testemunho prático do crente, a menos que consiga compreender esta vital revelação que as Escrituras nos mostram a respeito de nós mesmos. A tão sonhada restauração da igreja, a vida corporativa, o funcionamento de todos os membros, a unidade dos filhos de Deus renascidos em Cristo, o testemunho do evangelho por meio da igreja às nações, etc., não será possível, nada será uma prazerosa realidade, a menos que todos, ou a maioria, ou ao menos muitos irmãos e irmãs em Cristo, cheguem a uma clara e inteligente experiência de Romanos capítulos 6 e 7.
Uma das maiores desgraças do cristianismo contemporâneo consiste em que a grande maioria dos irmãos não passa de Romanos 4 em sua experiência de fé, o qual os torna tremendamente vulneráveis na hora de enfrentar situações de provações, tribulações, perseguições, desilusões, conflitos entre irmãos, (leia-se divisões), e batalhas espirituais com o inimigo, Satanás, o acusador.
Quando lemos Romanos capítulos 12 a 16, nos encontramos com uma igreja sonhada: com todos os membros amando-se, preferindo-se e abençoando uns aos outros (12), com um fiel testemunho diante do próximo, diante das autoridades civis, desprezando as obras das trevas e revestindo do Senhor Jesus Cristo (13), recebendo uns aos outros, sem lutas, menosprezos nem julgamentos, vivendo para o Senhor (14), suportando, recebendo e abundando em esperança pelo poder do Espírito Santo, cheios de todo conhecimento (15), e todos os santos servindo com gozo ao Senhor, abrindo as suas casas para a comunhão da igreja e para a evangelização, atentos contra toda divisão e tropeços contra a doutrina (Cristo), servindo sempre a "nosso Senhor Jesus Cristo" e esmagando a Satanás debaixo dos seus pés (16).
Bendita igreja de Cristo, bendita noiva que espera o seu amado, bendito testemunho para quem jaz em seus pecados, bendita luz a um mundo egoísta e escravo de paixões infames. Essa é a igreja sonhada por todo servo fiel e - por que não dizê-lo -, pelo próprio Cristo. É a igreja gloriosa, é a glória posterior (maior que a primeira), pela qual o Senhor virá, fechando a história da graça e iniciando a nova era do seu bendito reinado (como é anunciado em Apocalipse 12:10; 19:7 e 20:6).
Mas, amados irmãos, nada disto poderá se realizar, se não passarmos pelo "máquina de moer" de Romanos 6 e 7. Temos que chegar ao fim de "nós mesmos", a ter-nos por homens e mulheres miseráveis, incapazes de realizar os propósitos divinos; nossas forças devem ser enfraquecidas ao extremo, para dar lugar à vida sempre poderosa e triunfante do Espírito Santo. Quando um cristão não passou por este tipo de crise, costuma tornar-se perigoso - mais ainda, de pouco confiança - na obra de Deus.
Quando Pedro sugeriu ao Senhor que não fosse a Jerusalém, sem dar-se conta, estava recorrendo às suas próprias idéias, ou seja, à sua força natural, às suas "boas intenções". Como sabemos, o Senhor Jesus atribuiu ao próprio Satanás tais intenções (Mateus 16: 22-23). (Neste episódio Pedro representa a muitos cristãos inexperientes, meio formados, cheio de boas opiniões, mas longe de agradar ao seu Senhor). Foi só depois do triste episódio da negação, que este servo chegou a conhecer a si mesmo. Tal experiência é o melhor exemplo do relatado pelo apóstolo Paulo em Romanos 7:24. Naquele pranto amargo (Mateus 26:75), Pedro tomou real conscientização da sua miséria pessoal.
Em Lucas 5:8, Pedro tem consciência dos pecados cometidos em sua vida antes de conhecer o senhor Jesus, mas em Mateus 26 chega a ter consciência de sua incapacidade natural de agradar ao Senhor com as suas próprias forças: teve o "querer fazer o bem, mas não a capacidade de realizá-lo" (Romanos 7:18). Isto é o que tecnicamente poderíamos definir como "a operação ou experiência subjetiva da cruz". No Antigo Testamento este tema está amplamente tipificado em todos os fracassos de Israel em sua peregrinação pelo deserto e também na circuncisão de todos os homens na colina de Haaralote, relatado no livro de Josué capítulo 5, entre outras passagens.
A necessidade de uma experiência mais profunda
Amados irmãos e irmãs que de coração limpo invocam o precioso nome de nosso Jesus Cristo em todo lugar, vivemos uma hora crucial no desenvolvimento do propósito de Deus nesta geração. É urgente e necessário que inclinemos o coração diante do trono do nosso bendito Deus e Pai e reconheçamos que, a menos que a vida da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo se manifeste em cada um de nós, não seremos de muita utilidade no seu reino. Para isto, é necessário que a Sua palavra faça-se vida em nós, que deixemos atrás os tempos de preguiça e negligência, os tempos em que só líamos passagens devocionais favoritos em nossas Bíblias, e roguemos ao Senhor que nos revele a sua palavra da cruz (1ª Cor.1:18) tal como ele deseja que a conheçamos; que passemos para uma etapa mais elevada, mais madura, de nossa experiência em Cristo Jesus.
Até quando o nosso testemunho estará limitado à experiência do perdão dos nossos pecados por Seu sangue? Já não é tempo de levantarmos e proclamar que em Cristo morremos para o pecado e que, além disso, morremos para a lei? Não descansemos (na realidade não há descanso possível), até que o que está escrito em Romanos 6, 7 e 8 venha a ser parte da nossa própria vida, de nossa bendita experiência em Cristo. De outra maneira, passaremos a fazer parte da extensa lista de cristãos frustrados, que jamais entraram nas riquezas da graça do nosso Deus e que estão expostos a ter grande perda no tribunal de Cristo.
Deus nos chama a ser protagonistas do nosso tempo, vencedores em meio de um cristianismo morno e conformista. É hora de nos levantar com o poder da "lei do Espírito de vida em Cristo Jesus", para que o Senhor Jesus Cristo obtenha a Sua igreja gloriosa. Ele a obterá sem dúvida, mas nossa aspiração deve ser estar lá: ser parte da noiva vestida de linho fino, ser um dos vencedores de Apocalipse 2, ser dos servos fiéis de Mateus 25.
É fácil reconhecer a vida de Cristo fluindo em outro irmão. Torna-se bela e singela a relação de comunhão, de amor e até de serviço entre os servos, irmãos e irmãs, cujo único centro das suas vidas é o próprio Cristo. De outra forma, se tão somente nos encontrarmos com um 'sábio cristão', de conhecimentos fora do nosso alcance, com uma vida cristã teórica e religiosa, ao relacionarmos com tal irmão, nos encontraremos talvez com boas doutrinas, com uma linda história, mas, enfim, só tocaremos 'no homem' que sustenta certas verdades (pelas quais lutará até render a sua vida), mas infelizmente, ao não encontrarmos com a inconfundível vida de Cristo nele, a comunhão é algo quase impossível… A cruz não foi provada na experiência; a arrogância e a auto-suficiência do homem natural ainda estão muito presentes.
Certamente para muitos dos nossos leitores este tema já lhes é conhecido e repetitivo nesta publicação, mas de algum forma sentimos que não devemos deixar de insistir sobre o mesmo, pois a ignorância de muitos filhos de Deus os mantém cativos, sem saída nem resposta diante das grandes interrogações do estancamento da fé. É triste ver multidões de cristãos, em muitos lugares, seguindo lideranças e/ou doutrinas heréticas. Muitas vezes, as ovelhas do Senhor terminam exauridas por quem - como profetizou Paulo em Atos 20:29 - não poupando o rebanho, fazem dos santos uma mercadoria, enquanto estes jazem em sua ignorância, ofuscados pelas coisas externas da fé.
Muitos terminarão frustrados, desiludidos, pois nunca amadurecerão; viveram pela fé de outros, até terminar enredados em sua própria ruína.
Digamos, finalmente, que Deus quer que, além de reconhecermos que somos pecadores por causa das faltas cometidas, cheguemos ao fim de nós mesmos, a reconhecer que, a menos que Cristo viva em nós (isto implica nossa crucificação nele), não poderemos jamais agradar-lhe. Então nos firmaremos no Espírito Santo, poderoso para nos vivificar interiormente e, em comunhão com todos os que se negaram a si mesmos, veremos os dias mais gloriosos da história da igreja… a igreja gloriosa pela qual nosso Marido celestial não tardará em retornar!
Extraído do sitehttp://www.aguasvivas.ws/revista/52/01.htm
A bem conhecida exclamação de Paulo em Romanos 7:24, costuma desconcertar muitos cristãos. Muitos chegam a duvidar de que esta expressão represente a um renascido; ao contrário, parece a condição de um mundano sem relação alguma com o Salvador Jesus Cristo. No entanto, devemos reconhecer que, na sabedoria divina, este famoso capítulo 7 do livro de Romanos está muito bem localizado no Novo Testamento.
A revelação de nós mesmos
Até a metade do capítulo 5 de Romanos, Paulo expõe amplamente a respeito da obra do nosso Senhor Jesus Cristo na cruz em seu aspecto externo ao homem em si: o perdão dos pecados cometidos, por meio do sangue derramado (3:25), o repouso da consciência ou a bem-aventurança de quem sabe que está perdoado (4:7) e em paz para com Deus (5:1).
Mas, a partir da segunda parte do capítulo 5 desta importante epístola, o Espírito Santo começa a nos revelar a condição de "nós mesmos"; não somente os delitos e pecados que nos afastavam do Deus santo, e sim a "constituição" do próprio homem por causa da herança adâmica (5:19).
Nenhum dos frutos do verdadeiro cristianismo poderá ser vistos na vida e testemunho prático do crente, a menos que consiga compreender esta vital revelação que as Escrituras nos mostram a respeito de nós mesmos. A tão sonhada restauração da igreja, a vida corporativa, o funcionamento de todos os membros, a unidade dos filhos de Deus renascidos em Cristo, o testemunho do evangelho por meio da igreja às nações, etc., não será possível, nada será uma prazerosa realidade, a menos que todos, ou a maioria, ou ao menos muitos irmãos e irmãs em Cristo, cheguem a uma clara e inteligente experiência de Romanos capítulos 6 e 7.
Uma das maiores desgraças do cristianismo contemporâneo consiste em que a grande maioria dos irmãos não passa de Romanos 4 em sua experiência de fé, o qual os torna tremendamente vulneráveis na hora de enfrentar situações de provações, tribulações, perseguições, desilusões, conflitos entre irmãos, (leia-se divisões), e batalhas espirituais com o inimigo, Satanás, o acusador.
Quando lemos Romanos capítulos 12 a 16, nos encontramos com uma igreja sonhada: com todos os membros amando-se, preferindo-se e abençoando uns aos outros (12), com um fiel testemunho diante do próximo, diante das autoridades civis, desprezando as obras das trevas e revestindo do Senhor Jesus Cristo (13), recebendo uns aos outros, sem lutas, menosprezos nem julgamentos, vivendo para o Senhor (14), suportando, recebendo e abundando em esperança pelo poder do Espírito Santo, cheios de todo conhecimento (15), e todos os santos servindo com gozo ao Senhor, abrindo as suas casas para a comunhão da igreja e para a evangelização, atentos contra toda divisão e tropeços contra a doutrina (Cristo), servindo sempre a "nosso Senhor Jesus Cristo" e esmagando a Satanás debaixo dos seus pés (16).
Bendita igreja de Cristo, bendita noiva que espera o seu amado, bendito testemunho para quem jaz em seus pecados, bendita luz a um mundo egoísta e escravo de paixões infames. Essa é a igreja sonhada por todo servo fiel e - por que não dizê-lo -, pelo próprio Cristo. É a igreja gloriosa, é a glória posterior (maior que a primeira), pela qual o Senhor virá, fechando a história da graça e iniciando a nova era do seu bendito reinado (como é anunciado em Apocalipse 12:10; 19:7 e 20:6).
Mas, amados irmãos, nada disto poderá se realizar, se não passarmos pelo "máquina de moer" de Romanos 6 e 7. Temos que chegar ao fim de "nós mesmos", a ter-nos por homens e mulheres miseráveis, incapazes de realizar os propósitos divinos; nossas forças devem ser enfraquecidas ao extremo, para dar lugar à vida sempre poderosa e triunfante do Espírito Santo. Quando um cristão não passou por este tipo de crise, costuma tornar-se perigoso - mais ainda, de pouco confiança - na obra de Deus.
Quando Pedro sugeriu ao Senhor que não fosse a Jerusalém, sem dar-se conta, estava recorrendo às suas próprias idéias, ou seja, à sua força natural, às suas "boas intenções". Como sabemos, o Senhor Jesus atribuiu ao próprio Satanás tais intenções (Mateus 16: 22-23). (Neste episódio Pedro representa a muitos cristãos inexperientes, meio formados, cheio de boas opiniões, mas longe de agradar ao seu Senhor). Foi só depois do triste episódio da negação, que este servo chegou a conhecer a si mesmo. Tal experiência é o melhor exemplo do relatado pelo apóstolo Paulo em Romanos 7:24. Naquele pranto amargo (Mateus 26:75), Pedro tomou real conscientização da sua miséria pessoal.
Em Lucas 5:8, Pedro tem consciência dos pecados cometidos em sua vida antes de conhecer o senhor Jesus, mas em Mateus 26 chega a ter consciência de sua incapacidade natural de agradar ao Senhor com as suas próprias forças: teve o "querer fazer o bem, mas não a capacidade de realizá-lo" (Romanos 7:18). Isto é o que tecnicamente poderíamos definir como "a operação ou experiência subjetiva da cruz". No Antigo Testamento este tema está amplamente tipificado em todos os fracassos de Israel em sua peregrinação pelo deserto e também na circuncisão de todos os homens na colina de Haaralote, relatado no livro de Josué capítulo 5, entre outras passagens.
A necessidade de uma experiência mais profunda
Amados irmãos e irmãs que de coração limpo invocam o precioso nome de nosso Jesus Cristo em todo lugar, vivemos uma hora crucial no desenvolvimento do propósito de Deus nesta geração. É urgente e necessário que inclinemos o coração diante do trono do nosso bendito Deus e Pai e reconheçamos que, a menos que a vida da ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo se manifeste em cada um de nós, não seremos de muita utilidade no seu reino. Para isto, é necessário que a Sua palavra faça-se vida em nós, que deixemos atrás os tempos de preguiça e negligência, os tempos em que só líamos passagens devocionais favoritos em nossas Bíblias, e roguemos ao Senhor que nos revele a sua palavra da cruz (1ª Cor.1:18) tal como ele deseja que a conheçamos; que passemos para uma etapa mais elevada, mais madura, de nossa experiência em Cristo Jesus.
Até quando o nosso testemunho estará limitado à experiência do perdão dos nossos pecados por Seu sangue? Já não é tempo de levantarmos e proclamar que em Cristo morremos para o pecado e que, além disso, morremos para a lei? Não descansemos (na realidade não há descanso possível), até que o que está escrito em Romanos 6, 7 e 8 venha a ser parte da nossa própria vida, de nossa bendita experiência em Cristo. De outra maneira, passaremos a fazer parte da extensa lista de cristãos frustrados, que jamais entraram nas riquezas da graça do nosso Deus e que estão expostos a ter grande perda no tribunal de Cristo.
Deus nos chama a ser protagonistas do nosso tempo, vencedores em meio de um cristianismo morno e conformista. É hora de nos levantar com o poder da "lei do Espírito de vida em Cristo Jesus", para que o Senhor Jesus Cristo obtenha a Sua igreja gloriosa. Ele a obterá sem dúvida, mas nossa aspiração deve ser estar lá: ser parte da noiva vestida de linho fino, ser um dos vencedores de Apocalipse 2, ser dos servos fiéis de Mateus 25.
É fácil reconhecer a vida de Cristo fluindo em outro irmão. Torna-se bela e singela a relação de comunhão, de amor e até de serviço entre os servos, irmãos e irmãs, cujo único centro das suas vidas é o próprio Cristo. De outra forma, se tão somente nos encontrarmos com um 'sábio cristão', de conhecimentos fora do nosso alcance, com uma vida cristã teórica e religiosa, ao relacionarmos com tal irmão, nos encontraremos talvez com boas doutrinas, com uma linda história, mas, enfim, só tocaremos 'no homem' que sustenta certas verdades (pelas quais lutará até render a sua vida), mas infelizmente, ao não encontrarmos com a inconfundível vida de Cristo nele, a comunhão é algo quase impossível… A cruz não foi provada na experiência; a arrogância e a auto-suficiência do homem natural ainda estão muito presentes.
Certamente para muitos dos nossos leitores este tema já lhes é conhecido e repetitivo nesta publicação, mas de algum forma sentimos que não devemos deixar de insistir sobre o mesmo, pois a ignorância de muitos filhos de Deus os mantém cativos, sem saída nem resposta diante das grandes interrogações do estancamento da fé. É triste ver multidões de cristãos, em muitos lugares, seguindo lideranças e/ou doutrinas heréticas. Muitas vezes, as ovelhas do Senhor terminam exauridas por quem - como profetizou Paulo em Atos 20:29 - não poupando o rebanho, fazem dos santos uma mercadoria, enquanto estes jazem em sua ignorância, ofuscados pelas coisas externas da fé.
Muitos terminarão frustrados, desiludidos, pois nunca amadurecerão; viveram pela fé de outros, até terminar enredados em sua própria ruína.
Digamos, finalmente, que Deus quer que, além de reconhecermos que somos pecadores por causa das faltas cometidas, cheguemos ao fim de nós mesmos, a reconhecer que, a menos que Cristo viva em nós (isto implica nossa crucificação nele), não poderemos jamais agradar-lhe. Então nos firmaremos no Espírito Santo, poderoso para nos vivificar interiormente e, em comunhão com todos os que se negaram a si mesmos, veremos os dias mais gloriosos da história da igreja… a igreja gloriosa pela qual nosso Marido celestial não tardará em retornar!
Extraído do sitehttp://www.aguasvivas.ws/revista/52/01.htm
Assinar:
Comentários (Atom)
Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"