sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Espírito e a Alma- Watchman Nee

O espírito

É imperativo que um crente saiba que tem um espírito, posto que, como logo veremos, toda comunicação com Deus tem lugar ali. Se o crente não discernir seu próprio espírito, sempre ignorará a maneira de comunicar-se com Deus no espírito. Facilmente substitui as obras do espírito com os pensamentos e emoções da alma. Dessa maneira se auto-limita ao mundo exterior, incapaz para sempre de alcançar o mundo espiritual.

1 Coríntios 2:11 fala do espírito do homem que está «nele».
2 Coríntios 5:4 menciona «meu espírito».
Romanos 8:16 diz «nosso espírito».
1 Coríntios 14:14 utiliza «meu espírito».
1 Coríntios 14:32 fala dos «espíritos dos profetas».
Provérbios 25:28 se refere a «seu próprio espírito».
Hebreus 12:23 consigna «os espíritos dos justos».
Zacarias 12:1 afirma que «o Senhor... formou o espírito do homem dentro dele».

Estes versículos demonstram claramente que os seres humanos possuem, com efeito, um espírito humano. Este espírito não é sinônimo de nossa alma nem é tampouco o Espírito Santo.

Adoramos a Deus neste espírito.

Segundo os ensinamentos da Bíblia e a experiência dos crentes, pode-se dizer que o espírito humano compreende três partes. Ou, expresso de outro modo, se pode dizer que tem três funções principais. Estas são a consciência, a intuição e a comunhão.

A consciência é o órgão que discerne; distingue o bom e o mau. Entretanto, não o faz por meio da influência do conhecimento armazenado na mente, mas sim com um espontâneo julgamento direto. Frequentemente nosso raciocínio justifica o que nossa consciência julga. O trabalho da consciência é independente e direto, pois não se submete às opiniões do exterior. Se a obra do homem for má, a consciência levantará sua voz acusatória.

A intuição é o órgão sensitivo do espírito humano. É tão diametralmente diferente do sentido físico e do sentido anímico que é chamada intuição. A intuição suporta uma sensibilidade direta independente de qualquer influência exterior. Esse conhecimento que nos chega sem nenhuma ajuda do pensamento, da emoção ou da vontade é intuitivo. «Sabemos» por meio de nossa intuição, e nossa mente nos ajuda a «compreender». As revelações de Deus e todos os movimentos do Espírito Santo são perceptíveis para o crente através da intuição.Em conseqüência, um crente deve levar em consideração dois elementos: a voz da consciência e o ensino da intuição.

A comunhão é a adoração a Deus. Os órgãos da alma são incompetentes para adorar a Deus. Não podemos receber Deus com nossos pensamentos, sentimentos ou intenções, porque unicamente podemos conhecê-Lo diretamente em nossos espíritos. Nossa adoração a Deus e as comunicações de Deus conosco acontecem diretamente no espírito. Têm lugar no homem interior», não na alma ou no homem exterior.

Assim, podemos concluir que estes três elementos, consciência, intuição e comunhão, estão profundamente inter-relacionados e funcionam coordenados. A relação entre consciência e intuição é que a consciência julga segundo a intuição; condenando toda conduta que não siga as diretrizes dadas pela intuição. A intuição está relacionada com a comunhão ou adoração em que Deus se dá a conhecer ao homem pela intuição e lhe revela sua vontade também por meio da intuição. Nem a expectativa nem a dedução nos dão o conhecimento de Deus.

Nos versículos seguintes, separados em três grupos, pode-se observar rapidamente que nossos espíritos possuem a função da consciência (note-se que não dissemos que o espírito é a consciência), a função da intuição (ou sentido espiritual) e a função da comunhão (ou adoração).

A) A função da consciência no espírito do homem.

«O Senhor teu Deus lhe endurecera o espírito» (Dt. 2:30).

«Salva os contritos de espírito» (Sl. 34:18).

«Renova em mim um espírito estável» (Sl. 51:10).

«Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito» (Jo. 13:21).

«Revoltava-se nele o seu espírito, vendo a cidade cheia de» (At. 17:16).

«O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus» (Rm. 8:16).

«Ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já julguei, como se estivesse presente» (1 Co. 5:3).

«Não tive descanso no meu espírito» (2 Co. 2:13).

«Porque Deus não nos deu o espírito de covardia» (2 Tm. 1:7).

B) A função da intuição no espírito do homem.

«O espírito, na verdade, está pronto» (MT. 26:41).

«Jesus logo percebeu em seu espírito» (Mc. 2:8).

«Suspirando profundamente em seu espírito» (Mc. 8:12).

«comoveu-se profundamente em espírito» (Jo. 11:33).

«Paulo estava constrangido no espírito» (At. 18:5).

«Sendo fervoroso de espírito» (At. 18:25).

«Constrangido no meu espírito, vou a Jerusalém» (At. 20:22).

«Qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está?» (1 Co. 2:11).

«Reconfortaram o meu espírito assim como o vosso» (1 Co. 16:18).

«O seu espírito tem sido reconfortado por vós todos» (2 Co. 7:13).

C) A função da comunhão no espírito do homem.

«Meu espírito exulta em Deus meu Salvador» (Lc. 1:47).

«Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade» (Jo. 4:23).

«A quem sirvo em meu espírito» (Rm. 1:9).

«Servirmos... em novidade de espírito» (Rm. 7:6).

«Recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!» (Rm. 8:15).

«O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito» (Rm. 8:16).

«o que se une ao Senhor é um só espírito com ele.» (1 Co.6:17).

«cantarei com o espírito» (1 Co. 14:15).

«Se tu bendisseres com o espírito» (1 Co. 14:16).

«E levou-me em espírito» (Ap. 21:10).

Por estes versículos podemos saber que nosso espírito possui pelo menos estas três funções. Apesar dos homens não regenerados ainda não terem vida, mesmo assim possuem estas funções (mas sua adoração é dirigida a espíritos malignos). Algumas pessoas manifestam mais que estas funções, enquanto outras manifestam menos. Isto, entretanto, não implica que não estejam mortos em pecados e transgressões. O Novo Testamento não considera os possuidores de uma consciência sensível, uma grande intuição ou uma tendência ou um interesse espirituais como salvos. Estas pessoas só nos demonstram que, além do pensamento, a emoção e a vontade de nossa alma, também temos um espírito. Antes da regeneração o espírito está separado da vida de Deus. Só depois daquela viverá em nossos espíritos a vida de Deus e do Espírito Santo. E então serão vivificados para ser instrumentos do Espírito Santo.
Nossa meta ao estudar a importância do espírito é nos capacitar para compreender que, como seres humanos, possuímos um espírito independente. Este espírito não é a mente do homem, sua vontade ou sua emoção. Ao contrário, abrange as funções da consciência, da intuição e da comunhão. É no espírito onde Deus nos regenera, nos ensina e nos guia a seu repouso. Mas é triste ter que dizer que, devido aos longos anos de domínio da alma, muitos cristãos sabem muito pouco de seu espírito. Deveríamos tremer diante de Deus e lhe pedir que nos ensine através da experiência o que é espiritual e o que é anímico.
Antes que o crente nasça de novo, seu espírito fica tão submerso e envolto por sua alma que lhe é impossível distinguir se algo sai da alma ou do espírito. As funções deste se misturaram com as daquela. Além disso, o espírito perdeu sua função original — sua relação com Deus — porque está morto para Deus. Poderia parecer que se converteu em um acessório da alma. E ao crescer e fortalecer o pensamento, a emoção e a vontade, as funções do espírito ficam tão eclipsadas que são quase ignoradas. É por isto que terá que fazer a obra de separação entre alma e espírito quando o crente tiver sido regenerado.
Ao investigar as Escrituras parece realmente que um espírito regenerado funciona da mesma maneira que o faz a alma. Os seguintes versículos o ilustram:

«Seu espírito estava perturbado» (Gn. 41:8).

«que é imprudente de espírito exalta a loucura» (Pv. 14:29).

«Um espírito abatido seca os ossos» (Pv. 17:22).

«Os que erram em espírito» (Is. 29:24).

«E gemerão pela angústia de espírito» (Is. 65:14).

«Seu espírito se endureceu» (Dn. 5:20).

Estes versículos nos mostram as obras do espírito não regenerado e nos indicam o quão parecidas são suas obras com as da alma. O motivo de não mencionar a alma mas sim o espírito é mostrar o que tem ocorrido no mais profundo do homem. Descobre-se de que maneira a alma do homem chegou a influenciar e a controlar completamente o seu espírito, obtendo com isto a manifestação das obras da alma. Ainda assim o espírito ainda existe, porque estas obras saem do espírito. Embora continue governado pela alma, o espírito não deixa de ser um órgão.

A alma

Além de possuir um espírito que lhe permite ter uma comunicação íntima com Deus, o homem também tem uma alma, a consciência de si mesmo. A operação da alma o faz ser consciente de sua existência. É a sede de nossa personalidade. Os elementos que nos fazem humanos pertencem à alma. O intelecto, os ideais, o amor, a emoção, o discernimento, a capacidade de escolher, a decisão, etc., não passam de diferentes experiências da alma.
Já foi explicado que o espírito e o corpo estão fundidos na alma, a qual, a sua vez, forma o órgão de nossa personalidade. É por isso que em algumas ocasiões a Bíblia chama ao homem «alma», como se o homem só possuísse este elemento. Por exemplo, Gênesis 12:5 fala das pessoas como «almas».

E quando Jacó levou a toda sua família ao Egito, diz que «todas as almas da casa do Jacó que entraram no Egito eram setenta» (Gn. 46:27).

No original da Bíblia há numerosos casos em que se usa «alma» em lugar de «homem». Isto se deve a que a sede e a essência da personalidade é a alma.

Compreender a personalidade de um homem é compreender sua pessoa. A existência, as características e a vida de um homem se encontram todas na alma. Em conseqüência a Bíblia chama ao homem «uma alma».

O que constitui a personalidade do homem são as três faculdades principais de vontade, pensamento e emoção.

A vontade é o instrumento de nossas decisões e revela nosso poder de escolha. Expressa nosso consentimento ou nossa negativa, nosso «sim» ou nosso «não». Sem ele o homem fica reduzido a um autômato.
A mente, o instrumento de nossos pensamentos, manifesta nosso poder intelectual. É a fonte da sabedoria, do conhecimento e do raciocínio. Sua ausência faz que um homem seja tolo e inepto.
O instrumento de nossas simpatias e antipatias é a faculdade da emoção. Por meio dela podemos expressar amor ou ódio e nos sentir alegres, zangados, tristes ou felizes. Sua escassez fará o homem insensível como a madeira ou a pedra.
Um cuidadoso estudo da Bíblia nos levará à conclusão de que estas três faculdades básicas da personalidade pertencem à alma. Há muitas passagens bíblicas, e não é possível citá-las todas. Daí que só podemos enumerar uma breve seleção das mesmas.

A) A faculdade da vontade da alma

«Não me entregues à vontade (original, "alma") de meus adversários» (Sl. 27:12).

«Não o entregarás à vontade (original, "alma") de seus inimigos» (Sl. 41:2).

«Te entreguei à vontade (original, "alma") dos que te odeiam» (Ez. 16:27).

«Deixá-la-ás ir à sua vontade (original, "alma")» (Dt. 21:14).

«Eia! cumpriu-se o nosso desejo! (original, "alma")» (Sl. 35:25).

«Ou faz um voto para ligar-se ele mesmo (original, "alma") com uma obrigação» (Nm. 30:2).

«Disponde, pois, agora vossa mente e vosso coração (original, "alma") para buscardes ao Senhor vosso Deus» (1 Cr. 22:19).

«Eles desejam e elevam sua alma por voltar a viver ali» (Jr. 44:14).

«Nessas coisas a minha alma recusa tocar» (Jó 6:7).

«Minha alma escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos» (Jó 7:15).

Aqui «vontade» ou «coração» assinalam à vontade humana. — Dispor o coração», «elevar sua alma», «negar-se», «preferir», são, todas, atividades da vontade e têm sua origem na alma.

B) A faculdade do intelecto ou a mente da alma

«E o desejo dos seus corações, juntamente com seus filhos e suas filhas» (Ez. 24:25).

«Não é bom uma alma agir sem refletir» (Pv. 19:2).

«Até quando encherei de cuidados (siríaco, hebreu: suportar os conselhos) a minha alma?» (Sl. 13:2).

«Suas obras são maravilhosas e minha alma as conhece bem» (Sl. 139:14).

«Minha alma ainda os conserva na memória» (Lm. 3:20).

«O conhecimento será aprazível à tua alma» (Pv. 2:10).

«Guarda a verdadeira sabedoria e o bom siso; assim serão elas vida para a tua alma» (Pv. 3:21, 22).

«Sabe que é assim a sabedoria para a tua alma» (Pv. 24:14).

Aqui «conhecimento», «conselho», «elevar», «pensar», «refletir», «sabedoria» etc., existem como atividades do intelecto ou da mente do homem, as quais a Bíblia nos diz que provêm da alma.

C) A faculdade da emoção da alma

1) EMOÇÕES DE AFETO
«A alma de Jônatas se uniu à alma de David, e Jônatas o amou como à sua própria alma» (1 Sm. 18:1).

«Você a quem ama minha alma» (Ct. 1:7).

«Minha alma engrandece ao Senhor» (Lc. 1:46).

«Sua vida detesta o pão, e sua alma a comida deliciosa» (Jó 33:20).

«Os que a alma do David odeia» (2 Sm. 5:8).

«Minha alma se zangou com eles» (Zc. 11:8).

«Amarás ao Senhor teu Deus... com toda tua alma» (Dt. 6:5).

«Minha alma está cansada da vida» (Jó 10:1).

«Sua alma detesta toda classe de comida» (Sl. 107:18).

2) EMOÇÕES DE DESEJO

«Por tudo o que te pedir a tua alma» (Dt. 14:26).

«O que possa dizer sua alma» (1 Sm. 20:4).

«Minha alma suspira! sim, desfalece pelos átrios do Senhor» (Sl. 84:2).

«O desejo de sua alma» (Ez. 24:21).

«Tanto te deseja minha alma, Oh Deus» (Sl. 42:1).

«Minha alma suspira por ti de noite» (Is. 26:9).

«Minha alma está contente» (Mt. 12:18).

3) EMOÇÕES DE SENTIMENTOS E SENSAÇÕES

«Além disso uma espada transpassará sua própria alma» (Lc. 2:35).

«Todo o povo estava amargurado na alma» (1 Sm. 30:6).

«Sua alma está em amargura» (2 Rs.4:27).

«Sua alma se moveu de compaixão por causa da desgraça de Israel» (Jz. 10:16).

«Quanto tempo atormentará minha alma» (Jó 19:2).

«Minha alma exultará em meu Deus» (Is. 61:10).

«Alegra a alma de seu servo» (Sl. 86:4).

«Sua alma se deprimiu em seu interior» (Sl. 107:5).

«por que estás abatida, Oh minha alma» (Sl. 42:5).

«Volta, Oh minha alma, a seu descanso» (Sl. 116:7).

«Minha alma se consome de desejo» (Sl. 119:20).

«Doçura para a alma» (Pv. 16:24).

«Deixa que tua alma se deleite na gordura» (Is. 55:2).

«A minha alma está triste até a morte» (Mt. 26:38).

«afligia todos os dias a sua alma justa» (2 Pe. 2:8).

Nestas observações sobre as diversas emoções do homem podemos descobrir que nossa alma é capaz de amar e de odiar, de desejar e de aspirar, de sentir e de perceber.
Neste breve estudo bíblico se torna evidente que a alma do homem possui a parte conhecida como vontade, a parte conhecida como mente ou intelecto e a parte conhecida como emoção.

A vida da alma

Alguns eruditos bíblicos nos assinalam que no grego se empregam três palavras diferentes para designar «a vida»:

1) BIOS
2) psyche
3) zoe

Todas descrevem a vida, mas comunicam significados muito diferentes.
BIOS faz referência ao meio de vida ou sustento. Nosso Senhor Jesus usou esta palavra quando elogiou à mulher que atirou no tesouro do templo todo seu sustento.
Zoe é a vida mais elevada, a vida do espírito. Sempre que a Bíblia fala da vida eterna utiliza esta palavra.
Psyche se refere à vida animada do homem, a sua vida natural ou vida da alma. A Bíblia emprega este termo quando descreve a vida humana.
Observemos agora que as palavras «alma» e «vida da alma» na Bíblia são uma e a mesma no original. No Antigo Testamento a palavra hebréia para «alma» — nephesh — se utiliza também para «vida da alma». Por conseguinte, o Novo Testamento usa a palavra grega psyche para «alma» e «vida da alma». Por isso sabemos que «a alma» não só é um dos três elementos do homem, mas sim também é a vida do homem, sua vida natural. Em muitos lugares da Bíblia se traduz «alma» por «vida».

«Somente que não comam a carne com sua vida, quer dizer, seu sangue» (Gn. 9:4,5).

«A vida da carne está no sangue» (Lv. 17:11).

«Morreram os que procuravam a morte do menino» (Mt. 2:20).

«É lícito no sábado salvar a vida ou tirá-la?» (Lc. 6:9).

«Os que têm exposto as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo» (At. 15:26).

«Em nada tenho a minha vida como preciosa para mim» (At. 20:24).

«Para dar sua vida como um resgate por muitos» (Mt. 20:28).

«O bom pastor sacrifica sua vida pelas ovelhas» (Jo. 10:11,15, 17).

A palavra «vida» nestes versículos é «alma» no original. Traduziu-se assim porque do contrário seria difícil compreendê-la. Verdadeiramente a alma é a mesma vida do homem.
Como já mencionamos, «a alma» é um dos três elementos do homem. «A verdade da alma» é a vida natural do homem, a que o faz existir e o vivifica. É a vida pela qual vive o homem atualmente, é o poder pelo qual o homem é o que é. Como a Bíblia aplica nephesh e psyche à alma e à vida do homem, é evidente que embora distintas não são separáveis. São distinguíveis, dado que em certos lugares psyche (por exemplo) é traduzida por «alma» ou «vida». Não se podem intercambiar as traduções. Por exemplo, «alma» e «vida» em Lucas 12:19-23 e em Marcos 3:4 são na realidade a mesma palavra no original, mas as traduções com a mesma palavra em outras línguas não teria sentido. Entretanto são inseparáveis porque as duas estão completamente unidas no homem. Um homem sem alma não vive. A Bíblia nunca nos diz que um homem natural possua outra vida que não seja a da alma. A vida do homem só é a alma, que impregna o corpo.
Posto que a vida está unida ao corpo, passa a ser a vida do homem. A vida é o fenômeno da alma.
A Bíblia considerou o corpo presente do homem como um «corpo anímico» (1 Co. 15:44 original), porque a vida do corpo que temos agora é a da alma. assim, a vida do homem é simplesmente uma expressão da composição de suas energias mentais, emocionais e volitivas. No mundo natural a «personalidade» abrange estas diferentes partes da alma, mas nada mais. A vida da alma é a vida natural do homem.
Reconhecer que a alma é a vida do homem é um fato muito importante porque tem muito a ver com o tipo de cristãos que chegaremos a ser: espirituais ou anímicos. Isto o explicaremos mais à frente.

A alma e o eu do homem

Dado que vimos que a alma é a sede de nossa personalidade, o órgão da vontade e a vida natural, podemos deduzir facilmente que esta alma é também o «autêntico eu», o eu mesmo. Nosso eu é a alma. Isto também se pode demonstrar com a Bíblia. Em Números 30, a frase «atar-se» aparece dez vezes. No original é «atar sua alma». Isto nos leva a compreender que a alma é nosso próprio eu. Em muitas outras passagens da Bíblia encontramos a palavra «alma» traduzida por «eu».
Por exemplo:

«Nem neles vos contaminareis» (Lv. 11:43).

«Não vos contaminareis» (Lv. 11:44).

«Por si e pela sua descendência» (Et. 9:31).

«Oh tu, que te despedaças na tua ira» (Jó 18:4).

«justificava a si mesmo» (Jó 32:2).

«Mas eles mesmos caem cativos» (Is. 46:2).

«O que todos (original, "toda alma") devam comer, isso só o pode preparar você» (Êx. 12:16).

«Quem mata a alguma pessoa (original, "alguma alma") sem intenção» (Nm. 35:11,15).

«Me deixem (original, "deixem a minha alma") morrer a morte dos justos» (Nm. 23:10).

«Quando qualquer (original, "qualquer alma") leve uma oferenda de cereais» (Lv. 2:1).

«Hei-me... tranqüilizado» (Sl. 131:2).

«Não pensem que no palácio do rei vão (original, "sua alma vai") escapar» (Et. 4:13).

«O Senhor Deus jurou por Ele mesmo» (original, "jurado por sua alma") (Am. 6:8).

Esses textos do Antigo Testamento nos dizem de diferentes maneiras que a alma é o próprio eu do homem.

O Novo Testamento nos transmite a mesma impressão. — «Almas», no original, traduziu-se por «oito pessoas» em 1 Pedro 3:20 e como «duzentas e setenta e seis pessoas» em Atos 27:37. A frase de Romanos 2:9, traduzida como «todo ser humano que faz o mal», no original é «toda alma de homem que faz o mal». Por isso, advertir à alma de um homem que faz o mal é advertir ao malvado. Em Tiago 5:20 se considera salvar uma alma como salvar a um pecador. E Lucas 12:19 fala das palavras de satisfação que o néscio rico dirigia a sua alma como se estivesse falando consigo. Assim, está claro que a Bíblia em conjunto contempla a alma do homem ou a vida da alma como o próprio homem.
Podemos encontrar uma confirmação disso nas palavras de nosso Senhor Jesus consignadas em dois diferentes Evangelhos.

Mateus 16:26 diz: «Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida (phyche)?» «Ou que dará um homem em troca de sua vida (phyche)?»
Enquanto que Lucas 9:25 o explica assim: «Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se a si mesmo (eau-tonj)?»
Ambos os escritores do Evangelho deixam perseverança do mesmo, mas um usa «vida» (ou «alma») enquanto que o outro usa «ele mesmo». Isto significa que o Espírito Santo está utilizando Mateus para explicar o significado de «ele mesmo» em Lucas e a Lucas para explicar o significado de «vida» em Mateus. A alma ou a vida do homem no próprio homem, e vice-versa.
Este estudo nos permite deduzir que para sermos homem devemos possuir o que há na alma do homem.

Todo homem natural possui este elemento e que o contém, porque a alma é a vida comum compartilhada por todos os homens naturais. Antes da regeneração, tudo o que forma parte da vida — seja o eu, a vida, a força, o poder, a decisão, o pensamento, a opinião, o amor, o sentimento — pertence à alma. Em outras palavras, a vida da alma é a vida que um homem herda ao nascer. Tudo o que esta vida possui e tudo o que possa chegar a ser se encontra no reino da alma. Se reconhecermos claramente o que é anímico, então nos será mais fácil reconhecer mais adiante o que é espiritual. Será possível separar o espiritual do anímico.

Extraído do Livro "O Homem Espiritual"

From Adam to Christ- G. Davison.

1 Cor. 15: 45-49; Eph. 4: 20-25.



In our meetings we often speak of the "transfer from Adam to Christ," and I have in mind to give an outline of the truth which this remark entails. That it does aptly describe the work of the Spirit in our souls there is no doubt, and we may be helped to see the bearing of this from the two passages we have read.
First, in 1 Corinthians 15: 45 we must notice the two words the Spirit uses in drawing attention to the great distinction between Adam and Christ. In this verse he does not speak of the first man and the second, but the "first" and the "last". There was no order of manhood in this world prior to the creation of Adam, nor will there ever be another order of manhood introduced subsequent to Christ. Adam was the beginning of the "natural" race; Christ is the beginning of the "spiritual" race in so far as an order of manhood is in view. Christ is called the "second man" in v. 47, but there it is a point of time. This helps to the understanding of v. 46. In point of time Adam, the head of the natural race, was first in this world somewhere about four thousand years before Christ came into it in Manhood. There are then but two orders of manhood in view, and we have our part in both, as we shall see.
Three great distinctions are described for us in v. 45, distinctions between these two heads of a race. The first is intimated in the statement that Adam was "made." That is, he received life. It is not said of the "last Adam" that He was made, for if the first man received life as made, the "last Adam" gives life; He is a "quickening spirit." We also read that the first man was soulish (the same word as that translated natural in v. 46) but the "second Man" is spiritual. Moreover it is obvious that the "first man" was a creature, but the "second Man" is the Creator. In Scripture, when one divine Person is named as being the Creator, it is always the Son. How remarkable that when the Son created Adam He had in view His own coming into manhood, Himself the "second Man," in order to displace the first and to transfer His own from the first condition to the second, from the natural to the spiritual. That is why we are told in v. 46 that the natural preceded the spiritual in point of time.
The next three verses continue the explanation of the distinctions between these two men and between the races of which they are the heads. In v. 47 we have origin; v. 48 character; and in v. 49 destiny. While v. 48 — character — is our present theme, it may help if we consider how these three verses are connected.
As to origin, the first man, Adam, was of the earth, "made of dust," as the New Translation correctly renders it. Hence the word of God to Adam after the fall, "dust thou art, and unto dust shalt thou return." In contrast to this the "second Man" is "out of heaven," quoting again from the New Translation. Thus the "first man" had his origin in dust — earthy; but the "second Man" originated "out of heaven."
The race is in view in v. 48, where character is the theme. If the "first man" was earthy, it follows that the race which sprang from him must also be earthy, or "made of dust." If the "second Man" is "heavenly," so also is the race which springs from Him, not only in origin (as in v. 47), but characteristically as being already linked with the "second Man," and as having in view the display of His features today.
Finally we notice the thought as to destiny. While we still bear the physical features of the "first man," v. 49 assures us that we shall bear the physical features of the "second Man." We understand this to be the meaning of the word "image." In this connection we deliberately use the word physical, because we shall see from Ephesians 4 that we are to bear His moral features now; His characteristics are to be manifested in us at the present time whilst we wait to be conformed to His image.
We began our existence as of the race of the man "made of dust"; now through grace we are associated with the Man "out of heaven." As in the first condition we could but manifest the features of the first man, but now by the power of the Spirit of God we are able to manifest the features of the "second Man." We still bear the image of the first man physically, but we shall yet bear the image of the "second Man" — the heavenly One, for our destiny is to be with Him and like Him forever at His coming again. Such is the teaching of this great resurrection chapter, where these verses are found.
In these verses in Ephesians 4 we see how this transfer from Adam to Christ takes place in order that the features of Christ, the Man out of heaven, might be seen manifested in our lives. In 1 Corinthians 15 we had before us the "first man" and the "second Man," but in Ephesians 4 we have the "old man" and the "new man."
It may be helpful to point out that there are four new things in Christianity — the new covenant, the new man, the new birth and new creation. In contrast to the new covenant we read of the old covenant, and in contrast to the new man we read of the old man. Yet we do not read of old birth in contrast to new birth, nor old creation in contrast to new creation. The reason being that when God styles a thing old He has done with it. In the cross of Christ both the old covenant and the old man were brought to an end judicially in view of the bringing in of the new covenant and the new man, but God has not yet done with the first birth or the first creation. We sometimes use the expression "old creation," but this term is not found in Scripture. The nearest approach to it is in Hebrews 1: 11, "they shall wax old," but the actual term "old creation" is not used. We are thus still connected with the first birth and can glorify God in it; and He will yet fill the first creation with His glory as the waters cover the sea. Habakkuk 2: 14.
In support of this we read in Revelation 21: 1, "a new heaven and a new earth; for the first heaven and the first earth were passed away." Why is the word first used in contrast to new, not the word old as we might have expected? Doubtless it has in view the end of the kingdom, when Christ will hand it back to God according to 1 Corinthians 15: 23-28. He will not hand it back until He has brought all to that state of perfection in which it was created. This will be the full fruit of reconciliation. Could we imagine that He would hand it over to God in a disordered state? As having brought all into subjection, and having subdued every enemy, He will present the Kingdom to God in its original perfection. Hence it does not say when the first heaven and first earth pass away that they are old.
In relation to this subject of "new and old" another thought of importance comes to mind in 1 Corinthians 2: 14, where we read of "the natural man," and in v. 15 "he that is spiritual." Again in 1 Corinthians 3: 1, Paul refers to the Corinthians as "carnal," that is, fleshly. Relating these terms to those which we have already considered — the first man and the Second Man, and the old man and the new man — we are able to discern what we as believers should be and what we should not be as we seek to manifest the features of Christ in this world.
To be carnal is to walk in the power of the old man, and thus manifest only the features of the first man; as spiritual we shall walk in the power of the new man, and thus manifest the features of the Second Man. Whilst we are in this world we shall always be marked by what is natural, whether as wives, husbands, children or fathers. We must not confuse what is natural with what is sinful. Death to nature is not taught in Scripture. That we have need to regulate what is natural in the light of what is spiritual is certainly true, but spiritual things were never intended to make us unnatural as long as we are in this world. In Ephesians 4: 20-25, these truths come clearly before us. It is after the assertion that we have put off the old man and have put on the new, that we are told how to regulate every relationship of life so that it becomes evident that we do represent Christ. We can, and ought, to bear His character in every walk of life in which we are set.
In this same epistle, Ephesians 2: 10, we read, "For we are His workmanship, created in Christ Jesus unto good works, which God hath before ordained that we should walk in them." This verse sums up what we have in view in calling attention to the verses in Ephesians 4. What those "good works" are, and wherein lies our power to walk in them is taught here. We may add that, whether in chapter 2 or in chapter 4, "created" refers to "new creation." This has been brought about in our souls by the Holy Spirit of God, and is termed here "the new man."
In Ephesians 4: 20-25 we learn how it is possible for us to manifest in this world for the pleasure of God features which first came to light in our Lord Jesus Christ. We need power to do this, and we find in this section that in putting on the new man we have the subjective power in our souls to reproduce such features. Two things are to be noticed here — teaching and practice.
"But ye have not so learned Christ" involves that we have become subject to the teaching of the New Testament. This verse doubtless refers to our Lord where He now is at the right hand of God; the Man who glorified God in this world in His life and in His death. The next verse speaks of the truth "in Jesus." Taking the two verses together we learn that if Christ in heaven is our Teacher and the Source of power, it is He also who set the pattern of what we should be as He moved through this world well pleasing to God. What we now learn from Him is that which came to light in Him when in this world. It is not the thought of God that one character of life should be seen in Christ and another character of life in us. He works in us to reproduce the same characteristics as those seen in our Lord when He was here. That is the bearing of the words, "as the truth is in Jesus."
We next read what has happened in order that this may become possible. We are told that we have put off the old man and have put on the new man. The correct reading of these verses is that we have done this, not that we should do it. What we should do is to answer to it in our lives, so that it becomes evident that we have put off the one and put on the other. What is this "old man"? Where can we see a description of him? In Romans 1: 18-32 there are some thirty sins listed, and every one of them springs from the same root, "our old man." This epistle uses other terms to express the same truth, "our old man is crucified with Him, that the body of sin might be destroyed," Romans 6: 6. Again, "in the likeness of sinful flesh," Romans 8: 3. All these terms refer to the same thing, the root principle sin, from which all the sins recorded in Romans 1 have sprung. We may thank God that we have not been guilty of all these horrible sins, but be our sins lighter or darker according to our own estimation, every one of them springs from the same root, and that root is in us all. It is humbling to think that although we may not have committed all these sins, yet the same root which led to them in others is in us, and we could have been guilty of them all. It is a descriptive picture of the "old man."
We put off the old man by profession when we turned to Christ for salvation; we were glad to renounce all that is "corrupt" and "deceitful," the two features used to describe the old man in verse 22. We then read that "righteousness and true holiness" characterize the new man. We have already seen that the old man is not Adam, neither is the new man Christ, but Adam fallen gives character to the old man and Christ in sinless perfection gives character to the new man. Hence in turning to Christ we turned from the one to the other. This we learn from such Scriptures as the one before us.
An important principle is stated in verse 23, "And be renewed in the spirit of your mind." If, as having put on the new man, we are to come out in the features of Christ, we shall have to guard our minds. What are the objects which engage us? the things which constantly come into our minds? Do we continue to think of the old path in which we walked before we believed the gospel? Do the interests of this world engage our thoughts, or do the interests of Christ engage them? These are questions which we need to put to ourselves for, as a man "thinketh in his heart, so is he," Proverbs 23: 7. If we persist in thinking of these evil things they will mark us in our ways, as will good things, right things which are for the pleasure of God, if we set our minds on them. Let us guard our minds, let us "think on these things," those beautiful features listed by the Holy Spirit in Paul's letter to the Philippians, chapter 4: 8.
The change in character which follows the putting on of the new man is described as affecting the various spheres in which we live. This is in view from Eph. 4: 25 right on to Eph. 6: 9. The first circle is that of our brethren, Eph. 4: 25-32. Then we have our conduct in the world, Eph. 5: 1-21; followed by the conduct of "wives," Eph. 5: 22-24; "husbands," Eph. 5: 25-33; "children," Eph. 6: 1-3; "fathers," Eph. 6: 4; "servants" Eph. 6: 5-8; "masters," Eph. 6: 9. So whatever we are, and wherever we are, Christ ought to be seen in our every relationship. We have read to verse 25 only, "wherefore putting away lying, speak every man truth with his neighbour; for we are members one of another." If we are moving as we should and doing the things we ought to be doing, there will be no need to lie about matters. It is when we do wrong, and are afraid of others knowing it, that we are tempted to lie, and instead of being marked by truth we may be marked by falsehood. Actions as well as words are included in this. How good for us to be at all times and under all circumstances marked by the transparency Paul speaks of in 2 Corinthians 4. Let us think right things, and so be marked by right things, thus as characterized by the features of Christ, and as having put off the old man and having put on the new, it will be manifest that we have been transferred "from Adam to Christ."

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"