sábado, 15 de novembro de 2008

Os Nicolaítas- Arcadio Sierra Diaz

"6 Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio ".

O Senhor volta a comparar-se com a igreja de Éfeso e a louvar de novo, dizendo que lhe agrada que Éfeso aborreça o que Ele aborrece, as obras dos nicolaítas. Quem são os nicolaítas? O termo nicolaíta, vêm do grego "nikoláos", das raízes nikaos, governante, dirigente, guia, também tem a conotação de conquistar ou vencer, e laite ou laos (λαός), gente comum, secular, povo, laicado; da qual se deriva a palavra laico, significando, pois, "os que vencem ao povo", ou os que exercem autoridade sobre o povo, os que vencem aos laicos, pessoas que se têm por superiores aos crentes comuns; é esse afã de exercer autoridade e domínio sobre o povo, formando assim um tipo de hierarquia (governo da casta sacerdotal).

De onde se deduz que aqui o Senhor condena a mesma incipiente tendência na Igreja, de criar um partido de pessoas ambiciosas que se erijam por cima das demais, ávidas de poder, e que finalmente haviam de criar um sistema clerical divisório e exclusivista, formando assim dois grupos na Igreja: um minoritário, elitista e soberbo, chamado clero, e outro integrado pela grande massa dos santos, o laicado, governado e submetido pelo primeiro, hierarquia que vemos tomar força nos sistemas do catolicismo e o protestantismo, estorvando assim a ecônomia de Deus. Isso aborrece o Senhor da Igreja. O Senhor aborrece os ambiciosos de poder ao estilo Diótrefes. Mesmo no povo hebreu, Deus quis que Seu povo fosse todo um reino de sacerdotes (Êxodo 19:6), mas devido à adoração ao bezerro, perderam esse previlégio, e foi escolhida a tribo de Levi para exercer (Êxodo 32; Deuteronômio 33:8-10).

A respeito dos nicolaítas, diz Matthew Henry:

"É, pois, possível que se trate de uma seita de "iniciados" (gnósticos), que pretendiam estabelecer uma divisão do povo de Deus em castas, o qual havia de derivar, no decorrer do tempo, no estabelecimento da casta sacerdotal dentro da Igreja oficial do Império; isto havia de comportar os ritos e ceremônias que abundam em todas as religiões mistéricas, como pode ver-se mesmo na Igreja Romana, e mais todavía na chamada Ortodoxia. Mesclando o cerimonialismo judeu com a filosofía grega, temos já uma seita que combina o entusiasmo espiritual com o relaxamento moral; muita fantasia religiosa mesclada com despreocupação ética; orgulho e vaidade de mística retórica e de caráter "superior" que, na realidade, introduzia na Igreja o egoísmo, a soberba, o descuido do amor fraternal; afinal de contas, a mesma ortodoxia estava também em perigo. Como se defender de tais inimigos? Nos diz claramente a palavra de Deus: "Minhas ovelhas ouvem minha voz", diz o Senhor (João 10:27). E o próprio João nos diz: " E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.... Permaneça em vós o que ouvistes desde o princípio.... Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar. (1 João 2:20, 24, 26)". (Matthew Henry. Comentário Bíblico do Apocalipse. CLIE. 1991. Pág.: 334).

A Igreja de Jesus Cristo toda é sacerdotal, e a imposta classe clerical mediadora prejudica o sacerdócio universal dos crentes. O Senhor não tolera que nada venha a se assenhorar de Sua Amada, a que Ele comprou com Seu sangue. O livro dos Atos e as cartas de Paulo determinam o governo da igreja local em mãos de um presbitério ou grupo de anciãos ou bispos (pastores). Não obstante, se adverte que no período de Éfeso só se conhece certos esforços pessoais, como o caso de Diótrefes (cfr. 3 João 9,10), de exercer autoridade sobre os santos; mas há indícios de que ao final do primeiro século e concretamente no segundo, ao redor do ano 125, talvez em um intento de imitar o cerimonialismo judeu, começou a dar-se a inclinação de elevar a um bispo sobre seus companheiros anciãos, assunto este que paulatinamente conduziu ao clericalismo, em detrimento da autêntica dependência do Senhor e do sacerdócio de todos os santos. A institucionalização da tribo de Levi e a família sacerdotal de Arão, não foi a intenção inicial de Deus no povo hebreu, e no Novo Testamento Deus volta a Seu propósito original (cfr. 1 Pedro 2:5,9; Apocalipse 1:6; 5:10). Hoje se desenvolveu o clericalismo no sistema babilônico e suas ramas.

No começo do século segundo, Inácio, bispo da igreja de Antioquía, registra o Ato que já se estava dando em alguns lugares com relação à erronêa diferenciação entre bispo e presbítero. Inácio, no curso de sua viagem a Roma como prisioneiro, rumo ao martírio, escreveu cartas a várias igrejas locais, quase todas na Ásia Menor (Éfeso, Magnésia, Trália, Filadélfia, Roma, Esmirna, e a Policarpo), nas quais encontramos a cita mais antiga sobre a distinção entre bispo e presbítero. Ali pela primeira vez aparece o que estava dando de colocar hierárquicamente o bispo por cima dos presbíteros e declarando que o bispo (o nomeava em singular) era o representante de Deus o Pai, e que os presbíteros são o sinédrio de Deus, a assembléia dos apóstolos. (Favor ler a carta de Ignácio aos Esmírnios no apêndice ao final deste capítulo). Com o tempo isto degenerou na nefasta divisão entre o clero e laicos. Foi se introduzindo a hierarquia na Igreja. Foi se estabelecendo e generalizando sutilmente essa "vaidosa" forma episcopal de governo, a qual chegou a ser dominante e universal. É possível que até o final do período de Esmirna hajam persistido as duas modalidades, a do bispo de uma só igreja local, e a do bispo que agia como se tivesse o direito de dirigir-se com autoridade às igrejas em outras localidades. Se diz que depois do ano 150 d. C., os concílios eram celebrados únicamente com esta classe particular de bispos, e logicamente que as leis eram ditadas só por eles. Muitos alegam um acervo de razões para que isto se sucedesse, mas ante as razões do Senhor não há justificação alguma. Como quais razões lutam? Entre outras, como o crescimento e extensão da Igreja, as perseguições, fazer frente ao surgimento de seitas, heresias e divisões doutrinais. Mas devemos em justiça observar a constância que durante os períodos de Éfeso, Esmirna, e muita parte de Pérgamo, nenhum bispo reclamou para si autoridade de caráter universal sobre o resto dos bispos e da Igreja inteira, como mais tarde o fez o bispo de Roma. Conforme a Palavra de Deus, um bispo (em grego episkopos, supervisor) não é de maior hierarquia que um ancião. Tomemos novamente o exemplo de Atos 20, no qual o apóstolo São Paulo chama anciãos aos dirigentes da igreja da localidade de Éfeso; e a esses mesmos anciãos, no verso 28 lhes chama bispos e também pastores, porque diz:

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes( ofício de pastores) a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue".

Os líderes das igrejas locais são os anciãos, constituidos pelos apóstolos da obra (Atos 14:23; Tito 1:5), sem que ele signifique que ocupam hierárquicamente uma posição mais elevada. legítimos pastores são aqueles irmãos mais maduros espiritualmente da igreja local, quem, por seu amadurecimento e visão mais ampla de Cristo, se constituem em desinteressados e humildes servidores de seus irmãos. O Senhor Jesus foi enfático quando afirmou:" 25 Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo;28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. " (Mt. 20:25-28).O ancião ou bispo não deve assenhorar-se da igreja do Senhor, senão a supervisar e a vigiar no amor do Senhor. A igreja apostólica se distinguia porque em cada igreja local não havia um mas vários bispos (episkopoi) ou presbíteros (presbuteroi), que eram os mesmos anciãos ou pastores, pois se tratava de títulos que se davam aos mesmos ofícios, como atesta a Bíblia em Atos 20:17,18; Tito 1:5,7; 1 Timoteo 5:17; 1 Pedro 5:1; Filipenses 1:1; a primeira de Clemente aos Coríntios, capítulos 42, 44 e 57. Também Jerônimo, Agostinho de Hipona, o papa Urbano II (1091) e Pedro Lombarde admitiram que em sua origem bispos e presbíteros eram sinônimos, mas com o tempo o homem foi mudando as coisas de Deus, e o concílio de Trento (1545-1563) se encarregou de que esta verdade fosse convertida em uma heresia. Têm havido uma interpretação errônea quanto a alguns versos de Hebreus 13. No 7 diz: "Lembrai-vos dos vossos guias,(1*) os quais vos pregaram a palavra de Deus...". No 17 diz: "Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas...". No 24 diz: "Saudai todos os vossos guias...". Em primeiro lugar se observa que sempre se fala no plural ao referir-se aos guias ou pastores; como quando Paulo escreve à igreja da localidade macedônica de Filipos, e na saudação lhes diz: "Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos". Isto é saudável porque evita que um só indivíduo se assenhore da igreja, como se vê atualmente em certas congregações. Em segundo lugar, voltando ao Hebreus, essa obediência dos santos a seus pastores de nenhuma maneira deve ser cega, senão que deve tratar-se de uma sujeição à luz dos postulados do evangelho; uma obediência na comunhão espiritual, na qual tome parte ativa o Espírito Santo; uma obediência iluminada e guiada inteligentemente pelo Espírito do Senhor, no conhecimento do amor de Cristo, o qual se faz corporativamente. Qualquer sujeição forçada e hierarquizada na Igreja, é abominável ao Senhor.

*(1) Em Hebreus 13:7,17 e 24, o original grego para a palavra pastores usa hegouménon, que significa "guias" ou "dirigentes". Pela frase que segue no verso 7 se deduz que a expressão não pode limitar-se só aos pastores (os que governam), mas também aos mestres, os que ensinam.
O clericalismo dos sistemas religiosos cristãos é uma mescla de elementos do judaísmo com alguns traços da organização sacerdotal da religião babilônica, com suas distintas variantes culturais. Babilônia é a berço da religião satânica, e tudo o que provém de Satanás vai de rumo a desvirtuar os princípios do Senhor para Sua Igreja. Na religião babilônica, com suas variantes egípcia, grega, romana, etc..., havia uma casta sacerdotal dominante. No judaísmo houve uma organização sacerdotal temporal, que foi mudada por um sacerdócio eterno, que inclui a Igreja. Na legítima Igreja do Senhor não existe o clericalismo, pois todos somos sacerdotes. O apóstolo Pedro o manifesta com suma clareza em 1 Pedro 2:5, assim:"... também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo ".

Outros textos que fortalecem e confirmam esta afirmação podemos tomar em Apocalipse 1:6 e 5:10:"... e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém! "."... e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra".Não há lugar a dúvida alguma de que não é a vontade do Senhor que em Sua Igreja haja posições e classe clericais, nem muito menos que os homens se assenhore de algo tão importante para o Pai, como é a Igreja, a Esposa que Ele se propôs conseguir a Seu Filho. A autoridade na Igreja é o Espírito Santo. Quando o ancião da igreja atribui a si essa autoridade emanada de seu cargo, acarreta consequências desastrosas no rebanho do Senhor. Se há confundido o ministério, trabalho ou serviço de pastor com um cargo revestido de uma autoridade mal interpretada e pior aplicada, devido a que se ha substituído a norma bíblica pela interpretação humana (cfr. Colossenses 2:20-22).Nas igrejas locais, os anciãos presidem, pastoreiam, ensinam, guian, mas não governam com senhorio, pois essa classe de governo implica certa cota de poder, e o poder quer controlar tudo, convertendo-se em abuso do poder, tratando com dureza as ovelhas. Há de se levar em conta que todo poder tende a personalizar-se e a assenhorar-se. É um princípio claro do Senhor que em Seu Corpo não haja distinção entre clerigos e laicos. Na época em que se reuniu o concílio de Jerusalém, ao redor do ano 50 d. C., na Igreja não havia distinção mesmo entre ministros e laicos. Ali diz que " Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. " (Atos 15:6). Diz o apóstolo Pedro em sua primeira epístola 5:1-3:" Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada:2 pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade;3 nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. ".Isto escreve, abaixo da inspiração do Espírito Santo, o homem que o catolicismo romano proclama como o primeiro papa; sistema hierarquizado, clerical e assenhorador por excelência. Mas lastimosamente não só esse sistema adoece dessas exaltações, mas os diferentes sistemas religiosos dentro da cristianismo, que se vão desmembrando do sistema mãe, herdando, como é de se supor, muitas de suas formas externas, incluindo metodologias, liturgias, clericalismos e sistemas eclesiológicos extra bíblicos. Mesmo que os primeiros passos firmes se deram no século segundo, período de Esmirna, entretanto, a carta à igreja de Éfeso nos indica que já se levantavam homens interessados em promover a perda da igualdade entre os irmãos, foi quando começou a se deteriorar o sacerdócio de todos os santos. A Igreja do Senhor começou quando existia a escravidão institucional mesmo entre os santos; mas tanto o escravo como o amo eram iguais na igreja e diante do Senhor. Eventualmente podia dar-se em qualquer das igrejas locais que o escravo fosse bispo enquanto que o amo não. Se observares detalhadamente os sistemas religiosos cristãos de hoje, verás que no catolicismo romano persiste o sacerdócio, nas igrejas nacionais e denominações institucionalizadas existe o sistema clerical e nas igrejas congregacionais e independentes, o sistema pastoral.

As Duas Árvores- David W Dyer


Por razões que estivemos discutindo nos capítulos anteriores deste livro, Deus desejou compartilhar Sua própria vida com o homem desde o princípio. Isto é evidenciado pela árvore da vida plantada no meio de jardim do Éden. Mas havia também uma outra árvore crescendo lá – uma árvore muito sinistro – a “árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gen 2:9). Nós concluímos que a primeira árvore era o símbolo da vida de Deus, mas o que dizer desta outra? O que ela representa? Porque Deus permitiu que uma árvore com tais poderes devastadores crescesse lá, livremente disponível à Sua nova raça? Naturalmente que Ele deu-lhes aviso sobre ela. Sua Palavra solene foi falada claramente, de maneira que não houvesse chance de um erro. Entretanto, é igualmente óbvio que Deus lhes estava permitindo tomar suas próprias decisões no que se refere ao seu destino final. Em Sua infinita sabedoria, Ele permitiu que eles tivessem o livre-arbítrio. Se eles entrassem no plano maravilhoso que Deus tinha para eles, deveria ser por terem voluntariamente escolhido fazer isso, não porque tivessem sido forçados a fazê-lo. Então, desde o começo Adão e Eva foram colocados diante de uma escolha. Eles se encontraram diante de duas opostas possibilidades. Por um lado, havia a árvore da qual eles podiam comer livremente e, pelo outro, havia aquela da qual eles foram proibidos de comer. Enquanto foi permitido a eles não escolher nem um nem o outro, estas duas árvores, com tudo que elas representam, estavam sempre diante deles. Sua localização, “no centro do jardim,” deve ter feito delas o foco da atenção. Consequentemente, a decisão de comer ou abster-se de comer, nunca estava muito distante do pensamento deles. De uma maneira interessante, estas mesmas duas alternativas estão à disposição dos homens hoje. Tanto cristãos como não cristãos estão diariamente expostos a estas duas opções e a tudo o que elas envolvem. Embora não haja duas árvores físicas em frente a nós, o que elas representam está abundantemente à disposição. Já que nós, assim como o primeiro casal, somos realmente confrontados diariamente com esta escolha, é essencial que compreendamos o que ela significa. Embora Adão e Eva possam ter sido inocentes e não completamente cientes de tudo o que aquela decisão envolvia, nós não podemos alegar a mesma desculpa. O seu próprio exemplo, combinado com toda a revelação de Deus desde aquele tempo, nos fornece ampla evidência de qual é o caminho de Deus e também o que estas árvores produzem. Infelizmente, muitos dos filhos de Deus ignoram estas coisas. Demais dos crentes são completamente alheios ao significado destas realidades espirituais. Desta forma, eles facilmente se tornam vítimas dos enganos do inimigo, do mesmo modo que Eva foi seduzida (2ª Cor 11:3). Verdadeiramente, a Escritura diz: “Onde não há revelação, o povo se corrompe” (Prov 29:18). Estou com medo que o caminho para tudo o que Deus tem para nós está espalhado com os crentes machucados, feridos e “escravos” que estão tropeçando em escuridão. De algum modo, eles falharam em ver na luz de Deus como permanecer em Seu caminho estreito e foram pegados cativos pelo inimigo de nossas almas. Nós já discutimos o que era representado pela árvore da vida mas, para alguns leitores, algumas de suas conseqüências podem não estar perfeitamente esclarecidas. Como já vimos, é possível receber em nosso ser a vida de um Outro ser, podemos receber a própria vida de Deus. Já que este Outro é extremamente superior a nós mesmos em tudo, o que isto implica? Como tal coisa nos afetará? Para começar, parece lógico supor que esta Outra Vida, sendo tão maior que a nossa própria, tende a predominar. Na verdade, ela vai querer tomar posse. Isto é, naturalmente, o que Deus deseja fazer. Uma vez que Sua Vida está dentro de nós, Ele pretende tornar-se o chefe (“Senhor” é o termo das Escrituras). Seu desejo é que, cada vez mais, submetamos cada aspecto de nosso viver à Sua autoridade. Lemos nas Escritura que “em tudo Ele tem a primazia” (Col 1:18). Subitamente descobrimos que independência e “fazer nossa própria vontade” não são mais aceitáveis. Abrindo nossos corações a Ele, nós somos levados a uma situação em que não somos mais nossos próprios donos. Infelizmente muitas pessoas são “trazidas a Cristo” sem esta compreensão mais fundamental. São informados a respeito de um Salvador, mas não sobre um Senhor que terá domínio sobre eles. São encorajados a aceitar os benefícios que Deus dá, sem qualquer aviso sobre o compromisso que isto envolve. Muitos homens e mulheres são impelidos a “vir para Jesus” sem mesmo um entendimento que isto significa uma mudança radical na soberania de suas vidas. Entretanto, como estaremos vendo no restante deste livro, esta mudança não está apenas disponível, mas é essencial. Esta Vida para a qual fomos chamados não é apenas ua história de escola dominical. Nós nos relacionamos com o Deus do Universo e as implicações deste fato são realmente grandes. Então, se a completa submissão a esta nova Vida é a premissa central da árvore da vida, quais são as conseqüências da outra? Para compreender mais propriamente esta questão, primeiro precisamos olhar para um outro ser que foi criado antes da queda do homem. Lúcifer, a princípio talvez o maior e o mais santo dos anjos, é aquele de quem estamos falando. Tudo o que está simbolizado na árvore que traz a morte, pode ser delineado neste ser. Consequentemente, para compreender totalmente esta árvore e seus efeitos desastrosos, devemos também dar uma boa olhada em quem o diabo é e em como ele chegou ao que é hoje. No livro de Isaías descobrimos que este anjo agora caído é mencionado como o “filho da alva” (Is 14:12). Tal título provavelmente indica que ele foi formado durante os primeiros estágios do trabalho criativo de Deus. Possivelmente ele foi o primeiro ser criado. Ainda uma outra passagem ensina que ele era “perfeito e maravilhoso quando foi feito” (Ezequiel 28:12). É provável que este anjo fosse a mais poderosa, extremamente atraente criatura moldada por Deus e que, sendo assim, ele era o segundo, abaixo de Deus, na cadeia de comando do Universo. Muitos de nós achamos que esta era uma posição extremamente boa para se manter, mas para ele havia uma pequena irritação. Este lugar sublime na presença do Altíssimo, trouxe consigo uma exigência. Ele tinha que ser completamente submisso a Deus em cada detalhe. O PECADO DO LÚCIFER Um dia, Lúcifer começou a notar sua própria beleza. Não há dúvida que os demais anjos também o admiravam. Ele claramente imaginava que seu poder e inteligência não tinham paralelo entre eles. Ele não conhecia outro que tivesse tantas habilidades a não ser o próprio Deus. Seu desejo de realmente engrandecer-se a si mesmo e de exibir totalmente a sua grandeza, pouco a pouco começou a crescer. Conforme o tempo passava, o constrangimento de ser completamente obediente ao Pai e de usar toda a sua energia para servir somente a Ele, começou a lhe dar nos nervos. Aqui não havia lugar para auto-expressão. Todos os seus muitos talentos e tremenda criatividade estavam sendo desperdiçados por ser ele apenas um servo. Debaixo desta terrível escravidão, como ele poderia realmente conseguir a completa apreciação que ele realmente merecia? Então, como todos nós sabemos, com tais pensamentos fluindo em sua mente, a criatura a quem hoje nos referimos como Satanás, caiu em pecado. Eu creio que deveria ser muito esclarecedor para nós compreender como isto ocorreu. Lúcifer não começou cometendo adultério com a sua secretária. Ele não matou alguém inicialmente, nem roubou uma velha senhora andando na rua. Não, nenhuma destas coisa que parecem “tão más” para nós iniciou sua decadência. Pelo contrário, seu primeiro ato pecaminoso foi algo que a muitas pessoas parece extremamente natural. Ele tomou uma decisão – a decisão de tornar-se independente, a decisão dirigir sua própria vida. Ele disse: “Eu subirei”. “Eu exaltarei o meu trono”. “Eu serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:13,14). Aqui ele rejeitou todas as restrições e começou a afirmar sua própria vontade, rebelando-se contra o Deus Todo-Poderoso. Este foi seu primeiro pecado. Ele deixou sua primeira posição de total dependência e submissão a Deus e começou a exercer sua própria vontade em busca de seu próprio prazer. Claro que o orgulho fazia parte disso. Mentira, adultério espiritual, roubo e assassinato vieram logo atrás. De fato, tudo o que é contrário à retidão de Deus tornou-se dele neste simples ato –rebelião – contra a única autoridade verdadeira. Com tudo isso em mente, agora nós podemos começar a examinar a Segunda árvore – a árvore do conhecimento do bem e do mal. Evidentemente, quando Adão e Eva foram criados, existia a falta de alguma coisa. Eles não possuíam a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Isto então os colocou em uma posição onde eles tinham que depender de Deus. Conforme já discutimos previamente, em muitos aspectos eles foram feitos semelhantes ao seu Criador, mas nesta área de tomar decisões morais, eles eram forçados a confiar em Sua liderança e direção. Entretanto, havia uma árvore de compartilhar conhecimento, não muito distante. Havia uma outra “fonte,” um outro “caminho” operando no Universo e estava disponível para eles. Embora ele fosse proibido, tinha sua representação no Jardim do Éden. Provando desta árvore, o primeiro homem poderia ganhar algo que ele não possuía – independência. Uma mordida deste fruto e eles nunca mais precisariam estar em uma posição subserviente e dependente. eles poderiam ser como Deus. TRÊS ENGANOS SUTIS Esta foi exatamente a tentação que iludiu Eva e então corrompeu Adão. Quando a serpente veio para enredá-los em sua trama, ela o fez com grande sutileza. Não há dúvida de que o diabo compreendeu inteiramente as conseqüências de comer da árvore errada. Evidentemente ele já havia induzido muitos outros seres a segui-lo em sua rebelião e assim, já possuía bastante experiência. Quando falava a Eva, apelou para três elementos de fraqueza que ainda permanecem na raça humana hoje. De qualquer maneira, ele revelou a ela três coisas: Número 1 – esta árvore é deliciosa (a cobiça da carne). Número 2 – é extremamente boa de olhar (a cobiça dos olhos). Número 3 – apenas uma prova dela fará vocês sábios o bastante para serem independentes de Deus. (o orgulho da vida) ( 1ª João 2:16). Este foi o argumento decisivo. Apenas uma pequena mordida poria fim a esta desconfortável submissão a um Outro e a capacitaria com o que ela necessitava para levar sua própria vida. Interessante, são estas três mesmas atrações que ele usou para tentar o Senhor no deserto. Nenhuma tática nova foi usada ali. Primeiro, já que Jesus estava faminto, o diabo tentou convencê-lo a satisfazer suas necessidades transformando pedras em pão. (Por favor, lembre-se que foi o Espírito Santo que o levara ali e, portanto, o Pai era responsável pelo Seu bem-estar.) A seguir, ele trabalha com os seus olhos, mostrando-lhe todos os reinos do mundo e sua glória por um instante. Riqueza, honra e poder terreno estão completamente disponíveis para qualquer um que realmente vá atrás deles. Muitas pessoas hoje no mundo, e mesmo dentro da Igreja, estão descobrindo o poder da auto-afirmação. Claro que, se esta é a sua tendência, inclinar-se para louvar o inimigo de é também proveitoso. Entretanto, estou confiante que ele permitirá a alguns cristãos que estão interessados, passar por cima desta formalidade (pelo menos externamente). Se eles apenas usarem sua energia para promoverem a si próprios, e desse modo, construírem o reino escuro e egocêntrico do diabo isto será certamente suficiente. Finalmente, Satanás apelou para o ego. Ele disse algo como: “Se você é realmente grande, prove-o provocando uma grande cena que requeira a intervenção angélica. Mostre a todos quem você realmente é. Exiba-se completamente para que todos nós possamos admirá-lo. Não se importe com dependência de Deus. Se você é realmente o filho de Deus, você deve ter sua própria autoridade. Faça algo realmente extraordinário para afirmar sua independência e estabelecer sua própria personalidade” (Lucas 4:9-12). Como deveríamos ser gratos a Jesus porque Ele teve força para resistir a esta tentação! Ele era alguém que era verdadeiramente submisso ao Pai. Cada aspecto de Sua vida foi vivido em sujeição à vontade do Pai. A vida que Ele viveu, os trabalhos que executou e mesmo as palavras que Ele falou, estavam todos em perfeita harmonia com as direções do Alto (João 14:10). Ele veio a esta Terra não para fazer Sua própria vontade, mas a vontade daquele que O enviou (João 6:38). Infelizmente, Adão e Eva não possuíam a mesma força de caráter. A inocência deles não era igual à santidade de Cristo e assim mostrou não ser obstáculo para o inimigo. Quando confrontados com a possibilidade de ser tornarem seus próprios senhores, eles agarraram a oportunidade. Aparentemente, a serpente não levou longos anos de tentação para convencer Eva. Uma pequena sessão de auto-expressão era tudo o que era necessário para persuadi-la a violar a ordem claramente dada por Deus e voltar-se contra Ele. Ela viu diante dela, facilmente, a possibilidade de tornar-se “completa”, independente e autoconfiante. Ela pouco imaginava que outros “benefícios” viriam no mesmo pacote. Deus, com toda a razão, os tinha advertido a não compartilhar. No momento em que Lúcifer decidiu auto-afirmar-se, a escuridão precipitou-se sobre ele, colocando-se em oposição a Deus. Sua verdade, justiça, misericórdia, retidão, amor, humildade, majestade, etc., tinham que ser opostos em um ser que estava em rebelião contra Ele. Então o caráter de Satanás tornou-se a antítese de todas estas coisas. Crueldade, ódio, violência, mentira, decepção, vaidade, e muito mais tornou-se a marca registrada deste reinado. Esta única decisão de desobedecer mudou para sempre sua natureza gloriosa e formosura com que fora criado para uma natureza tão cheia de escuridão e do pior tipo de pecado. Tristemente, nossos primeiros ancestrais entraram em uma experiência semelhante. Sua única decisão de se rebelar também custou muito a eles. Embora haja no homem caído aquilo que é chamado “bom,” o mal que o homem é capaz de praticar está além da descrição. Quando Adão e Eva compartilharam deste fruto, sua verdadeira natureza foi mudada. Eles não eram mais inocentes e dependentes. Eles não mais precisavam confiar em Deus para instrução concernente a padrões morais. Eles tinham se tornado independentes – seus próprios senhores. Consequentemente, eles também se precipitaram na escuridão e corrupção. A ÁRVORE DO CONHECIMENTO Eu creio que é importante para nós tomarmos aqui algum tempo para analisarmos a árvore da qual veio esta tremenda decepção. Primeiro precisamos notar que é uma árvore do bem e do mal. A maioria das pessoas provavelmente imagina que é uma árvore apenas do mal e que a outra árvore, a árvore da vida, deve ser a árvore do bem. Entretanto, este não é o caso. Aqui nós vemos que o conhecimento do bem está também na árvore da qual Deus ordenou ao homem que não comesse. Compartilhar dela é pecado. Como podemos entender tal coisa? Para começar, precisamos entender que a árvore que causa a morte é principalmente a árvore do conhecimento. Esta não é simplesmente uma árvore do “bem e do mal”, mas também uma árvore que concede conhecimento àqueles que provam dela. Seu fruto tem o efeito de conferir a habilidade de distinguir entre o que é certo e o que é errado. Aqueles que compartilham dela podem saber por se mesmos a diferença entre o bem e o mal. Este “conhecimento” capacita os seus possuidores a serem seus próprios senhores. Eles podem então determinar seu próprio caminho na vida. É precisamente aqui que Adão e Eva ganharam sua independência. Com esta sabedoria e conhecimento, eles podiam analisar suas situações e condições, avaliar as vantagens e desvantagens das opções disponíveis e tomar uma decisão. Bem, você pode perguntar, o que há de errado com isto? O problema é justamente o que vimos no início deste capítulo. Tudo isso pode ser efetuado em completa independência de Deus. Tais decisões podem ser tomadas sem submissão e confiança no Altíssimo. Quando agimos deste modo estamos sendo nossos próprios deuses. Estamos tomando o curso de nossas vidas em nossas próprias mãos. Nós estamos agindo de acordo com nossa própria sabedoria e compreensão. Isto, certamente, é apenas natural. Todo mundo faz. De fato, desde a queda de Adão e Eva este é o modo pelo qual todos os simples mundanos conduzem suas vidas. Mas Deus está olhando para aqueles que retornarão à sua intenção original. Ele está procurando por aqueles que “não se estribam em seu próprio entendimento” (Prov 3:5). Seu desejo é para aqueles que serão guiados, não pela sua própria inteligência e sabedoria, não pela sua própria habilidade de decidir por eles mesmos, mas através de sua comunhão com Ele. Adão e Eva deveriam se tornar, como Jesus foi, uma expressão viva do Pai. Esta meta se cumpriria através da comunhão com o Pai e da submissão a Ele. Comer da árvore da vida teria trazido Sua vida para dentro deles. Desta forma, a manifestação de Deus em suas vidas seria o resultado de seu relacionamento íntimo com Ele. Se eles vivessem em companheirismo com o Pai, todos os Seus pensamentos, atitudes e caráter poderiam ser infundidos neles. Este relacionamento de dependência os faria expressar Sua piedade ao Universo. Seria uma espécie de retidão imposta que seria exibida através deles, mas que não começou com eles. Em vez desta gloriosa possibilidade, entretanto, eles adquiriram um tipo de conhecimento que os habilitava a existir sem Deus, simultaneamente recebendo tudo o que isto envolvia. Embora o caminho independente esteja ainda aberto para quem o escolher, os crentes em Jesus são chamados a compartilhar de uma outra árvore. Eles são chamados a entrar num relacionamento com o seu rei, que os guiará. De fato, Ele entrará neles e os guiará de seu interior. Ele os proverá de um sabedoria que não tem origem nesta Terra. Ele pode conduzi-los a fazer coisas que, do ponto de vista humano, são tolices. Ele os fará viver de um modo que faz um tremendo sentido do ponto de vista da eternidade, mas pode parecer ridículo àqueles que dirigem seus próprios caminhos de acordo com o ponto de vista do mundo. Veja, a sabedoria do mundo, fornecida pela árvore da morte, é tolice para Deus (1ª Cor 3:19). Pode parecer perfeitamente lógico, mas não leva em conta o ponto de vista divino. Pedro, usando seu próprio intelecto e sabedoria, pressionou Jesus a não ir para Jerusalém e morrer na cruz (Mat 16:21-23). Como parece natural e correto da perspectiva humana! Entretanto, de um ponto de vista celestial, era o trabalho e sabedoria de Satanás. Você pode ver como é perigosa a sabedoria humana? Você pode avaliar quão rebelde pode ser nosso próprio uso da sabedoria que nós recebemos? Adão e Eva não puderam. Para eles parecia bom e agradável. Parecia libertador. Forneceu a eles um meio de serem independentes e auto-suficientes. Como parece a você hoje? Você está atraído pelo pensamento de ser algo ou alguém? Ou você está atraído pela idéia de completa dependência de um Outro? COMO NÓS USAMOS A PALAVRA DE DEUS Enquanto nós estamos discutindo o conhecimento do bem e do mal, a capacidade de saber o que é certo e o que é errado, precisamos também mencionar o uso das Escrituras. A Bíblia nos foi dada por Deus. Toda a Palavra foi soprada de Sua boca (2ª Tim 3:16). É proveitosa para correção, repreensão e ensino em retidão. Nós não podemos e, de fato, nunca deveríamos desejar contestar este fato. Entretanto, também é verdadeiro que as Escrituras podem ser usadas erroneamente. Por exemplo, Satanás citou a Palavra de Deus na tentação de Jesus. Muitas e muitas pessoas, através dos séculos, incluindo algumas pessoas de Deus, têm usado incorretamente e torcido as Escrituras para sua própria destruição (Pedro 3:16). Os fariseus são um bom exemplo deste engano. Eles sabiam, pelos textos de Deus, onde o Messias deveria nascer, entretanto não foram adorá-Lo. Eles compreenderam que o preço do sangue não poderia ser aceito por uma oferta quando Judas devolveu o dinheiro (Mat 27:6). Entretanto, eles eram aqueles que o tinham pago! Eles liam as Escrituras diariamente para saber o que era certo e o que era errado, no entanto eles não vieram submeter-se a Jesus. Como é fácil comer da árvore errada! Também é possível usar a própria Bíblia para descobrir o que está certo e o que está errado, o que é bom e o que é mau e então usar este conhecimento para guiar nossas próprias vidas. Os hipócritas do tempo de Jesus não eram os únicos. Hoje também nós encontramos muitos que usam as Escrituras frequentemente, embora não estejam realmente submissos a Deus. Uma vez que descobrimos por nós mesmos o modo correto e o incorreto, este conhecimento nos torna poderosos para agir de uma maneira independente. Nós podemos viver nossas próprias vidas de acordo com os princípios bíblicos. Nós podemos conhecer o bem e o mal por nós mesmos, e tomar nossas próprias decisões de acordo. Este tipo de atitude não só é possível, mas é comum. Muitos cristãos imaginam que eles podem padronizar suas vidas de acordo com as leis bíblicas ou princípios do Novo Testamento e assim ser agradáveis a Deus. Eles cuidadosamente estudam as Escrituras, descobrem o que é certo e o que é errado, ou seja, bom ou mau e tentam viver pelo este conhecimento. Deste modo, eles cumprem as Escrituras “indo estabelecer sua própria retidão, eles não se submetem à retidão de Deus” (Rom 10:3). Espero que, por esta presente discussão, você pode começar a ver o erro desta estratégia. A questão aqui não é “certo ou errado.” Eles estão ambos na mesma árvore – a que causa a morte. Em vez disso, a questão é rebelião x submissão. Quando aprendemos a viver em comunhão com Deus e na dependência Dele, Ele é aquele que nos guiará. Ele é aquele que resolve nossos dilemas morais. Ele é aquele que nos dará compreensão de como e o quê devemos fazer. Uma caminhada verdadeiramente íntima com Deus engloba um grande grau de inocência infantil, sem saber muito como tratar com a vida e todos os seus problemas, mas crendo momento a momento no Pai. Certamente a Bíblia é um dos principais veículos através dos quais Deus se comunica conosco. Nossa preocupação é que deveríamos diariamente nos tornar mais dependentes Dele e menos auto-suficientes. Você sabia que a Bíblia pode causar morte espiritual? Em suas páginas ela diz exatamente isso. Paulo nos ensina que “a letra” da Bíblia mata (2ª Cor 3:6). Isto significa que é possível usar as Escrituras de um modo errado, que causa morte espiritual. Se nós tomarmos conhecimento bíblico em nossas próprias mãos e agirmos independentemente de Deus, tornamo-nos ministros de morte e escravidão. Como Eva, podemos comer da árvore da morte e compartilhar seu fruto com os outros. Nós podemos nos tornar pessoas cheias de conhecimento, conhecimento do que é certo ou errado, conhecimento do que deveríamos e do que não deveríamos fazer, conhecimento do que é bíblico e do que não é. Então, armados com este conhecimento, nós podemos passar esta informação a outros, na expectativa de que eles passem a agir conforme nós o fazemos. Este é o ministério da morte. CRISTANDADE MORTA Creio que você pode confirmar isso pela sua própria experiência. Você já encontrou cristãos que pensam que sabem tudo? Eles são mais corretos que todos em quase todas as coisas. Das páginas do livro de Deus eles sintetizaram um completo esquema doutrinário para governar seu comportamento. Embora haja pouco de seus ensinamentos que pareça estar errado, há um certo tempero na experiência que não parece correto. Está faltando a doçura de Cristo. As atitudes e o caráter de Cristo não estão dominando. Em vez disso, o que é demonstrado é um sentido de demanda, conformidade e auto esforço para tentar alcançar algum padrão. Este também é o ministério da morte. É comer da árvore do certo e errado, do bem e do mal. É usar a Palavra de Deus embora sem estar verdadeiramente submisso a Ele. Obediência às exigências da lei, nem seguindo alguns princípios, não é a mesma coisa que comunhão íntima com Nosso Senhor. Na Nova Aliança falta de intimidade com Deus é realmente rebelião contra Ele! Paulo, o apóstolo, explica que é o Espírito que dá vida. As mesmas palavras bíblicas que poderiam causar morte quando ministradas pelo homem natural, dão vida quando usadas pela autoridade e controle do Santo Espírito. Paulo disse que ele era um ministro da Vida (2ª Cor 3:6). Seu uso das santas Escrituras não era algo derivado de sua própria inteligência. Não era proveniente de estudo e memorização. Embora eu acredite que ele meditasse diariamente nas Escrituras, ele sabia como se submeter a Deus. Ele compreendia que não era qualificado para agir independentemente, interpretar e expor as coisas de Cristo por si próprio. Ele sabia ser um vaso sob o controle de Jesus. Ele sabia como comer da árvore da vida. Aqueles que compreendem este segredo transmitem uma impressão diferente. Este fruto também tem um sabor distinto. Emanando da personalidade daqueles que passam pela vida é o inequívoco sentido do divino. Há algo sobre eles que transmite a doçura Daquele a quem nós amamos. O ÚLTIMO MINUTO Talvez a precedente compreensão da vontade de Deus possa nos ajudar a entender porque muitas vezes nós temos que esperar até o último minuto pelo livramento sobrenatural. Quantas vezes nós clamamos a Deus, esperamos e esperamos pela Sua resposta e acabamos por tomar o assunto em nossas próprias mãos, assim como fez o rei Saul no Velho Testamento (1ª Sam 13:7-15). Nós precisamos aprender a depender completamente de Deus. De novo e outra vez Ele nos testará para ajudar-nos a ver quanto nós ainda confiamos em nossa própria força. Como temos visto, este assunto é muito íntimo ao Seu coração. Está no centro de Sua vontade no que concerne ao homem. A verdadeira Cristandade é uma vida vivida em completa dependência do Pai. Isto requer um relacionamento íntimo e diário com Ele. Sem isto, a única escolha é comer da árvore de conhecimento e, com o auxílio de seu fruto, tomar nosso próprio rumo. Como nós precisamos cultivar um relacionamento íntimo com Jesus! Somente deste modo estaremos compartilhando diariamente de Sua vida. É esta vida que nos preenche e nos guia durante todo o dia. E é esta vida que se derramará de nós para os outros em um ministério verdadeiramente espiritual. Jesus é a fonte desta vida. Ele explica que, se viermos a Ele, Ele fará de nós uma fonte de Vida (João 7:38-39) borbulhando, transbordando e transmitindo esta Vida a outros, por toda a parte. Em relação às coisas espirituais, há dois tipos de “conhecimento.” Um poderia ser chamado de conhecimento ao respeito de Deus. O outro é o conhecimento de Deus. O primeiro vem de um estudo mental da informação disponível, o segundo vem da intimidade com Ele. Estas, queridos amigos, são as duas árvores. Elas estão ambas disponíveis. Qual delas você escolhe?

Extraído do Livro " De Glória em Glória"

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"