domingo, 23 de novembro de 2008

Aprendendo o Temor do Senhor- Levi Cândido

“Vinde, filhos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor”. (Salmo 34:11).
A Bíblia nos apresenta que “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria”. (ver Salmo 111:10). Alguém já definiu “temor” fazendo a seguinte consideração: “Pôr Deus no trono da vida é a essência da sabedoria”. Conforme o dicionário bíblico de João Batista Ribeiro Santos, “temor” quer dizer: “ter uma vida orientada pela Palavra de Deus; viver cotidianamente tanto as normas morais e éticas quanto a graça de Deus significa temer ao Senhor”. De uma forma geral, todos os habitantes do mundo são chamados a temer ao SENHOR, pois a Sua criação revela o Seu poder e a Sua bondade em criar e sustentar tudo que existe no universo. Em Salmo 33:8,9 lemos: “Tema ao SENHOR toda a terra, temam-no todos os habitantes do mundo. Pois Ele falou, e tudo se fez; Ele ordenou, e tudo passou a existir”. A.W.Pink já nos deixou escrito algo muito significativo concernente ao temor do Senhor. Diz ele: “Deus está tão acima de nós que o simples pensamento de Sua majestade nos deveria fazer estremecer. O Seu poder é tão grande que a percepção dele deveria aterrorizar-nos. E Ele é tão inefavelmente Santo, e Seu ódio ao pecado é tão infinito, que o próprio pensamento de atos errados nos deveria encher de horror”. Salmo 89:7 diz: “ Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos, e temível sobre todos os que o rodeiam”. “O aprendizado do cristão deve começar com o temor do Senhor” , dizia Thomaz Cranmer. E, o irmão A.W.Tozer, nos deixou escrito que “ninguém pode conhecer a verdadeira graça de Deus, se antes não conhecer o temor de Deus”.
Na verdade, devemos atentar a isto, pois “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência”. (Pv 9:10). Até ao ponto onde Deus é verdadeiramente conhecido, até esse ponto será devidamente temido. Porém, acerca dos ímpios diz a Palavra de Deus através do apóstolo Paulo: “não há temor de Deus diante de seus olhos”. (Romanos 3:18). Esses homens não tem qualquer percepção acerca da majestade de Deus, não tem nenhuma preocupação com a Sua autoridade, não tem qualquer respeito pelos Seus mandamentos, não se alarmam ante o fato de que Ele os julgará” , diz Pink. Porém há uma promessa de Deus àqueles que entraram em pacto com Ele. Diz o SENHOR através de Jeremias 32:40: “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. Por essa razão, os remidos andam cautelosamente diante dos olhos do Senhor. “Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos”. ( Isaias 66:5). Alguém já disse: “somente o temor a Deus pode livrar-nos do temor aos homens”. “O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal...” (Pv 8:13). O temor do Senhor é o elemento indispensável para andarmos nos procedimentos sábios, evitando assim, o mal. “Pela misericórdia e pela verdade se expia a culpa, e pelo temor do SENHOR os homens evitam o mal”. (Pv 16:6). Continua Pink: O homem que vive no temor de Deus tem consciência que: “os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Pv 15:3). “A verdadeira piedade nunca se separa do temor de Deus”, disse William S. Plumer. Por isso mesmo(continua Pink) , o homem que teme ao Senhor vive conscienciosamente tanto em sua conduta particular como em sua conduta em público. O homem que evita cometer determinados pecados, porque os olhos dos homens estão fixos sobre ele, mas que não hesita em cometê-los quando está sozinho, é destituído do temor de Deus. Isto também se aplica à linguagem, aos pensamentos e qualquer tipo de ação: “Deus o vê e ouve a todos os momentos”. A oração intensa dos regenerados é “...dispõe-me o coração para só temer o teu nome”. (Salmo 86:11). Foi Richard Alleine quem disse: “Aquele que sabe o que é ter prazer em Deus temerá sua perda. Aquele que viu sua face, terá medo de suas costas”. Há um comentário que se expressa nos seguintes termos: “Seguindo a orientação de Deus, pela fé, o cristão não deve temer forças malignas e projetos contra o Reino de Deus”. O temor deve ser devido ao Senhor e não ao maligno nem aos seus súditos. “ E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.
Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum deles está esquecido diante de Deus. E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos”. ( Lucas 12:4-7). “A confiança durante a perseguição depende de perceber a infinita diferença entre a morte corporal e a eterna. Tememos porque Deus é o justo Juiz (Cf. Tiago 4:12). Confiamos porque Ele é amor e governa tudo”. (Cf. Rm 8:28-39). E neste aspecto, este temor piedoso nos vem através da leitura e receptividade da Palavra de Deus. “ Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, Para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria; e inclinares o teu coração ao entendimento; Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, Se como a prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, Então entenderás o temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus”. ( Pv 2:1-5). Pink também diz: “É por meio das Escrituras que aprendemos que os olhos do Senhor estão continuamente fixos sobre nós, assinalando as nossas ações e pesando os nossos motivos. Na medida em que o Espírito Santo vai aplicando as Escrituras aos nossos corações, assim também vamos obedecendo crescentemente aquele mandamento que diz: “...no temor do Senhor perseverarás todo dia”. (Pv 23:17). Por conseguinte, na medida exata em que formos tomados pelo senso de respeito da tremenda majestade divina, nessa medida também teremos consciência de que “...Tu és Deus que vê...”. (Gênesis 16:13), pondo em ação a nossa salvação com ...temor e tremor... (Fp 2:12), e assim tiramos real proveito de nossos estudos bíblicos e da leitura das Escrituras”. O mesmo Espírito que repousava sobre Cristo repousa nos Seus santos, e acerca Dele está escrito: “E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” (Is 11:2). Alan Redpath disse: “O temor reverente de Deus é a chave para a fidelidade em qualquer situação”. Também precisamos esclarecer que o temor do Senhor não se trata do medo Dele; mas de uma reverência piedosa à Sua pessoa e aos Seus mandamentos. Conforme disse Thomas Browne: “Temo a Deus, contudo não tenho medo dele”. Irmãos, vamos atentar para o que diz o Pregador: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12:13). Amém!

Levi Cândido
candidolevi@ig.com.br
Barueri, 12 de Outubro de 2008

Habite em Cristo: O Crucificado- Andrew Murray

“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” Gl 2:19b-20a “...fomos crucificados com ele na semelhança da sua morte” Rm 6:5a “Estou crucificado com Cristo”. Desta forma o apóstolo expressa a segurança de uma comunhão com Cristo nos Seus sofrimentos e morte, bem como sua plena participação em todo poder e benção de tal morte. O apóstolo estava tão certo do que dissera – ele sabia que estava morto de fato – que acrescentou: “... já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Quão abençoada deve ser a experiência de tal união com o Senhor Jesus! Ser capaz de olhar para a Sua morte como sendo minha, de olhar para a Sua perfeita obediência a Deus, Sua vitória sobre o pecado e completo livramento do seu poder como sendo meus. Quão abençoado é perceber que o poder de Sua morte opera diariamente, pela fé, na mortificação da carne, com energia divina, renovando toda a vida em perfeita conformidade à vida ressurreta de Jesus! Habitar em Jesus, o Crucificado, é o segredo do crescimento desta nova vida, a qual é sempre gerada a partir da morte do que é natural. Procuremos entender isso. A expressão “unidos com ele na semelhança da sua morte”, irá nos ensinar o que significa habitar no Crucificado. Quando um ramo é enxertado ao tronco sobre o qual crescerá, é necessário que seja firmemente afixado e que habite exatamente onde o tronco foi ferido e cortado para receber o ramo. Não há enxertos sem ferimentos, sem que a vida interior da árvore seja aberta e exposta para receber o ramo estranho. É somente através de tais ferimentos que pode-se obter acesso para a comunhão da seiva, do crescimento e da vida do tronco mais forte. Assim ocorre também com Jesus e o pecador. Somente quando somos unidos a Ele na semelhança da sua morte é que seremos na semelhança da Sua ressurreição, participante da vida e do poder que há Nele. Na morte de cruz, Cristo foi ferido e em suas feridas abertas preparado um lugar onde podemos ser enxertados. E assim como é dito ao ramo ao ser enxertado: “habite aqui na ferida do tronco que agora o sustentará”, a mensagem vem à alma que crê: “habite nas feridas de Jesus; aí é o lugar de união, de vida e de crescimento. Aí você verá como Seu coração foi aberto para recebê-lo; como a sua carne foi rasgada para que o caminho pudesse ser aberto para você ser unido a Ele e ter acesso a todas as bençãos que fluem de Sua natureza divina”. Você também percebeu como o ramo precisa ser arrancado da árvore natural onde originalmente crescia e ser cortado conforme o lugar preparado no tronco ferido. Da mesma maneira o crente precisa ser moldado na conformidade da morte de Cristo, e ser crucificado e morrer com Ele. Tronco e ramo feridos são cortados para se encaixarem, na semelhança um do outro. Há uma comunhão entre os sofrimentos de Cristo e os seus sofrimentos. As experiências de Cristo precisam tornar-se suas. A disposição que Ele manifestou em escolher e suportar a Cruz precisam ser suas. Como Ele, você deverá dar pleno consentimento à condenação e ao julgamento justo, de um Deus santo, contra o pecado. Como Ele, você deve consentir em entregar sua vida sobrecarregada de pecado e maldição à morte, e através dela passar para a nova vida. Como Ele, você experimentará que somente através do auto-sacrificio do Getsêmani e do Calvário se encontra o caminho para a alegria e a frutificação da vida ressurreta. Quanto mais nítida for a semelhança entre o tronco e ramo feridos, mais precisamente as feridas se encaixarão uma nas outras, e mais certos, fáceis e completos serão a união e o crescimento. É em Jesus – Aquele que foi crucificado – que devo habitar. Devo aprender a olhar para a Cruz, não apenas como propiciarão perante Deus mas também como vitória sobre o diabo; não apenas como libertação da culpa mas também como libertação do poder do pecado. Devo contemplá-Lo sobre a Cruz como sendo totalmente meu, oferecendo-Se para receber-me na mais intima união e comunhão, para fazer-me participante do pleno poder de Sua morte para o pecado e da nova vida de vitória. A Cruz é a porta de entrada para a vida de vitória. Devo render-me a Ele sem restrições, com muita oração e ardente desejo, implorando para entrar cada vez mais intimamente na comunhão e na semelhança da Sua morte, do Espírito no qual Ele provou a morte. Devemos experimentar e entender porque a cruz é, desta maneira, o lugar de união. Na cruz o Filho de Deus entra na mais plena união com o homem entra na mais plena experiência de ter Se tornado o Filho do homem, um membro de uma raça amaldiçoada. É na morte que o Príncipe da vida conquista o poder da morte e é tão somente na morte que Ele pode fazer-me co-participante de tal vitória. A vida que Ele concede é uma vida que sai da morte, cada nova experiência do poder desta vida depende da comunhão da morte. Morte e vida são inseparáveis. Toda a graça concedida por Jesus, o Salvador, é somente ministrada ao longo do caminho de comunhão com Jesus, o Crucificado. Cristo veio e tomou o meu lugar; preciso colocar-me em Seu lugar e ali habitar. E há um lugar apenas que é tanto Seu quanto meu e esse lugar é a cruz. A cruz é Seu lugar por opção mas é meu lugar por causa da maldição do pecado. Ele foi à cruz para buscar-me e somente ali, na cruz, posso encontrá-Lo. Quando Ele ali me encontrou, a cruz era o lugar de maldição. Ele experimentou isso, pois “maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. Ele transformou a cruz num lugar de benção. Tal fato é a minha experiência, pois Cristo nos libertou da maldição tornando-Se maldição por nós. Quando Cristo toma meu lugar, Ele permaneceu o que era, o amado do Pai. Mas na Sua comunhão comigo Ele partilha da minha maldição e morre a minha morte. Quando permaneço em Seu lugar, que ainda é e sempre será meu, ainda sou o que sempre fui por natureza: aquele que foi amaldiçoado e que merece morrer. Mas unido a Ele, compartilho de Sua benção e recebo Sua vida. Quando veio unir-se comigo, Ele não pode evitar a cruz, pois a maldição sempre aponta para a cruz como sendo seu fim e seu fruto. Quando procuro ser um com ele também não posso evitar a cruz, pois em nenhum lugar além da cruz vida e libertação são encontrados. Da mesma forma como a minha maldição indicou-Lhe a cruz como sendo o único lugar onde Ele poderia estar completamente unido a mim, Suas bençãos também me indicam a cruz como sendo o único lugar onde posso ser unido a Ele. Minha cruz Ele a tomou como Sua; devo tomar Sua cruz como minha, preciso ser crucificado com Ele. Na medida em que habitar diária e profundamente em Jesus – Aquele que foi crucificado, é que vou provar a doçura de Seu amor, o poder de Sua vida, a plenitude de Sua salvação. Amado crente! Profundo mistério é a cruz de Cristo. Temo que há muitos cristãos que se contentam em olhar para a cruz, com Cristo morrendo ali pelos seus pecados, mas cujos corações não ardem desejosos de ter comunhão com Aquele que foi crucificado. Mal sabem que Ele os convida para tal comunhão. Ou talvez se contentam em crer que as aflições rotineiras da vida, as quais os filhos do mundo também experimentam, são sua porção de cruz de Cristo. Eles não compreendem o que é estar crucificado com Cristo. Não compreendem que tomar a cruz significa assemelhar-se a Cristo nos princípios que o moveram ao longo do Seu caminhar de obediência. A completa abnegação da carne com seus desejos e prazeres, a perfeita separação do mundo em todas as suas formas de pensar agir, o perder e o odiar a sua própria vida, a rendição do ego e de seus interesses em favor de outros – esta é disposição daquele que tomou a cruz de Cristo, daquele que procura dizer, “estou crucificado com Cristo, habito em Cristo, o Crucificado.” Agradaria você ao seu Senhor vivendo numa comunhão tão íntima quanto Sua graça o permitir? Oh, ore para que Seu Espírito o conduza para esta bendita verdade, este é o segredo do Senhor para aqueles que O temem. Sabemos como Pedro conheceu e confessou Cristo como o Filho do Deus vivo enquanto a cruz ainda era motivo de ofensa (Mt 16:6, 17, 21, 23). A fé que crê no sangue que perdoa e na vida que renova só pode alcançar o crescimento perfeito na medida em que habitar sob a cruz e, em comunhão viva com Ele, procurar e conformar-se perfeitamente com Jesus, o Crucificado. Oh Jesus, nosso Redentor crucificado, ensina-nos a não apenas crer em Ti, mas a habitar em Ti, a tomar a Tua cruz não apenas como a base do nosso perdão, mas como a lei de nossas vidas. Oh, ensina-nos a amá-la, não somente porque nela levaste a nossa maldição, mas porque nela entramos na mais íntima comunhão contigo e somos crucificados contigo. E ensina-nos, que na medida em que nos rendemos completamente para sermos possuídos pelo Espírito, através do Qual suportastes a cruz, seremos feitos co-participantes do poder e da benção aos quais tão somente a cruz permite o acesso.

Autor: Andrew Murray

Extraído da revista, À Maturidade, número 28 – Outono de 1996

Irmãos em Cristo Jesus.

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Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"