Para a Edificação do Corpo de Cristo!! Mateus 5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos maduros de Deus.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Legalismo e Leviandade - C.H. Mackintosh
Dado que sentimos, em alguma pequena medida, nossa responsabilidade, para com as almas de nossos leitores e para com a verdade de Deus, nos vemos animados pelo desejo de elevar uma breve, mas cortante voz de advertência contra dois males antagônicos que podemos ver claramente operando entre os cristãos da atualidade. Trata-se do legalismo, por um lado, e da leviandade, por outro.
Quanto ao primeiro destes males já tratamos, em muitos de nossos primeiros escritos, de livrar às preciosas almas de um estado legalista, o qual, à vez que desonra a Deus, subverte por completo a paz e a liberdade das mesmas. Temos procurado apresentar a livre graça de Deus, o valor do sangue de Cristo, a posição do crente diante de Deus em perfeita justiça e aceitação em Cristo. Estas preciosas verdades, quando se aplicam ao coração, pelo poder do Espírito Santo livrá-lo-á de toda influência legal.
Mas então freqüentemente ocorre que os crentes, uma vez que são manifestamente livrados do legalismo, incorrem no mal oposto da leviandade ou frivolidade. Isso pode dever-se ao fato de que as doutrinas da graça têm sido aprendidas tão somente de um modo intelectual, ao invés de haver sido alojadas na alma pelo poder do Espírito de Deus. Pode-se adotar muito levianamente uma grande quantidade de verdades evangélicas quando não ha tido lugar um profundo trabalho de consciência, um verdadeiro quebrantamento do velho homem e uma subjugação da carne na presença de Deus. Neste caso, haverá sem dúvida leviandade de espírito de uma ou outra forma. Se haverá de deixar uma amplíssima margem para o mundanismo em suas diversas formas; uma liberdade dada à velha natureza completamente incompatível com o cristianismo prático.
Além destas coisas, se fará manifesta uma deplorável falta de consciência nos detalhes práticos da vida cotidiana: deveres descuidados, trabalhos mal feitos, compromissos não fielmente cumpridos, obrigações sagradas tratadas com pouca seriedade, dúvidas contraídas, hábitos extravagantes tolerados. Todas estas coisas colocamos sob o título de leviandade, e, por desgraça, são demasiadamente comuns entre os mais altos professantes das que se denominam «verdade evangélica».
Pois bem, deploramos profundamente tudo isto, e quiséramos que nossas próprias almas, assim como as de todos os nossos leitores cristãos, se achassem realmente exercitadas quanto a isso. Assusta-nos o fato de que haja entre nós uma considerável porcentagem de confissão oca, uma grande falta de seriedade, veracidade e realidade em nossos caminhos. Não estamos suficientemente impregnados do espírito do cristianismo autêntico, nem somos governados em todas as coisas pela Palavra de Deus. Não prestamos suficiente atenção ao «cinto da verdade» nem à “couraça da justiça” (Efésios 6:14).
Neste caminho a alma termina em muito mal estado; a consciência não responde; as sensibilidades morais resultam atrofiadas. As atrações da verdade não são devidamente atendidas. Joga-se com males positivos. Tolera-se o relaxamento moral. Longe de existir o constrangedor poder do amor de Cristo —que conduz a atividades de bondade—, nem tão sequer está o restritivo poder do temor de Deus —que impede as atividades de maldade—.
Apelamos solenemente às consciências de nossos leitores no que diz respeito a estas coisas. O tempo presente é tremendamente solene para os cristãos. Há urgente necessidade de uma fervente e vigorosa devoção a Cristo; mas esta dificilmente pode existir paralela a tanto descuido com as correntes da justiça prática. Sempre devemos recordar que a mesma graça que libera eficazmente a alma do legalismo é a única salvaguarda contra toda leviandade. Haveremos feito muito pouco em favor de um homem —por não dizer nada— se o tiramos de um estado legal para terminar levando-o a uma frívola, indolente, descuidada e insensível condição de coração.
Entretanto, freqüentemente temos observado a vida das almas, e advertido este triste fato concernente a elas: que quando foram livradas das trevas e da escravidão, voltaram muito menos atentas e sensíveis. A carne está sempre disposta a converter a graça de Deus em libertinagem (Judas 4), e, por fim, deve ser subjugada. É mister que o poder da cruz se aplique a tudo o que é da carne. Necessitamos mesclar as “ervas amargas” com nossa festa pascoal. Em outras palavras, necessitamos desses profundos exercícios espirituais que resultam de uma positiva entrada no poder dos sofrimentos de Cristo. Necessitamos meditar mais profundamente sobre a morte de Cristo: sua morte como vítima sob a mão de Deus e como mártir sob a mão do homem.
Este é o remédio eficaz contra o legalismo e a leviandade. A cruz, em seu duplo aspecto, libera de ambos os males. Cristo “se deu a si mesmo por nossos pecados para livrar-nos do presente século mal, conforme à vontade de nosso Deus e Pai” (Gálatas 1:4). Pela cruz, o crente é tão completamente livrado do presente século mal como perdoado de seus pecados. Ele não é salvo para desfrutar do mundo, senão para romper definitivamente com ele.
Conhecemos poucas coisas mais perigosas para a alma que a combinação de verdades evangélicas com mundanismo, folga e desenfreio; a adoção de um certo vocabulário de verdades quando a consciência não está na presença de Deus; uma apreensão meramente intelectual da posição em Cristo, sem uma vigorosa ocupação no estado prático; uma clareza na doutrina quanto ao título, sem uma conscienciosa relação com a condição moral.
Confiamos em que nossos leitores suportarão a palavra de exortação. Se refrear-mos de pronunciá-la, teríamos que nos considerar deficientes em fidelidade. É verdade que não é uma tarefa agradável chamar a atenção a respeito de males práticos, urgir o solene dever do juízo próprio e inculcar na consciência as demandas da verdade prática. Seria muito mais grato ao coração expor verdades abstratas, versar sobre a livre graça e o que ela tem feito por nós, afastar-se nas glórias morais do inspirado Livro; em uma palavra, expandir-se nos privilégios que são nossos em Cristo.
Mas há momentos em que a verdadeira e prática condição de coisas entre os cristãos pesa demasiadamente forte sobre o coração e move a alma a fazer um urgente chamado à consciência no que se refere a assuntos de caminhada e de conduta; e nós cremos que o referido momento é precisamente o atual. O diabo está sempre ocupado e em guarda. O Senhor tem trazido muita luz sobre sua Palavra durante os últimos anos. O Evangelho tem sido apresentado com uma clareza e um poder particular. Milhões de almas têm sido livradas de um estado legalista; agora o inimigo procura ofuscar o testemunho conduzindo às almas a uma condição fútil, descuidada e carnal, levando-as a descuidar o saudável e indispensável exercício de juízo próprio. Profundamente conscientes disto, nos sentimos impulsionados a oferecer umas palavras de admoestação acerca do LEGALISMO E LEVIANDADE.
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.” (Tito 2:11-14).
C.H.M.
A Pregação aos espíritos encarcerados - William Kelly
(1.ª Pedro 3:19-20)
Extraído do site www.verdadespreciosas.com.ar
Traduzido pelos irmãos da cidade de Alegrete-RS
Posto que o correto entendimento desta passagem depende grandemente de que a tradução seja a mais literal e exata possível, oferecemos uma tradução interlinear do grego ao português para poder apreciar melhor alguns detalhes que escapam nas versões ordinárias. Quem lê inglês pode consultar a versão interlinear de Newberry The Englishman’s Greek New Testament, ou as excelentes traduções de Darby e de Kelly.
Leiamos cuidadosamente a passagem:
1.ª Pedro 3:18-20
3:18 οτι και χριστος απαξ περι αμαρτιων επαθεν
Porque também Cristo uma vez pelos pecados padeceu
Δικαιος υπερ αδικων ινα ημας προσαγαγη τω θεω
[O] justo pelos injustos para nos levar a Deus,
θανατωθεις μεν σαρκι ζωοποιηθεις δε πνευματι
sendo morto na carne, mas vivificado na virtude do] Espírito,
3:19 εν ω και τοις
na [virtude de] o qual também aos [que estão]
εν υλακη πνευμασιν πορευθεις εκηρυξεν
em prisão espíritos, vendo pregou
3:20 απειθησασιν ποτε οτε απεξεδεχετο
os que desobedeceram em outro tempo, quando aguardava
η του θεου μακροθυμια εν ημεραις νωε
a de Deus paciência em [os] dias de Noé
κατασκευαζομενης κιβωτου
entretanto se preparava [a] arca
As seguintes notas de William Kelly têm sido tomadas de sua obra “The Epistles of Peter” págs. 199-205.
Se alguém deseja uma mais detalhada discusão destas notáveis expressões, poderá achar ajuda no tratado, em inglês, titulado “A pregação aos espíritos encarcerados” (Weston, 53, Paternoster Row).
Aqui necessitamos velar para não ceder à fantasia, mas sim estar sujeitos às palavras do Espírito Santo em seu sentido exato e em sua concordância com esse contexto. Porque elas são freqüentemente tomadas de forma vaga e com certa predisposição em favor de uma idéia preconcebida ou com vistas a um fim desejado. Para contar com uma luz segura, é mister ter o olho sensível: e isto só é possível quando Cristo constitui o objeto central. O pronome relativo se refere ao Espírito[1] em virtude “do qual”, Cristo foi vivificado depois de sua morte.
Seguidamente se acrescenta de um fato muito diferente, mas igualmente dependente do Espírito: “em [virtude de] o qual também foi e pregou aos espíritos [que estão] encarcerados, os que em outro tempo desobedeceram quando uma vez esperava a paciência de Deus nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” (1.ª Pedro 3:19-20).
Aqui dá a entender que Cristo no Espírito pregou a aqueles cujos espíritos estão encarcerados porque quando ouviram Suas advertências, foram desobedientes; e o tempo em que isso ocorreu está fixado antes do dilúvio o qual os castigou enquanto estavam na terra, pois eles estão agora guardados, como todos os demais desobedientes, para o juízo vindouro.
A preposição grega έν se requer aqui a fim de expressar com exatidão “em” ou “por” que poder Cristo foi e pregou aos espíritos em prisão. Não foi em pessoa, senão em virtude do Espírito. Isto se acha notavelmente confirmado pela linguagem de Gênesis 6:3:
“Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá ( contenderá) para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.”
Aqui aprendemos a que se referia o apóstolo, não só a Cristo em Espírito (e sabemos que Ele é Jeová sem dúvida nenhuma), senão ao término da longanimidade de Deus nos dias de Noé. Pois a isto se refere à declaração divina, não à vida do homem (a qual ainda depois do dilúvio era muito mais larga todavia), senão a Sua paciente contenção enquanto se preparava a arca. 2.ª Pedro 2:5 junto com 1.ª Pedro 1:11 unem muita ajuda para esclarecer o sentido da passagem. A razão é simples: Noé, mais que qualquer outro homem da antigüidade, é denominado “pregoeiro da justiça”, de modo que podemos esperar que o poder que operava nele, era o mesmo Espírito de Cristo que estava nos profetas e que “ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam.”.
A verdade comunicada na passagem se torna assim perfeitamente clara e consistente, não só com as exatas demandas do contexto, senão com o resto da Escritura. Se pode dizer que aqui há menos dificuldade que com Efésios 2:17, onde se diz de Cristo, que “E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto.” Nenhuma pessoa razoável vê nestas palavras outra coisa que Cristo ―não em pessoa, senão no Espírito― pregando aos gentios, assim como aos judeus, depois de sua ascensão. Está bastante claro. Mas em nossas passagens ―se não é mal interpretada por aqueles que dão rédeas solta à imaginação ou pelos supersticiosos― a graça proveio à qualificação ou o poder “no qual” [o Espírito] Ele procedeu, não dentro da prisão, como alguns o têm imaginado, senão que pregou aos espíritos que estão agora em prisão. Eles eram pessoas que viviam na terra quando o Espírito contendia com eles nos dias de Noé quando se preparava a arca.
Com isto precisamente concorda a expressão “os que em outro tempo desobedeceram”, durante esse largo período de longanimidade, compaixão e testemunho. De novo, a estrutura da frase é a única apropriada para expressar a causa ou razão moral pela qual eles estão agora encarcerados. Ao invés de haver se arrependido e haver crido, quando o Espírito de Jeová contendia, eles desobedeceram: um fato que nosso Senhor pôs como advertência, igual ao que seu servo faz aqui
(Mateus 24:38-39). Da mesma sorte concorrerão os imprudentes na vinda do Filho do homem na consumação dos séculos.
Não há lugar na doutrina, como tampouco nos atos ou na fraseologia de Pedro, para a estranha noção introduzida por comentaristas antigos e modernos de que Cristo em pessoa foi ao Hades depois de sua morte com o propósito de pregar aos espíritos ali. O estranho disto se torna ainda mais agudo pelo fato de que os únicos de quem se diz que são os objetos de Sua pregação foram essa geração da humanidade que havia sido favorecida com a contenção de Seu Espírito em Noé. Esse favor, quando eles estavam vivos, haveria tido naturalmente muito mais peso contra a alegada visita de Cristo depois de Sua morte, mesmo quando outras passagens não demonstraram que isso não é necessário para os santos e vão para os pecadores.
A verdade é que a noção fabulosa de tal pregação realizada por Cristo depois de sua morte no Hades, contravém toda a verdade contida ao largo de todas as Escrituras, e é extraída somente desta passagem que estamos considerando, fazendo violência a suas cláusulas por separado e a sua definida esfera de aplicação, sem procurar ocupar-se em seguir o argumento divino, senão interpolando uma interrupção totalmente incongruente.
Pois o único caráter atribuído àqueles que ouviram a pregação, como a causa de seu encarceramento, é que então foram desobedientes, e não é estranho que a desobediência constitua uma razão para assinalar a estes de forma especial com o favor do Senhor ao ir à prisão por eles?
Se bem seria um ultraje contra a doutrina ortodoxa o fato de supor que haja existido tal pregação a tal audiência, em tal lugar, condição e tempo, é ainda mais claramente contrário aos termos do apóstolo o fato de que alguém introduza fraudulentamente a idéia de que o Senhor pregou ao conjunto dos santos defuntos do Antigo Testamento. Nem uma só palavra implica que um crente se ache entre os espíritos encarcerados. Todos os esforços neste sentido, desde Agostinho até Calvino, e nos tempos modernos até Horsley, e outros tantos mais a partir dele, são completamente vãos. O claro significado do ensinamento é contrastar o conjunto de espíritos desobedientes ―os que estão na prisão correspondente do estado separado do corpo[2]― com os poucos que foram levados a salvo através da água na arca.
Os judeus incrédulos que objetavam o reduzido número dos cristãos, eram assim poderosamente refutados, o mesmo que seu menosprezo ante a pregação como algo que não produzia resultados sérios, já fosse crida ou recusada. Estava Cristo atuando agora pelo Espírito, em lugar dessa manifestação de poder e glória que os judeus anelavam por sua incredulidade do que Deus está fazendo mediante o Evangelho? Que os tais recordem a maneira em que Deus trabalhou antes do dilúvio, e que sucedeu com aqueles que desobedeceram Suas advertências. Não há, pois, nenhuma autêntica dificuldade nesta passagem, quando se compreende a analogia geral dos dias de Noé, assim como os detalhes do texto mais correto, prestando a mais estrita atenção à tradução gramatical e à sã doutrina. Não se poderia achar no Antigo Testamento outro evento mais oportuno para advertir aos judeus escarnecedores nos dias do apóstolo, que o que aconteceu aos desobedientes no tempo de Noé quando se preparava a arca. Quê diferente foi o resultado da pregação de Jonas aos homens de Nínive! Entretanto, seu arrependimento não foi senão transitório, e o fim da grande cidade seguiu. Mas o dilúvio não foi tudo para aqueles que recusavam ao Espírito de Jeová que advertia por meio de Noé; pois seus espíritos estão encarcerados aguardando o juízo, onde ninguém é justo diante de Deus. Eles estão perdidos para sempre. Só pela fé um pecador é justificado. A desobediência da incredulidade é eternamente determinante. Desafia não só a graça de Deus, senão sua ira; e é pior naqueles que tem as Escrituras.
A suposição de que Cristo pregou aos defuntos no Hades é um sonho, que choca não só com a verdade em geral senão com este contexto em particular, fazendo dele, quando se examina detalhadamente cada palavra em forma adequada, algo imperfeito e irreconciliável. O resultado, além disso, é uma extraordinária alegação, que sugere uma inferência doutrinal em conflito com todas as demais partes da Palavra de Deus. Porque atribui a Cristo uma obra que é supérflua para os santos, e não menos também para os pecadores: E para estes últimos deixa aberta a possibilidade de converter-se sobre a base de uma falsa esperança, completamente inconsistente com tudo o que nosso Senhor declarou àqueles que morrem em incredulidade enquanto estiveram aqui em baixo, e também com o que o Espírito Santo ensinou desde a redenção.
Outro perverso efeito desta errônea interpretação é que ela dá lugar a que mentes engenhosas intentem provar uma obscura confirmação desses textos no Antigo Testamento, como no Salmo 68:18; Isaías 45:2; 49:9, como assim também negar que o paraíso é celestial no Novo Testamento. Um erro conduz a outro, e pode conduzir a muito mais. Bom é manter a esperança da bem-aventurada e santa “primeira ressurreição” na vinda de Cristo. Mas se faz um dano tremendo ao negar a benção intermediaria dos santos[2] que partiram para estar com Cristo. A Escritura é perfeitamente clara e segura quanto a ambos.
W.Kelly
ANSWERS TO QUESTIONS (tomado de the Bible Treasury Vol. 14, por W. Kelly)
Bible Treasury volumen 14, p. 32, febrero de 1882.
PERGUNTA 1.ª Pedro 3:18-20: Qual é o significado desta passagem? Pregou Cristo depois da morte aos santos do Antigo Testamento?
RESPOSTA: Para entender, este versículo deve ser tomado junto com o que precede. Cristo “morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água, a qual, figurando o batismo, agora também vos salva …”.
Assim como lemos em 1.ª Pedro 1:10-12 acerca do Espírito de Cristo testificando nos profetas, assim também aqui aprendemos que Seu Espírito (ou seja, em Noé) pregou. Aqueles que ouviram, foram então desobedientes, e seus espíritos estão agora em prisão. O Espírito de Cristo por meio de Noé foi e lhes pregou quando eram pessoas vivas na terra, antes de que viesse o dilúvio. Mas eles recusaram a Palavra e agora, em conseqüência, seus espíritos aguardam o juízo na ressurreição dos injustos. A colocação do grego (τοις εν φυλακη πνεμασιν) é decisiva, quanto a que a verdadeira conexão não é com a pregação, senão entre os espíritos e a prisão. Eles eram pecadores que foram desobedientes à mensagem, e não santos consolados. A pregação foi na terra, onde teve lugar o repúdio da incredulidade; e por causa disto, seus espíritos estão agora encarcerados (o oposto de estar no paraíso), até que venha o juízo.
NOTAS
[1] N. do T.─ Sobre o termo "Espírito" em 1.ª Pedro 3:18, algumas versões, como nossa versão Reina-Valera, tomam o termo pneuma (espírito) com minúsculas, enquanto que outras, como a King James (Authorized Version), em inglês, põem o termo com E maiúsculos. Levemos em conta que no original grego pneuma não tem nem maiúsculas nem minúsculas. É o tradutor quem decide se se refere ao espírito humano (aí vão minúsculas) ou ao de Deus (aí vão maiúsculas)."For Christ also hath once suffered for sins, the just for the unjust, that he might bring us to God, being put to death in the flesh, but quickened by the Spirit: By which also he went and preached unto the spirits in prison; Which sometime were disobedient, when once the longsuffering of God waited in the days of Noah, while the ark was a preparing, wherein few, that is, eight souls were saved by water. (AV) (1.ª Pedro 3:18-19)."Quickened by the Spirit", é a versão mais correta porque, em primeiro lugar, coincide com a doutrina de Romanos 8:11, e 2; e, em segundo lugar, não é doutrinalmente correto dizer que o espírito humano do Senhor estivera morto (como se implicaria se se tomasse espírito com minúscula) e que necessitasse ser feito vivo ou vivificado. A alma e o espírito não morrem, pois são imortais; o corpo sim. Por estas duas importantes razões, a maioria dos tradutores adictos à sã doutrina optam por referir aqui ao Espírito Santo, pois o outro não teria sentido.
[2] N. do T.─ O estado intermediário se refere à condição da alma separada do corpo por ação da morte, até que volte a unir-se ao corpo na ressurreição. Para os santos, se trata de uma condição de benção, ou seja, do paraíso, a imediata presença de Deus atrás da morte (Lucas 23:43; 2.ª Coríntios 12:1-4); enquanto que para os malvados, sua parte é no inferno, onde sofrerão o castigo eterno e consciente
Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"