sábado, 14 de fevereiro de 2009

Tesouros na Terra ou no Céu? - W. Kelly

Extraído do site www.verdadespreciosas.com.ar e Traduzido pelos irmãos da cidade de Alegrete-RS
Mateus 6:19-21
Cristo, como ninguém, conhecia perfeitamente a todos os homes, e não tinha necessidade de que ninguém lhe desse testemunho do homem (João 2:24-25). O homem busca tesouros na terra. Não necessariamente esses tesouros que o atraem são ouro ou bens materiais. Podem ser prazeres, poder ou posição social. Alguns põem seu coração em obter fama nas letras ou na erudição, nas ciências ou na arte. Outros se enamoram da poesia, da oratória ou da Filosofia. A posição de juiz ou de advogado no Tribunal, o exercito ou as forças armadas, o governo civil ou a política, a filantropia ou inclusive o púlpito, ordinariamente falando, alimentam a ambição de outros tantos. Estes objetos, e todo outro similar, que atraem o coração do homem, são tesouros na terra e estão por baixo da fé à qual é chamado o cristão: a fé no Deus invisível e eterno. “Não ameis ao mundo, nem as coisas que estão no mundo. Se alguém ama ao mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, os desejos da carne, os desejos dos olhos, e a soberba da vida, não provém do Pai, senão do mundo. E o mundo passa, e seus desejos; mas o que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1.ª João 2:15-17).

Ouçamos as palavras do Salvador acerca da armadilha mais comum para o homem: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:19-21).

Os tesouros no céu são as coisas de cima, onde está Cristo assentado à destra de Deus (Colossenses 3:1). Nestas coisas temos de por nossa mente, não nas coisas que estão na terra (Colossenses 3:2). Porque estamos mortos com Cristo paras as melhores coisas da terra, dos rudimentos do mundo que Israel tinha como sua religião; e nossa vida está escondida com Cristo em Deus (v. 3). A cruz de Cristo pôs fim a todas aquelas sombras e ordenanças; e, em conseqüência, o cristão esta crucificado para o mundo, e o mundo para ele (Gálatas 4:14). Se ele verdadeiramente é de Cristo, é de caráter celestial ao estar unido a Cristo, mesmo que esteja todavia sobre a terra, e leve a imagem de Adão, terreno, até que Ele venha (1.ª Coríntios 15:47-49).

Não os deixeis persuadir pelos incrédulos gestos de desprezo e burlas daqueles que tratam de rebaixar ao nível dos demais objetos mundanos vossos verdadeiros objetos. Estes últimos estão muito por cima do mundo, ou da terra habitada porvir, bendita como o será quando Cristo e seus santos reinarem sobre ela. Nossa própria porção está no céu, e com Cristo ali. Que nenhum engano os prive do que os revela o Espírito Santo enviado do céu, sobre o qual as Epístolas falam de uma maneira muito mais ampla a comparação do que os discípulos eram capazes de sobrelevar quando seu Senhor estava ainda aqui em baixo, como ele nos diz (João 16:12).

O mais sábio dos homens não tem a capacidade de julgar o que Deus quer para seus filhos agora. O Novo Testamento é mais claro que a água em quanto a que Ele quer ter aos seus como não pertencentes ao mundo; efetivamente, o Senhor declara de forma explícita que eles não são do mundo da mesma maneira que Ele não é do mundo (João 17:14). “Como está escrito: Coisas que olho não viu, nem ouvido ouviu, nem tem penetrado no coração do homem, são as que Deus tem preparado para os que o amam. Mas Deus no-las revelou a nós pelo Espírito; porque o Espírito tudo esquadrinha, mesmo o mais profundo de Deus” (1.ª Coríntios 2:9-10). Estes são tesouros que o Senhor nos chama a guardar no céu. E nada pode roubá-los, como se se pode fazer com os tesouros da terra por ação da corrupção ou da violência.

Não digamos que semelhante meta está fora do alcance do crente. O estaria, por certo, se não contássemos com a graça de Deus que nos dá o poder para realizá-lo. Mas temos a Cristo como Cabeça no alto, “e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.” (Colossenses 2:19). Sua graça basta para alguém que atravessa as circunstâncias mais quebrantadoras. E se temos tal Advogado no alto, temos a um não menos divino para trabalhar em nós aqui em baixo a fim de que sejamos fortalecidos no homem interior (Efésios 3:16). Foi assim como outrora uns foram capazes de gloriarem-se na fraqueza —nunca de pecados— para que o poder de Cristo faça sua morada neles (2.ª Coríntios 12:9).

Umas últimas palavras para os que não conhecem ao Salvador, todavia. Se tu continuas a ter dúvidas acerca da salvação de tua alma, como poderias deixar passar este dia sem resolver este ponto diante de Deus? Ele enviou a seu Filho para ti, para que possas viver por Ele, e para que Ele, o Senhor Jesus, morra por ti, se, por teus pecados. Veja a Deus no nome do Salvador crucificado para tuas necessidades, para tuas culpas e para tu ruína espiritual. Jesus nunca recusou a todo aquele que, consciente de seus pecados, recorre a Ele. O Pai quer que honres assim ao Filho, que declara solenemente: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão” (João 5:24-25). Não sejas, pois, incrédulo, senão crente; confia na graça de Deus e tudo o que te falta te será dado no mesmo amor. É Seu gozo abençoar ao crente.

W. K.

A Restauração de Pedro - C.H. Mackintosh

www.verdadesvivas.com.br

O assunto destas linhas trata da maneira como o Senhor restaura o seu povo quando ele se desvia. É abordado de forma compreensiva e é baseado na maneira como o Senhor restaurou a Pedro segundo o registro do evangelho de João 21.
Um estudo cuidadoso de João 21.1-19 nos capacitará a traçar três tipos distintos de restauração, a saber:
Restauração de consciência, Restauração de coração e Restauração de posição.
RESTAURAÇÃO DE CONSCIÊNCIA
Não podemos estimar suficientemente o valor de uma consciência sã, clara e não reprovada. É muito óbvio que Pedro a possuía na tocante cena “junto ao mar de Tiberíades”. E contudo ele havia caído a pouco tempo antes – caído vergonhosa e gravemente. Ele havia negado o seu Senhor, praguejando e jurando. Todavia ele foi restaurado. Uma olhada de Jesus havia liberado as profundas fontes de seu coração e suscitado um fluxo de lágrimas de amargura. Contudo, não foram as suas lágrimas que fizeram isso, mas o amor que as provocou, o qual veio a ser a base de sua completa restauração de consciência. Foi o imutável e eterno amor do coração de Jesus, a eficácia divina do sangue de Jesus e o preponderante poder da advocacia de Jesus que conferiu à consciência de Pedro a intrepidez e a liberdade tão admiravelmente apresentada na memorável ocasião que está diante de nós.
Neste capítulo final do Evangelho de João, o Salvador ressuscitado é visto cuidando de Seus pobres, fracos e errantes discípulos. Ele valeu-Se das necessidades básicas deles para Se tornar conhecido aos seus corações em perfeita graça. Havia uma lágrima a ser enxugada, uma dificuldade a ser resolvida, um temor a ser aquietado, um coração despojado a ser contentado, uma mente descrente a ser corrigida? Jesus estava presente em toda a plenitude e multiplicidade de Sua graça para atender todas essas coisas. Quando eles tinham saído para passar uma noite em infrutífera labuta, o Senhor Jesus tinha os Seus olhos fixos neles. Sim esse mesmíssimo Jesus que tinha morrido na cruz para salvá-los de seus pecados, agora “estava na praia” para restaurá-los de seu desgarramento, reuni-los em volta de Si mesmo e satisfazer todas as suas necessidades.
Mas observemos minuciosamente as evidências de uma consciência completamente restaurada, como apresentada por Simão Pedro. Ele não pôde esperar pelo barco ou pelos seus companheiros-discípulos para estar aos pés de Jesus. Ele atirou-se ao mar, o que equivale a dizer: “Eu preciso ser o primeiro a estar com o meu Salvador ressuscitado”. Ninguém tem tal pretexto a não ser o pobre, vacilante e fracassado Pedro.
A confiança de Pedro era irrestrita, e isto veio a ser gozo para o coração de Jesus. O amor aprecia demonstrações de confiança; gosta de ser confiado. Que ninguém pense estar honrando Jesus ao ficar hesitando, permanecendo à distância, alegando ser indigno. Contudo é muito difícil para alguém que tem se desviado recobrar a sua confiança no amor de Cristo. Tal pessoa – pode ver claramente que um pecador é bem vindo a Jesus, não importando quão grande são ou quantos tenham sido os seus pecados. Mas a dúvida se interpõe por pensar que no caso de um cristão desviado a coisa é completamente diferente. Contudo, a Palavra de Deus diz: “Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões” (Jeremias 3.22). O amor do coração de Jesus não sofre variação. Indubitavelmente é triste cair, errar, desviar-se, porém, é ainda mais triste quando, tendo sucumbido, duvidamos do amor de Jesus ou de Sua graciosa prontidão para nos restaurar novamente.
Amado leitor, você tem caído? Você tem errado? Você tem perdido o doce senso do favor divino? Se a sua resposta for afirmativa, o que você deve fazer? Simplesmente isto: “Volte!”. Esta é a palavra que Deus tem para o desviado. Volte em plena confissão, em auto-juízo e na mais plena confiança no infinito, imutável amor do coração de Cristo. Não meça o coração de Jesus com os seus próprios pensamentos. Satanás lhe manteria a uma distância de desalento desse precioso Salvador que lhe ama com um amor eterno. Mas você só tem de fixar o seu olhar no sangue, na advocacia e no coração de Jesus para dar uma resposta triunfante a todas as terríveis sugestões do inimigo e a toda inquietação de seu próprio coração. Lembre-se sempre que o Senhor Jesus ama ser confiado.
RESTAURAÇÃO DE CORAÇÃO
O coração tem de ser restaurado assim como a consciência. O que muitas vezes ocorre é que, embora a consciência seja perfeitamente limpa quanto a certos atos, as raízes de onde esses atos brotam não foram alcançadas ainda. Os atos são vistos no exterior da vida diária, mas as raízes são ocultadas bem no fundo do coração. Elas podem ser desconhecidas para nós mesmos e para outras pessoas, mas estão totalmente desveladas aos olhos dAquele com quem temos de prestar contas.
Essas raízes devem ser alcançadas, expostas e julgadas; isso é necessário antes que o coração se encontre numa condição reta aos olhos de Deus. Observem o modo extremamente gracioso em que o nosso bendito Senhor age para alcançar as raízes no coração de Pedro, Seu querido e honrado servo: “Depois de terem comido” (João 21.15). Não antes. Não havia alusão ao passado, nada que pudesse causar um abatimento no coração ou trazer uma nuvem sobre o espírito, e isto enquanto uma consciência restaurada estava se deleitando na companhia de um amor que não sofre variação. Esta é uma excelente característica moral. Isso caracteriza o procedimento de Deus com todos os Seus santos. A consciência é colocada em descanso na presença de um amor infinito e eterno.
Mas é necessário que ocorra uma atuação mais profunda para alcançar a raiz das coisas no coração. Quando Simão Pedro, na plena confidência de uma consciência restaurada, lançou-se aos pés de seu Senhor ressurreto, ele recebeu aquele gracioso convite: “Vinde, comei”. Mas, “depois de terem comido”, Jesus toma Pedro à parte a fim de partilhar à sua alma a luz da verdade; o intento desse gesto é que ele pudesse discernir a raiz de onde todo o seu fracasso emanou. Essa raiz era a auto-confiança. Ela o levou a se colocar acima dos outros discípulos e dizer: “Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim” (Mateus 26.33-35).
Essa raiz tinha que ser exposta. Por isso, depois de terem comido, o Senhor disse a Pedro: “Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes outros?” (João 21.15). Esta era uma pergunta oportuna e ela foi bater no fundo do coração de Pedro. Três vezes ele havia negado o Seu Senhor e agora por três vezes o Senhor desafia o seu coração – porque a raiz precisa ser alcançada, caso se tenha em vista algum resultado bom e permanente.
Não adianta simplesmente ter a consciência purificada dos efeitos produzidos na vida prática. É necessário que também se faça o julgamento moral daquilo que os produziu. Isto não é suficientemente compreendido e tomado em consideração, e é por isso que as raízes estão sempre brotando novamente, dando os seus frutos com crescente poder. Isto nos dá a mais amarga e penosa obra, que poderia ser toda evitada se as raízes das coisas fossem julgadas e mantidas sob julgamento.
Conhecemos nossas raízes? Sem dúvida que é difícil, muito difícil conhecê-las. Elas são profundas e numerosas: orgulho, vaidade pessoal, cobiça, irritabilidade, ambição. Essas são algumas das raízes do caráter, a origem da motivação das ações sobre as quais uma censura apropriada deve ser praticada. Devemos deixar a natureza saber que o olho do auto-juízo está continuamente sobre ela. Temos de continuar com a luta sem interrupção. Talvez ocasionalmente tenhamos de lamentar algum fracasso, mas precisamos manter a luta, porque a luta é um sinal de vida. Precisamos recordar a realidade dos fatos: nenhuma coisa boa habita na carne. Que Deus o Espírito Santo nos fortaleça para esta vigilância contra a carne.
RESTAURAÇÃO DE POSIÇÃO
Quando a consciência tem sido completamente purificada e o coração, com suas muitas raízes julgadas, há uma preparação moral para o nosso perfeito caminho. O perfeito amor de Jesus tinha afugentado todo temor da consciência de Pedro. As Suas três perguntas tinham revelado as raízes no coração de Pedro. Agora Ele lhe diz: “Quando eras mais moço tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro havia de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me.”(João 21.18-19)
Foi com estas mesmas palavras que o Senhor havia começado com Pedro como Seu discípulo. Naquela ocasião ele também havia dito: “Segue-me” (Mateus 4.19). Eis aqui em duas palavras a senda do servo de Cristo: “ Segue-me”. O Senhor acabara de dar a Pedro a mais doce garantia de Seu amor e confiança. Ele havia, não obstante todos os fracassos passados de Pedro, confiado aos seus cuidados tudo aquilo que neste mundo era querido ao Seu coração de amor: os cordeiros e as ovelhas de Seu rebanho. Na prática, Ele lhe havia dito: “Se você tem afeto por Mim, apascenta os Meus cordeiros, pastoreia as Minhas ovelhas”. Agora, numa breve mas compreensível expressão vocal, Ele revela a Pedro o seu perfeito caminho: “Segue-me”.
RESTAURAÇÃO DE CAMINHO
Isto é suficiente e abrange tudo o mais. Se queremos seguir a Jesus, devemos manter continuamente os nossos olhos n’Ele. Devemos observar as Suas pegadas e andar nelas. Quando tentado à semelhança de Pedro a “voltar-se” para ver o que este ou aquele está fazendo, ou como o faz, precisamos ouvir as palavras de correção do Senhor: “Quanto a ti, segue-me” (João 21.20a e 22b). Este deve ser o nosso principal e todo envolvedor negócio, aconteça o que acontecer. Milhares de coisas podem surgir para perturbar e atrapalhar. O diabo nos tentará a olhar aqui e ali, a olhar para esta ou para aquela pessoa, a imaginar que podemos fazer melhor noutro lugar, ou a imitar o labor de algum companheiro de jornada. Tudo isto é rebatido por tais marcantes palavras: “Segue-me”.
O que para isso nos é necessário é a vontade subjugada – o verdadeiro espírito de um servo que espera no Mestre para conhecer a Sua mente. É mais fácil estar ocupado do que estar quieto. Quando Pedro era “mais moço” ele andava por onde queria; mas quando tornou-se mais “velho” ia para onde não queria. Que contraste entre o jovem, inquieto, ardente e vigoroso Pedro indo para onde bem queria e o velho, amadurecido, dominado e experiente Pedro indo para onde não queria (pois agora estava sujeito ao Senhor). Que misericórdia ter a vontade subjugada – ser capaz de dizer do fundo do coração: “Contudo, não se faça a minha vontade, e, sim, a tua” (Lucas 22.42)

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"