Gêneses 4; Hebreus 11:4
Extraído do site http://www.verdadespreciosas.com.ar/ e traduzido para o Português pelos irmãos da cidade de Alegrete-RS
Se tomarmos a história do jardim de Éden em seu conjunto, veremos nela um todo no mais pleno sentido, e um sucinto mas completo quadro dos caminhos de Deus. O homem posto sob responsabilidade, e inclusive sob a lei, foi pecaminoso, e mostrou ser um verdadeiro pecador; e foi jogado fora do lugar de residência, onde Deus o visitava para ter comunhão com Ele. Mas Deus não o enviou fora para começar um novo mundo longe Dele mesmo sem dar o mais pleno testemunho à soberana graça que fez frente ao mal. A nudez do homem era a expressão da inocência que se perdeu. A vergonha e a culpa, e um temor culpável da presença de Deus, constituíam agora o estado do homem: Deus em sua soberana graça resolveu isto. Vestiu ao Adão com aquilo que proveio da morte, e Seus olhos tinham Sua própria obra ante Ele. Isto não dizia que o homem estivesse nu em si mesmo, mas sim que o próprio Deus, havendo tomando conhecimento disso em graça, havia coberto sua nudez. O presente estado foi perfeita e plenamente provido, e o poder do mal julgado no futuro. daqui em diante o poder da semente da serpente seria destruído.
Mas o homem, jogado fora assim de diante de Deus, com a inocência perdida, começou um novo mundo, e então surgiu necessariamente a pergunta: «Pode ter o homem algo que dizer a Deus?; e como?» Agora bem, é claro que se Deus obrou no homem, Ele não podia nem por um momento ser indiferente ao que tinha acontecido; e mais claro ainda é o fato de que Deus não podia ser indiferente ao estado do mal que tinha levado ao homem onde se encontrava agora, e que foi expresso pelo que ele era em pecado e longe de Deus. Aquilo que era o triste resultado para o homem, Deus o viu como o mal estado nele.
A expulsão do paraíso pôs ao homem em uma via judicial fora daquele lugar, embora não de maneira irrecuperável. Ele estava ali moralmente, e surgiu a pergunta: «Podia aproximar-se de Deus?» Em realidade, agora não podia, enquanto for insensível ao estado no qual tinha entrado; em este permaneceria ainda tão afastado de Deus como sempre, e Deus, em Seu governo e testemunho públicos, não podia dar testemunho de receber ao homem nesse estado. E esta é a nova plataforma sobre a que se acham Caim e Abel: a de uma aproximação a Deus achando-se em um estado que foi o resultado da expulsão de Sua presença. Aproximamo-nos de Deus como se nada tivesse passado, em relação com as circunstâncias e os deveres cotidianos do lugar no qual entramos, ou, em troca, conscientes da pecaminosidade deste estado, conscientes de nossa queda, e elevando nossos olhares a Deus em nossas consciências como aqueles que as adquirimos pelo pecado? Todo cristão sabe. E note-se bem aqui, que não se trata de pecado cometido, mas sim da consciência de nossa verdadeira condição diante de Deus.
Caim vai a Deus com o fruto de seu esforçado trabalho (o homem tinha sido enviado para cultivar a terra). Tal é o verdadeiro estado prático do homem jogado fora. No Abel, em troca, a fé tinha suas percepções. O pecado tinha entrado, e, pelo pecado, a morte; e a fé o reconhecia. “Agora, na consumação dos séculos, apresentou-se uma vez para sempre pelo sacrifício de si mesmo para tirar do meio o pecado” (Hebreus 9:26). Isto não era a purificação dos pecados atuais cometidos pelo indivíduo. Destes se fala imediatamente depois como um tema à parte e distinto, que adiciona o julgamento, mas um julgamento já pronunciado para aqueles que olham a Ele como Aquele que levou nossos pecados, Aquele que veio a ser Ele mesmo o Juiz (Hebreus 9:26-28).
Temos quatro mundos, por assim dizê-lo, neste aspecto:
1. O Jardim de Éden
2. Um mundo já não mais inocente, a não ser um homem afastado de Deus e jogado fora para um lugar onde o pecado e Satanás reinam.
3. Um mundo no qual Cristo reina em justiça, e
4. Os novos céus e a nova terra, onde mora a justiça.
Temos um mundo inocente (que agora já passou) onde o homem foi provado sem o mal nele pela simples obediência. O mundo final, baseado na justiça, que nunca muda em sua natureza, e que não pode muda em sua estabilidade moral
Mas logo que o pecado tinha entrado e caracterizado o mundo e o estado do homem, os termos sobre os quais o homem podia estar com Deus deviam ser mudados, por quanto Deus não podia mudar. O fato de que um Deus santo e uma criação pecaminosa tivessem que estar nos mesmos termos, como se esta fosse inocente, simplesmente não podia ser. A livre e feliz comunhão seria impossível. Podia haver um clamor por graça de parte do homem (uma provocação pelo terreno sobre o qual o homem se achava), mas não uma livre relação. Que Deus seja amor, não altera este fato. Seu amor é um amor santo, pois Ele é luz; mas “os homens amaram mais as trevas que a luz, porque suas obras eram más” (João 3:19).
Admito e acredito que o livre e soberano amor de Deus originado por si mesmo, constitui a fonte de todo nosso gozo, esperanças e bênçãos, eternas e infinitas como o são. Mas Deus exerce esse amor mediante a introdução de um Mediador na morte: não aqui mediante o derramamento de sangue para pagar a culpa, mas sim na perfeita entrega de Si mesmo a Deus no que era a morte, como tal, e o fruto do pecado. ofereceu-se a gordura (Gênese 4:4) assim como o sangue, mas não oferecida como tal para perdão, mas sim para aceitação em Outro, o qual se deu a si mesmo completamente a Deus na morte, a qual tinha entrado. E advirta-se que as almas podiam aproximar-se de Deus: cada qual vinha com sua oferenda.
Caim veio como se nada tivesse passado, e tanto assim trouxe para Deus como oferenda o que era sinal do estado arruinado no qual tinha entrado, mas que ele não reconhecia como de ruína. Não havia fé nisso. Em Abel sim a havia. Ele ofereceu pela fé ?a qual reconhecia que a morte tinha entrado pelo pecado?, mas que Outro se deu a Si mesmo por ele, uma oferenda feita por fogo de aroma grato. Porque há duas coisas: “Ao que nos amou, e nos lavou de nossos pecados” (Apocalipse 1:5) e “Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós, oferenda e sacrifício a Deus em aroma suave” (Efésios 5:2). A primeira tinha que purificar os pecados precedentes; a outra assinalava o valor e a preciosidade daquele em quem somos aceitos, “aceitos no Amado” (Efésios 1:6). Agora bem, tratava-se de uma questão de aceitação ao vir diante de Deus; e Deus não aceitou ao Caim. Ele aceitou ao Abel; mas o testemunho foi dado de seus dons. Abel foi aceito, mas o testemunho de Deus era em relação ao que ele trouxe: a vida de outro em todas suas energias e perfeição entregue a Deus na morte.
Outra coisa devemos observar aqui: não se tratava de Deus que apresentava algo ao pecador. Isso era uma “propiciação (??????????) por meio da fé em seu sangue” (Romanos 3:25). Aqui se trata do Abel que se apresenta a si mesmo a Deus, mas vindo mediante a aceitação e perfeição de Outro que se deu a si mesmo por ele. E isto é propiciação. Agora, dizer que Deus podia receber a um pecador tal como se recebesse a uma pessoa inocente, equivale a dizer que Deus é indiferente ao bem e ao mal. E advirta-se aqui que não se fez uma diferença conforme a uma mudança interior que os olhos de Deus tenham visto (embora sim havia tal mudança, pois a fé estava operando no coração de Abel), mas sim uma estimativa judicial de parte de Deus, dos dons que Abel trouxe, de Cristo em figura, de Cristo devotado em sacrifício; e para isto temos a expressa autoridade da Epístola aos Hebreus. tratava-se de um sacrifício propiciatório como fundamento da aceitação diante de Deus; do contrário, faltaria toda a base da posição de um mundo caído, toda a base moral da preferência de Abel ao Caim.
admite-se que o amor, o amor que elege, pode ter estado ali; mas o fundamento da aceitação, tal como a Escritura o declara (veja-se Hebreus 11) faltaria se o sacrifício propiciatório não fosse aceito. Para ganhar a justiça segura diante de Deus, e para a aceitação do crente, conforme ao valor que é em Cristo, Ele se ofereceu a si mesmo absolutamente sem mancha para glória de Deus. “Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele. Se Deus é glorificado nele, Deus também lhe glorificará em si mesmo, e em seguida lhe glorificará” (João 13:31-32). A fé acreditou nisto então, e achou-se fruto. Abel foi aceito, e foi distintivamente sobre a base do que trouxe, de sua oferta. Caim não trouxe nenhuma dessas oferendas; ele tinha que ser aceito em si mesmo somente, e não foi. A fé olhe a este sacrifício, e encontra aceitação e bênção conforme ao valor de Cristo aos olhos de Deus.
Só queria adicionar agora que Deus deu a Cristo para este fim. Ele “enviou a seu Filho em propiciação por nossos pecados” (1.ª João 4:10). Nisso está a obra do amor que se gera a si mesmo, mas a obra efetiva do sofrimento consiste em levar a cabo em justiça esse amor. Deus não permita que debilitemos a confiança no amor do Pai. “que permanece em amor, permanece em Deus, e Deus nele.” “E nós temos conhecido e cremos no amor que Deus tem para conosco” (1.ª João 4:16).
É, pois, certo que Abel ?estando o homem caído? procurou o rosto de Deus e sua aceitação diante Dele mediante um sacrifício, de cujo valor Deus deu testemunho, “pelo qual alcançou testemunho de que era justo” (Hebreus 11:4). Foi um sacrifício que reconheceu que a morte tinha entrado, mas que, como foi apresentado, levava o caráter daquele que se ofereceu a si mesmo para glória de Deus. Não estavam em tela de juízo os pecados atuais, a não ser o estado do homem e sua aceitação diante de Deus sobre a base da morte mediatória, na qual a própria glória de Deus somente foi procurada por parte do homem em obediência, e na qual o dom mais elevado da graça resplandeceu por parte de Deus em amor.
Mas aqui, em direta relação com nosso tema, há outro ponto, menos abstrato, possivelmente mais estreito quanto a seus resultados, mas que trata mais diretamente com a consciência, e daí sua necessidade atual. Se um homem crê de coração (ou seja, convencido de sua culpa) no Senhor Jesus Cristo, não virá a julgamento; sabe que é perdoado e justificado, que tem paz com Deus, e se regozija na esperança de Sua glória, e confia em Deus para todo seu caminho até o fim. “Bem-aventurado o homem a quem Jehová não culpa de iniqüidade” (Salmo 32:2): não que não tenha cometido nenhuma, mas sim que foi levada por Outro. Outro foi substituído em seu lugar por graça, O qual tomou o cargo da culpa sobre si mesmo, “quem levou ele mesmo nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro” (1.ª Pedro 2:24). Não se trata aqui da base sobre a qual se acha o gênero humano diante de Deus, como no caso do Abel, e que, como princípio geral, reconhece toda a verdade; mas sim de pecados atuais cometidos, com os quais tratou e os quais tirou da presença de Deus Aquele que foi “moído por nossos pecados; o castigo de nossa paz foi sobre ele, e por sua chaga fomos nós curados” (Isaías 53:5).
Pois bem, isto, chame-o pela palavra que lhe agrade, era Uma pessoa posta no lugar de outra, e que logo depois dessa maneira toma os pecados e suas conseqüências sobre Si mesmo para que estes não recaiam no mínimo sobre a pessoa, que era ela a culpada, em juízo ou em conseqüências penais. Mas eles sim recaem sobre todos aqueles que não se acham sob este beneficio de substituição, e com os tais Deus entra em juízo a respeito deles. Pois do povo de Deus será dito: “Como agora”, não o que os homens têm feito, mas sim “O que tem feito Deus!” (Números 23:21-23).
A substituição, pois, é uma verdade que a Escritura ensina com máxima certeza; quer dizer, uma pessoa assumindo o lugar de outra, Cristo levando os pecados do indivíduo em Seu próprio corpo sobre o madeiro, sendo moído por eles em lugar do culpado, o qual é curado pelas chagas que Cristo recebeu. Pois “todos nos desencaminhamos como ovelhas, cada qual se apartou por seu caminho; mas Jehová carregou nele o pecado de todos nós” (Isaías 53:6).
William Kelly
Para a Edificação do Corpo de Cristo!! Mateus 5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos maduros de Deus.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
“Em Cristo”- Levi Cândido
“Conheço um homem em Cristo...” (II Co12:2ª )
Irmãos e irmãs, minha opinião é que em toda a extensão da Escritura Sagrada, uma das expressões que mais toca um filho de Deus é esta: “Em Cristo”. Creio ser esta expressão um assunto para toda a eternidade. Esta é a expressão estabelecida pelo próprio Deus para fazer-nos conhecidos o mistério da Sua vontade segundo a Sua própria determinação e graça, concebida antes dos tempos eternos.(cf. Tt 1:2 ; II Tm 1:9) Num certo sentido, podemos dizer que nesta expressão “em Cristo”, está contido todo o propósito de Deus referente à criação de todas as coisas, a redenção dos Seus eleitos, a glorificação final dos santos e o gozo eterno dos Seus filhos em comunhão com o Senhor. Tudo é “em Cristo”. “Tudo foi criado por meio dele e para ele.” (Cl 1:16) Podemos ver de antemão que tudo o que o Senhor Deus planejou mesmo antes da fundação do mundo, teve a sua inteira aprovação na sublime pessoa do Seu amado Filho, ou como é nosso propósito aqui vos compartilhar; em Cristo. Leiamos Efésios 1:1-14. “1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: 2 Graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, 4 assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, 7 no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, 8 que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, 9 desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, 10 de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; 11 nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, 12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” Observem amados a ênfase que o Espírito através do apóstolo Paulo deixou transparecer neste texto, bem como em todas as epístolas paulinas. Logo na saudação preliminar aparece a expressão “em Cristo” (v.1), como igualmente no verso 3. Fomos escolhidos “nele” (v.4), “por meio de Jesus Cristo” (v.5), “no Amado” (v.6), “no qual” (v.7), “em Cristo” (v.9), “convergir nele” (v.10), “nele” (v.11), “em Cristo” (v.12). Todas estas expressões referem-se a Cristo. Ora irmãos, isto é muito significativo e maravilhoso aos nossos olhos. Sabemos por revelação do Espírito que “Toda a Escritura é inspirada por Deus...” (II Tm 3:16ª ), e, onde o Senhor estabeleceu todas estas ênfases “em Cristo”, devemos considerar atentamente. Foi Archibald Alexander quem disse: “Cristo é o centro das atenções no céu”. Segundo um estudo bíblico, esta expressão “em Cristo” aparece nas epístolas paulinas cerca de 164 vezes e mais outras 6 vezes nas cartas pastorais. Como é oportuna aqui uma observação por Martyn Lloyd-Jones. Disse ele: “Todos os propósitos misericordiosos de Deus são levados a efeito por Cristo, em Cristo, mediante Cristo, do princípio ao fim...Tudo o que Deus, em Sua vontade soberana, por Sua infinita graça, e segundo as riquezas da Sua misericórdia e do mistério da Sua vontade – tudo o que Deus se propôs a realizar e realizou para a nossa salvação, Ele o fez em Cristo...Ser salvo é estar em Cristo; não simplesmente crer no Seu ensino, mas estar nEle, e ser participante da Sua vida, da Sua morte, do Seu sepultamento, da Sua ressurreição, da Sua ascensão”. “porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude”. (Cl 2:9 ;1:19) Alguém já disse que “quando Cristo te pertence, tudo quanto se acha nEle também é teu”. O pregador C.H.Spurgeon também nos deixou escrito que “Cristo é a chave de todos os aposentos de Deus”. Só poderemos apropriar-nos das promessas de Deus, permanecendo-nos somente em Cristo. “Tudo aquilo que a Videira produz pertence aos ramos”. Está escrito: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio.” (II Co1:20) A nova criação só pode ser levada à efeito em Cristo, e de nenhuma outra maneira. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura...” (II Co 5:17)“Nenhum cristão se fez cristão por si mesmo”. Cristo é a porta e entrada ao reino de Deus. “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo...” (Jo 17:6ª ) A linguagem do cristão é esta: “Assim como estou, sem nada alegar, Senão que o teu sangue deste por mim, E que me atraíste para buscar-Te Ó Cordeiro de Deus, eu venho a Ti. Nada trago em minha mão; Só Tua cruz minh`alma abraça; Busco, nu, vestes de Ti; Mísero, busco Tua graça; Imundo, à fonte já corro: Lava-me, Senhor, ou morro!” Não podemos nos esquecer de que todos nós estávamos originalmente em Adão. Segundo as Escrituras podemos compreender que geneticamente procedemos dele. “de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra...” (At 17:26) Adão foi o representante de toda a raça humana, por isso sua ação teve conseqüências em todos. O apóstolo Paulo afirma em Romanos 5:12 que: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” “Ora, a nossa salvação - tomando as palavras de Watchman Nee – não vem do fato de Deus nos ter tornado bons, mas de ter-nos salvos de Adão colocando-nos em Cristo”. Agora, nossa consideração é que assim como todos nós estávamos “em Adão” e recebemos as implicações de sua transgressão, agora estamos – os que fomos salvos por Deus – “em Cristo”, recebendo os benefícios de Sua vida, morte, ressurreição e ascensão. “Tudo o que o Senhor Jesus Cristo fez passa a ser verdade quanto a nós”, disse M.Lloyd-Jones. O capítulo 6 de Romanos apresenta-nos a verdade que quando Cristo foi crucificado, nós fomos crucificados com Ele; quando Ele morreu, nós morremos com Ele; quando Ele foi sepultado, nós fomos sepultados com Ele; quando Ele ressuscitou, nós ressuscitamos com Ele. Ele está sentado nos lugares celestiais e também as Escrituras mostram esta verdade concernente a nós também. “E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;” (Ef 2:6) Neste momento, estamos sentados nos lugares celestiais por estarmos “em Cristo”. Existe uma união vital, orgânica, mística, e indissolúvel entre nós. Disse o apóstolo Paulo na epístola aos Colossenses o seguinte: “porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória.” (Cl 3:3-4) Aleluia! “Em Cristo a Rocha sólida estou firme; todo outro fundamento é areia movediça”. Se você é cristão você está em Cristo, e Cristo em você, logo, Ele “se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção,” (I Co 1:30) Contudo, esta preposição “em Cristo”, necessariamente está associada ao tema central da Bíblia, o qual nos lembra Paulo em I Corintios 2:2 dizendo: “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” É pela cruz que fomos inseridos em Cristo. É o Espírito Santo quem nos revela que fomos atraídos por Cristo Jesus na cruz para que recebêssemos a Sua vida na ressurreição. “Cremos por uma única razão, a saber; graças à obra realizada pelo Espírito Santo em nós”. Disse Cristo: “Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.” (Jo 14:20) Nós “em Cristo” na cruz; “Cristo em nós”, na ressurreição. “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gl 2:19b,20ª) Glória a Deus! “Ele nos deu o Seu Filho para tê-Lo de volta em cada um de nós”. Disse certa vez João Calvino: “O Filho de Deus tornou-se Filho do homem, para que os filhos dos homens se tornassem filhos de Deus”. Percebam amados, o que temos “em Cristo”: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8:1) Em Cristo Jesus não há mais condenação. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (II Co 5:17) Em Cristo fomos feitos nova criação por Deus. “para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado,” (Ef 1:6) No Amado somos altamente favorecidos por Deus; não há aceitação de qualquer quem seja fora de Cristo Jesus. “no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.” (Cl 1:14) Redenção e remissão encontram-se somente em Cristo Jesus. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Co 5:21) Justificação só encontra-se na pessoa de Cristo, e no Seu sacrifício vicário. “Pagamento, a justiça de Deus não pode demandar, primeiro, da mão sangrenta do Fiador, e então novamente da minha”. “à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:” (I Co 1:2) Da mesma forma como somos justificados somente por estarmos em Cristo, somos santificados somente por estarmos nEle. “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8:38-39) Nenhuma das coisas acima poderá nos separar do amor de Deus por um motivo soberano: o amor de Deus que está em Cristo Jesus nosso Senhor. “Também, nele, estais aperfeiçoados.” (Cl 2:10ª ) Nosso aperfeiçoamento consiste no fato de estarmos em Cristo e permanecermos nEle. Alguém já disse: “Estou em obra, porém completo em Cristo”. “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.” (Rm 8:2) Nem o pecado e nem a morte tem mais domínio sobre nós por causa da lei do Espírito e da vida em Cristo Jesus. “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo,” (Ef 1:3) Em Cristo encontra-se toda a sorte de bênção espiritual para os filhos de Deus. Numa oração puritana encontra-se a seguinte expressão: “Nele tu tens me dado tanto que nem o céu pode me dar mais”. Provavelmente foi devido a esta percepção que o apóstolo Paulo referiu-se ao evangelho como sendo “o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo,” (Ef 3:8) E tudo o que há em Cristo Jesus passa a ser nosso pela fé. Isto é; Ele nos confere a fé para apropriarmo-nos de tudo quanto se acha Nele. Watchman Nee expôs do seguinte modo: “À extensão de sua fé no que Deus disse, a essa extensão tudo o que Ele disse será real para você”. Finalmente leremos Filipenses 2:1 que diz: “Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias,” Irmãos e irmãs, pelos versos supracitados podemos ver que toda a provisão de Deus para o Seu povo encontra-se em Cristo. Quando estávamos em Adão, “naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.” (Ef 2:12-13) Ser cristão portanto, é estar em Cristo; não numa denominação, não numa organização, não numa religião; mas em Cristo. Não existe outra forma de expressão mais adequada para definir um cristão senão esta: “conheço um homem em Cristo”. Alguém fez o seguinte comentário neste contexto: “Com esta expressão, Paulo julga e considera a si mesmo e a outros cristãos como “incluídos”, “enxertados”, “localizados” em Cristo. Indica também que Paulo tinha um conceito nada individualista da pessoa de Cristo. De fato, uma multiplicidade de pessoas encontra-se “em Cristo”, como membros num corpo. Em outros termos, Paulo imagina o Cristo como um ser divino em quem os cristãos de toda a parte habitam. Equivale dizer, Cristo é um ser divino “em” quem todos os fiéis habitam e, ao mesmo tempo, um ser divino que está “em” todos os que nele crêem, por meio do Espírito”. Você está em Cristo? Se positivamente, que bem-aventurado é você! Então somos um em Cristo. Amados, permita-me concluir este tópico citando novamente uma reflexão de M.Lloyd-Jones: “O cristianismo é Cristo. Qualquer coisa que se apresente como cristianismo, mas que não insista na absoluta e essencial necessidade de Cristo, não é cristianismo. Se Ele não for o coração, a alma e o centro, o princípio e o fim do que é oferecido como salvação, não é a salvação cristã, seja lá o que for”. Amém!
Artigo enviado por Levi Cândido, Barueri-SP
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Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"