quinta-feira, 24 de julho de 2008

Uma breve dissertação sobre os termos: filhos de Deus e adoção de filhos- Bernd Bremicker

Uma breve dissertação sobre os termos:
“filhos de Deus” e “adoção de filhos”
Bernd Bremicker


Para essa dissertação nós nos baseamos em principalmente duas passagens como exemplos do uso dos dois termos em questão. O termo “filhos de Deus” encontramos, por exemplo, em 1 João 3:1, a expressão “adoção de filhos” (versão Revista e Corrigida Fiel da SBTB) em Efésios 1:5. Essa última expressão encontramos traduzidos por “filhos de adoção” na edição Revista e Corrigida bem como na edição Revista e Atalizada da SBB e também na edição Alfalit. A NVI traduz: “para sermos adotados como filhos”. De uma ou outra forma, todas as traduções brasileiras e portuguesas usam uma variação do termo “adoção”. Igualmente, todas as traduções concordam sobre o termo “filhos de Deus”.

O problema criado por alguns é o seguinte: Diz-se que, como pessoas renascidas
(termo igualmente questionável; melhor seria “nascido de novo”) que somos por meio da fé no Senhor Jesus, fomos colocados na posição dEle mesmo e somos assim “filhos legítimos”, i.e. “de nascença” e não fomos adotados como uma pessoa na vida natural adota uma criança e assim ela se torna “filho”, porém nunca pelo sangue. Diz-se que isso é diferente com uma pessoa verdaddeiramente crente. Esse ensino é apenas a metade da verdade que a Palavra de Deus nos apresenta. Se perguntarmos como as pessoas chegam a essa conclusão apresentada, veremos o seguinte. Observa-se apenas o primeiro sentido comumente usado hoje em dia da palavra “adoção”. Conforme o mais conceituado dicionário da língua portuguesa, o Aurélio Século XXI, “adoção” quer dizer: “[origem: do lat. adoptione.] substantivo feminino. 1.Ação ou efeito de adotar. 2.Aceitação voluntária e legal de uma criança como filho; perfilhação, perfilhamento.” Se vermos apenas o primeiro significado, a conclusão seria correta. Porém temos que levar em conta toda a gama de significados inerta a essa palavra. Então somos conforntados com o termo “perfilhar / perfilhação”.

O que quer dizer isso? Novamente o Aurélio: “Verbo transitivo direto. 1. Receber
legalmente como filho; filiar, filhar 2. Jur. Reconhecer voluntariamente (filho ilegítimo), no próprio termo do nascimento, mediante escritura pública, ou por testamento. 3.Adotar, defender, abraçar, filhar (uma teoria, um princípio).” O que interessa a nós é significado listado sob o ítem 2 — o uso jurídico do termo. Considerando isso, já vemos que o termo “adoção” não fala apenas de receber alguém como filho, mas que também quer dizer um reconhecimento em todos os sentidos, até mesmo no termo de nascimento. Esse significado é inclusive, também conforme o Aurélio, o primeiro significado da palavra “filiação”, ao menos em português (“[Do lat. tard. filiatione.] Substantivo feminino. 1. Ato de perfilhar. 2. Designação dos pais de alguém. 3.Ato ou efeito de filiar-se. 4. Conexão; dependência; encadeamento. 5. Antrop. Relação social de parentesco entre genitor, ou genitora, e progenitura, e que é, ao menos em parte, a base
da identidade dos novos membros da sociedade e de sua incorporação aos diversos grupos sociais. [F. paral., p. us.: filhação.]”). Somente o quinto (!) significado faz alusão direta à progenitura de alguém.

Em alemão, esse termo foi traduzido na edição de Elberfeld por “Sohnschaft” (que
não quer dizer “filiação” no sentido 5 do Aurélio, mas sim “condição legal como filho com todos os direitos e obrigações”. A palavra adquire esse significado por meio do sufixo “-schaft”. Martinho Lutero já traduziu esse termo por “Kindschaft” na sua primeira edição da tradução dele procedente do ano 1534 (o autor essa edição para consulta sua em seu poder em uma impressão fac-símile). O irmão John Nelson Darby traduziu na edição inglesa de sua tradução por “adoption” e na edição francesa por “pour nous adopter”. Menciono todos esses exemplos apenas para mostrar que existe um consenso comum entre as traduções diferenciando o termo em questão claramente do termo “filhos de Deus” (“Kinder Gottes” em alemão, “children of God” em inglês e “enfants de Dieu” em francês), usado por exemplo em 1 João 3:1.

Vamos agora considerar os termos gregos aplicados. Primeiro: “filhos de Deus”
(tekna qeou). Esse termo grego (“teknon”) dá ênfase no fato do nascimento, na
progenitura de uma pessoa por meio do sangue. Se refere nesse sentido a filhos de ambos os sexos indiferentemente (e assim é aplicado também nas Sagradas Escrituras em várias passagens, por exemplo: Mt 2:18; Mt 7:11; Mt 21:28; Rm 9:8; Fp 2:22; 1Tm 3:4 e 12 e Ap 12:5 etc.). Esse termo no uso comum do grego da época do Novo Testamento se aplicava até mesmo a uma criança ainda não nascida, sublinhando assim a ênfase dada a filiação sangüínea da pessoa até mesmo ainda não nascida. Um segundo significado desse termo faz alusão à relação espiritual entre duas pessoas e designa um descendente num sentido mais amplo (por exemplo: Mt 3:9 – os judeus se nomeiam “filhos de Abraão”; Mt 9:2; Gl 4:25 e 31;Ef 2:3; 1Pe 1:14; 1Pe 3:6; 2Pe 2:14 etc.). Esse termo “filhos de Deus” quer dizer, portanto, exatamente aquilo que as pessoas mencionadas acima ensinam com ênfase: filho legítimo por meio do sangue.

Porém, e agora temos uma certa dificuldade, a Palavra de Deus conhece outros
termos para designar “filhos”. Um deles é a palavra “huios” (“uioj”). Essa expressão faz parte do termo traduzido por “filhos de adoção” que, no grego, é uma palavra única, porém composta — facilidade essa que o português não possui, mas sim, por exemplo, o alemão. Essa palavra grega dá mais ênfase na relação de um filho para com o seu pai. Embora possa se referir à descendência natural e legítima, a nuance no significado não está nisso, mas na dignidade da relação filho – pai. Ela expressa, além disso, uma semelhança no caráter do filho com o do pai ou dos pais. Esse termo também é usado para contrastar à filiação ilegítima de uma pessoa. Interessantemente é esse o termo que sempre encontramos quando o Senhor Jesus é designado como “Filho de Deus”. Ele
nunca é entitulado como “teknon qeou”, mas sempre como “uioj qeou”. Temos
enfatizado, portanto, a dignidade e o caráter da relação filho – pai. Ao contrário de um “teknon” (aplicado no termo “filhos de Deus”), o “uioj” tem a capacidade de adentrar nos pensamentos do pai. Ele sabe estimar a dignidade da sua relação com o pai e sabe corresponder a mesma.
A segunda parte da palavra traduzida “adoção de filhos” é derivado do verbo tithemi (“tiqemi”) que tem o simples significado de “colocar / pôr”. “Adoção de filhos”, portanto, literalmente quer dizer “colocar ou pôr alguém na posição de um ‘uioj’ (filho)”. Além disso, esse termo composto, no grego, era também um termo jurídico usado para “adoção” no seu mais amplo sentido. Assim esse termo quer dizer: “aceitar voluntariamente uma pessoa por meio do novo nascimento e por fé na posição de um filho com todos os direitos e obrigações inertos a essa posição elevada na condição de pessoas inteligentes para corresponderem à dignidade dessa relação”. Não possuímos de nenhuma palavra portuguesa (e nem alemã ou inglesa ou francesa etc.) que expresse com exatidão toda essa gama de sentidos compreendidos por essa expressão grega. Assim sendo, o termo “filhos de adoção” ou “adoção de filhos” ou até mesmo “filiação” (em seu primeiro sentido que vem a ser “adoção”) é correto na tradução de todas as nossas versões bíblicas disponíveis em português e outros idiomas que apresentam esse mesmo problema. Dessa forma, também não existe aquela suposta problemática doutrinária alegada por certas pessoas. O Espírito Santo, e isso temos que admitir, queria expressar duas coisas diferentes usando esses dois termos, simplesmente para nos mostrar mais belezas e mais preciosidades de nossa relação como pessoas salvas do que seria possível expressar pelo simples termo “filhos de Deus”.
O segundo termo não nega a verdade do primeiro, mas sim a complementa de uma forma maravilhosa. Como a palavra “uioj”, até mesmo no grego, é um termo oposto a de um filho ilegítimo e o título exclusivo do Senhor Jesus, nós apreendemos que fomos colocados na mesma posição que Ele próprio possui diante de Deus. Isso não seria possível expressar por meio do termo “filhos de Deus”. Já seria algo grande e excelente possuir esse direito de sermos filhos legítimos de Deus, porém Deus queria mais. Ele queria nos colocar numa posição mui sublime e elevada. Ele nos compartilhou de Seu próprio caráter. Ele nos deu uma herança com todos os direitos que essa traz consigo. Ele nos concedeu a capacidade de correspondermos à essa possição elevada. Por outro lado, Ele nos deu também uma posição sublime no que diz respeito a nossas obrigações para com Ele. Se considerarmos a Palavra de Deus dessa forma e sob essa ótica, teremos mais proveito do que apenas contemplando unilateralmente esse assunto, insistindo na filiação legítima sangüinea nos opondo a outra verdade contido no termo “adoção de filhos”. Essa oposição procede de tradição doutrinária, de má compreensão do próprio português e, por conseguinte, má interpretação desses termos bíblicos por causa de uma opinião pré-formada a respeito. Repito mais uma vez: Podemos usar o termo “filiação”, porém não no sentido número 5 dado no Aurélio (que parece ser na cabeça das pessoas o sentido número 1). Sendo assim, o termo “adoção” parece ser o mais adequado,
também pelo simples fato de ser (e isso também no grego) um termo jurídico.
Meditemos mais sobre esses termos procurando as suas ocorrências na Palavra de Deus e teremos grande lucro espiritual. Uma alegria solene e sublime será a nossa observando o conteúdo desses termos. Infelizmente são poucos dos nossos irmãos que têm acesso integral a essas informações, mas Deus nos deu alguns, entre eles irmãos como John Nelson Darby, que souberam nos explicar a Palavra.
É certo que também sejam apenas seres humanos sujeitos a erros — e erraram, mas antes de nos posicionar contra alguma coisa que nos deixaram como herança espiritual, um estudo aprofundado dos assuntos em questão é necessário com todos os meios que tivermos à disposição para tal pesquisa. Não tenho problema nenhum com o termo “adoção de filhos” examinado as suas significações no grego e vendo que irmãos como o mencionado irmão Darby também usaram exatamente esse termo para render o termo grego em questão. Consultando “The Bible Treasury”, vol. 4, pg. 213, observei que também o irmão William Kelly concorda com os tradutores nessa passagem de Efésio (ele traduz: “…unto the adoption of children”).

Ocupemo-nos mais com essa verdade sublime, solene, mui preciosa! O Senhor nos dará uma bênção incaculável!

“O PROPÓSITO DAS AFLIÇÕES DOS FILHOS DE DEUS”- Levi Cândido

“O PROPÓSITO DAS AFLIÇÕES DOS FILHOS DE DEUS”
Artigo enviado pelo irmão Levi Cândido, de Osasco-SP


“Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.(Rm 8:28)

Queridos irmãos em Cristo, dirijo-me a vocês que são participantes conosco das aflições de Cristo. Se um homem avalia e julga as suas aflições do ponto de vista do próprio homem, certamente não encontrará resposta satisfatória a muitas coisas que acontecem. Surgirão então, muitas perguntas e tentações insinuando: “Porque estes sofrimentos?”, “Porque estas tribulações que nos sobrevêm?”, “Porque estas tragédias?”, “Porque isto?”, “Porque aquilo?”. Estas perguntas sendo avaliadas segundo o ponto de vista humano, ficarão sem respostas satisfatórias, por ignorância aos propósitos de Deus. E quando estas questões são alimentadas na mente sem uma atitude de sujeição à vontade de Deus revelada, surge então as tentações, que tem por finalidade, nos afastar da graça de Deus e levar-nos à desconfiança do seu amor para conosco. Muitos vivem derrotados pelas circunstâncias quando se colocam como vítimas possuindo um sentimento de autopiedade. Porém, quando tudo isto é considerado à luz da Palavra de Deus, de acordo com a sua soberania, então aqueles que crêem no Senhor Jesus Cristo, submetendo-se ao seu senhorio, descansarão sob a sombra do Altíssimo, serão fortalecidos pelo Senhor e cavalgarão sobre as suas aflições. “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide;o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente .”( Hc 3:17-19). Thomas Watson já disse: “Confiamos em Deus quando a providência parece correr frontalmente contra as promessas”. No verso que estamos considerando, (Rm 8:28), tudo, absolutamente tudo, cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e foram chamados segundo o seu propósito. Mesmo os sofrimentos, as necessidades, as adversidades da vida, contribuem juntamente para o bem do povo de Deus. Alguém já disse: “Feliz é o homem que vê Deus envolvido em tudo de bom e de mau que acontece na vida”. Porém, como já nos disse George Muller: “De mil coisas que acontecem na vida dos filhos de Deus, não são quinhentas que contribuem para o bem deles; mas sim 999 + 1: as mil”. Muitos têm seus olhos voltados para as aflições; outros porém, aguardam os benefícios oriundos das aflições. Há uma reflexão que sustenta que “não há nada que esteja além do olho de Deus. Qualquer pessoa pode contar as sementes de uma maçã, mas só Deus pode contar todas as maçãs que brotarão de uma semente”. Neste caso de Romanos 8:28, é preciso observar: “O bem” a que o texto refere-se, não se trata do “bem-estar” do homem, como se ele pudesse sempre gozar de tranqüilidade, conforto, boa saúde, etc., mas o que está vem vista aqui, é o propósito final de Deus para o homem. “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”( Rm 8:28-29). Deus usa as circunstâncias para tratar com cada um particularmente. Agostinho admite que coisas ruins acontecem igualmente a pessoas boas e más, mas diz que é a atitude piedosa diante do infortúnio que faz a diferença. Certamente, após o cumprimento dos propósitos de Deus para os cristãos, estes desfrutarão de uma bem-aventurança eterna, sem variações, isento de aflições, sofrimentos, pecados, etc., Mas, enquanto eles estiverem neste mundo, estão destinados às aflições e às adversidades, porém, estas exercem o seu papel de contribuir para o cumprimento do propósito de Deus para os seus filhos. Irmãos, “Deus teve apenas um filho sem pecado, mas nenhum sem provações”. E Ele nos envia muitas bênçãos disfarçadas em tribulações. Conta-se que há muito tempo um homem ganhou um cavalo. Na época, isto era um símbolo de riqueza. Seus vizinhos disseram: - mas que homem de sorte... E ele imperturbável, respondeu: - Talvez, depende... Um dia o cavalo fugiu... Os vizinhos disseram: - Mas que homem de azar, teve a alegria para depois perdê-la. E o homem, mas uma vez respondeu: -Talvez, depende... Algum tempo se passou e um dia o cavalo retornou, agora acompanhado de vinte e cinco outros cavalos selvagens... Os vizinhos, todos admirados, então disseram: - Mas não é que o homem é mesmo um homem de sorte... O homem, sempre tranqüilo e imparcial respondeu: - Talvez, depende... Certa manhã, seu filho foi domar um dos cavalos selvagens e este o derrubou, quebrando-lhe a perna... Então os vizinhos responderam num só coro: - Mas que homem de azar... E como sempre o homem respondeu: - Talvez, depende... Aconteceu que algumas semanas depois estourou a guerra e todos os jovens foram convocados, morrendo todos. Seu filho, no entanto, estava de perna enfaixada e não precisou ir... Todos os vizinhos, mais uma vez disseram: - Que homem de sorte... Qual o significado que nós atribuímos aos acontecimentos que nos sobrevêm? Será que julgamos tudo pela perda que sofremos, pelas dores que passamos, ou sujeitemo-nos “Aquele que é sábio demais para errar e demais amoroso para ser cruel”!?. Ah! Meus queridos irmãos! O Senhor não é indiferente para o que acontece conosco. Ele que foi experimentado em tudo; sofrimento, angústia, dores, perda, escárnios, açoites, fome, etc., Ele sabe o que é padecer! “Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado e dele não fizemos caso”(Is 53:3). Temos um sumo sacerdote que se compadece de nós. “Nossos grandes problemas são pequenos demais para o infinito poder de Deus, mas nossos pequenos problemas são grandes demais para o seu eterno amor”. A despeito de tudo o que acontece conosco, está registrado nas Escrituras: “Estas cousas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. (Jo 16:33). Sendo assim, “Não julgues o Senhor por sua razão fraca, mas sim, confia nele por sua graça. Por trás de uma providência indiferente, ele esconde um rosto sorridente”. Nosso Deus é Deus de propósitos, e o seu propósito ao enviarmos provações não visa o nosso prejuízo, e sim a nossa edificação. “Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água: porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso”.( Sl 66:10-12). Há um comentário referente a este Salmo que diz: “O Deus que se revelou a Israel é o único Deus, e deve ser adorado por todos os homens em todos os lugares. É Ele quem disciplina e liberta; é ele quem prova seu povo para o purificar; é ele quem aflige com o fim de aperfeiçoar”. Um cristão anônimo já nos deixou escrito o seguinte: “Muitas pessoas vivem se queixando de que as rosas têm espinhos; eu prefiro ser grato pelos espinhos terem as rosas”. Deus nos disciplina tento em vista os seus propósitos. Certo cristão disse: “Deixa que Deus ordene os teus caminhos e espera Nele, o que quer que aconteça; nEle terás nos duros e maus dias tua suficiente Força e direção. Quem no perene amor de Deus confia sobre a Rocha Inabalável edifica”. As tribulações servem-se a um papel necessariamente significante para o projeto de Deus relacionado a nós. Em At 14:22 observem: “através de muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus”. As aflições são oportunidades para conhecermos os decretos divinos. Lemos em Salmo 119:71 a este respeito. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesses os teus decretos.” Também, o Senhor nos corrige em nossos caminhos para andar-nos corretamente pela verdade quando nos envia aflições. “Antes de ser afligido andava errado, mas agora guardo a tua palavra” (Sl 119:67). Através das aflições o Senhor nos leva a compartilharmos pela fé, da vitória que Cristo conquistou sobre o poder e castigo do pecado. “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus.”1ª Pe 4:1-2. O Senhor deseja que dependemos dele em todas as circunstâncias, e por estarmos tão focalizados em nós mesmos, se faz necessário Ele derrubar-nos de costas para baixo, para olharmos para cima. Tudo o que nos sobrevêm, são enviados das mãos que foram traspassadas; por seu decreto ou por sua permissão. “Nada acontece a não ser pela vontade do Onipotente, ou ele permite que aconteça, ou Ele mesmo o faz acontecer” dizia santo Agostinho. Necessitamos conhecer o caminho da dependência do Senhor, irmãos. Nosso amado irmão Glênio, disse algo muito relevante: “A fraqueza de um ser finito pode apoiar-se na onipotência de um Deus Absoluto”. “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião”. (Sl 84:5-7). Irmãos há um grande perigo em buscarmos a fuga quando estamos passando por momentos de aflições. Muitas vezes o Senhor não quer livrar-nos “da” fornalha, mas quer livrar-nos “na” fornalha. Nós não somos vítimas das circunstâncias, como se não houvesse um Deus que tem controle sobre elas; mas estamos sob o tratamento gracioso de Aba. Ele não quer que busquemos a fuga, mas que reconhecemos a Ele em todas as circunstâncias. “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas”.(Pv 3:5-6). O irmão Edward Donnelly em seu livro “Depois da morte o quê ? Céu ou Inferno?”, faz um comentário muito apropriado com este assunto. Diz ele : “Uma das melhores curas da auto piedade é observar alguém que está em situação muito pior que a nossa”. Ele conta-nos uma de suas experiências: “Durante um período de doença não grave, há algum tempo, quando eu tive a tendência de me lamentar, casualmente olhei do púlpito num domingo de manhã, para uma ouvinte. Era uma cristã que recendia graça divina e que estava confinada numa cadeira de rodas devido a uma enfermidade que a aleijara. Seu semblante era sereno, firme no sofrimento, e a minha autopiedade derreteu-se no calor da sua coragem”. Continua o autor dizendo: “Mas todos nós estamos nessa situação, porque estamos rodeados de multidões que estão infinita e eternamente piores do que nós, milhões que estão a caminho do inferno. Pela graça de Cristo, nós não estamos destinados à condenação, e, todavia, ousamos queixar-nos! Quando depois disso você pensar que a vida o está tratando duramente e que Deus poderia dispor as suas circunstâncias mais amorosamente, dê uma olhada no abismo do inferno e lembre-se: “Eu estava indo para lá, porém agora não estou. Em vez disso, estou a caminho do céu, porque Deus me salvou. Que importam todas as decepções, dores e tristezas desta vida? Não são nada, em comparação com o que eu mereço, não são nada, comparadas com o que vou herdar”. Foi o que o Salmista fez: “Dar-te-ei graças,Senhor, Deus meu, de todo o coração, e glorificarei para sempre o teu nome. Pois grande é a tua misericórdia para comigo; e me livraste a alma do mais profundo poder da morte”. (Sl 86:12-13). Irmãos, o Senhor tem como propósito formar o caráter de Seu Filho em nós, e para tanto, ele precisa remover as escórias e poluições do pecado de nossas vidas, por isso nos corrige e disciplina-nos enviando-nos aflições, e isto necessariamente demonstrando o Seu amor e o Seu cuidado para conosco. “Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enfades da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.”(Pv 3:11-12). Há muito que poderíamos dizer sobre o cuidado paternal de Deus para com os Seus, mas detemo-nos apenas com mais uma consideração. Embora, no momento, as disciplinas de Deus não parecem ser motivos de alegria senão de tristeza, depois entretanto, produz fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. E nesta rica providência de graça a que somos alvos da parte de Deus, podemos descansar no fato de que Ele nunca nos abandonará. Aquele que nunca nos deixou quando passamos por momentos alegres e felizes, também não nos deixará quando passarmos por momentos de aflições e necessidades. “Quando passares pelas águas eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti”.(Is 43:2). Em 1989, o terremoto que estremeceu a Armênia durou apenas 4 minutos, tempo suficiente para arrasar a nação, matando 30 mil pessoas. Logo que cessou o tremor de terra, um pai correu para a escola primária, a fim de resgatar o seu filho. Para sua surpresa, o prédio desabara, nivelando-se ao solo. Observando aquele monte de tijolos, pedras e ferros retorcidos, lembrou-se da promessa que fizera ao filho: “Aconteça o que acontecer, estarei sempre perto de você”. Impulsionado pelo que dissera, localizou a área onde ficava a sala de aula e começou a remover os escombros. Vários pais chegaram, chorando pelos seus filhos. “Tarde demais”, diziam: “Eles estão mortos, nada mais pode ser feito”.Até mesmo a polícia o desencorajou a prosseguir. Mas o pai prosseguiu na busca. Escavou oito, dezesseis, trinta e duas, trinta e seis horas. As mãos sangraram, ficou exausto, mas não desistiu. Finalmente, depois de trinta e oito horas exaustivas de trabalho, ele afastou uma grande viga de concreto e começou a chamar por seu filho. –Arman! Arman! Do meio dos escombros seu filho respondeu: -Papai, estou aqui! O menino acrescentou uma frase que soou aos ouvidos do pai como a mais preciosa de todas. – Eu falei aos outros meninos que não se preocupassem. Falei-lhes que se você estivesse vivo, você viria me salvar e que depois que eu fosse encontrado, eles também seriam salvos. Você havia prometido para mim: “Aconteça o que acontecer estarei sempre perto de você”. “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.(Mt 28:20). “Senhor, não me tires as aflições; mas leva-me a depender de Ti nas minhas aflições, porque Tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam”. Amém!

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"