quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Jesus Cristo ou Cristo Jesus??- W. J. Watterson

Mesmo numa leitura superficial do Novo Testamento, logo reparamos que o Espírito Santo ora chama nosso Senhor de “Jesus Cristo”, ora de “Cristo Jesus”. E por quê ? Seria apenas para dar variedade ao texto? Ou há alguma diferença entre estes dois nomes? Este estudo sugere algumas respostas a estas perguntas.
Introdução
Antes de considerar os significados dos nomes “Jesus” e “Cristo” (e suas formas compostas), quero deixar claro que, se cremos na inspiração verbal da Bíblia (e não há como estudar a Bíblia sem ver inúmeras provas desta verdade), é impossível imaginar que o uso de nomes e títulos diferentes, em contextos diferentes, seja apenas aleatório. Se o Espírito Santo cuidou da inspiração das Escrituras até a nivel de palavras, haverá uma razão em cada palavra usada e em cada palavra omitida. Quanto aos nomes do Senhor, é minha convicção firme que em cada ocasião é usado o nome que o Espírito Santo escolheu para aquele contexto, e sempre haverá lições preciosas no estudo destas ocorrências. Talvez eu não possa explicar o motivo de determinado nome ser usado em certo versículo, mas a Palavra de Deus é perfeita em todos os seus detalhes.
Pois bem, com isto em mente, passemos ao estudo dos nomes em si.
Jesus
O nome “Jesus” é mais comum no Novo Testamento do que “Cristo” [veja Nota 1]. É o nome que nos lembra do Homem, daquele que nasceu humilde numa manjedoura , do desprezado carpinteiro de Nazaré, daquele que saiu fora de Jerusalém carregando a Sua própria cruz, zombado e maltrado pelos homens. Os homens não o conheciam como “Cristo” (Mt 16:16 é uma exceção), mas como “Jesus”.
Este é, sem dúvida, o Seu nome humano [veja Nota 2], mas mesmo aqui vemos a prova da Sua divindade, pois “Jesus” é a forma grega de um nome derivado de duas palavras do hebraico: a primeira significa “Jeová”, e a outra quer dizer “salvação” ou “Salvador”. Portanto, “Jesus” quer dizer “a salvação de Jeová”, ou “Jeová é Salvador”. Foi exatamente isto que José ouviu em sonho: “Chamarás o Seu nome Jesus; porque Ele salvará o Seu povo dos pecados deles” (Mt 1:21).
A primeira sílaba deste nome é “Jeová”, lembrando-nos dum fato sublime: este Jesus, que o mundo desprezou e continua a desprezar, é Jeová, o grande “Eu sou” do Velho Testamento. Prezado leitor, permita que esta verdade penetre no seu coração: aquela criança que, ao nascer, foi colocada “numa majedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem”, é o Criador dos céus e da terra, o Deus Todo-Poderoso, o próprio Jeová! Como disse alguém, enquanto Maria o segurava em seus braços, Ele sustentava o universo em Sua mão! Uma criança indefesa? Não; Jeová manifesto em carne!
Lembre de João 12? Alguns gregos disseram a Filipe: “Senhor, queríamos ver a Jesus”. E quem era este Jesus? João nos diz nos vs. 40-41 que Ele é aquele que Isaías viu num alto e sublime trono, do qual os serafins diziam: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória”.[veja Nota 3]
Jesus é Jeová; que verdade majestosa. Mas como alguém já destacou, se fosse apenas isto, seria um nome majestoso, glorioso, porém assustador. Se Ele fosse apenas Jeová, estaríamos maravilhados ante a Sua glória e majestade, mas não poderíamos nos aproximar dEle. “Nem as estrelas são puras aos Seus olhos. Quanto menos o homem, que é verme” (Jó 25:5-6). Poderíamos temê-Lo e respeitá-Lo, mas Ele seria um Deus distante, nossos pecados fazendo separação entre nós e Ele. Mas eis a verdade sublime: Ele é Jeová, sim, em toda a Sua glória, mas Ele é também Salvador! Foi esta a visão que teve o velho Simeão, ao segurar em seus braços o menino Jesus: “Os meus olhos viram a Tua salvação” (Lc 2:30). Ele é o único que pode nos levar a Deus; Ele é o único Salvador.
Jesus: “Jeová é Salvador” — que nome precioso! Toda a majestade, glória e poder de Jeová, e todo o amor, misericórdia e compaixão de um Salvador. Com razão cantamos:
Nunca dos homens se ouvirá,
Nunca nos santos céus de luz
Mais doce nota soará
Que o nome de Jesus. (Hinos e Cânticos n. 8)
Como afirmamos acima, porém, apesar deste nome ser tão precioso para o cristão, é o nome que nos lembra que Ele foi humilhado e desprezado pelos homens.
Cristo
Em contraste com isto, temos o nome “Cristo” (mais propriamente um título). É derivado da palavra grega para ungir [veja Nota 4], da mesma forma que “Messias” (no hebraico) quer dizer “o ungido”. Este nome nos lembra que Cristo é o ungido, o escolhido de Deus. Em Israel, sacerdotes (Êx 40:15), reis (I Sm 9:16) e profetas (I Re 19:16) eram ungidos, um símbolo que indicava que Deus os havia separado para alguma obra em relação ao Seu povo. Todos estes, porém, falharam, mas Deus nos apresenta o Seu Cristo, o Seu Ungido, o Seu Sacerdote, Profeta e Rei, que cumpriu plenamente o propósito de Deus. “Cristo” é o nome que fala-nos daquele que o Pai escolheu.
Este é o nome que está associado com a Sua glória. Quando Pedro O confessou como “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16), o Senhor “advertiu os discípulos que a ninguém dissessem ser Ele o Cristo” (v. 20, ARA); não era ainda chegada a Sua hora. Depois da Sua ressurreição, porém, o mesmo Pedro pregou ousadamente aos judeus dizendo que “este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (At 2:36). Deus O elevou sobre todo principado e potestade; Deus O fez Cristo.
“Cristo”, portanto, lembra-nos que Ele foi escolhido e exaltado por Deus.
Conclusão
“Jesus” é o nome da Sua encarnação, mais comum nos Evangelhos; “Cristo” é o nome da Sua exaltação, mais comum nas epístolas [veja Nota 5]. “Jesus” nos fala do Homem desprezado; “Cristo” nos fala do Senhor glorificado.
Quando unimos estes nomes, percebemos então lições preciosas ao ver a ordem em que são usados. “Cristo Jesus” lembra-nos do Messias que se fez Homem; é o nome que fala da humilhação daquele que Deus escolheu (primeiro “Cristo”, depois “Jesus”). “Jesus Cristo”, por outro lado, fala-nos do Homem que foi escolhido e ungido por Deus; é o nome que fala da exaltação daquele que os homens desprezaram (primeiro “Jesus”, depois “Cristo”).
Uma ilustração desta verdade é facilmente vista em Fp 2:5-11. Nos vs. 5-8, onde o assunto é a humilhação do Senhor Jesus, o Espírito Santo leva Paulo a usar o nome “Cristo Jesus” (v. 5). Nos vs. 9-11, onde o assunto é a exaltação que o Filho recebeu, o nome muda para “Jesus Cristo” (v. 11).
Prestando atenção nestas diferenças, perceberemos muitas lições preciosas, e muitas confirmações da autoria Divina das Escrituras.
Notas de Rodapé
[Nota 1] “Jesus” ocorre aproximadamente 983 vezes em 942 versículos (este número poderá variar, dependendo do manuscrito pesquisado, mas a variação será mínima), ao passo que “Cristo” ocorre aproximadamente 569 vezes em 530 versículos diferentes; isto é, “Cristo” ocorre aproximadamente 58% das vezes que “Jesus” ocorre (quase a metade).
[Nota 2] É preciso tomar muito cuidado para não separar aquilo que Deus uniu, e que é inseparável. Jamais podemos cair no erro de procurar separar, como dizem alguns, as “duas naturezas” do Senhor Jesus, como se Ele fazia determinadas coisas como Homem, e outras como Deus. Ele é um Ser completo, plenamente Homem, plenamente Deus, não um ser mitológico, meio homem e meio Deus. Ele sempre foi, e sempre será, perfeito em todos os aspectos da Sua pessoa, e jamais deixou de ser Deus, mesmo estando no ventre de Maria. Que mistério da graça de Deus! Não podemos compreendê-lo, jamais devemos tentar explicá-lo.
Portanto, quando falo do “nome humano” do Senhor quero dizer o nome que Ele recebeu ao nascer, o nome que nos lembra mais da Sua encarnação do que da Sua glória eterna, o nome que está associado à Sua humanidade.
[Nota 3] Compare Jo 12:40 com Is 6:9-10. E leia novamente Jo 12:41: “Isaías disse isto quando viu a Sua glória, e falou dEle”. Dele, quem? “De Jesus”, diz João; “Do Senhor dos Exércitos”, diz Isaías. E não há contradição, pois Jesus é Jeová!
[Nota 4] É interessante notar que há duas palavras diferentes no grego que significam “ungir”. Uma delas (aleipho) é usada somente de unções normais, segundo o costume dos judeus de ungir um visitante, etc. Ela ocorre somente nove vezes, em Mt 6:17; Mc 6:13; 16:1; Lc 7:38, 46; Jo 11:2; 12:3; Tg 5:14. Já a outra palavra (chrio; pronuncia-se crío) refere-se a unções cerimoniais, segundo o costume religioso dos judeus. Esta palavra, da qual é derivada Cristo, ocorre apenas cinco vezes no Novo Testamento: aprendemos que Cristo foi ungido pelo Espírito Santo (Lc 4:18) e pelo Pai (At 4:27; 10:38; Hb 1:9). Na quinta referência, aprendemos que Deus também ungiu-nos a nós (II Co 1:21).
[Nota 5] Nos Evangelhos, o nome “Jesus” ocorre (sozinho ou com outros nomes) aproximadamente 625 vezes, enquanto que “Cristo” (sozinho ou composto) ocorre aproximadamente 60 vezes (isto é, menos de um décimo). Já em Atos e nas Epístolas, enquanto “Jesus” ocorre aproximadamente mais 358 vezes, “Cristo” ocorre aproximadamente 511 vezes. Fica claro, portanto, que “Jesus” é o nome dos Evangelhos, e “Cristo” é o nome mais identificado com o Senhor ressurrecto

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Não Deixemos de Congregar-Nos- Watchman Nee

Textos: Hb 10:25; Mt 18:20; At 2:42 e Co 14:23 e 26



1. Deus Concede Graça na Assembléia

Porque não deixarmos de nos reunir (congregar)? A graça de Deus para o homem é de dois tipos: pessoal e corporativa e esta última só pode ser obtida na assembléia. Muitas orações podem ser feitas em secreto, mas há um outro tipo de oração que para ser ouvida deve ser feita na assembléia, sendo feita em nome de Jesus por duas ou mais pessoas, se os irmãos não se reunirem, várias orações ficarão sem respostas. O mesmo é verdadeiro quanto ao estudo da palavra de Deus, ao lermos a Bíblia nos é concedida graça para entendê-la; no entanto, certas passagens das Escrituras não será abertas a nós, exceto na assembléia dos santos. Se deixássemos de reunir, o máximo que obteríamos seria graça pessoal. Quanto perderíamos de graça corporativa.

2. Cristianismo é Coletivo

O cristianismo é singular por não ser de natureza individual, mas coletiva. Por isso a Palavra de Deus nos exorta a não deixarmos de nos congregar. Mesmo no Antigo Testamento, Deus ordena aos judeus que se congregassem e os denominava de congregação do Senhor. No Novo Testamento fica ainda mais claro que os crentes devem se reunir para que possam receber Sua graça. A Bíblia registra muitas ocasiões de reuniões. Enquanto estava na terra, Jesus freqüentemente se reunia com seus discípulos. Após sua ressurreição, Ele encontrou com seus discípulos em um lugar recluso. Antes do dia de Pentecostes, os discípulos se reuniam com um só propósito: o de perseverarem firmes em oração. No dia de Pentecostes sabemos que estavam todos juntos em um mesmo lugar. Em Atos 2 encontramos que todos os que receberam a Palavra e foram batizados perseveravam na doutrina e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações (At. 2:42). As epístolas também ordenam aos crentes que não deixem de se congregarem. Em Coríntios, uma menção é feita sobre a reunião de toda a igreja e nenhum dos membros deve se abster de tais reuniões. Qual é o significado da palavra “igreja” (mais precisamente assembléia) no grego? EK significa “para fora de”, e Klesis significa “um chamamento”. Ecclesia significa “os chamados para fora”. Hoje Deus não apenas chamou para fora um povo, mas quer também que eles se congreguem. Se cada um fosse chamado mantivesse sua independência não haveria igreja. Assim, nos é mostrado a importância de nos reunirmos.

3. O Corpo está Relacionado à Assembléia

Os capítulos 12 e 14 de I Co falam dos dons do Espírito Santo. A distinção entre esses dois capítulos é que, enquanto o capítulo 12 fala dos dons no corpo, o cap. 14 menciona os dons na reunião. Ao ler esses dois capítulos juntos, fica evidente que o corpo mencionado no cap. 12 está em funcionamento no cap. 14. Os dons do corpo são especialmente manifestos nas reuniões, o corpo funciona coordenadamente: olhos ajudam os pés, os ouvidos as mãos e as mão a boca. Portanto, aqueles que raramente se reúnem tem pouca chance de conhecer o que significa o funcionamento do corpo. A luz de Deus está no Santo dos Santos. No átrio exterior existe a luz do Sol. O lugar Santo é naturalmente escuro, é iluminado pelo candeeiro contendo azeite. No Santo dos Santos, não há luz natural nem artificial, mas somente a luz de Deus. Para que alguém veja esta luz deve estar no Santo dos Santos. Sozinhos, só podemos receber alguma luz; somente quando os santos estão reunidos, a igreja se torna o lugar da habitação de Deus, e a sua luz pode brilhar em pleno esplendor. Dt 32:30, mostra que a graça coletiva é maior que a pessoal.

4. A Presença do Senhor está no Reunir

O Senhor nos promete por duas vezes sua presença, em Mt 29:20b de forma individual e em Mt 18:20 de maneira coletiva. Muitas pessoas conhecem a sua presença de uma forma pessoal, tal conhecimento, é indispensável mas também é insuficiente. A Sua presença mais poderosa e abrangente é conhecida somente na assembléia dos Santos. Sua presença em nós está limitada a ser em um grau menor do que quando nos reunimos, pois é aí, no meio dos irmãos que a experimentamos como nunca havíamos visto antes. Devemos, portanto, a aprender a perceber esta presença nas reuniões; esta graça não pode ser obtida de outra maneira.

5. Como Devemos nos Reunir

Todo o congregar deve ser em nome do Senhor. O significado disto é que simplesmente nós nos congregamos sob sua autoridade e centralizados nele. O Senhor é o centro, e nós vamos juntamente com muitos irmãos, comparecer perante Ele. Fisicamente o Senhor não está aqui; e é por isto que seu nome se torna indispensável. Ele nos promete que se reunirmos em Seu nome, Ele estará em nosso meio. Isto é, o Seu Espirito estará em meio ao nosso ajuntamento. Quando nos reunimos não é para ouvir um pregador, mas para encontrarmos o Senhor. O Espirito Santo é o depositário do nome do Senhor. Ele é enviado para proteger o nome do Senhor. Outro princípio que governa uma reunião é a edificação do povo de Deus, ou seja, aquilo que somente edifica uma pessoa e não aos outros não deve ser manifestado na reunião. Portanto, quando chegamos à reunião, precisamos considerar sempre se todos estão sendo ou não edificados. Mesmo o fazer perguntas não é meramente para o nosso benefício pessoal. Nas coisas que faço, ajudo ou atrapalho a reunião. Tanto o nosso falar quanto o nosso silêncio podem afetar os outros. Se nós não consideramos os demais, podemos causar perda à reunião. Se falando ou permanecendo em silêncio, tudo deve ser feito para proveito da assembléia para a edificação do corpo de Cristo. Finalmente, precisamos repetir que todos os que se reúnem devem ter um objetivo: a edificação mútua e não a sua própria. Devo evitar fazer algo que possa trazer perda aos outros irmãos. Se o meu silêncio irá inibir outros, então falo. Em todas as coisas devo aprender a edificar os irmãos. O princípio básico de uma reunião é a edificação do corpo de Cristo. Seja humilde e não pense muito alto de si mesmo, como se você fosse uma das maravilhas destes vinte séculos, o melhor cantor e o melhor pregador! Aprendamos a humildade para que as nossas reuniões possam ser fortes. Sempre que as pessoas andarem em nosso meio, elas deverão sentir instantaneamente a presença de Deus. Esta obra é do Espirito Santo. Isto levará as pessoas a se prostrarem sobre as suas faces e adorarem a Deus, declarando que Ele verdadeiramente está entre nós.

Principais tópicos do capítulo - Não Deixemos de Congregar-nos Livro Lições Básicas Volume 3 Watchman Nee - (Trechos Selecionados)

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"