quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

GUARDAR O SÁBADO OU NÃO

GUARDAR O SÁBADO OU NÃO

O cenário era aterrador. A montanha estava envolvida em uma camada de fumaça produzida por um fogo devastador. O chão tremia e uma voz de trombeta, mais alta que qual quer outra ouvida anteriormente, abafava o som do trovão retumbante enquanto os raios entremeavam os pronunciamentos do Deus Todo Poderoso. O homem, Moisés, tomou seu caminho montanha acima e desapareceu no inferno. Sem dúvida, ele também estava assustado. Seria natural se seus joelhos tremessem e se seu coração batesse forte dentro do peito conforme ele observava o dedo de Deus aparecer e inscrever Seus mandamentos em duas tábuas de pedra. O Altíssimo estava mostrando claramente que seus mandamentos não podiam ser violados. Esta terrível demonstração do poder de Deus pretendia produzir naqueles que a observavam um medo santo e solene que os faria obedecê-Lo.
Tal é a origem do que conhecemos como “Os Dez mandamentos”. Entretanto, é evidente que hoje eles não são tidos em tão alta consideração como foi no tempo em que foram falados pela primeira vez. Afinal, muitos cristãos parecem acreditar que Jesus veio para abolir tais decretos ameaçadores e substituí-los por admoestações muito mais agradáveis e fáceis de cumprir.
De fato, é freqüente entre os cristãos modernos (se não ensinado abertamente) que os mandamentos de Deus ao Seu povo devem ser olhados como “pequenas sugestões” em vez de qualquer tipo de ordenanças severas. Além disso, continua a suposição, as conseqüências da falha, a penalidade por quebrar qualquer das leis de Deus foram inteiramente removidas através de Jesus e assim, se nos moldamos ou não ao Seu padrão, não é realmente muito importante.
O apoio a esta presente indiferença da moderna cristandade para com as instruções de Deus e a evidente falta de temor a Deus é um engano básico referente ao Evangelho. O que Jesus veio fazer por nós e como Ele está cumprindo Seus objetivos não é bem compreendido por muitos crentes. A noção de “conseqüências” de qualquer tipo referente ao comportamento dos cristãos reduziu-se a um conto de fadas sobre ser grande ou pequena a mansão que receberemos ou quão luxuoso será o carro que dirigiremos quando nosso Senhor voltar com Sua recompensa. Tal espécie de evangelho superficial tem produzido adeptos igualmente superficiais. Uma falta de revelação concernente à Pessoa e aos propósitos do Deus vivo resultou em uma mensagem que tem muito pouco poder de transformar as vidas dos ouvintes. O “temor do Senhor” que deveria formar uma espécie de alicerce nas vidas dos crentes, tem sido tirado e substituído por um modo fácil e amplo que não tem lugar em nenhuma compreensão genuína do evangelho.
Isto nos leva ao propósito deste texto. É tentar, de maneira tanto bíblica quanto esclarecedora, apresentar o evangelho de uma nova perspectiva que tratará de algumas das modernas concepções erradas, tão predominantes entre nós. Vamos orar juntos para que Deus abençoe e use esta mensagem para Seus objetivos eternos.
Para começar, é importante afirmar que Jesus não veio para abolir a lei. Ao contrário, Ele veio para cumpri-la. Ele não apenas não eliminou as solicitações dos mandamentos de Deus. Ele realmente os elevou! Na realidade, os ensinamentos de Jesus elevaram as exigências sobre o povo de Deus ao invés de reduzi-las. Uma simples verificação sobre dois dos dez mandamentos tornará este fato muitíssimo claro.
Por exemplo, o sétimo mandamento nos proíbe de cometer adultério. Agora é possível a muitas pessoas obedecer a esta ordem. Elas podem entreter certos pensamentos e desejos sobre membros do sexo aposto particularmente atraentes. Elas podem até ter fortes impulsos nesta direção, mas elas, pelo poder de sua vontade ou por outros meios, são capazes de controlá-los e manter-se longe deste pecado. Esta abstinência os teria qualificado para serem julgados obedientes à lei nos dias de Moisés. Mas, quando Jesus veio, Ele tornou as coisas muito mais difíceis! Ele declarou que mesmo ceder em pensamento é tão mau quanto ter realmente cometido o ato. Isto torna a retidão impossível de um ponto de vista humano. Se você é honesto, admitirá comigo que pouquíssimos terão passado a vida sem um só tal pensamento. Aqui, nesta única lei, virtualmente cada um é considerado culpado.
O mandamento sobre “não matar” também faz parte do quadro. Não há dúvida de que houve tempo em nossas vidas em que outras pessoas nos ofenderam ou pecou contra nós e, conseqüentemente, nos fizeram excessivamente irados. Espero que fomos capazes de resistir à tentação de matá-los. Talvez a influência restritiva das aplicações da lei, tribunais e prisões tenham ajudado a fazer o trabalho de controlar nossos sentimentos mais fácil. Entretanto, está abstinência não atinge os padrões de Deus. No Novo Testamento, não apenas não somos livres para matar aqueles que nos incomodam, mas somos solicitados a perdoá-los. Não só não devemos abrigar ódio e amargura em nossos corações, mas Nosso Senhor insiste, em que amemos os nossos inimigos. Como isto é possível? Mais uma vez, domínio próprio não é suficiente. É necessário uma completa mudança de caráter. E assim é com o resto dos Dez Mandamentos. Os padrões do Novo Testamento são realmente muito mais altos que os do Velho. Espero que este pequeno exemplo é suficiente para demonstrar claramente que a retidão solicitada pelos ensinamentos de Jesus está muito acima daquela exigida pela lei.
A RETIDÃO DE DEUS
Eu creio que a reação imediata da maioria das pessoas com relação a isto é imaginar interiormente: “Como é possível tal coisa?” Como poderia viver alguém em tal completa perfeição, de maneira que nenhum pensamento, atitude ou ação pecaminoso pudesse mover-se em sua vida? Sabemos que os antigos judeus empenharam se por 1.450 anos para obedecer aos Dez Mandamentos. É também bem documentado que a história deste esforço foi de falhas contínuas. Assim, já que foi claramente provado por milhares de experiências, sem sombras de dúvidas, que o homem é incapaz de obedecer às ordens originais de Deus, como podemos compreender o fato do que Jesus aparentemente tornou as coisas ainda mais difíceis? Como podemos lidar com o fato de que o que Deus hoje requer de nós está mais distante do nosso alcance e além de nossa capacidade de modo a ser inteiramente impossível?
A resposta a esta questão é bastante simples ainda que absolutamente profunda. Para compreendê-la é imperativo que cada cristão chegue a uma profunda e inabalável compreensão do seguinte fato: Há apenas uma pessoa no universo que está à altura deste critério inacreditável o próprio Deus. Sua vida é a única vida que automaticamente e espontaneamente transpira genuína retidão. Ele é o único que é aprovado no teste. Veja bem, Deus de modo nenhum, precisa tentar ser reto. Ele apenas é! Ele não precisa tentar não olhar para revistas sujas ou evitar assistir novelas eróticas. Ele não está se esforçando para não mentir, trapacear, roubar ou tirar vantagem de alguém em seu próprio benefício. Ele não passa o tempo desejando ter coisas tão agradáveis quanto seus vizinhos. A verdade é que Deus nem mesmo pode ser tentado pelo pecado (Tiago 1:13). Ele simplesmente não está interessado. De fato, Ele o abomina. Deus manifesta retidão porque Ele é reto e é impossível para Ele ser de outro jeito.
Não deveria ser segredo para nós que em determinado momento da história, esta vida sobrenatural foi manifestada (1ª João 1:2). Esta incrível vida de retidão veio à terra na pessoa do Filho de Deus, Jesus Cristo. Nós lemos: “Nele estava a vida (de Deus)” (João 1:4). Este homem era o repositório da vida do Pai. Além disso, enquanto Ele andava neste planeta, Ele não funcionava pela sua própria vida, mas simplesmente vivia sua existência pelas inclinações da vida Divina que estava dentro Dele. Ele desvendou Seu segredo quando declarou: “Eu vivo pelo Pai” (João 6:57). Suas ações e mesmo Suas palavras não eram Dele mesmo mas simplesmente uma expressão da vontade do Pai que vivia dentro Dele. Ele afirmou: “As palavras que vos tenho falado, não falo por mim mesmo, mas o Pai que habita em mim, Ele faz as obras” (João 14:10). Assim, vemos que Jesus era verdadeiramente justo como resultado da própria vida de Deus dentro Dele, que o motivava.
UMA VIDA QUE NÃO É NOSSA
Isto então forma uma ilustração para nós hoje. É totalmente impossível para nós atingir os padrões de Deus. Mas, se somos crentes genuínos, este mesmo Jesus que viveu na Terra 2000 anos atrás e agradou ao Pai em cada aspecto, agora vive dentro de nós. E é a intenção do Pai que Seu próprio Filho, vivendo dentro de nós e vivendo a vida do Pai através de nós, cumpra todas as suas justas motivações. A própria vida de Deus deve se tornar a fonte de todos os nossos pensamentos, sentimentos e ações. Assim como Nosso Senhor era animado pela vida do Pai, nós também podemos ser uma expressão Dele mesmo.
Desta forma, nossas vidas manifestarão justiça. Desta forma, podemos atingir os padrões dados a nós no livro de Deus. Todavia é uma justiça que não é de nós mesmos (Fp 3:9). Não somos nós que atingimos as exigências, mas Um Outro que vive em nós e através de nós. Esta é a verdadeira “justiça da fé” (Fil 3:9). Esta fé nos traz para Deus e traz Deus para nós de uma maneira tão poderosa que o nosso próprio modo de viver é transformado. O evangelho genuíno não é uma mensagem de esforço próprio. A verdadeira justiça não é obtida pela nossas tentativas a melhorar. Na verdade ela se cumpre por uma substituição sobrenatural. Assim como Jesus agradou ao Pai permitindo-Lhe que vivesse através Dele, do mesmo modo nós também podemos agradá-Lo. Esta é a verdadeira vida cristã. É o “caminho estreito” sobre o qual Jesus falava. Qualquer outro é apenas uma imitação terrena. O desejo de Deus não é que nos tentamos viver para Ele mas sim que Ele possa viver Sua vida através de nós!
Você percebe isto? Você é capaz de sondar a profundidade do que isto significa? Que gloriosa liberdade! Que alívio e gozo! Agora somos livres da escravidão de tentar agradar a Deus. Agora Alguém que é infinitamente mais capaz irá fazê-lo por nós. O Jesus vivo que agradou ao Pai enquanto estava neste mundo, agora irá fazê-lo novamente e através de nós. Esta é uma revelação essencial que cada cristão deve enxergar. É algo que deveria ter um profundo impacto sobre sua experiência. É uma verdade que deveria começar a alterar nosso comportamento em um nível fundamental.
Se por um lado este grande fato nos fornece tremendo descanso por outro lado traz com ele uma responsabilidade enorme. Você vê, isto quer dizer que supõe-se que o povo de Deus deve ser verdadeiramente justo. Significa que ele deve ser santo. Ele realmente foi destinado por Deus não apenas a atingir o padrão da lei do Velho Testamento, mas os excedentes padrões elevados revelados por Jesus. Na verdade, Ele não veio para abolir a lei. Ao contráro, Ele veio para cumpri-la mais completamente que nunca. Ele veio para fazer com que milhares de homens e mulheres se tornem mais justos que possível. Sua intenção é que o que não pode ser feito pela força do homem na tentativa de obedecer à lei de Deus, possa agora ser cumprido por Seu Divino Poder trabalhando através de Seu povo. Agora Deus pode ter multidões expressando ao mundo verdadeira santidade e vencendo o diabo através do seu testemunho.
Confiantemente, todos os leitores perceberão que há uma grande diferença entre a idéia de “guardar” a lei e “cumprir” a lei. Guardar a lei é algo que envolve os esforços da carne para obedecer um padrão superficial. O cumprimento da lei é a chegada de “Quem” deu o padrão. Deixe-me dar um exemplo disto. Vamos supor que você nunca tenha encontrado minha adorável esposa, para ajudar você a conhecer um pouco sobre ela, eu poderia lhe mostrar um retrato dela. Examinando sua foto, você poderia saber um pouco sobre sua aparência, a cor de seus cabelos, sua altura e as feições de sua face. Entretanto, quando você a encontra pessoalmente, ela é o cumprimento do retrato. Você não precisa mais examinar a foto, ela agora está presente, perto de você. Na verdade, ela se sentiria ofendida se você a ignorasse e continuasse a olhar para a fotografia. Na mesma forma, Deus nos deu a lei e os mandamentos.
Eles são uma “fotografia verbal” Dele mesmo e de Sua justiça. Eles, obviamente, são verdadeiros, justos e bons, assim como a foto de minha esposa é uma representação perfeita dela mesma. Entretanto, a lei e os mandamentos são de algum modo incompleto porque é impossível descrever com palavras humanas a totalidade do que Deus é. Agora, entretanto, o “cumprimento” da lei já veio. A Pessoa descrita pelos mandamentos apareceu na Terra na pessoa de Jesus Cristo. Esta Pessoa “cumpre” a lei, simplesmente porque a lei era e é um tipo de definição daquilo que Ele é. Suas ações e palavras estão muito acima da lei porque a lei é uma mera sombra de tudo aquilo que Ele é. Para os fariseus, às vezes, suas atitudes e ações pareciam estar em contradição à sua compreensão da lei. Isto é porque eles compreenderam mal o significado da lei e Quem realmente estava por trás dela. Eles apenas olhavam para a foto e ignoravam a pessoa.
Tentar guardar a lei resulta em uma imitação humana daquilo que Deus é. Mesmo se as pessoas mais determinadas pela vontade pudessem “fazer tudo direito” isto nunca poderia resultar em justiça. Iria ser uma simples imitação de um ser humano. Nós lemos: “pelas obras da lei, nenhuma carne será justificada” (Gal 2:16). Mesmo que pudéssemos fazê-lo, isto não seria aceitável diante de Deus. O que Deus está procurando é uma expressão real de Sua própria vida e natureza. Isto foi o que Ele viu em Seu Filho. E isto é também o que Ele está procurando em nós a plenitude de Sua vida saturando e permeando nosso ser de tal maneira que nós também nos tornamos uma expressão de Sua santidade. Todavia, como todos sabemos a verdadeira realização desta verdade gloriosa não é tão simples quanto possa parecer. De alguma forma, mesmo tendo esta vida sobrenatural vivendo em nós, não é somente Ele que expressamos. Muito freqüentemente, pensamentos, sentimentos e ações terrenas, pecados de todo tipo trabalham em nós e são expressos através de nós. Então, qual é o problema? Porque é que nem sempre manifestamos a natureza de Deus em nossas vidas diárias?
Na raiz deste dilema está o fato que ainda possuímos nossa velha vida. Assim como a vida de Deus é inteira e completamente justa, assim também nossa própria vida, aquela com a qual nascemos, é inalteravelmente poluída pelo pecado. Portanto, quando nos permitimos ser motivados por ele, naturalmente expressamos algo que é menos do que supremamente santo. Quando vivemos nossas próprias vidas, quando permitimos ao “ego” ser a nossa fonte de vida, os resultados são inevitavelmente pecadores e, portanto, rejeitados por Deus.
Isto então coloca o crente que está desejando ser santo e fazer a vontade de Deus, numa espécie de encruzilhada. A cada dia e, na verdade, a cada momento de cada dia os cristãos são obrigados a fazer uma escolha. Eles devem continuamente decidir por qual vida irão viver. Qual vida eles permitirão que os encha e os motive? A de Deus ou a deles mesmos? Qual vida será a inspiração deles, momento a momento?
Nosso Pai Celestial, em Sua grande sabedoria, não impõe o seu jeito sobre nós. Ao contrário, se manifestamos Sua vida, será o resultado de nossa perpétua escolha do Seu jeito. Se começamos a exibir Sua natureza, é porque dia a dia escolhemos permitir que Sua vida nos encha e domine o nosso ser. Além disso, significa que nós ao mesmo tempo decidimos negar a nossa própria vida que expresse a si mesma. Quão santo e precioso é que nosso Deus e Rei seja tão sensível aos nossos desejos! De modo inverso, quão terrível a responsabilidade de termos que escolher corretamente a cada dia.
GUARDE O SÁBADO
Agora chegamos ao assunto deste artigo, a guarda do dia de sábado. No Velho Testamento, quando Moisés recebeu os Dez Mandamentos, a ordenança do sábado era uma exigência referente aos empreendimentos do sétimo dia. Deus ordenou ao Seu povo que cessasse de fazer a maioria de suas atividades físicas para que pudessem focalizar suas mentes e atenções no trabalho Dele. Simplesmente, deviam parar o que estavam fazendo e descansar. Enquanto este parecia ser um mandamento fácil de ser cumprido, ele provava ser uma virtual impossibilidade. Havia sempre algo na vida do povo de Deus que os estava empurrando para a ação, mesmo quando era uma violação da vontade Dele.
Agora, se o decreto do Velho Testamento era impossível de guardar, o que dizer do padrão da Nova Aliança? Naquele tempo, os seguidores de Deus eram proibidos de trabalhar um dia em sete. Mas agora, ao Novo Testamento somos solicitados a não trabalhar absolutamente. Somos admoestados a “parar com suas próprias obras” completamente (Hb 4:10). O padrão do “descanso” foi elevado muito além das atividades de um dia. Agora está sendo aplicado à nossa inteira existência. Temos que entrar num descanso tal, que não somos mais “nós” que vivemos. Não apenas o sétimo dia mas todos os sete dias da semana são santos para Deus. Agora há apenas espaço para uma só pessoa–Jesus Cristo.
Isto então nos leva a um entendimento apropriado do verdadeiro evangelho. É a mensagem que afirma que há um “descanso” para o povo de Deus, no qual eles precisam entrar. Está disponível a nós a opção de parar de viver nossa vida por nossa própria motivação e entrar na experiência de ser animado por Deus. A genuína experiência do sábado não é outra senão aquela da qual estamos falando. É simplesmente permitir a Deus ser nossa vida e parar de viver por nós mesmos.
Quando compreendidas apropriadamente as ordens da Velha Aliança, são vistas simplesmente como tipos externos das realidades espirituais vindouras. São experiências terrestres que Deus nos deu para nos ensinar a compreender coisas espirituais. Referente à observação exterior do dia do sábado, as Escrituras nos dizem que isto era simplesmente uma sombra “do que haveria de vir, mas a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Col 2:17) NVI. Você vê isto? Sob esta luz, a verdadeira observação do Sábado torna-se uma das mais importantes revelações do Novo Testamento. Cessar de viver por nossa própria vida e submeter nossas habilidades à inspiração de um Outro, está verdadeiramente no centro de todos os pensamentos e intenções de Deus. É por isto que Jesus veio e morreu por nós. Foi para compartilhar conosco a vida Divina do Pai para que pudéssemos ser participantes de Sua natureza e sermos verdadeiramente retos.
Não admira que o Sábado seja um dos mais importantes dos mandamentos, sendo mencionado 137 vezes nas Escrituras. Não é surpreendente, portanto, que a sua observância seja levada tão a sério por Deus e que seja enfatizada muitas outras vezes pelos profetas quando detalhando as fraquezas do povo de Deus. A importância desta experiência, a centralização desta verdade é tão profunda que, se uma pessoa não a compreende, então ela realmente não começou a compreender a mensagem de Cristo. A guarda do verdadeiro sábado, que resulta na substituição da nossa velha e perecível vida pela nova e eterna vida de Deus, é absolutamente indispensável.
Você guarda o dia de sábado? Olha, não estou perguntando se você vai trabalhar fora ou se mexe em seu jardim no domingo. Nem estou interessado em discussões infrutíferas sobre se sábado ou domingo é o dia apropriado para adoração. Estas coisas pertencem inteiramente a outro campo. Se você está preso nelas, já está correndo sério risco de perder a realidade espiritual sobre a qual estamos falando.
O apóstolo Paulo estava temeroso disto quando falou aos crentes gálatas “Mas agora que conhecestes a Deus, ou melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias e meses, e tempos, e anos. Temo a vosso respeito não haja eu trabalhado em vão entre vós” (Gal 4:9-11). Ele sabia que seus ouvintes tinham apenas compreendido a aparência superficial das Escrituras e negligenciado completamente a verdadeira mensagem. Sua apreensão era que guardando uma ordenança terrena, eles estivessem demonstrando que não tinham compreendido o verdadeiro sentido.
Esta é, então, queridos irmãos, nossa presente consideração. Estamos entrando na verdadeira experiência diária do sábado? Estamos verdadeiramente parando nossas próprias atividades e entrando no descanso de Deus? Estamos vivendo por nossa própria vida ou permitindo que a vida de Um Outro nos domine e controle? Quem é nossa motivação? A quem estamos expressando no dia a dia? Jesus virá em breve. Somente aqueles que amaram o sábado estarão prontos. Ouça a promessa de Deus “Se você vigiar seus pés para não profanar o sábado e para não fazer o que bem quiser em meu santo dia; se você chamar delícia o sábado e honroso o santo dia do Senhor, e se honrá-lo, deixando de seguir seu próprio caminho, de fazer o que bem quiser e de falar futilidades, (outro versão diz ‘falar suas próprias palavras’) então você terá no Senhor a sua alegria, e eu farei com que você cavalgue no altos da terra e se banqueteie com a herança de Jacó, seu pai. É o Senhor quem fala” (Isaías 58:13,14).
HÁ ALGUMA CONSEQÜÊNCIA?
Há, entretanto, um outro lado desta consideração. Durante a lei, aquele que violasse o sábado devia ser executado. Aquele que se recusasse a parar de trabalhar era morto. Êxodo 31:15 diz: “Qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente será morto”. Este mesmo julgamento é repetido em Êxodo 35:2. Talvez você mesmo se lembre da história do homem que foi encontrado colhendo lenha para o fogo do sábado, quando os filhos de Deus estavam no deserto. A congregação estava um pouco insegura sobre o que fazer com este homem. Então o trouxeram a Moisés e a Arão que, então consultaram a Deus. E qual foi a resposta D’ele? “O homem seguramente deve morrer; toda a congregação deve apedrejá-lo no campo exterior” (Números 15:35).
Assim vemos que na velha Aliança as conseqüências de quebra do sábado eram extremamente severas. Deus mostrou claramente que este mandamento era sério e que não devia ser tratado com leviandade. Mas agora que já temos idéia do que significa o sábado durante a Nova Aliança, o que devemos pensar? É algo muito sério? Há alguma conseqüência? O cristão tem algo a temer referente à sua obediência a Deus no que concerne a entrar em descanso?
Tenho a impressão que a resposta da maior parte dos evangélicos é “não”. “Uma vez que você recebe a Jesus,” eles dizem, “não há mais nada a temer”. “Deus ama nos e não faria nada para punir ou causar algum desconforto a seus filhos”. Este é um pensamento abrandado e temo que muitos cristãos desejam desesperadamente aderir a ele. Entretanto, não é verdade. As Escrituras são totalmente claras sobre isto. Tanto agora como no futuro, Deus pode punir e disciplinar Seus filhos e irá fazê-lo! Hebreus 12:6 diz: “Pois o Senhor corrige ao que ama, e castiga a todo o que recebe por filho”. Esta palavra “castigar” de acordo com o dicionário Webster, significa “punir como chicoteando, disciplinar especialmente com um chicote, uma vara ou semelhante.” Amados irmãos, este não é um conceito da Velha Aliança, mas uma verdade do Novo Testamento.
O TRIBUNAL DE CRISTO
Sabemos pela Bíblia que todos nós iremos comparecer diante do tribunal de Cristo (II Cor 5:10). Ali recebemos uma recompensa por aquilo que fizemos durante o nosso tempo aqui na Terra, seja bom ou ruim. A maioria dos professores da Bíblia insistem que, sejam nossas ações “boas ou más”, receberemos uma bênção. Parecem pensar que Deus é um tipo de simplório que realmente não sabe ou não se importa como o Seu povo se comporta. Entretanto, a palavra “recompensa” não significa necessariamente uma coisa maravilhosa. Significa que ganharemos aquilo que merecemos. Se você acredita que pode plantar um estilo de vida pecador e colher as bênçãos de santidade, então você está enganado seriamente. É certo que “aquilo que o homem semear, isto será o que colherá” (Gal. 6:7). Este é um princípio inalterável. Quando o Senhor voltar, irá punir seus filhos desobedientes? Você pode estar absolutamente certo disto.
O próprio Jesus nos ensina que “o servo que conhecia a vontade do Senhor e não se preparou e não fez conforme a Sua vontade, será castigado com muitos açoites, mas o que não a soube e fez coisas que mereciam castigo, com poucos açoites será castigado. Daquele a quem muito é dado, muito se lhe pedirá e a quem muito é confiado, mais ainda se lhe pedirá” (Lucas 12:47-48). Isto é algo que acontecerá quando Jesus voltar para julgar Seu povo (veja o verso 43). Paulo segue esta afirmação sobre o tribunal de Cristo com estas palavras: “Portanto, conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir os homens” (II Cor 5:11). Isto demonstra claramente que devemos temer algo se levamos vidas desobedientes.
Mas alguns irão discutir, “não está se referindo a descrentes?” Deixe-me perguntar-lhe; Quantos descrentes estarão diante do tribunal de Cristo? Lá não haverá nenhum não cristão. Somente cristãos serão arrebatados e ressurretos nesta hora e estarão diante do Trono de Jesus. Os descrentes, na verdade, serão julgados, mas somente mil anos mais tarde, no que é conhecido como “julgamento do Grande Trono Branco”. Portanto, o que é ensinado nas Escrituras sobre o tribunal de Cristo se refere apenas a cristãos. Note que Paulo usa a palavra “nós” referindo-se a ele mesmo e aos outros crentes. A Bíblia ensina também que o julgamento começa na casa do Senhor (1ª Pedro 4:17). Se Deus não julga corretamente sua própria casa, como poderá julgar o mundo com justiça?
Vamos ser bem claros sobre uma coisa aqui. Quando falamos sobre Deus punir Seus filhos desobedientes, não queremos dizer que eles “irão para o inferno” ou estarão perdidos. Deus não perde nem mata Seus filhos e filhas. Mas, como um Pai amoroso, Ele os disciplina, algumas vezes severamente, para o seu próprio benefício. Isto será especialmente verdadeiro em Sua vinda.
Alguns podem argüir sobre este fato, alegando que podemos ser perdoados e lavados pelo sangue de Jesus. Então, eles insistem, Deus não irá nos punir, mas nos perdoar. Não conheço nada mais precioso que o sangue de Jesus. É eficaz. É verdade que limpa todo pecado. O perdão amoroso de Deus é algo que está no centro do evangelho. Entretanto, antes que o sangue de Jesus possa operar, há uma condição importante. Precisamos nos arrepender e deixar o pecado. Nos tempos do Velho Testamento, quando alguém vinha trazendo uma oferta mas em seu coração não havia arrependimento e sim intenção de continuar no pecado Deus não aceitava a oferta de suas mãos. Ele os considerava hipócrita. Se Deus não aceitava o sangue de um animal de um hipócrita, quanto menos aceitaria o sangue de Seu precioso Filho para livrar um filho pecador de seu justo castigo, quando ele pretende permanecer no pecado.
Hb 10:26 diz: “Porque se voluntariamente continuarmos no pecado depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma expectação terrível de juízo e um ardor de fogo que há de devorar os adversários. Qualquer um que rejeitasse a lei de Moisés morreria sem piedade perante o testemunho de 2 ou 3 testemunhas. De quanto pior punição você supõe, ele será considerado merecedor, ele que pisoteou o filho de Deus, maltratou-o, considerou o sangue da aliança pelo qual foi santificado como uma coisa comum e insultou o Espírito da graça? Por que nós conhecemos quem disse: ‘a vingança é minha, Eu pagarei’, diz o Senhor. E, de novo, ‘o Senhor julgará o Seu povo’.”
Esta passagem se refere aos filhos de Deus que tentam tirar vantagem da graça e do perdão de Deus. Eles vivem vidas pecaminosas e acham que podem escapar com ela, suplicando pelo sangue de Jesus como se ele fosse uma tinta capaz de esconder o que eles são por dentro. Quando você se arrepende genuinamente e completamente, Deus é capaz de limpar e perdoar você (1ª João 1:9). Mas, se você não está pronto a deixar os seus pecados, não se iluda. Deus não é objeto de zombaria. Aquilo que você plantar, você também colherá (Gal 6:7,8). Ele irá julgar Seus filhos e filhas e eles irão receber exatamente o que merecem por sua obediência ou desobediência. Quando Ele voltar, será tarde demais para arrepender-se e receber perdão. O trono da graça será substituído pelo trono do julgamento.
Com tudo isto em mente, vamos retornar nossa discussão sobre o sábado. No coração e na mente de Deus este descanso é uma ordem extremamente importante. Hebreus 4:1 diz “Portanto, temamos que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus suceda parecer que algum de vós tenha falhado”. Aqui aprendemos que realmente há algo para “temer”. A experiência de parar de viver por nós mesmos e por nossa própria vida não é algo para cristãos “espirituais” e “desenvolvidos”. A expectativa de Deus é que todos nós experimentemos o descanso sabático. Jesus proporcionou uma maneira para todos os seus filhos serem liberto daquilo que eram. Ele morreu e ressurgiu para que nós também pudéssemos morrer para nós mesmos e viver pela sua vida da ressurreição.
Mas, e você? Tem usado seu tempo sabiamente para possuir tudo aquilo que o Senhor comprou para você? Você como servo sábio e fiel está experimentando o verdadeiro descanso de Deus todos os dias? Ou você está tirando proveito da graça e da bondade de Deus? Você está simplesmente vivendo por si próprio e por sua própria vida, procurando seu próprio prazer e falando suas próprias palavras? O sangue de Jesus é precioso para você ou apenas um jeito fácil de escapar à punição que você merece pelo tipo de vida que está levando?
Queridos amigos e irmãos, vamos examinar seriamente nossos corações por um momento. Verdadeiramente, todas às coisas estão “descobertas e patentes aos olhos Daquele a quem temos que prestar contas” (Hb 4:13). Servos sábios e fiéis estarão preparados para a Sua vinda.
DAVID W. DYER

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Resistindo a Satanás com Santa Violência- Thomas Watson (1620–1686)

Resistindo a Satanás com Santa Violência

Devemos agir com violência contra Satanás. Ele se nos opõe tanto pela violência explícita
quanto pela perfídia secreta. Por causa da sua manifesta violência ele é chamado de o dragão
vermelho; pela sua perfídia, de a antiga serpente. Lemos nas Escrituras quanto às suas
armadilhas e dardos. Ele fere mais com as suas armadilhas do que com os seus dardos.
A Violência de Satanás. Ele trabalha diligentemente para tomar de assalto o castelo
do coração, instigando a paixão, a concupiscência, e a vingança. Esses são os chamados
dardos inflamados (Ef 6.16) porque põem sempre a alma em chamas. Por causa da sua
ferocidade ele é cognominado de leão: “O Diabo, vosso adversário, anda em derredor, como
leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8); não para morder (como diz
Crisóstomo), mas para devorar.
A Perfídia de Satanás. Aquilo que ele não consegue fazer pela força, se empenhará
para alcançar pela fraude. Satanás tem muitas maneiras ardilosas de tentar. Para adequar as
suas tentações à índole e temperamento do indivíduo, Satanás estuda a fisionomia (isto é, os
aspectos e as expressões faciais) e coloca as iscas apropriadas. Ela conhecia a inclinação
cobiçosa de Acã e o tentou com uma barra de ouro. Ao vaidoso ele tenta com a beleza.
Um outro ardil é conduzir os homens ao mal, sub specie boni, sob o pretexto de um
bem. Assim como o pirata engana exibindo uma bandeira falsa, também Satanás o faz
exibindo a bandeira da religião. Ele leva alguns a cometerem ações pecaminosas persuadindoos
de que muitas coisas boas resultarão delas. Algumas vezes lhes diz que podem deixar de
lado a regra da Palavra e levar as suas consciências para além dessa fronteira, de modo a
serem capazes de prestar um maior serviço — como se Deus precisasse do nosso pecado para
exaltar a Sua glória.
Satanás tenta ao pecado gradualmente. Assim como o lavrador cava em torno da raiz de
uma árvore fazendo-a gradativamente perder a sua firmeza e, por fim, cair, Satanás infiltra-se
gradualmente no coração. No princípio ele é mais moderado. Ele não disse a Eva de supetão:
“Coma o fruto”; não, trabalhou mais sutilmente, fazendo uma pergunta: “Deus disse isso?
Eva, você deve estar enganada. O dadivoso Deus nunca teve a intenção de lhe privar de uma
das melhores árvores do jardim. Será que Deus disse isso? Certamente que não, e se o disse,
não foi essa a intenção dEle”. Assim, pouco a pouco, ele a fez duvidar, e ela, então, colheu o
fruto e o comeu. Oh, acautele-se dos primeiros impulsos, aparentemente mais modestos, de
Satanás para lhe fazer pecar — principiis obsta (isto é, opõe-te desde o começo)! No
princípio ele é uma raposa, e em seguida, um leão.
Satanás tenta ao mal in licits, nas coisas lícitas. Era lícito a Noé comer do fruto da vide,
mas ele bebeu demais, e assim pecou. O excesso torna aquilo que é bom em mau. Comer e
beber podem se converter em intemperança. Quando em excesso, a diligência na profissão é
cobiça. Satanás leva os homens a um amor exagerado por aquilo que fazem, fazendo-os
transgredir naquilo que amam, assim como Agripina envenenou o seu marido Cláudio com a
carne que ele mais gostava.
Satanás inclina os homens a fazerem o bem motivados por maus motivos. Se ele não os
puder ferir com ações escandalosas, ele o fará com ações virtuosas. Portanto ele tenta alguns
a adotarem a religião como um modo de se promoverem e a dar esmolas para receberem
aplauso, para que os outros possam ver as suas boas obras e canonizá-los. Tal hipocrisia
contamina os deveres da religião e os faz perder a recompensa.
O Diabo persuade os homens ao mal através daqueles que são bons. Isso dá um falso
brilho às suas tentações tornando-as menos suspeitas. Algumas vezes o Diabo usou os mais
eminentes e santos homens como agentes das suas tentações. O Diabo tentou Cristo através de
um apóstolo — Pedro a dissuadi-Lo de sofrer. Abraão, um homem bom, mandou sua mulher
ser ambígua: “Dize, pois, que és minha irmã”.
São essas as sutilezas de Satanás ao tentar. Agora, aqui temos que agir violentamente
contra Satanás através da fé: “resiste-lhe firmes na fé” (1Pe 5.9). A fé é uma graça sábia,
inteligente; ela pode perceber o anzol que vai escondido na isca. Ela é uma graça heróica, é
quem, acima de tudo, apaga os dardos inflamados de Satanás. A fé resiste ao Maligno.
A fé protege o castelo do coração para que ele não se renda. Ser tentado não torna o
homem culpado, mas o assentir à tentação. A fé protesta contra Satanás.
A fé não apenas não se rende, mas derrota a tentação. Em uma das mãos a fé agarra-se à
promessa, e na outra, a Cristo. A promessa encoraja a fé, e Cristo a fortalece; a fé, portanto,
expulsa o inimigo do campo de batalha.
Temos que agir violentamente contra Satanás através da oração. Nós o derrotamos
quando ajoelhados. Assim como Sansão clamou ao céu por socorro, assim também o cristão,
através da oração, busca forças de auxílio no céu. Em todas as tentações recorra a Deus pela
oração. “Oh Senhor! Ensina-me a usar cada peça da minha armadura espiritual: como segurar
o escudo, como usar o capacete, como manejar a espada do Espírito. Senhor, fortalece-me na
batalha; é-me preferível morrer como conquistador, do que cair prisioneiro e ser arrastado em
triunfo por Satanás”. Por isso devemos agir violentamente contra Satanás. Há um leão no
meio do caminho, mas devemos nos decidir a lutar.
Que isso nos encoraje a agir violentamente contra Satanás. Nosso inimigo já está
derrotado em parte. Cristo, o Capitão da nossa salvação, na cruz, já o feriu de morte (Cl 2.15).
A Serpente muito em breve será morta pela cabeça. Cristo esmagou a cabeça da antiga
serpente. O Diabo é um inimigo em cadeias, conquistado. Portanto, não tema lutar contra ele.
Resista ao diabo, e ele fugirá; ele não conhece outra alternativa senão fugir.

sábado, 12 de janeiro de 2008

A Linguagem Simbólica dos Números-4ª Parte


40


O número 40 é composto de 4 x 10 e simboliza a provação completa que corresponde a
toda a responsabilidade do ser humano.

Resumo


Se dermos uma olhada para trás observando a seqüência dos números, então, com
facilidade, podemos reconhecer uma linha de pensamentos entrelaçados ligando os
números entre si e também fazendo claro a integridade de toda a seqüência. Isso serve
de confirmação do significado tanto do todo dos números como também de cada um
individualmente. A ordem dos pensamentos nos mostra uma nova beleza; a sua
plenitude se constitui em uma prova. Fica claro que a soma de toda a verdade está
contida nisso e não podemos ir além.
Nos primeiros 3 números vemos Deus em Sua plenitude — o Pai, o Filho e o Espírito
Santo. Deus há de ter e preeminência em tudo, até mesmo referente aos números, para
que os nossos pensamentos sejam guiados da forma correta. A manifestação do próprio
Deus é aquilo que é cumprido e apresnetado nos números que seguem.
Em seguida, vemos a criatura simbolizado pelo número 4. As Escrituras, por vezes, o
decompoem na soma 3 + 1, sublinhando assim de maneira especial a manifestação de
Deus. A ligação dos primeiros 3 números com o quarto da seqüência nos é apresentada
de forma muito clara.
Depois disso, vemos que 5 corresponde a 4 + 1. Novamente começamos com 4. A
criatura é o meio dessa manifestação. É por isso que os demais números da seqüência
básica são compostas, por meio de adição, por 4 mais um dos primeiros 3 números.
Assim 5 é 4 + 1; 6 é 4 + 2 e 7 é 4 + 3. Assim eles completam essa seqüência. Não há
outros números “divinos” que poderiam entrar em relação com o número da criatura.
Por isso essa sequência¨básica necessariamente termina com 7.
5, portanto, é 4 + 1 — a criatura em sua relação com o Criador, fraqueza em contraste
com o poder todo-poderoso. É este o pensamento principal.
6 é 4 combinado com 2. É o número que fala de luta causada pelo mal e também da
libertação do mal. Por isso, 6 é o número que caracteriza a criatura como caída e mostra
também a vitória final de Deus sobre o mal. É nisso que Deus Se glorificará.
Dessa forma, a obra de Deus é cumprida, tal como tudo fora feito em 6 dias. O número
7 nos fala de cumprimento, perfeição e descanso. Assim a seqüência é completa. Que
prova magnífica e convincente da inspiração Deus embutiu já nos números!
Até aqui citamos o irmão Grant. Se compararmos o significado dos números com os 5
livros de Moisés (o Pentateuco), veremos de imediato a maravilhosa harmonia da
Palavra de Deus.


Os 5 livros de Moises (o Pentateuco)

Gênesis (1° livro de Moisés): Gênesis é livro dos começos. Encontramos a criação, a
queda em pecado, o dilúvio, a repartição da terra depois da construção da torre de
Babel, os inícios do povo de Israel e o agir de Deus com os patriarcas. O irmão Darby
certa vez escreveu que esse livro contém todos os pirncípios elementares, que
encontraram a sua evolução e manifestação na história ou nas relações de Deus com os
seres humanos como descritos nos livros seguintes da Bíblia. Todos esses princípios se
encontram, em sua essência, já no livro de Gênesis. É o livro dos conselhos, cujos
cumprimentos encontramos em toda a Bíblia. Esse livro contém duas das mais gloriosas
figuras do Senhor em todo o Antigo Testamento: No capítulo 22 temos a sacrificação de
Isaque e nos capítulo 38 a 50 vemos José, conservador do mundo. Da mesma forma, em
figura, encontramos também a Trindade divina:
Abraão, nos capítulos 21 a 23, é uma figura de Deus, o Pai. Isaque é uma figura do
Filho de Deus (compare capítulo 22), e Jacó é uma figura da operação do Espírito
Santo em uma pessoa verdadeiramente salva.

Êxodo (2° livro de Moisés): Esse é o livro da salvação. Primeiramente, encontramos o
povo debaixo da escravidão de Satanás e do pecado, cuja figura é o Faraó. Então,
Moisés nasce, o salvador. Deus traz juízo sobre esse mundo (a figura disso é o Egito),
redime o Seu povo através do Mar Vermelho e revela ao povo os Seus pensamentos por
meio de Moisés, principalmente o pensamento de que queria habitar no meio de Seu
povo. É esse o significado pleno de salvação: Deus quer morar em meio de Seu povo
(comprae Ap 21:3-4 com vistas ao estado eterno).

Levítico (3° livro de Moisés): Agora o santuário está estabelecida e Deus não fala mais
do Monte Sinai, mas de dentro da tenda da congregação (Lv 1:1). Ele revela os Seus
pensamentos referente à maneira da santificação correta do povo e à maneira de como o
povo podeia se aproximar dEle.
Em primeiro plano vemos os sacrifícios (Lv 1 a 7). Neles vemos, figuradamente, como
Deus Se revela plenamente por meio da obra do Senhor Jesus na cruz. Vemos também
as diversas maneira de como alguém do povo podia se aproximar de Deus. Caso tivesse
cometido algum pecado, havia ali o sacrifício pelo pecado e pela culpa; caso procurasse
comunhão com Deus, estava a dispor o sacrifício pacífico; caso quisesse adorar a Deus,
então podia oferecer um holocausto e um sacrifício pacífico.
Depois vemos a santificação dos sacerdotes e o tratamento do leproso (Lv 8 a 15). Em
seguida temos o dia da expiação (Lv 16) e, por fim, as festas de Javé (Lv 23). Esse
livros nos dá ordens em ligação com o fato de que Deus tem em meio de Seu povo um
santuário, onde Ele quer habitar. Deus quer ser santificado por meio daqueles que
queiram aproximar-se dEle (Lv 10:3).

Números (4° livro de Moisés): Esse livro nos mostra o caminho do povo de Deus
através do deserto — figura daquilo que o mundo representa para o verdadeiro crente:
prova após prova. O povo poderia ter chegado à terra prometida em apenas 11 dias (Dt
1:2), porém demorava 40 anos. A simples razão para isso é a incredulidade do povo. O
estado do povo era tal que fazia-se necessária a permanência no deserto. O deserto não
faz parte dos conselhos de Deus, mas sim de Seus caminhos com o povo. Deus sabia o
que havia no coração do povo, mas também o povo devia se dar conta disso por meio da
experiência (Dt 8:2-3). Números é livro das provas, mas também das experiências; é o
livro da fidelidade e do fracasso, mas também da fidelidade e da miseriocórdia divinas.
Que ricos meios de ajuda para o caminho pelo deserto Deus tem depois da manifestação
completa da apostasia (a congregação de Corá, Nm 16)! Arão (figura do Senhor Jesus)
se levanta como mediador entre o povo e Deus. Vemos ali a graça do sumo sacerdócio
de Cristo (Nm 17); temos o sacrifício da bezerra ruiva em prol das contaminações do
deserto (Nm 19), e encontramos a serpente de metal (Nm 21 — compare Jo 3).
Deus “não viu iniqüidade em Israel, nem contemplou maldade em Jacó; o SENHOR, seu
Deus, é com ele e nele, e entre eles se ouve o alarido de um rei” (Nm 23:21) — e isso
está escrito num livro que manifesta o fracasso do povo a cada passo!

Deuternômio (5° livro de Moisés): Será que o povo, baseado em suas experiências
feitas e descritas em Números, corresponderá à sua responsabilidade quando estiver na
terra? É essa a grande questão desse livro. Israel tem a escolha na sua própria mão:
bênção ou maldição (Dt 11:26-28). Quantas e quão grandes as bênçãos se o povo
corresponder à sua responsabilidade! Que horrível as conseqüências caso contrário!

O livro de Josué

O livro de Deuteronômio finaliza essa seqüência. Nesse sentido, o livro de Josué não
respresenta uma continuação, mas sim um completamente novo começo. Isso já se torna
claro pelo fato de que Josué toma o lugar de Moisés. Ambos os homens são figuras do
Senhor Jesus. Moisés não podia conduzir o povo até que adentrassem nas bênçãos da
terra (uma figura dos lugares celestiais da epístola aos Efésios). Moisés é a figura de
Cristo que viveu e morreu nesta terra. Josué, por outro lado, representa como figura o
Senhor Jesus ressurreto e glorificado como Senhor, que introduz o Seu povo, por meio
do Espírito Santo, da parte do céu, nas gloriosas bênçãos de Sua obra (os frutos da
terra). De fato, o livro de Josué é o início de uma nova seqüência e, conforme o irmão
Grant, novamente de uma seqüência de 5 livros ou seja da história da aliança. Dessa
forma, o irmão Grant divide toda a Bíblia em um pentateuco composto de pentateucos
(veja a última página).
Se pensarmos no significado espiritual dos números 1 a 5, então essa simples
composição e o número seqüencial de um livro dentro de um dos pentateucos já nos
fornece informações importantes com respeito ao caráter desse livro.

O Novo Testamento

Vamos nos ocupar brevemente com a divisão do Novo Testamento (o quinto
pentateuco).
1 — Os evangelhos nos apresentam a pessoa do Senhor Jesus, que revelou
perfeitamente a Deus até mesmo em sua morte sacrificial na cruz. Com isso pôs a base
do cristianismo verdadeiro. Poderia ser diferente do que é? O Novo Testamento poderia
iniciar com outra pessoa senão a pessoa de nosso Senhor apresentando-O em suas
glórias como Messias, Profeta, Servo, Filho do Homem e Filho de Deus? Ele é o
princípio da criação de Deus (Ap 3:14) e, naturalmente, também da nova criação (2 Co
5:17), que Deus revelou no cristianismo verdadeiro.
2 — O livro de Atos nos mostra a gloriosa salvação do povo de Deus. Deus o liberta
da escravidão da Lei (compare At 15:10). Vemos como o evangelho cresce mais e mais
começando em Jerusalém e Judéia, indo à Samaria e finalmente se estende até os
confins da terra e está sendo anunciado às nações (At 1:8).
3 — As epístolas do apóstolo Paulo revelam todo o conselho de Deus com respeito ao
mistério “Cristo e Sua Igreja” (Ef 5:32). Esse mistério profundo lhe fora feito
conhecido por meio de revelação (Ef 3:2-9). Nesses conselhos, Deus revelou a sua
multiforme sabedoria (Ef 3:10). Isso, ao mesmo tempo, significa que Deus não dá
outras revelações novas, porque todas foram reveladas a Paulo. A Palavra de Deus é
competa, terminada, foi levada a sua medida plena (veja Cl 1:25 — “cumprir” ali tem o
significado de “levar ao cabo / completar tudo plenamente o que faltava”).
4 — As epístolas católicas (ou: gerais; a palavra católica não se refere aqui à
denominação conhecida sob esse termo, mas significa “de conteúdo geral ou universal)
tratam do caminhar do crente verdadeiro (veja o livro de Números). Pedro descreve os
caminhos de governo de Deus, Tiago se ocupa com a manifestação prática da fé, João
com a apresentação da vida eterna em nós na nossa condição de filhos de Deus, e Judas
trata da apostasia da cristandade. Todas essas epístolas contêm ensinos sérios,
mostrando como devemos andar o nosso caminho através desse mundo enquanto
crentes.
5 — No livro de Apocalipse, Deus acerta as contas com as pessoas que professam ser
dEle conforma a responsabilidade deles. O primeiro capítulo nos apresenta o Senhor
Jesus, o Filho do Homem, como juiz. Os capítulos 2 e 3 nos fornecem uma história
completa da Igreja, sempre sob o ângulo de vista da responsabilidade. Os capítulos 6 a
11 nos mostram, com certas interrupções, os juízos iniciais sobre a cristandade professa.
No capítulo 13 vemos a meanifestação do mal simbolizada nas duas bestas. Os
versículos 1 a 10 desse capítulo nos mostram o Reino Romano e os versículos 11 a 18 o
anticristo. O capítulo 16 contéma continuação dos juízos sobre o Reino Romano e a
cristandade professa. Os capítulos 17 e 18 nos mostram o juízo sobre a falsa noiva de
Cristo. O capítulo 19, por sua vez, descreve o juízo final sobre as duas bestas — o
cabeça estatal do Reino Romano e o anticristo. No capítuo 20 encontramos o juízo sobre
os mortos.
Apesar de todos os juízos, sempre vemos, nos intervalos, como Deus alcança os alvos
de Sua graça e como introduz seres humanos em Suas bênçãos.
O trono do Criador está rodeado pelo arco-íris, sinal da Sua aliança. Apesar dos juízos,
Deus não reterá a Sua misericórdia da terra (Ap 4; compare Gn 9:14-17). O Cordeiro é
visto em meio do trono (Ap 5). O capítulo 7 nos mostra um remanescente do povo de
Israel e uma grande multidão de vencedores de entre as nações. No capítulo 12, Deus
concede graça ao remanescente e o guarda no deserto durante o tempo dos horríveis
juízos. O remanescente das duas tribos do reino de Judá é visto juntamente com o
Senhor no monte Sião (Ap 14). Os vencedores da besta estão junto do mar de vidro (Ap
15). As bodas do Cordeiro acontecem no capítulo 19. Finalmente, o capítulo 21 nos
concede uma perspectiva gloriosa do estado eterno (Ap 21:1-8) bem como da glória da
Igreja (a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro) durante o tempo do reino milenar (Ap
21:9-22:5). Ela possui a glória de Deus! O livro de Apocalipse termina (Ap 22:6-21)
com alertas seríssimas, mas também com uma tripla promessa (Ap 21: 7, 12 e 20):
“Certamente, cedo venho!”

A Linguagem Simbólica dos Números-3ª Parte


4


O número 4 é o primeiro número que permite uma simples operação de divisão. É o
número 2 que é o seu divisor. Por isso vemos nesse número o símbolo da fraqueza —
da criatura em contraste com o Criador — da matéria submissa a mão formadora de
Deus. Porém, infelizmente, também se sujeita a outrem para ser formada. Nas Escrituras
encontramos o número 4 ou numa composição de 3 + 1 — o número da revelação e
soberanidade do Criador — ou em 2 x 2, representando assim uma divisão real e
apontando para algo mal.
Além disso, o número 4 também é o número dos quatro confins da terra (Is 11:12).
Assim faz referência à perfeição terrena e universalidade, que, porém, sempre
continuam marcadas pela fraqueza, seja o tanto quanto quiser que o homem se
vanglorie.
Esse número também está ligado aos quatro ventos do céu (Jr 49:36; Dn 7:2). Assim
simboliza as diversas e até mesmo contraditórias influências que operam em todo o
âmbito terrestre. Isso nos leva a pensar em provação e experiência. A provação do
homem revela continuamente o seu fracasso. De um modo geral, esse número nos
representa o andar prático, o andar do crente pelo mundo (compare Números).
Também os domínios pagãos que dominam de forma ilimitada toda a terra são
representados pelas figuras de quatro animais. Os quatro seres viventes velam sobre
toda a terra (Ap 4 e 5).
Acrescentamos ainda alguns exemplos da perfeição terrena expressa pelo número 4:
— Havia 4 rios no jardim de Éden (Gn 2:10); saia bênção do jardim de Éden para toda a
terra.
— O altar de bronze tinha 4 chifres (Êx 27:2). Os chifres são um símbolo do poder e da
força da obra expiatória de Cristo suficiente para o mundo inteiro, caso o ser humano a
aceite pela fé.
— Há 4 evangelhos, que nos relatam a totalidade da vida do Senhor Jesus nesta terra.
Em Levítico 1 – 7 vemos 4 sacrifícios, que nos dão um quadro pleno da morte do
Senhor na cruz. Uma excepção constitui a oferta de manjares como uma oferta não
sangrenta.

5


Por ocasião da purificação de um leproso (Lv 14:14) e também por ocasião da
santificação do sacerdote (Lv 8:24), o sangue tinha que ser aplicado a três partes do
corpo humano — à ponta da orelha direita, ao dedo polegar da mão direira e ao dedo
polegar do pé direito. Com o ouvido devia ouvir a Palavra de Deus, com a mão fazer a
tarefa recebida da parte de Deus e com o pé andar os caminhos prescritos por Deus. É
essa toda a esfera de responsabilidade humana.
Cada uma dessas partes do corpo está ligada ao número 5. O ouvido tem a ver com os 5
sentidos, que permitem ao ser humano ter contato com o ambiente em que vive. Os
sentidos são a “porta” para a capacidade de percepção. A mão é a parte do corpo que
serve para formar e moldar o seu ambiente. Ela expressa o poder atuante. É justo o
polegar que é santificado, porque ele é a parte predominante da mão; ele é a contraparte
dos 5 dedos — em si são esses últimos a figura da fraqueza. De uma forma semelhante,
as duas mãas se auxiliam mutuamente. As duas mãos em seu conjunto têm 10 dedos, o
número dos 10 mandamentos distribuídos nas duas tábuas da Lei. Eles nos mostram a
medida da responsabilidade natural. O pé, igualmente repartido em 5 mais 5 dedos, é a
expressão figurativa do andar pessoal. Os pés possuem igualmente 10 dedos. Portanto, o
número 5 é o número do ser humano, provado com vistas a sua responsabilidade
debaixo do governo de Deus.
A divisão comum do número 7 na Bíblia (4 + 3), nos ensina a dividir o número 5 em 4
+ 1 — a criatura (4) debaixo do domínio de Deus (1). Quando o ser humano decaído faz
a tentativa de aproximar-se de Deus, então há de experimentar que, nesse caminho, o
trono de Deus está envolta por núvens e trevas (veja Êx 19:16-19). O número 5 sempre
tem a conotação de responsabilidade, mas também embute o pensamento muito similar
que os caminhos de Deus sempre levam ao alvo por Ele previsto. O livro de
Deuteronômio (o quinto livro de Moisés) é um exemplo único e singular disso.
O pensamento preponderante embutido nesse número é a criatura em relação ao
Criador Todo-poderoso.

6


O número 6 é o segundo número que não seja um número primo. A divisão permite o
produto de 2 x 3. Isso nos leva ao pensamento de vermos nesse número a revelação do
mal ou ainda a obra do inimigo.
Esse mal manifesta, ao mesmo tempo, a fraqueza da criatura. É isso que nos é ensinado
pela divisão. Por isso, o mal deve recuar diante de Deus.
Se contemplarmos o lado positivo, então esse número nos fala da vitória sobre o mal, de
santificação e da glorificação de Deus.
A semana de trabalho do ser humano é composta de 6 dias (Êx 20:9). É esse o tempo
determinado para o seu trabalho e mostra figuradamente o trabalho de sua vida, mostra
os seus “poucos e maus” dias limitados por causa do pecado.
Em seu significado pleno, esse número parece nos falar do estado de evolução
emadurecida do pecado, porém limitado com respeito ao seu poder e vigilado por Deus,
que Se glorifica a Si próprio por ocasião do auge desse estado. As disciplinas que Deus
há de aplicar aos Seus também podem ser contempladas sob esse ângulo de vista.
No número da besta em Apocalipse 13:18 (666) nós encontramos o número 6 em
conexão com potências seqüenciais do sistema decimal. Ali representa o mal em sua
manifestação plena. Ainda assim a impotência e debilidade são manifestas em todo o
tempo, pois esse mal é controlado pela mão de Deus. A única conseqüência para o ser
humano é que a sua responsabilidade e o conseqüente juízo são apenas aumentados. O
número da besta é o “número de seu nome” — um número que caracteriza a besta por
completo. Porém, o número é o “número de um homem” que aspira a ser igual a Deus
se gabando e sem temor de Deus1.
1 Nesse contexto é interessante observamos que o valor numérico do nome de “Jesus”, no grego, é “888”.
O grego não conhece, de modo geral, sinais específicas para os números e atribui a cada letra do alpfabeto
um valor numérico assim permitindo que se calcule o valor numérico das palavras. O mesmo é válido
para o hebraico.
No décimo salmo nós encontramos a descrição desse “maligno” (vv. 2-11). Esse salmo,
em conjunto com o salmo 9, compõe um salmo alfabético (salmos cujos versículos ou
conjuntos de versículos iniciam, de forma seqüencial, com as letras do alfabeto
hebraico). Nessa exata passagem foram omitidas exatamente 6 letras (mem a tzade).
A estatura de Golias era de 6 côvados (1 Sm 17:4); um outro gigante de sua linhagem
tinha 6 dedos nas mãos e nos pés respectivamente (2 Sm 21:20).
A imagem idólatra de Nabucodonosor era de 60 côvados de altura e 6 côvados de
largura (Dn 3:1).
E por fim lembremos ainda da crucificação do Senhor. As trevas se inciaram na hora
sexta e terminaram à hora nona. O número 9 é o produto de 3 x 3. Vemos Deus revelado
em todas as Suas glórias.

7


O número 7 é o número da plenitude ou perfeição. Por vezes é usado com um
significado negativo, mas de forma geral tem conotação positiva. Quando o número 7 é
decomposto, isso geralmente acontece nas Escrituras em forma da soma 4 + 3 —
números estes que obviamente falam da criatura manifestando o Criador. Se isso for
alcançado, então significa perfeição para a criatura e descanso para Deus (veja que o
sábado é o sétimo dia).
Muitas vezes esse número indica para um quadro completo de coisas ou também o
cumprimento de algo. Assim as sete primeiras parábolas de Mateus 13 nos dão uma
apresentação completa do Reino dos Céus. As primeiras 4 parábolas mostram esse
Reino como ele é visto exteriormente da parte do mundo, e as 3 últimas, por sua vez, o
mostram tal como Deus vê o Reino dos Céus. As 7 cartas às 7 igrejas em Apocalipse 2 e
3 apresentam uma história eclesiástica (uma história da Igreja) completa e inspirada. Os
7 selos preservam o livro dos juízos (Ap 5:1). As 7 taças estão cheias da ira de Deus
(Ap 16:1). Os “sete espíritos piores do que ele” que o espírito imundo leva consigo
(veja Mt 12:45) nos dão um exemplo para o significado negativo do número 7 tal como
também as 7 cabeças da besta em Apocalipse 13.
O significado positivo se resume no pensamento de cumprimento divino e perfeito. É
por isso que a seqüência básica dos números termina com 7.

8

O número 8 indica um cumprimento, porém dá ênfase em um novo começo. O oitavo
dia é simplesmente o primeiro dia de uma nova semana. Por isso, o número 8 fala
daquilo que é novo em contraste com aquilo que é velho ou antigo; nos fala da nova
aliança em contraste com a antiga e também da nova criação.
Por causa desse significado, a circuncisão havia de acontecer no oitavo dia (veja Lv
12:3). Colossenses 2:11 se refere a isso quando fala do “despojo do corpo da carne”.
Nós somos uma nova criação, criados em Cristo Jesus para as boas obras (Ef 2:10).
A santificação dos sacerdotes se estendia por 7 dias e no ??????? (aqui falta algo na
cópia)
A transfiguração aconteceu no oitavo dia (veja Lc 9:28) e com ela se inicia
simbolicamente o novo século da “virtude e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”
(2 Pe 1:16-18). O salmo 8 anuncia o domínio do Filho do Homem sobre essa terra
(compare Hb 2:5-9).
Como todos os demais números, também o número 8 pode se referir a coisas malignas.
Já encontramos “os sete outros espíritos” unidos àquele primeiro “espírito imundo”,
somando 8 ao total. Essa composição nos apresenta o “último”, o “último estado” em
que um ser humano pode adentrar.
Em Daniel 7:8 nós vemos um animal com 10 chifres. Nasce-lhe um décimo primeiro
que, por sua vez, arranca 3 e juntamente com os 7 sobrando soma 8. É dessa forma que
surge o último estado desse animal — estado este que também é o estado em que,
finalmente, será julgado.
Em Apocalipse 17, onde encontramos o mesmo assunto sob um outro ângulo de vista, a
oitava cabeça concede à besta a sua figura blasfematória e assim “vai à perdição” (v.
11).

10


O número 10 é caracterizado por um parentesco íntimo com o número 5, pois é
composto de 5 x 2. O significado dos 10 dedos das mãos e dos pés é claro e nos
mostram a capacidade do ser humano para agir e também para andar endireitado. A
essas capacidades corresponde, por outro lado, uma medida de responsabilidade, e a
essa, por sua vez, uma medida de juízo ou de galardão respectivamente. Foi por isso que
10 pragas sobrevieram o Egito.
Os 10 mandamentos se encontram nas duas tábuas do testemunho. Assim exmplificam a
medida de responsabilidade do ser humano, porém visto da parte de Deus.
No reinado das 10 tribos, Efraim foi introduzido na sua própria responsabilidade
separado do domínio da casa de Davi.
Os 10 dedos da estátua no sonho de Nabucodonosor permitem que os pés permaneçam
firmes. Eles correspondem aos 10 chifres da quarta besta de Daniel 7:7.
As 10 vírgens da parábola de Mateus 25 representam a responsabilidade. Há 5 sábias e 5
néscias. Trata-se nessa parábola do testemunho da vinda do Noivo.
Finalmente, encontramos um todo sintetizado ou resumido em 10 partes quando Deus
exige o dízimo. Isso nos mostra a medida de responsabilidade, da qual Deus toma uma
parte como sinal de sua soberanidade.

12


O número 12 gerlamente é decomposto nos fatores 4 x 3, tal como o número 7 na soma
4 + 3. Os números são idênticos. A diferença está no fato de que uma vez se trata de um
produto e no outro caso de uma soma. É apenas a relação dos dois números entre si que
distingue 12 de 7. O pensamento básico nos mostra o número do mundo (4) e o da
revelação divina (3). Porém, os dois números não estão apenas colocados um ao lado do
outro. Deus Se revela a Si mesmo na sua criação, como testemunha o 7, mas agora
também intervém com ações modificando alguma coisa. Por isso, o número 12
simboliza soberanidade manifesta tal como fora exercida, por exemplo, em meio do
povo de Israel pelo Senhor. Assim também essa soberanidade será exercida no século
vindouro.
Os números 1 e 5 também são números do governo, porém o número 1 fala
simplesmente de soberanidade — da vontade soberana e de poder soberano. Enquanto
isso, o número 5 expressa mais o caminhos de Deus em Seu governo. Ambos se referem
tanto à previdência divina como também ao Seu domínio público e manifesto.
Quanto a nova Jerusalém (Ap 21), tudo fala da soberanidade de Deus. Ela mede 12 mil
côvados (outros: estádios) em cada uma das 3 dimensões. A sua bênção consiste no fato
de que Deus tem o domínio ilimitado. Os 12 apóstolos se assentarão, conforme a
promessa do Senhor, em 12 tronos para julgarem as 12 tribos de Israel (mt 19:28).

A Linguagem Simbólica dos Números-2ª Parte


2


O pensamento básico comunicado por esse número é exatamente o contrário do número
1: há mais um, um outro. O número 2 fala de diversidade e divisão (ela é o primeiro
número divisível). Por isso, muitas vezes, ele se constitui em um símbolo do mal ou do
maligno.
Quanto ao seu significado positivo, encontramos os seguintes pensamentos embutidos
nele: acréscimo, crescimento, multiplicação, auxílio, confirmação e comunhão
(compare Ec 4:9-11).
1 — O número 2 fala de testemunho: “…o testemunho de dois homens é verdadeiro”
(Jo 8:17). A diferença entre duas testemunhas confirma um assunto ou negócio. Dessa
forma, o Antigo e o Novo Testamento se constituem nas duas grandes testemunhas de
Deus para com os homens. A segunda pessoa da divindade é entitulado de “a
testemunha fiel e verdadeira” (Ap 3:14) e também de “a Palavra de Deus” (Ap 19:13).
2 — O número 2 também fala de salvação e auxílio.
3 — Também vemos nele os pensamentos de comunhão, matrimônio, relações mútuas e
ele faz referência à antiga aliança constituída pela Lei.
4 — Encontramos também os pensamentos de dependência, humilhação e ministério.
São justamente esses significados diversos que achamos em unidos na pessoa de Cristo,
segunda pessoa da divindade, o segundo homem (veja 1 Co 15:47). Pelo fato de Ele,
que era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, Se humilhar a Si mesmo até à
morte para nos servir, Ele Se tornou em nosso Salvador.
Consideremos agora o significado negativo do número 2.
1 — Nesse sentido ele nos fala de diversidade, separação, contraste, contradição,
oposição, conflito e inimizade, enfim, fala da obra do inimigo.
Os animais na arca estavam em pelo menos dois exemplares de cada espécie. A mãe de
uma menina, após o nascimento, ficava imundo por duas semanas — o dobro do espaço
de tempo que em caso de um menino.
É especialmente na figura da mulher que encontramos exemplificado esse número. Ela
depende do homem, porém, ainda assim, é a sua ajudadora. Ela é a figura da
multiplicação, mas por ela o pecado e a morte se introduziram no mundo. Por outro
lado, por ela também veio a “semente” vitoriosa (Gn 3:15), que estabeleceu a salvação.
2 — A morte traz separação e despedida e assim se torna no último inimigo. Por outro
lado, a morte de Cristo na cruz significa para nós hoje a salvação, embora foi ali que o
conflito entre o bem e o mal chegou ao auge. Não há outra aparente contradição tão
grande como aquela que vemos com respeito à cruz (veja Sl 85:10).

3


O número 3 é o número que serve para medir o espaço; é o número da expansão cúbica,
da plenitude e de uma noção viva. Se você toma apenas duas medidas e as multiplica, o
resultado será apenas uma área plana. Se ajuntar a ela a terceira dimensão, o resultado é
mais do que uma simples área plana; apenas a tereceira dimensão nos permite ter a idéia
do espaço e do volume. Esse número, portanto, nos fala de realidade, essência e
plenitude.
Quando Deus se revelou plenamente, nós podíamos conhecer três pessoas da divindade.
Enquanto essas três pessoas não foram conhecidas, Deus não fora plenamente revelado.
É por isso que o número 3 é o número de revelação, o número de Deus e da Trindade.
Muitas vezes, e número 3 caracteriza a terceira pessoa da divindade, o Espírito Santo,
que nos revela até as profundezas de Deus (veja 1 Co 2:10). Enquanto a Terra era sem
forma e vazia, e enquanto havia trevas sobre a face do abismo, o Espírito de Deus se
movia sobre a face das águas. Quando seres humanos experimentam o novo nascimento
de Deus, então o Evangelho não os alcança apenas pela Palavra, mas também porder e
pelo Espírito Santo (veja 1 Ts 1:5). Seria a santificação — a obra do Espírito — outra
coisa a não ser a realização da salvação da alma? Sem a operação do Espírito não nada
senão uma operação exterior: “O que é nascido de carne é carne, e o que é nascido do
Espírito é espírito” (Jo 3:6). É essa a terceirta dimensão que, visto dessa forma, cada
crente verdadeiro possui.
O santuário, a habitação de Deus, é sempre um cubo: 10 x 10 x 10 côvados media no
tabernáculo e 20 x 20 x 20 côvados media no templo. E também a nova Jerusalém
iluminada pela glória de Deus é igualmente um cubo exato: “… e o seu comprimento,
largura e altura eram iguais” (Ap 21:16).
No santuário o próprio Deus Se revela. Ele é igualmente revelado na ressurreição —
fato que nos mostra todo o poder humano lançado no pó; por isso a ressurreição ocorreu
no terceiro dia. Ligado a isso, encontramos os pensamentos de restauração, revificação e
restabelecimento ou convalescença (veja Os 6:2).
Nesse contexto, o número 3 representa:
— a glória divina e a revelação dEle próprio;
— propriedade, participação e habitação: vemos o céu na sua condição de santuário e
habituação de Deus. Ali no santuário é o lugar onde é trazido adoração e louvor e
ministério;
— o fruto que revela a qualidade da árvore (veja Mt 12:33).

A Linguagem Simbólica dos Números-1ª Parte



segundo: F. W. Grant
Introdução


Quando estudou o livro dos salmos, o irmão F. W. Grant (1834 – 1902) foi estimulado a
comparar os 5 livros dos Salmos com os 5 livros de Moisés. Esse estimulo veio de
algumas observações em certo estudo bíblico. Por exemplo lhe chamou a atenção o fato
de que os judeus chamam os Salmos de “O Pentateuco de Davi”). Ao longo do tempo,
ficou cada vez mais claro para ele o quanto o significado simbólico dos números 1 a 5 é
característico para o pensamento principal de cada um dos respectivos livros. A mesma
estrutura posta por Deus nos 5 livros de Moisés (o Pentateuco), também se encontra nos
5 livros dos Salmos.
Essa observação o levou a procurar nas Escrituras por outras estruturas numéricas, e ele
publicou os resultados de seus estudos numa série de livros — em sete volumes na
“Numerical Bible” (“Bíblia Numérica” — não disponível em português) e no livrete
“The Numerical Structure of Scripture” (“A Estrutura Numérica das Escrituras” — não
disponível em português).
Os números 1 a 12
Segue agora uma tradução de uma parte da “Introdução” à “Numerical Bible”.
1
O número 1 tem por base principalmente o pensamento de exclusividade e
singularidade.
a) O número 1 exclui qualquer outra pessoa
“Ouve, Israel, o SENHOR, teu Deus, é o único SENHOR” (Dt 6:4; Mc 12:29).
“Naquele dia, um será o SENHOR, e um será o seu nome” (Zc 14:9).
1 — Esse número nos fala de onisuficiência que independe de outrem. Também faz
referência à suprema soberania e onipotência.
2 — O número também 1 representa independência,que não tem ninguém por cima de
si nem ao lado.
b) O número 1 exclui diversidade externa
Ela nos fala de unidade, união e paz.
c) O número 1 exclui diversidade interna
“O sonho de Faraó é um só” (Gn 41:25).
1 — O número 1 transmite o pensamento de harmonia das partes individuais ou das
características individuais de alguma coisa. Embute também o pensamento de
conseqüência, concordância e de justiça (= concordância numa relação).
2 — Por outro lado também nos fala de individualidade: um corpo, um membro, um
ramo. Na sua apresentação mais sublime faz referência à personalidade, enquanto na
sua apresentação mais simples fala de vida que é a base para toda real individualidade.
d) O número 1 enquanto numeral ordinal: o primeiro, o início ou princípio
1 — Em primeiro plano se refere a Deus, o Criador, o Doador de vida, o Pai; Deus é a
fonte de tudo.
2 — Transmite o pensamento de suprema soberanidade.
3 — Isso, por sua vez, embute a primazia no pensar e a ilimitada soberanidade no querer
e no agir. Vemos, portanto, incluídos: os conselhos, a eleição, as promessas e a graça.
4 — Como númeral ordinal também fala do nascimento como o início de uma vida
Principalmente, esse número comunica algo de Deus. Porém, ela pode se referir, numa
medida mais limitada, ao homem e, por fim, como todos os números, pode portar um
significado negativo.
1 — No sentido positivo, pode falar de justiça, como afirmado acima; também de
obediência, de reconhecimento prático da soberanidade divina e, por conseguinte, de
“arrependimento a Deus”. Pode ter a conotação de integridade que é unidade.
2 — No sentido negativo, esse número comunica a idéia de independência,
desobediência e rebeldia

A História Do Sacerdócio


Leitura da Bíblia: Ap 20:6; Hb 7:3


Há na Bíblia um oficio chamado o oficio sacerdotal. Este ofício denota um grupo de pessoas que foram separadas do mundo e são devotadas unicamente para ministrar a Deus. Elas não têm outra profissão ou vocação além de servir a Deus. Tais pessoas são conhecidas na Bíblia como sacerdotes.
Deus tem tido Seus sacerdotes desde a época de Gênesis. O primeiro sacerdote foi Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo, que dispensou pão e vinho para Abraão. Ele foi um sacerdote que separou a si mesmo para o serviço de Deus.
De gênesis à Ascensão do Senhor. Desde o tempo de Gênesis até a nação de Israel, houve sacerdotes. Desde a época em que o Senhor Jesus veio à terra ate Sua partida do mundo, o ofício sacerdotal perdurou. A Bíblia também nos diz que após sua ascensão, o Senhor Jesus ministra como um sacerdote diante de Deus. Em outras palavras, o Senhor Jesus devotou-se inteiramente para servir a Deus.
Na Era da Igreja e o Milênio. Na era da igreja, o ministério sacerdotal continua. No começo do milênio, aqueles que participarem da primeira ressurreição serão “sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos”, (Ap 20: 6) Em outras palavras, durante esses mil anos, os filhos de Deus continuam a servir como “sacerdotes de Deus e de Cristo”. Para o mundo eles são reis, enquanto para Deus são sacerdotes. O ministério sacerdotal não é alterado; eles servem a Deus.
Até a Época do novo Céu e nova Terra. O termo “sacerdote” deixa de existir quando o novo céu e a nova terra são introduzidos. Nesta época, todos os filhos de Deus e Seus servos nada mais fazem além de servir a Deus. Na nova Jerusalém, todos os Seus servos O servem, e os filhos de Deus também O servem.
Assim, aqui percebemos uma coisa maravilhosa, isto é, o oficio sacerdotal começou com Melquisedeque que não tinha genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de existência, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote perpetuamente (Hb7:3).
Desde o primeiro livro da Bíblia, parece que apenas Melquisedeque é um sacerdote. Mas o propósito de Deus não é ter somente uma ou duas pessoas como sacerdotes. Seu alvo é que todo seu povo se torne sacerdote.

Um Reino de Sacerdotes
Deus escolheu os Israelitas. Quando os israelitas saíram do Egito e chegaram ao monte Sinai, Deus falou a Moisés que dissesse ao povo: “Vós me sereis reino e sacerdotes enação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”. Deus disse aos israelitas que eles eram um reino de sacerdotes. Esta é uma afirmação que parece difícil de entender. Por que Deus disse isso? O significado disso é que toda a nação deveria ser sacerdote. Em outras palavras, não havia pessoas comuns naquela nação, mas todas eram sacerdotes. Posso dizer-lhes que este é o propósito de Deus.
O Objetivo de Edificar um Reino de Sacerdotes. Quando Deus escolheu o povo de Israel para ser Seu povo, Ele tinha apenas um objetivo para com eles, isto é, este Reino devia ser diferente dos reinos da terra; este reino devia ser um reino de sacerdotes. Cada um neste reino devia ser um sacerdote. Cada um tinha a única vocação de servir a Deus. Deus gosta de escolher pessoas na terra para servi-Lo; Deus gosta de ter um povo na terra que viva exclusivamente a Seu serviço. Deus deseja que todos os Seus filhos seja sacerdote e O sirvam.
Quando o povo de Israel chegou ao Sinai, Deus lhes disse que iria estabelecê-los reino de sacerdotes. Isso é algo deveras excelente. A Inglaterra é bem conhecida como uma nação naval, os Estados Unidos como uma poderosa nação financeira, a China por ter uma civilização antiga e a Índia por sua filosofia. Aqui está um reino conhecido como um reino de sacerdotes. Neste reino todos os homens e mulheres servem no sacerdócio. Jovens e velhos igualmente são sacerdotes. Qualquer profissão em que estejamos engajados, deve contribuir para o serviço a Deus.
Deus Deu ao Povo de Israel Dez Mandamentos. Depois de dizer ao povo que Ele os estabeleceria como um reino de sacerdotes, Deus então disse a Moises que fosse até Ele no monte. Lá, Ele escreveria os Dez Mandamentos nas duas tábuas de pedra, para serem dados ao povo de Israel. Moisés esteve no monte por quarenta dias, e Deus escreveu nas tábuas de pedra Seus Dez Mandamentos.
O Povo de Israel Fez um Bezerro de Ouro. Enquanto Moisés estava no monte, o povo estava ao pé do monte. Vendo que ele demorava e não sabendo o que lhe acontecera o povo disse a Arão: “Levanta-te, faze-nos deuses que vão adiante de nós” (Ex 32:1). Arão ouviu as suas palavras e recolheu muito ouro com o qual fez um bezerro de ouro e disseram: “São estes, ò Israel, os teus deuses que te tiraram da terra do Egito”.
Então adoraram o ídolo; o povo assentou-se para comer e beber, e levantou-se para divertir-se. Eles se alegraram grandemente. Naquele dia puderam ver com seus próprios olhos um deus feito de ouro fundido. O Deus no qual Moisés os tinha levado a crer era inconveniente, pois Ele não podia ser visto nem achado facilmente. Até Moisés havia desaparecido. Ficaram felizes com o bezerro de ouro que adoraram. Agora, embora Deus os tivesse ordenado como Seus sacerdotes, antes de assumirem o sacerdócio de Deus, eles primeiro serviram como sacerdotes do bezerro de ouro. Deus desejava que eles fossem um reino de sacerdotes; mas antes de servirem a Deus, eles primeiro serviram o ídolo, o bezerro de ouro. Eles tinham deuses além de Deus e também os adoravam.
O conceito humano sobre Deus é tal que sempre se quer criar um deus próprio e adorá-lo a seu próprio modo. O homem gosta de adorar um deus feito por suas próprias mãos; ele reluta para aceitar a autoridade de Deus na criação. O homem não está feliz com sua posição de criatura de Deus.

A Tribo De Sacerdotes
Enquanto Moisés ainda estava no monte, Deus lhe disse para descer. Moisés voltando-se desceu do monte com as tábuas do testemunho na mão, nas quais estavam escritos os Dez Mandamentos. Quando ele se aproximou do acampamento e viu a situação ali, sua ira acendeu-se e ele espedaçou as tábuas de pedra. Então Moisés pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: “Quem é do Senhor, venha até mim”. Então todos os filhos de Levi se juntaram a ele. Ele lhes disse: “Cada um cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um a seu amigo, e cada um a seu vizinho”. Não importa quem seja, apenas o mate. Isso porque eles adoraram os ídolos e o bezerro de ouro. Não importa qual seja seu relacionamento individual com a pessoa, você deve matá-la.
O Preço Pago pelos Levitas. Muitas pessoas sentem que isso foi realmente cruel demais: quem poderia matar seus próprios irmãos e amigos? Dentre as doze tribos, onze não se moveram. Eles acharam o preço alto demais. Somente os levitas obedeceram. Com sua espada sobre o lado, cada um deles passou e tornou a passar de porta em porta. Cerca de três mil homens foram mortos, e eles eram parentes e amigos dos levitas.
O Oficio Sacerdotal Foi Dado aos Levitas. Desde o incidente do bezerro de ouro, somente a casa de Arão, da tribo de Levi, tinha o ofício sacerdotal; e os israelitas como um todo não podiam ser uma nação de sacerdotes.
A Distinção Entre o Povo de Deus e os Sacerdotes de Deus. Daquela época em diante, havia duas classes distintas de homens em Israel: o povo de Deus e os sacerdotes de Deus. A intenção original de Deus era que todo o povo de Deus fosse sacerdote de Deus. Ninguém poderia fazer parte do povo de Deus sem ser, ao mesmo tempo, sacerdote de Deus. Contudo, porque muitos amaram o mundo e o parentesco humano, sendo infiéis e idólatras, o oficio sacerdotal foi separado do povo comum. Se uma pessoa não ama ao Senhor mais que seu próprio pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs, ela não é digna de ser discípulo do Senhor. Muitos não conseguiram pagar o preço. Daquele dia em diante, em Israel, os sacerdotes foram separados do povo.
O Sacerdócio Pertencia a Uma Família. A nação de sacerdotes tornou-se a tribo de sacerdotes, e então, a família de sacerdotes. Dentro da tribo de Levi, o povo de Deus também era os sacerdotes de Deus. Dentro das onze tribos, o povo de Deus não podia ser os sacerdotes de Deus. Essa é uma questão séria. È uma questão muito séria se uma pessoa pertence ao povo de Deus, contudo não está em Seu ministério sacerdotal.

A CONTINUAÇÃO DO SACERDÓCIO POR MEIO DA IGREJA
Leitura da Bíblia: 1Pe 2:5; Ap 1:6
Desde o tempo de Êxodo até o Senhor Jesus vir à terra, não houve sacerdotes de outras tribos. Além da tribo de Levi. O povo não podia fazer ofertas a Deus diretamente; eles tinham de fazê-las por meio dos sacerdotes. Não podiam confessar seus pecados diretamente diante de Deus. Não podia consagrar-se a si mesmos. Todas as coisas espirituais eram-lhes feitas pelos sacerdotes.
Havia Um Mediador Entre Deus e o Homem. Para os israelitas no velho testamento, Deus estava muito longe e não facilmente acessível. O sistema de um mediador passou a existir. Deus vinha até o homem por meio dos sacerdotes e o homem aproximava-se de Deus por meio dos sacerdotes. O relacionamento entre Deus e o homem tornou-se indireto.
Por cerca de 1500 anos, desde o tempo de Moisés até a vinda do Senhor Jesus, o povo de Deus não podia aproximar-se de Deus diretamente. Somente uma família servia com sacerdote, e apenas por meio deles o povo podia aproximar-se de Deus. Qualquer outro que se aproximasse de Deus diretamente, certamente morreria. Durante este período, o oficio sacerdotal era muito importante. Sem sacerdotes, o homem não podia aproximar-se de Deus. Contudo, sob a Nova Aliança o homem foi redimido, e o homem pôde ser salvo e tornar-se sacerdote de Deus. “Também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espirituais para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1Pe 2:5).
Todos os Que Sob a Graça São Sacerdotes. Pedro nos disse que o fundamento da igreja é Cristo. Ele foi a pedra rejeitada pelos construtores, embora tenha-se tornado a pedra angular. Todos nós somos pedras vivas, sendo edificados uma casa espiritual. Tornando-nos os sacerdotes santos de Deus. A voz celestial nos disse que todos os que foram salvos pela graça são sacerdotes de Deus. Vemos aqui que Deus fez uma promessa que foi posta de lado por 1500 anos e que agora foi apanhada. O que os israelitas perderam, a igreja ganhou. O sacerdócio perdido pelos israelitas agora foi dado a todos aqueles salvos pela graça.
A Igreja é Também o Reino de Sacerdotes. Apocalipse 1:6 diz: “E os constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai”. O que os israelitas perderam por causa do bezerro de ouro, a igreja recuperou por intermédio do Senhor Jesus. Agora a igreja toda é de sacerdotes. O reino de sacerdotes ordenado por Deus foi restaurado.
Deus obtém na igreja o que Ele não pôde obter do povo de Israel. Qual o significado de a igreja ter-se tornado o reino de sacerdotes? Significa que todos os que foram salvos pela graça de Deus têm uma única profissão, isto é, servir a Deus. Antes de uma pessoa crês em Deus, ela pode ser um médico, uma enfermeira, um professor ou um negociante. Após ser salva, tal pessoa tem apenas uma vocação principal, a de servir a Deus, embora ela possa continuar exercendo sua profissão. Antigamente, alguém desejava ser reconhecido em sua carreira, ser uma pessoa ilustre em sua profissão. Agora, tas ambições desvaneceram-se e a única vocação admitida é servir ao Senhor. Todas as outras atividades devem sujeitar-se a esse fim.

O MINISTÉRIO DO SACERDÓCIO
Leitura da Bíblia: 1Pe2:5; Ap 20:6; Hb7:3
Logo após a minha conversão, achava que pedir para um novo convertido servir a Deus, requeria um grande esforço, com se eu estivesse suplicando-lhe em nome de Deus. Isso é muito diferente do ponto de vista de Deus. A atitude de Deus não é pedir ao homem para fazer-lhe algum favor. Servir a Deus é a gloria do homem. Qualquer um que não fosse um sacerdote morreria se violasse o santuário ou a arca da aliança. Os néscios podem pensar que estão fazendo um favor a Deus servindo-O. Pensam que, por renunciar a uma parte do seu tempo, dinheiro, posição ou qualquer outra coisa, estão honrando a Deus. Isso apenas mostra quão ignorantes são. Na verdade, servir a Deus é honra e gloria para o homem. O fato de Deus permitir ao homem servi-Lo é glória par o homem. Isso é graça de fato. Indigno como sou, posso servir a Deus. Que boas novas! Que evangelho glorioso!
Na igreja hoje não existe mais o sacerdócio restrito, mas o serviço sacerdotal em geral. Israel falhou uma vez quando separou os sacerdotes do povo de Deus. Não devemos repetir esta separação hoje. Todo filho de Deus é um sacerdote, oferecendo ofertas espirituais e louvores diante de Deus. Quando você vir uma classe intermediária na igreja, essa é seita dos nicolaítas.
A Classe Intermediaria Deve Ser Abolida. Para abolir a classe intermediaria, devemos todos servir a Deus, diretamente, como Seus sacerdotes. Se todo o povo de Deus O servisse como sacerdotes, então haveria somente Deus e seu povo, que também seriam Seus sacerdotes. A idéia de uma classe intermediaria vem da carne, da idolatria e do amor a este mundo. Se todos nós, um a um servirmos a Deus diretamente como Seus sacerdotes, não mais haverá uma classe intermediaria.
Ser Um Cristão Significa Seu Um Sacerdote. Assim, você pode observar que por meio do fracasso e da vontade própria, surge uma classe intermediaria. Um grupo de pessoas servirá a Deus; eles cuidarão das coisas espirituais. Outro grupo de pessoas apenas se importará com as coisas do mundo; eles trabalham como negociantes, professores, médicos ou em outras profissões. Parece que servir a Deus não é da sua conta. Se uma pessoa é um cristão, ela também deve servir a Deus como um sacerdote.

A RESTAURAÇÃO DO SACERDÓCIO
Desde a época que o Senhor Jesus deixou o mundo, a época após a qual o livro de Apocalipse foi escrito, e até agora, todos os filhos de Deus são Seus sacerdotes. Isso apresentou pouca dificuldade, de um modo geral, durante os primeiros três séculos da era cristã.
A História do Fracasso da Igreja. Como a aceitação do cristianismo por Roma, muitos leigos entraram na igreja. O fato de alguém tornar-se um cristão, fazia com que este tal contasse com o favor do imperador romano. O mandamento original era dar a César o que era de César e a Deus, o que era de Deus. Agora, as coisas de César e Deus, todas pertencem a Deus. Foi, realmente, uma grande vitória do cristianismo Constantino tornar-se um cristão. Daquela época em diante, contudo, a igreja se degradou. Durante a época da perseguição romana, morreram milhares de mártires. Naquela época era difícil procurar ser cristão. Porem, mais tarde, ser cristão tornou-se algo comum e muitos entraram na igreja. O número do povo de Deus aumentou, mas o número dos que serviam a Deus não aumentou. É possível misturar-se na multidão como cristão, mas não é possível misturar-se nela como sacerdote.
A Separação Entre Homens do Espírito e Homens do Mundo. Houve uma grande mudança no século quarto. As pessoas que entraram na igreja eram crentes parciais com poderes no mundo. Elas não tinham intenção de servir a Deus. Em resposta a esta mudança surgiram aqueles que manejaram o serviço espiritual. Assim, muitos na igreja disseram: “Nós cuidadas do que é próprio do mundo. Por favor, vocês cuidem do serviço espiritual”. Portanto, muitos não participaram do serviço a Deus.
Algumas Pessoas do Povo de Deus Não Servem como Sacerdotes. No século primeiro, no tempo dos apóstolos, cada crente servia a Deus. Então no século quarto, alguém disse : “Nós somos o povo de Deus, mas continuaremos no mundo. Apenas contribuiremos com algum dinheiro. Que os outros que são espirituais cuidem do serviço espiritual”. A igreja tonou-se como Israel após a adoração do bezerro de ouro; a maioria do povo não mais servia como sacerdotes.
Hoje Devemos Andar No Caminho da Restauração. Desejo que todos os irmãos e irmãs possam ver isto. É a vontade de Deus, nestes últimos tempos, restaurar Suas coisas. Ele quer restaurar a posição do Seu povo, então somos Seus sacerdotes. Há sacerdotes hoje, e em Seu reino continuará a haver sacerdotes. Todo o povo de Deus será Seus sacerdotes.

O SERVIÇO DO SACERDOTE
Quero que todos os irmãos e irmãs valorizem o fato de que como cristãos, todos são sacerdotes. Não esperem que outros sejam seus sacerdote. Não há classe intermediária em nosso meio; você deve servir a Deus diretamente.
A Igreja Deve Ter o Serviço de Todos. Se Deus for gracioso conosco, todos os irmãos trabalharão juntos servindo a Deus. Quanto mais irmãos houver servindo a Deus, mais forte será o testemunho da igreja. Sem tal serviço, nos falhamos.
È Algo Glorioso Servir a Deus. É gloria para nós quando Deus nos aceita para servi-Lo, vendo quão fracos e pobres somos. Na época do Velho Testamento, todos aqueles que eram aleijados ou que de alguma forma sofriam de enfermidades não podiam servir a Deus. Contudo, agora, vis como somos, Deus tem-nos chamado para servi-Lo. Até mesmo de joelhos, elevemos nosso modo de servir a Deus. Na verdade, ser sacerdote de Deus significa estar perto Dele, tendo acesso direto a Ele, sem passar por qualquer intermediário.
O Reino de Deus Virá Se Todos Nós O Servirmos. Se um dia, em todas as igrejas locais, todos os irmãos e irmãs servirem a Deus, teremos em nosso meio o reino de Deus, o reino de sacerdotes. Isso é realmente algo muito glorioso! Que esse pensamento possa levar-nos a sacrificar tudo e ser fieis a Deus.
A Base do Sacerdócio é a Aceitação de Deus. A base do sacerdócio no Velho Testamento é que Deus ordenou que os sacerdotes se aproximassem sem ter medo da morte. Isso é uma grande coisa. Os Paes da proposição somente podiam ser partilhados pelos sacerdotes. Somente os sacerdotes podiam entrar no santuário e fazer as ofertas.Qualquer outro que entrasse morreria. Portanto, a aceitação de Deus é à base do sacerdócio. Hoje Deus nos diz: “Venham!” Não deveríamos aproximar-nos Dele?
É Misericórdia de Deus Aceitar Nosso Serviço. Devemos perceber que é misericórdia de Deus podermos aproximar-nos Dele e servi-lo. Ser salvo pela graça e receber perdão é, na verdade, maravilhoso, mas ser aceito para servir a Deus é ainda mais. Na igreja hoje, todo aquele que foi salvo pode servir a Deus.
O Principio da Não Aceitação de Qualquer Intermediário. No cristianismo hoje, onde se aceita haver uma classe intermediária, os sacerdotes de Deus são separados do povo de Deus. É minha fervorosa esperança que entre nós, na igreja, não haja tais intermediários. Que o Senhor possa salvar-nos e preservar-nos do fracasso dos israelitas!

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"