sábado, 6 de setembro de 2008

Paralelos Bíblicos (Parte III) T. J Blackman

Efésios e os Reis


Talvez mais um paralelo notável entre o Novo e o Velho Testamento seja suficiente para encorajar o leitor piedoso a procurar ainda outras evidências semelhantes da autoria divina das Escrituras.
À primeira vista, é possível que este paralelo pareça um tanto improvável, porém há um assunto muito importante que forma uma ligação clara entre os dois trechos. O Templo do Senhor era de grande interesse, não somente para Davi e Salomão, mas também para os reis subseqüentes da linhagem de Davi. Semelhantemente, a igreja como habitação de Deus é um dos grandes aspectos da verdade que a Epístola aos Efésios apresenta.
Vamos observar, então, algumas comparações entre os ensinamentos majestosos desta Epístola e os primeiros cinco reis da linhagem de Davi, a saber, Davi, Salomão, Roboão, Abias, e Asa.


Davi e Efésios 1: projetos e preparativos


O nome de Davi

Mais uma evidência da ligação de Efésios com Davi se encontra no nome dado ao grande Filho de Davi em Efésios 1:6: “o Amado”. Este é, de fato, o significado do nome Davi. Quando Deus não cortou aqueles descendentes de Davi que caíram em pecado, lemos que foi “por amor de Davi … levantando a seu filho depois dele, e confirmando Jerusalém” (veja I Rs 15:4). Quanto mais os eleitos de Deus são aceitos como objetos de Seu favor e como aqueles que Deus fez agradáveis a Si no Amado. “Fez agradáveis” é a mesma palavra que o anjo Gabriel usou com respeito a Maria, em Lc 1:28: “agraciada”, ou “muito favorecida” (ARA).
Davi também era amado de seu povo (I Sm 18:16; II Sm 5:1), e até mesmo de gentios como Hirão, rei de Tiro (I Rs 5:1). Porém, às vezes ele precisava dizer: “Em recompensa de meu amor são meus adversários” (Sl 109:4). Para Paulo, amor para com o Senhor e para com o Seu povo era o sinal da genuinidade dos santos em Éfeso, e isso o levou a orar para que pudessem desfrutar tudo que Deus lhes deu em Cristo (Ef 1:15-23).

O desejo de Davi

Davi teve em seu coração o propósito de edificar uma casa para o Deus de Israel, mas a casa de Deus não poderia ser edificada por alguém que fora homem de guerra, e cujas mãos derramaram muito sangue (veja I Cr 28:3). Alguns teriam entendido isso como uma rejeição, e teriam ficado amargurados contra o Senhor. Mas Davi não. Mesmo se não pudesse edificar o Templo, ele se encarregaria de todos os preparativos necessários para a construção. De fato, descobrimos em I Cr 28:11-18 que a “planta”, tanto da construção como para o ministério do Templo, foi confiada a Davi, como ele afirma: “Tudo isto … fez-me entender o Senhor, por escrito da Sua mão, a saber, todas as obras desta planta” (v. 19).

Os preparativos de Davi

Em Efésios 1 temos a planta e os preparativos de Deus para Sua habitação, a Igreja. O grande desejo de Davi, como homem conforme o coração de Deus (At 13:22), era executar toda a vontade dEle. Em Efésios 1 vemos o cumprimento do beneplácito da vontade de Deus na manifestação de Sua graça maravilhosa em nosso favor, em Cristo (vs. 5, 9, 11). A sabedoria de Davi é mencionada muitas vezes, tanto durante sua rejeição (I Sm 18:5, 14, 15, 30) como no trono (Sl 101:2), mas a sua sabedoria é um reflexo muito pálido daquela sabedoria e prudência divina que trouxe para nós “as riquezas da Sua graça” (Ef 1:7-8).
Há também a abundante provisão de Davi, descrita em I Cr 28, de ouro, prata e outros materiais para a construção e embelezamento do Templo. Quanto mais Deus nos fez abundar, não somente em todas as bênçãos espirituais (v. 3), e em toda a sabedoria e prudência (v. 8), mas também na “sobreexcelente grandeza de Seu poder” para conosco (v. 19), demonstrado na morte (v. 7), na ressurreição e na glorificação (v. 20) de Seu Filho, que “cumpre tudo em todos” (v. 23).

Salomão e Efésios 2-3: construção e inauguração


Os nomes de Salomão

É interessante observar que Salomão tinha dois nomes, ambos dados por Deus. Somos informados que, na ocasião de seu nascimento, “o Senhor o amou” (veja II Sm 12:24-25), e enviou o profeta Natã para dar-lhe o nome Jedidias (“amado por Jeová”). Todavia, Davi chamou-o Salomão, e descobrimos em I Cr 22:9 que Deus lhe tinha dado este nome antes do seu nascimento. Sem dúvida Deus sabia muito bem que mais tarde Salomão cometeria alguns erros bem graves, mas mesmo assim, em graça soberana, Ele deu-lhe estes nomes maravilhosos, antes dele ter feito bem ou mal.
Assim, no início de Efésios 2 vemos que, embora estávamos mortos em ofensas e pecados, dominados por Satanás e merecedores da ira, Deus tem sido riquíssimo em misericórdia para conosco e nos salvou pela Sua graça, por causa do “Seu muito amor com que nos amou” (v. 4), e tudo isso para mostrar em séculos vindouros “a Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” (v. 7).
Ao descobrir que o nome Salomão quer dizer “pacífico”, percebemos com ainda mais clareza o paralelo com Efésios capítulo 2, onde lemos do Senhor Jesus: “Ele é a nossa paz” (v. 14). Em primeiro lugar, a cruz de Cristo remove a inimizade entre judeu e gentio, quando ambos se aproximam dEle como pecadores culpados (vs. 14-15). Então Ele reconciliou ambos com Deus pela cruz (v. 16), assim declarando alegres notícias de paz “a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto” (v. 17).

O Templo de Salomão

Quando o desejo de Davi de edificar a casa de Deus foi recusado, Deus prometeu que um dos seus filhos seria o construtor do Templo (II Sm 7:12-13), e entre os muitos filhos dele, logo tornou-se claro que Salomão teria esse privilégio (II Cr 28:5), embora estas predições somente terão seu pleno cumprimento no único de quem poderia ser dito: “Eu Lhe serei por Pai, e Ele Me será por Filho” (veja I Cr 17:13 e Hb 1:5).
Outro fato interessante que devemos notar é que, antes do início da construção do templo, Salomão conseguiu o auxílio de Hirão, rei de Tiro, para organizar o fornecimento de madeira (I Rs 5). Também, quando a obra começou, Salomão mandou trazer de Tiro um homem, também chamado Hirão, que era “filho de uma mulher viúva, da tribo de Naftali, e fora seu pai um homem de Tiro” (I Rs 7:13-14). Este homem era “cheio de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, para fazer toda a obra de cobre”. Assim, mesmo na construção do tipo, os gentios participaram junto com o povo de Israel.
Portanto, não nos surpreende ver que em Efésios 2, depois de mostrar como judeus e gentios são reconciliados uns com os outros e com Deus pela cruz de Cristo, Paulo afirma também que ambos têm acesso ao Pai, por meio do Senhor Jesus, no poder do Espírito Santo (v. 18). Observe também nesse respeito, que as principais obras de Hirão, em I Reis 7, são as colunas (da entrada do santuário), e o mar de fundição (para a purificação dos sacerdotes), que são todos figuras da nossa aproximação de Deus.
Então, dirigindo-se aos crentes gentios, Paulo escreve: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” (Ef 2:19-22).
Assim, não somente somos trazidos para perto de Deus no Espírito, mas também coletivamente nos tornamos a Sua habitação no Espírito. Salomão realmente não tinha a expectativa de que Deus (a quem os céus, e até os céus dos céus não poderiam conter) habitaria em seu Templo. Quanto à Igreja, porém, ela é o Templo vivo em que Deus realmente habita.

A sabedoria de Salomão

Em Efésios cap. 3, Paulo, como Salomão, podia falar da sabedoria que Deus lhe deu. Realmente a sabedoria de Salomão atingiu seu auge na realização da construção do Templo e no resultante louvor unido, quando “todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo, e a glória do Senhor sobre a casa, encurvaram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram e louvaram ao Senhor, dizendo: Porque Ele é bom, porque a Sua benignidade dura para sempre” (II Cr 7:3). Tal é o resultado também da sabedoria e força que Paulo pediu em favor de “todos os santos” na oração que encerra Efésios cap. 3: “A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém” (Ef 3:21).
Infelizmente, em outras áreas a sabedoria de Salomão nunca atingiu seu potencial, pois ele deu às mulheres a sua força, e seus caminhos ao que destrói os reis (veja Pv 31:3). Ele se esqueceu daquela sabedoria eterna que diz: “Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a fortaleza” (Pv 8:14). Sem dúvida, foi com coração contrito que Salomão escreveu mais tarde: “Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas” (Ec 9:18, ARA).
Que a petição de Paulo seja sempre o nosso desejo: “Para que, segundo as riquezas da Sua glória, [o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo] vos conceda que sejais corroborados com poder pelo Seu Espírito no homem interior; para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3:16-19). Observe a ligação entre poder, sabedoria e louvor: poder, para estarmos arraigados e fundados no amor de Cristo (3:16-17); sabedoria, para compreender o incompreensível amor de Cristo (3:18-19); e louvor, para dar a Ele toda a glória (3:20-21).

Paralelos Bíblicos (Parte II) T.J Blackman


I Pedro e os patriarcas



Dizem que debaixo da superfície nos oceanos encontram-se correntezas totalmente distintas, às vezes seguindo direções opostas. A palavra de Deus é semelhante. Sempre há aquele significado óbvio na superfície, mas uma pesquisa mais profunda revela outras linhas da verdade, às vezes de natureza bem diferente umas das outras.
As epístolas de Pedro são exemplos notáveis disso, estando saturadas com a linguagem e as imagens do Velho Testamento. Uma das linhas da verdade é mencionada por J. N. Darby em seus “Estudos”, onde observa que I e II Pedro são baseadas respectivamente em Mateus capítulos 16 e 17. Pensando só em I Pedro, seria muito proveitoso fazer a comparação com a festa da Páscoa e a subseqüente festa dos pães ázimos (Êxodo 12), que levaria ao estabelecimento de Israel como “reino de sacerdotes” (Êxodo 19), enquanto ainda eram um povo peregrino no deserto.
Porém, neste artigo gostaríamos de sugerir um paralelo que talvez o prezado leitor não tenha percebido. Nossa sugestão é que, ao escrever sua primeira epístola, Pedro tinha em mente os três grandes patriarcas — Abraão, Isaque e Jacó. Esta idéia não parece tão estranha quando nos lembramos que cada um destes três homens tinha o caráter de peregrino, o qual deve ser uma característica de todo cristão, como Pedro deixa muito claro.

Abraão — peregrino e sacerdote (I Pe 1:1 — 2:17)

Encontramos várias características de Abraão nesta primeira parte da epístola. Podemos observar paralelos com seu chamamento (1:15 — Gn 12:1), sua fé (1:8-9 — Gn 15:6), suas provações (1:7 — Gn 22:1), sua obediência (1:14 — Gn 12:4), seu temor de Deus (1:17 — Gn 22:12), e seu amor fraternal (1:22 — Gn 13:8; 14:14). Mas o paralelo mais notável entre Abraão e I Pedro é a ligação entre sacerdócio e peregrinação. Assim que Abraão chegou na terra prometida fez duas coisas decisivas: armou sua tenda (peregrino), e edificou seu altar (sacerdote).

O peregrino

Embora herdeiro da terra, pela promessa de Deus, Abraão nunca possuiu nenhuma parte dela, a não ser um lugar de sepultura. Portanto, não tendo onde edificar casa, armou sua tenda. Pela fé ele esperava o dia quando sua descendência finalmente possuiria toda a terra da promessa, e também olhou além das possessões terrestres e esperava “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11:10).
Em Abraão temos um lindo quadro do caráter do verdadeiro peregrino. Enquanto seria futuramente o possuidor da terra prometida, não fez nenhuma tentativa de tomar posse dela, mas simplesmente passava de lugar em lugar, e dizia aos habitantes da terra: “estrangeiro e peregrino sou entre vós” (Gn 23:4). Contudo, ao mesmo tempo Abraão sempre se esforçava em manter um testemunho piedoso entre eles, de sorte que expressavam apreciação de sua dignidade piedosa, dizendo: “príncipe poderoso és no meio de nós” (Gn 23:6).
I Pedro dá ênfase à necessidade de haver características semelhantes no cristão. Em I Pe 2:11-17 o apóstolo, começando com as palavras: “Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros …”, indica que o caráter do peregrino começa com os desejos do coração: “… que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma” (v. 11); então mostra que o caráter do peregrino determina a sua maneira de viver (v. 12), suas atitudes para com autoridade (vs. 13-14), e exige boas obras e sinceridade perante todos (vs. 15-16); finalmente, resumindo tudo, diz: “Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei” (v. 17).

O sacerdote

Enquanto estava em comunhão com Deus, Abraão edificava seu altar e invocava o nome do Senhor. Porém, observe a interrupção dessa comunhão que ocorre entre Gn 12:10 e 13:4. O lugar de oração e louvor baseados em sacrifício (representado pelo altar) não é somente o único lugar para começar e o único lugar para continuar, mas também é o único lugar onde o desviado pode voltar para novamente desfrutar comunhão com Deus. O caráter de Abraão como sacerdote se vê, não só em oferecer sacrifícios ao Senhor, mas também em invocação (12:8), intercessão (18:23-32; 20:17), e instrução (18:19).
I Pedro cap. 2 traz ensinamentos sobre o sacerdócio no período do Novo Testamento, o qual é privilégio de todos os crentes. Em Jo 10:9 o Senhor Jesus afirma: “Eu sou a porta; se alguém entrar por Mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens”. Um aspecto dessa liberdade, de entrar e sair por meio do Senhor Jesus, se vê na descrição dupla do nosso sacerdócio como “santo” e “real” (I Pe 2:5, 9). Como sacerdócio santo devemos “oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”, indicando assim a nossa entrada na presença de Deus. Como sacerdócio real devemos, como um povo distinto e santificado, anunciar as virtudes (ou, excelências) dAquele que nos chamou, indicando assim a saída para dar testemunho.
Portanto, em Abraão temos uma pessoa que, enquanto suportava as aflições e provações do peregrino, podia desfrutar os privilégios e experiências espirituais do sacerdote. Que possamos sempre, pela graça de Deus, seguir este exemplo em nossa vida cristã, como Pedro nos exorta.

Isaque — peregrino e perseguido (I Pe 2:18 — 4:19)

Na próxima seção da primeira epístola de Pedro, como também na experiência de Isaque, há muito mais ênfase nas provações do peregrino. Ainda que as provações são mencionadas na primeira parte (1:6-7), agora vemos que a causa delas era perseguição. Perseguições eram a porção de Isaque, mesmo desde a sua meninice. Em Gn 21:9 Ismael, seu meio-irmão, é visto zombando dele, que é interpretado em Gl 4:29 como perseguição. Vemos com isto que a perseguição nem sempre envolve violência física.
Em Gênesis 26 vemos Isaque sofrendo hostilidade repetidas vezes das mãos dos filisteus. Cada vez que tentava reabrir os poços que seu pai tinha cavado, seus perseguidores os entulhavam e os enchiam de terra de novo. Isaque sentiu o ódio deles (v. 27) e deu nomes aos poços que refletiam isso, mas é muito agradável ver a mansidão com que ele suportava os ataques e tratava com seus inimigos (26:26-31). Este peregrino também sentiu oposição de dentro da própria família dele, em especial porque as esposas de Esaú, filhas de heteus, eram “uma amargura de espírito” para Isaque e Rebeca (26:34-35).
O assunto de perseguição ocorre vez após vez na segunda parte de I Pedro (2:18 — 4:19). Não podemos dar uma exposição detalhada disso agora, mas apresentamos um esboço desse ensino:

• Em 2:18-25 temos o exemplo dos sofrimentos de Cristo;
• Em 3:1 — 4:11 temos a eficácia do testemunho do cristão perseguido;
• Em 4:12-19 temos a expectativa de glória para animar o cristão perseguido.

Como peregrino, Isaque era caracterizado pelo temor do Senhor. Em Gn 31:42, 53, Jacó refere-se a Deus como “o temor de Isaque”, sugerindo assim que reverência era a característica mais destacada de seu pai. É interessante observar as três referências ao temor do Senhor que se encontram nesta seção de I Pedro, e considerar o significado delas em relação à perseguição. Em I Pedro 2:18, é o caso dos escravos cristãos: “sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus”. É claro, em vista do versículo anterior, que aqui “todo o temor” se refere ao temor de Deus. Em 3:2, é o caso de uma crente casada com descrente, e que este poderia ser ganho pela “vida casta, em temor” de sua esposa. Em 3:15, junto com mansidão, o temor reverencial sempre deve acompanhar o testemunho dos cristãos ao apresentarem a razão da esperança que há neles.

Jacó — peregrino e pastor (I Pe 5)

Jacó também é um bom exemplo da vida do peregrino (a que ele mesmo se refere em Gn 47:9, quando chegava ao fim da sua peregrinação). Porém, ele era notável também como pastor. Resistência, abnegação, e habilidade são as qualidades que percebemos neste verdadeiro tipo do Bom Pastor, mesmo quando o rebanho não era de sua propriedade. Veja o que ele diz a Labão, depois de vinte anos cuidando do rebanho dele: “Estes vinte anos eu estive contigo; as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca abortaram, e não comi os carneiros do teu rebanho. Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias. Estava eu assim: de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu sono fugiu dos meus olhos” (Gn 31:38-40).
É fácil ver como Pedro tinha em mente qualidades semelhantes em sua exortação aos presbíteros no cap. 5: “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho” (I Pe 5:2-3). O fardo pesado de responsabilidade que os fiéis presbíteros suportam, logo há de ficar eclipsado pela grandeza do seu galardão, pois “quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória” (v. 4).
Como é apropriado que o Espírito de inspiração levasse Pedro, apóstolo principal desta era da igreja, a basear seus pensamentos nas vidas e características dos três grandes patriarcas de Israel, ao escrever sua primeira carta! Quanto à segunda epístola — talvez o amado leitor gostaria de considerar José, Moisés e Josué, como a continuação da mesma seqüência, em relação aos três capítulos dessa carta.

Irmãos em Cristo Jesus.

Irmãos em Cristo Jesus.
Mt 5:14 "Vós sois a luz do mundo"